Direto de Brasília com Salvador Neto #3

O jornalista Salvador Neto, editor do Palavra Livre, foi ver in loco a crise política em Brasília e compartilha com os leitores e leitoras.
O jornalista Salvador Neto, editor do Palavra Livre, foi ver in loco a crise política em Brasília e compartilha com os leitores e leitoras.

Em minha última coluna Direto de Brasília, faço pequenas notas sobre temas diversos que vivenciei, e apurei aqui no Planalto Central. Mais uma vez agradeço o prestigio da leitura e o apoio dos admiradores do Palavra Livre com o nosso esforço em bem informar. Até a próxima, boa leitura!

Divórcio
Está evidente o divórcio que se aproxima entre a presidenta Dilma e o seu partido, o PT. Na confusão que se instalou com a crise política, governo e base aliada já não se entendiam deste o ano passado. Agora é o partido da Presidenta que vai se colocar contra as medidas fiscais, e principalmente a previdenciária. Dilma está bicuda, o PT também. Dois bicudos não se beijam.

Resistência
Os desencontros entre o que pensa Dilma e parte de seus auxiliares e outra parte dos ministros em breve deve ficar exposta. Bandeiras petistas como direitos trabalhistas, aposentadoria, entre outras, estão postas a mesa pelo governo para serem queimadas. Isso tem irritado o PT, e ministros do partido. Não farão força para isso andar, e pelo contrário, trabalham para derrubar tudo que o governo prepara.

PMDB lado A
Uma verdadeira república formada por diversas culturas e linguagens diferentes, o PMDB novamente está no centro das articulações para o fim da crise política. Ela pode se dar com impeachment, sem impeachment ou por cassação da chapa Dilma/Temer no TSE. Um lado do PMDB está empanturrado de ministérios, fortes aliás, e resiste a aderir a proposta do PSDB, DEM e demais partidos oposicionistas. Só sairão se realmente aparecer algo muito grave e direto contra a Presidenta.

PMDB lado B
Já o outro lado do partido age abertamente para derrubar Dilma, ou no TSE, ou com impeachment. Nem dão bola para a mancha indelével que representa Eduardo Cunha, presidente da Câmara, alvo de denúncia grave de propina. Perderam a disputa pela liderança para o governista (?) Leonardo Picciani, mas trabalham incansavelmente pela retirada do PT do poder central. Até parece jogo combinado. Uns mordem, outros assopram. Todos ficam felizes.

Palhaços
Foi ao ar na noite desta quinta-feira o programa do PMDB Nacional. Sentado em mesa de restaurante na asa norte, com um televisão à minha frente, ouvi um casal e outras pessoas que sentavam próximas o comentário sobre o conteúdo apresentado. “Eles pensam realmente que somos palhaços”, “Estão todos lá metidos e agora vem dizer essas bobagens na tv”. É, não tá fácil prá ninguém.

Tese
Entre as inúmeras teses que circulam nos corredores do Congresso Nacional e nos Ministérios, uma chama a atenção: Dilma deveria se desfiliar do PT, demitir todo o ministério, convocar um governo de união nacional inclusive com oposição e setores empresariais, e o mais interessante, enviar ao Congresso todas as reformas cobradas por todos – previdenciária, de estado, pacto federativo, tributária, etc – em forma de MPs. Segundo essas fontes, assim ela se redimiria e colocaria o rojão no colo de todos. Vai que…

13 de março
Movimentos ligados aos partidos opositores à Dilma organizam novamente atos de rua para o dia 13 de março em todo o país. Agora PSDB, DEM aderiram claramente aos movimentos que antes negavam. O que apurei aqui é que este clima permanente de confronto desgasta ainda mais quem o promove e apoia, e essa avaliação é de deputados e senadores dos oposicionistas. Dizem que a coisa “não pega” pelo impeachment porque não há nada contra a Presidenta que dê base a tudo isso. Creio que deveriam é prepara algum nome de peso para 2018. Perdem tempo.

Capas Pretas
Essa atividade incessante do Ministério Público Federal, Procuradores e Justiça com a Lava Jato, Zelotes e outra operações e investigações tem incomodado muito o mundo político em Brasília. Engana-se quem pensa que só o Executivo está acuado. Senado e Câmara não conseguem impor suas agendas diante de prisões e alta presença midiática dos “capas pretas”, como os políticos aqui os chamam. E se preocupam com o aprofundamento das ações, “muita liberdade” para prisões, que chegam a dizer serem “atos de tortura”, diante do tempo em que acusados ficam detidos provisoriamente, sem julgamento. E a democracia ainda resiste.

Janela lotando
Até ontem 19 deputados federais haviam trocado de partido com a entrada em vigor da tal janela partidária, período de um mês para troca de partidos para quem exerce o mandato. Essa prazo encerra em 18 de março, e a correria até lá vai ser grande. O PDT foi uma das legendas que mais ganharam deputados, passando de 18 para 20 parlamentares, e já é a quarta força da Câmara, à frente de legendas como PRB, PMB e com o mesmo tamanho do DEM. Criado em setembro, o Partido da Mulher Brasileira chegou a ter uma bancada relâmpago com 21 deputados. Eles foram para a nova sigla antes de a janela partidária por se tratar de novo partido. Agora, o PMB deve minguar e virar uma bancada nanica depois de ter servido de trampolim para outros partidos.

Por Salvador Neto, editor do Palavra Livre, exclusivo e direto de Brasília para os leitores e leitoras.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

Um comentário em “Direto de Brasília com Salvador Neto #3”

  1. Entre os destaques dados por você, me chamaram especial atenção os:

    Palhaços – Esta informação representa uma luz no final do túnel, finalmente os brasileiros estão fazendo uma leitura mais ampla do cenário político, se desvinculado das siglas partidárias e avaliando a situação por completo.

    Janela lotando – Ué! Onde estão os princípios ideológicos? Estão acabando ou na verdade nunca existiram? Neste balaio de gato, que se encontra os bastidores do Congresso Nacional, até mesmos os políticos mais oportunistas estão desnorteados. Devem estar cantando aquela música do Ney Matogrosso, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come….”. É, realmente não está fácil para ninguém!

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