Aldeias de Angola: A longa caminhada da aprendizagem

Doroteia e Isabel seguem lado a lado pela estrada poeirenta e esburacada. Vão demorar mais de duas horas para chegar até à escola mais próxima da sua aldeia, Kawewe, no Bié, no coração de Angola.

Como elas, milhares de alunos angolanos de zonas rurais andam dezenas de quilómetros para ter acesso ao ensino devido à falta de transportes.Muitos cedem ao cansaço e à dureza das caminhadas e abandonam a escola logo nos primeiros anos. Outros prosseguem, mas com baixos níveis de aprendizagem e aproveitamento.

“O setor da educação aqui tem desafios significativos”, desabafa José Edgar, administrador comunal da Chicala, uma das comunas desta província angolana que ocupa uma área equivalente a 80% da superfície de Portugal Continental.

Estamos a 52 quilómetros do Cuíto, capital do Bié, uma vasta extensão de planalto onde a população se dedica sobretudo à agricultura familiar e onde o mau estado da estrada implica perder quase duas horas de carro para chegar.

Nesta comuna, os 18 mil habitantes estão distribuídos por 57 aldeias, todas distantes entre si, sem transportes públicos, sem água, sem eletricidade, sem rede de telemóvel nem Internet, e com um número elevado de jovens em idade escolar.

Com o processo de aglutinação das escolas, por falta de salas de aula, e insuficiência de professores, muitas crianças das aldeias circundantes passaram a ter de se deslocar à Chicala para ir às aulas, para descontentamento dos pais, que, muitas vezes, acabam por preferir manter os filhos consigo nas lavras.

“Os pais veem os filhos a sacrificarem-se, têm baixo aproveitamento, apresentaram-nos essa preocupação”, diz o responsável da comuna que conta com dois centros escolares — um secundário e um primário — para atender uma população estudantil de 350 alunos.

Os quatro professores chegam a ter 80 alunos por turma no início do ano letivo, mas muitos vão ficando pelo caminho. Dos mais de 1.800 alunos matriculados no ano letivo de 2023/2024, cerca de 30% deixaram de ir às aulas. É meio da manhã e ouve-se a partir da janela a toada infantil do bê-a-bá recitado pelos alunos da 2.ª classe.

Os materiais pedagógicos são escassos ou inexistentes e os estudantes, mal alimentados, revelam pouca capacidade de concentração. Quem está a dar a aula de português é Frederico Chipessola, que, pacientemente, vai ensinado o alfabeto.

Pede a uma das crianças para ir fazer a leitura no quadro, mas o rapazinho recusa. “Tenho fome”, justifica, tristonho. As crianças acordam cedo e muitos fazem a longa caminhada de barriga vazia.

Um sacrifício que se estende também aos professores, como Alberto Tiago, de 30 anos, que leciona a 3.ª classe e vai e vem de mota, diariamente, do Cuíto para dar aulas na Chicala.

“Saio às 04:30”, diz, acrescentando que por vezes pernoita na casa dos professores disponível na comuna. O seu aluno Manuel Gueve, de 12 anos, acorda quase à mesma hora para chegar à escola, a pé, a partir da aldeia de Candondo.

Os pais e os irmãos trabalham na lavra e, apesar dos cerca de 20 quilómetros que percorre, Manuel diz que quer continuar a vir às aulas “para aprender”, apesar do cansaço.

Prosseguimos pela tormentosa estrada cavada de sulcos abertos pelas chuvas, cruzando-nos com alguns — poucos — “kaleluias”, as motas de três rodas que servem como principal meio de transportes desta população rural e pobre.

 Por aqui anda-se sobretudo a pé, homens, crianças e mulheres que carregam os filhos nas costas e as bacias à cabeça, postais africanos onde as privações se escondem atrás de sorrisos.

A paisagem, ora descampada, ora povoada por pequenos núcleos de casas de adobe com telhados de colmo ou de chapa presa com pedras, sucede-se por mais uma hora.

Fizemos cerca de 15 quilómetros para chegar à escola n.º 122 de Chilema, que serve sete aldeias, a mais longínqua das quais — Dumba Kalunjololo – a 26 quilómetros.

Dos 68 alunos da Dumba inscritos inicialmente, restam 18, diz Leonardo Chicomo, o diretor desta escola, que gasta também seis horas por dia no percurso escola-casa, no Cuíto, na sua motorizada.

A sala de aulas está instalada num barracão e transforma-se em local de culto aos domingos. Uma solução que as autoridades locais encontraram para colmatar a insuficiência de salas de aula.

Pouco mais de uma dezena de meninos e meninas aconchegam-se em banquinhos nesta igreja que faz de escola, ouvindo distraídos a aula de matemática dada por Miguel da Costa, 26 anos.

Chegou à aldeia há menos de um ano, depois de quatro anos passados na Chicala e ganha cerca de 150 mil kwanzas mensais (162 euros). “O maior problema é a locomoção”, o que o leva a ficar durante a semana na aldeia onde os professores podem pernoitar, lamenta.

Com uma pontinha de orgulho, diz que foi aprendendo a lidar com as outras dificuldades, o isolamento, a vida sem Internet e sem telemóvel: “eu sou escuteiro, a gente acostuma-se”.

Avançamos para a aldeia de Kawewe, onde muitos dos jovens deixaram de ir à escola. Jacinto Bunga, por exemplo. Tem 16 anos e parou na 5.ª classe. Porquê? “As condições”, responde.

Demorava três horas para ir à escola e mais três para voltar e acabou por se dedicar “ao cultivo”, juntando-se à família. Em época de chuvas, a estrada transforma-se num lamaçal e torna-se intransitável, levando ao abandono escolar.

Ernesto Jamba tem dez filhos e diz que os mais novos não têm como ir até à escola. “É uma hora de marcha”, diz. Verónica Capolo tem nove filhos e também ela critica as distâncias que tornam ainda mais difícil a vida destes estudantes.

“Se fosse mais próximo podiam estudar de manhã e de tarde ir à lavra”, ajudar a mãe no cultivo do milho e feijão que servem de sustento à família. Verónica fala e, aos poucos, crianças e adultos vão vencendo a timidez e começam a apontar a lista de necessidades. “Queremos escola, queremos rede, queremos manivela (água), queremos luz, queremos saúde”, pedem.

Voltamos a encontrar Doroteia e Isabel, já de tarde, na escola da Chicala. As duas jovens de Cawewe têm 16 anos e frequentam a 6.ª e a 7.ª classe. Saíram de casa por volta das 10:00 e vão regressar de noite.

No dia seguinte, tudo se repete, serão mais 50 quilómetros para ter acesso à educação, um direito que é garantido, mas que nem todos conseguem exercer quando têm de escolher entre comer ou aprender.

O cenário poderá mudar em breve com a implementação de um projeto-piloto no âmbito da iniciativa “Unidos pela Educação” – que integra o Centro Ufolo, a Fundação Ulwazi e o Ministério da Educação – para formar professores ambulantes e levar uma “escola móvel” até às aldeias.  

O projeto está a ser gizado com as autoridades locais e pretende encontrar soluções logísticas para transportar os professores, estabelecendo parcerias com os mototaxistas locais, e garantir kits pedagóicos e meios audiovisuais, através, por exemplo, de painéis solares portáteis, explica Rafael Marques, do Centro Ufolo.

“A educação tem de ir ao encontro dos alunos”, diz o ativista e jornalista, diretor do site Maka Angola, que espera ter o projeto no terreno já no início do próximo ano letivo.

Fonte: História de Lusa

Crônica – E seu Barros chorou

Eu precisava encontrar uma xícara elegante. Bonita. Única. Ou, como chamam em Portugal, uma chávena. Minha esposa não parava de falar disso, que era para criar vídeos bacanas, enfim. Mas ir atrás, nada. Resolvi então em belo dia de outono europeu acabar com esta agonia. Era aquele dia ou nunca. Nunca é demais né. Mas queria por um fim a busca da chávena que jamais foi buscada. Sai pelas belas ruas de Alcobaça, cujas pedras ao chão vem todas da bela serra dos Candieiros.

Já tinha entrado em uma pequena loja de antiguidades que ficava no caminho ao Mosteiro de Alcobaça, onde Inês e Pedro tem seus túmulos. Um patrimônio da humanidade de 900 anos. Não sabe quem foi o casal? Vai continuar não sabendo, porque o caso aqui é a chávena única. Em frente à loja ficam, antes mesmo da porta, móveis antigos e tapetes a mostra. Uma vitrine, por aqui uma montra, dá a dimensão do que há em seu interior. Anjos barrocos, candelabros, vasos e… chávenas! Entrei.

Sim, ela existe de fato! Eis a chávena relíquia, linda, uma obra de arte

Dava até medo de esbarrar em tanta arte e cultura expostas. Prateleiras à esquerda e à direita estreitavam o caminho profundo que seguia rumo ao fundo da loja. Uma peça mais interessante que a outra. Até sopeiras, copos, bandejas. Com olhos focados nas chávenas, mas perdido entre tantas obras de arte, fui mergulhando em meio à história. Já estava quase ao fundo da loja quando uma voz aguda, cheia de esses, me chamou à realidade. – Bom dia, disse aquele senhor de cabelos grisalhos, abrindo um sorriso que te abraçava.

– Como está? Deseja algo? Ao abrir a boca ele já viu que era mais um brazuca curioso. Responde que sim, e que buscava uma chávena bonita, diferente. Expliquei a complexidade do sonho da minha companheira. Ele saiu da pequena toca onde estava sentado em uma cadeira centenária, certeza disso. E me apresentou algumas peças, entre as quais a que eu tinha absoluta convicção, agradaria minha esposa. Era uma porcelana diferenciada, feita por cerâmica local há pelo menos 50 anos. Relíquia.

A partir da minha decisão, iniciamos uma conversa. Seu Barros, sim, este era o nome dele, perdão por ter esquecido de lhes dizer. Seu avô era brasileiro, e ele mesmo já tinha conhecido o Brasil, e atendia muitos brasileiros, e gostava muito do nosso povo, e foi marinheiro a pescar lulas próximo às Malvinas, e etc. Conversador ele. Eu todo ouvidos, jornalista que sou. Já corria uma boa meia hora do português a falar e eu a escutar. Já buscava os euros – salgada a chávena viu – a pagar quando ele continua a desfiar sua história. Reclamar que ninguém mais conversa ou tem atenção ao outro.

Ampliei as antenas auditivas. E seu Barros abre mais seu leque biográfico, uma vida de viajante e dramas. E conta que viveu na guerra colonial na África em nome de Portugal. – Eu vi coisas horríveis com estes meus olhos seu Salvador, disse ele. Mortes, violência, torturas. Enquanto falava, os traumas lhe escorriam transmutados em lágrimas pelos olhos cansados de ver coisa ruim, e não ter a quem contar. Me contive para não trocar lágrimas com o seu Barros. E para permitir a ele o desabafo humano de uma vida dura.

Ele então me convida a um café. Recuso. Tenho compromissos, explico. Faltavam-se cinco euros, os quais seu Barros diz que poderia trazer outro dia. Surpreso insisto que vou a um caixa e volta a pagar. – Não é preciso, venha outra vez para continuar a nossa conversa. Não tenho com quem falar sobre esses fantasmas. Surpreendido por tudo que uma ida à compra de uma chávena me proporcionou, aceitei o compromisso. Seu Barros precisa chorar mais para lavar a alma e voltar a acreditar que sua vida valeu a pena.

Por Salvador Neto

Lá se foram as trevas

Há quatro anos que não se respirava mais
Era proibido ver a verdade, falar a verdade
Tudo era escuro, nem o vento cantarolava
A quem pensava, era lhe apontada uma arma

Mas, eis que ventos novos esperançosos sopraram
Porque era muito sufoco até para quem viaja como eles
Agarraram as trevas frias, dissiparam o desamor
Varreram o ódio para a primeira fenda existente

E já se respiram novos ares, se veem luzes e azuis
E se levantaram cartazes, musical se fez o dia, e noite
Porque é de alegria que se vive, e de amor, e esperanças
Agora já se veem horizontes e sóis brilhantes, respiramos.

Por Salvador Neto em 31 de outubro de 2022, a volta da democracia no Brasil, Lula Presidente eleito.

Prêmio Elisabete Anderle – FCC abre inscrições

A Fundação Catarinense de Cultura (FCC) abriu as inscrições para o Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2020. Nesta edição, o valor total é de R$ 5,6 milhões e serão contemplados 215 projetos culturais para proponentes de todas as regiões de Santa Catarina. Mais uma vez a premiação está dividida em três editais: Patrimônio e Paisagem Cultural, Artes Populares e Artes.

As inscrições são gratuitas e totalmente digitais, sem necessidade de impressão em papel ou custos com correios. A plataforma para inscrições é intuitiva e de fácil navegação. Os projetos poderão ser enviados até 23h59 do dia 16 de agosto de 2020.

:: Clique aqui para acessar a plataforma de inscrições

Os prêmios serão divididos entre as seis mesorregiões de Santa Catarina, assim, projetos de todas as regiões terão as mesmas oportunidades de ser contemplados.

Conheça as categorias

Patrimônio e Paisagem Cultural, com 61 prêmios nas seguintes categorias:

– Patrimônio Material

– Patrimônio Imaterial

– Museus

– Bibliotecas Públicas

Artes Populares, com 64 prêmios, nas seguintes categorias:

– Artes Circenses

– Culturas Populares e Diversidades

– Culturas Negras e Afro-Brasileiras

– Culturas dos Povos Indígenas

Artes, com 90 prêmios, nas seguintes categorias:

– Artes Visuais

– Dança

– Música

– Teatro

– Letras: Livro, Leitura e Literatura

Para tirar dúvidas

As dúvidas sobre o Prêmio Elisabete Anderle 2020 serão respondidas somente pelo Portal de Compras do Governo do Estado de Santa Catarina ou durante as apresentações virtuais do edital que serão realizadas ao longo do mês de julho. Serão disponibilizados ainda tutoriais com detalhamento do processo de inscrição e sobre o envio de dúvidas.

É importante ressaltar que para participar do Prêmio Elisabete Anderle 2020 é necessário fazer inscrição no Mapa Cultural de Santa Catarina, disponível no link http://mapacultural.sc.gov.br.

Apoio aos artistas – Auxílio Emergencial a artistas vira lei

Foi publicada na edição desta terça-feira (30) do Diário Oficial da União a nova lei que estabelece auxílio emergencial para artistas. O texto, chamado pelos parlamentares de Lei Aldir Blanc, em homenagem ao artista falecido em decorrência da covid-19, prevê a destinação de R$ 3 bilhões para o setor cultural. O dinheiro deverá ser repassado pela União, em parcela única, para estados e municípios. Veja a íntegra da Lei 14.017/2020.

O objetivo da iniciativa, apresentada pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), é ajudar profissionais da área e espaços que organizam manifestações artísticas que foram obrigados a suspender suas atividades por causa da pandemia. O texto prevê o pagamento de três parcelas de R$ 600 para os artistas informais. Estima-se que o setor emprega, em todo o país, mais de 5 milhões de pessoas.

Os artistas poderão usar o dinheiro “como subsídio mensal para manutenção de espaços artísticos e culturais, microempresas e pequenas empresas culturais, cooperativas, instituições organizações culturais comunitárias”.

A lei também permite o uso do recurso em editais, chamadas públicas; prêmios; compra de bens e serviços vinculados ao setor cultural; instrumentos destinados à manutenção de agentes, de espaços, de iniciativas, de cursos, de produções, de desenvolvimento de atividades de economia criativa e de economia solidária, de produções audiovisuais, de manifestações culturais, bem como para a realização de atividades artísticas e culturais que possam ser transmitidas pela internet ou disponibilizadas por meio de redes sociais e outras plataformas digitais.

A cultura precisa ser socorrida – Lei de Emergência Cultural pode ser votada hoje (4) no Senado

O setor cultural em todo o país, segue mobilizado pela aprovação da Lei de Emergência Cultural, que pode ser votado nesta quinta-feira (4/6) no Senado Federal. Em Florianópolis a Câmara de Vereadores tem Projeto de Lei que prevê auxílio emergencial para trabalhadores e trabalhadoras do setor cultural de Florianópolis durante o período de crise sanitária decorrente da pandemia do novo coronavírus. O PL é de autoria do vereador Lino Peres (PT), e não tem data para ser analisado e votado.

Para compreender e ouvir o setor cultural que tem sofrido imensamente a paralisação total das atividades, que impacta diretamente no trabalho e renda deste setor em todas as artes, o vereador realiza uma Live a partir das 19:30 horas com a presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Florianópolis, Cristina Villar, com Elaine Sallas, conselheira suplente pela Setorial de Teatro no Município e com Maurício Souza, conselheiro da Setorial de Música de Florianópolis.

A cultura continua nos salvando durante o isolamento necessário causado pela Covid-19, mas você já pensou como estão sobrevivendo os trabalhadores e trabalhadoras deste setor? Participe da live, entenda o momento e veja como ajudar a apoiar quem nos apoia sempre com sua arte.

Para assistir pelo Facebook clique aqui.

Confraria do Escritor comemora cinco anos de atividades nesta sexta-feira (15)

Confraria iniciou atividades na Biblioteca Pública e hoje faz encontros itinerantes
Confraria iniciou atividades na Biblioteca Pública e hoje faz encontros itinerantes

A festa do quinto aniversário da Confraria do Escritor será nesta sexta, dia 15 de abril próximo, às 20 horas.

Haverá programação especial, no restaurante Casa do Capitão – Gastronomia e Eventos (Rua Saguaçu, 212), junto à sede da Ajao (Agremiação Joinvilense de Amadores de Orquídeas) em Joinville (SC).

A noite festiva terá no cardápio um sarau literário, com apresentação de textos pelos autores que integram a Confraria, e os interessados deverão se inscrever  pelo e-mail: tar-taru-gas@hotmail.com , até um dia antes do evento.

No acompanhamento musical estarão presentes, Fio José e Alan.Um espaço será reservado para os escritores divulgarem suas obras e conversarem com os leitores.

O cerimonial ficará a cargo de Alcione Pauli e Marlete Cardoso, professoras e escritoras que fazem parte do grupo de fundadores da Confraria do Escritor. A participação no evento é gratuita!

O restaurante estará aberto exclusivamente para a festa e servirá um jantar ao preço de R$ 20,00 (bebida à parte).

1o. Encontro Catarinense de Casas de Cultura será em Joinville (SC)

A Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior, de Joinville, irá sediar, nos dias 11 e 12 de setembro, o 1° Encontro Catarinense de Casas de Cultura.

O objetivo do evento é compartilhar, através de mesas redondas, as experiências artístico-culturais vivenciadas nas casas de cultura de Santa Catarina, discutindo também os desafios e as possibilidades do setor.

O evento ocorre a partir das 9 horas desta sexta-feira (11). Em ambos os dias, haverá palestras, mesas de discussões, plenárias e apresentações culturais.

O Encontro contará com mediadores como Roselaine Vinhas, Secretaria de Cultura de Chapecó e Presidente do Conselho Estadual de Cultura da Fundação Catarinense de Cultura e Conselho de Gestores Municipais de Cultura de SC e Caio Mota, Coordenador Geral de Cooperação, Articulação e Informação do Ministério da Cultura (Minc).

O encontro é dirigido a gestores e servidores de casas de cultura do estado. Representantes de 13 municípios irão participar: Garuva, Araquari, Itapoá, Bombinhas, Barra do Sul, Blumenau, São Bento do Sul, São Francisco do Sul, Campo Alegre, Rio Negrinho, Piçarras, Navegantes e Itajaí.

Nas duas plenárias que serão realizadas, cada município terá direito a 10 minutos para apresentar suas vivências. A coordenadora da Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior, Carla Clauber, destaca o ineditismo do evento em Santa Catarina.

“O objetivo é consolidar, em rede, o trabalho das casas de cultura e socializar as ações culturais desenvolvidas dentro destes espaços em cada município”, observou Carla.

O 1° Encontro Catarinense de Casas de Cultura é promovido pela Casa da Cultura, Fundação Cultural e Prefeitura Municipal de Joinville. Maiores informações sobre o evento podem ser obtidas pelo telefone (47) 3433-2557 ou pelo e-mail casadaculturajoinville@gmail.com.

Programação do 1º Encontro Catarinense de Casas da Cultura

11/09 (sexta-feira)
9h – Credenciamento
Atividades Culturais – Ballet/Orquestra

9h30- Abertura
9h45 – Apresentações Artísticas
Grupo de Dança – Araquari

10h – Palestra de abertura: “ Os desafios das Casas de Cultura como agente na formação artística de nosso estado” Roselaine Vinhas – Secretaria de Cultura de Chapecó e Presidente do Conselho Estadual de Cultura da Fundação Catarinense de Cultura e do Conselho de Gestores Municipais de Cultura de SC. (CONGESC) – Auditório da Casa da Cultura

11h45- Intervenção Giro Literário

12 h – Almoço

13h30- Apresentação Ballet da Escola Municipal de Ballet – Joinville

14h – Plenária

15h00 – Intervalo e Apresentações artísticas – • Grupo de Metais – Rio Negrinho • Ballet

16 às 17h – Plenária

12/09 (sábado)
9h – Fechamento das discussões das Plenárias

10h – Caio Mota – Coordenador Geral de Cooperação, Articulação e Informação do Ministério da Cultura (Minc)

11h30 – Macarronada com Arte e Apresentações Artísticas – Ballet

11h45- Intervenção Giro Literário

12 h – Almoço – Apresentações Ballet/Musica

14h – Avaliação e Planejamento

Fechamento: Apreciação do evento por Caio Mota, do Ministério da Cultura.

Com informações da Ascom/PMJ

Letras Associadas é o novo lançamento da Associação das Letras

Nova mini antologia terá formato de bolso e 160 páginas
Nova mini antologia terá formato de bolso e 160 páginas

Com nova denominação social e nova logomarca, a Associação das Letras lança no próximo sábado, 25 de julho às 17 horas no Museus de Arte de Joinville (MAJ) sua mais nova obra: a série mini antologia – Letras Associadas 1. Um sarau também marcará o momento de troca entre escritores e o público que irá prestigiar.

Fruto de um trabalho coletivo realizado há três anos, a obra é uma coletânea de contos, crônicas e poesias que tem a participação de 25 escritores membros da Associação das Letras. Até o mês de maio a entidade literária era conhecida como Associação Confraria das Letras.

Por decisão da maioria dos associados a mudança foi aprovada e uma nova logo também foi criada, buscando assim marcar fortemente a ação da Associação como promotora da literatura e leitura.

A mini antologia Letras Associadas tem outro diferencial em relação às obras anteriores produzidas e lançadas pela Associação das Letras. Agora vem em formato de bolso, para facilitar ao leitor o seu manuseio e leitura. Nesta obra o leitor poderá apreciar os escritos de: Alexandra Flávia, Ana Janete Pedri, Aron Gottfried Slutzky, Bernadéte Schatz Costa, Donald Malschitzky, Elizabeth A. C. M. Fontes, Hilton Görresen, João Bosco Strozzi, José Fernandes, José Klemann, Maria de Fátima Joaquim, Mariane Eggert de Figueiredo, Marinei Luiza V. Valcanaia, Marlete Cardoso, Milton Maciel, Onévio Zabot, Reinoldo João Corrêa, Rita de Cássia Alves, Romualdo Vicente de Ramos, Salustiano Souza, Silvio Vieira, Sônia Pillon, Stella Bousfield, Urda Alice Klueger, Valério Mattos.

Nova logomarca moderniza a imagem da Associação
Nova logomarca moderniza a imagem da Associação

A publicação cumpre o propósito da missão da Associação das Letras – “Fomentar o desenvolvimento literário, por meio da criação, produção e divulgação da literatura; o intercâmbio entre escritores e o incentivo à leitura”, segundo sua presidente Bernadéte Costa.

Ela destaca também o financiamento compartilhado entre a Associação e os escritores. “Todas as nossas obras tem essa marca, a divisão entre a entidade e seus escritores, que bancam 50% do valor. Assim já lançamos as sete mini antologias anteriores denominadas Letras da Confraria e duas antologias Saganossa”.

Serviço:
O quê: Lançamento Letras Associadas 1 – Nova série de mini antologias

Quando: 25 de julho (sábado)

Onde: Museu de Arte de Joinville

Hora: 17h

Casais homoafetivos ainda enfrentam limitações para demonstrar afeto em público

Palavra-Livre-homoafetivos-homossexuaisChegar à rua de casa de mãos dadas, passear abraçadas no shopping ou tomar uma cerveja no bar da esquina, trocando beijos e olhares no fim do expediente, são situações que fazem parte da rotina de muitos casais heterossexuais.

Porém, quando querem fazer coisas simples como essas, Mara Vargas e Ana Paula Vargas, casadas e moradoras de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, viajam mais de 30 quilômetros para se sentir mais à vontade, na orla da zona sul do Rio. No lugar onde moram, evitam “se expor”.

“A gente gosta de sair para dançar, em boate LGBT [sigla para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais], para curtir e beber. Em qualquer outro lugar, não vai ser a mesma coisa. Do jeito que está a violência hoje em dia, às vezes, é preferível nem sair”, diz Mara, 31 anos, que completa um ano de casada com Ana Paula, de 27 anos, em dezembro.

Mesmo com os direitos garantidos civilmente, casais homoafetivos muitas vezes enfrentam constrangimentos e inseguranças na hora de demonstrar publicamente os sentimentos, o que a Justiça já resguardou.

“Embora já se tenha um reconhecimento civil, formal e burocrático, existe preconceito muito forte que inviabiliza que essas pessoas tenham tranquilidade para manifestar seu afeto e falar disso abertamente”, explica a psicóloga Daniela Murta, assessora de Saúde da Coordenadoria de Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro.

“Nem sempre é a homofobia da agressão física, embora um dos motivos seja o risco de isso acontecer. Um beijo, um carinho, às vezes, são vistos como falta de respeito por quem está em torno. Eles [os homossexuais] não reproduzem o preconceito contra si mesmos e, sim, respondem a um preconceito ao qual são submetidos. Se você está em uma situação em que se considera vulnerável, não vai se expor”, analisa Daniela. “As pessoas têm direito à livre manifestação do afeto, e esse é um reconhecimento que ainda não foi introjetado por toda a sociedade.”

No Brasil, o casamento homoafetivo é estendido a todo o país desde maio de 2013, quando entrou em vigor a Resolução 175, de 14 de maio de 2013, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o texto, os cartórios de todo o país não podem se recusar a celebrar casamentos civis de pessoas do mesmo sexo. Antes disso, já havia decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Apesar de já garantir esse direito, o Brasil ainda está entre os que mais registram mortes por homofobia. Em 2014, ocorreram 326 mortes, segundo relatório do Grupo Gay da Bahia.

Preconceito
Há mais de um ano juntos, Marcelo e Eric Graciolli programaram a viagem de lua de mel e marcaram uma festa informal, um churrasco, para celebrar o casamento que conquistaram após uma saga burocrática de mais de 100 dias.

Encomendaram doces e um bolo de casamento e chamaram a família para compartilhar a festa, que só teve um beijo, “selinho”, que veio acompanhado de uma memória que permanece nas lembranças que guardam da festa. “A mãe dele virou o rosto. Um sobrinho correu para a cozinha e vimos risadinhas”, conta Marcelo, que tem 40 anos.

“Nesse dia, combinamos de não nos beijar na frente da família. Percebemos que eles não estão prontos. O problema não somos nós, mas preferimos ter uma convivência mais tranquila”, lembra o publicitário, que mora em Florianópolis, cidade que ele considera liberal e, mesmo assim, onde não se sente seguro para demonstrar afeto publicamente.

Os dois estão acostumados a promover festas em casa, a cuidar dos sobrinhos e a hospedar a família, mas, sempre sem demonstrações de afeto. “Meus sobrinhos sabem que somos casados e desenham a gente com coraçãozinho. As crianças entendem melhor que os adultos”, diz Marcelo.

A regra de não demonstrar amor em público vale para qualquer situação em que não estejam sozinhos. Uma vez, por acidente, a diarista que contratavam para limpar o apartamento entrou no quarto e flagrou um beijo.

“Ela foi embora e nunca mais retornou nossas ligações. Ela sabia que a gente morava junto, tinha foto pela casa toda, usávamos alianças e só tinha uma cama de casal, e, mesmo assim, se escandalizou. Parecia que trabalhava para Satã.”

Gabriela Sudano, de 29 anos, é casada há um ano meio e costuma dar as mãos à mulher, beijar e agir naturalmente como casal, além de frequentar a escola de sua enteada, que mora com elas, e levá-la para passear.

“Desde o início do namoro, a gente não se preocupa com isso. Não temos problema nenhum. É óbvio que não vai ser em qualquer local e que talvez as pessoas achem estranho. Talvez, o que as pessoas estranhem é que a gente veja nossa relação como normal.”

Nascida em um lar religioso, a professora de inglês conta que a relação com a família é muito boa. “Sempre fui muito bem tratada. Sempre me respeitei muito e respeitei muito a minha família. Eles são evangélicos e frequentam sempre a minha casa. Passamos Natal e aniversários juntos. Sei que eles têm um pensamento diferente, mas eles me respeitam.”

Mudança cultural
O ativista Toni Reis e seu marido, David Harrad, foram os primeiros a oficializar a união estável no Brasil, em 2011. Há 25 anos juntos, Toni conta que levam uma vida reservada, em que se permitem “bitocas” e “um carinho no restaurante”.

“Minha geração viveu muita repressão. Meus amigos da minha idade não conseguem demonstrar afeto, mas a meninada, de 15, 16, 17 anos, fica abraçada, beija. A geração mais nova está sendo superousada. Sou uma pessoa em que, no inconsciente, ainda está uma repressão muito grande”, conta ele, que acrescenta: “Vejo os meninos beijando na boca de uma forma tão tranquila que, às vezes, eu me surpreendo”.

Para Toni, as mudanças na sociedade serão lentas e políticas como a criminalização da homofobia e a abordagem da diversidade de gênero na educação podem ajudar.

“Tudo isso é cultural, e a cultura não muda com a lei. Leva mais tempo”, diz o ativista, que vê o futuro com otimismo. “Tenho esperança de que quanto mais a gente veja casais se beijando, mais as pessoas se acostumem. O que nós estamos exigindo não é que nos convidem para tomar um chope, um vinho nem levar a gente para casa. Isso seria ótimo, mas o que a gente quer é respeito.”

Com informações da Ag. Brasil