Um desapego doloroso…

Olá leitores do Palavra Livre, estamos começando 2022 por aqui, e já escolhi um tema para o primeiro post, o desapego. Quem nunca teve que “deixar” algo que gosta para trás porque não teria como seguir com o objeto, a pessoa, a roupa, etc, para o novo lugar? Muita gente não é? Comigo vai acontecer o mesmo. Um desapego muito doloroso porque mexe com memórias, aprendizados, investimento de uma vida.

Eu e parte dos meus tesouros, uma biblioteca que carrega uma vida de aprendizado e investimento

Falo dos meus livros. Tenho uma biblioteca pessoal que reúne cerca de 600 a 650 títulos dos mais diversos temas. A maioria deles ligada a literatura, poesia, biografias, outros muitos de jornalismo, assessoria de imprensa, consultoria, direito, justiça, alguns de autoajuda, até uma enciclopédia Barsa tenho. Existem livros que nortearam o início de minha trajetória profissional, treinamento e desenvolvimento de pessoas, consultoria, e muitos presentes com autógrafo e tudo o mais.

Eles são verdadeiros tesouros da minha vida. E tem mais: dentro deles guardo recordações dos meus filhos quando eram menores e desenhavam, faziam cartinhas de amor para mim. Há fotos nossas, e outros tantos bilhetes que só mexendo em cada um deles saberia o que contém. Pura magia, emoções de tempos outros, lágrimas e sorrisos, vitórias e derrotas, desencantos, sonhos, tantas coisas! Mas eu preciso desapegar.

Para onde vou não será possível levá-los. Não caberão em uma mala, e o custo de transporte inviabiliza, bem como não saber o tamanho do espaço que vou residir. Assim, o coração dói, chora, sangra. Só quem tem uma relação afetiva com os livros, a leitura, a literatura, vai entender. Desde pequeno cresci entre livros, leituras, todas incentivadas por meus pais. Assim aprendi a escrever bem, me destacar na escola pelas redações, e depois atuar no jornalismo. Conheci culturas que jamais visitei. Tive mestres do marketing, gestão, jornalismo que jamais vi pessoalmente. Um valor inestimável.

Agora estou na fase inicial do desapego. Busco através dos amigos e amigas ideias para o que fazer com esta biblioteca. Pensei inicialmente em propor um projeto social que incluiria implementar uma biblioteca comunitária onde existiriam ações de incentivo a leitura, produção de textos, encontros literários, varais literários, declamação de poesias e textos, empréstimos de livros com organização, enfim, um propósito de educação e formação da cidadania. Assim, creio, todo o meu esforço financeiro, intelectual, teria um resultado efetivo que é formar novos cidadãos leitores, pensadores, prontos para a vida real.

Não sei ainda o que fazer realmente. Estou lendo as sugestões de amigos e amigas queridos, queridas, e vou decidir. Um pedaço da minha vida, importantíssimo, vai ficar em algum lugar, e gostaria que fosse um belo lugar cuidado, protegido e perene. Será que consigo?

“Seu Pipa” – Conto para ler e voar na imaginação

No Dia do Escritor deste ano (13/10) escrevi um novo conto para comemorar, após longo inverno criativo… Publiquei apenas no Facebook e agora aqui em meu blog que sobrevive há 13 anos, rumo aos 14, incrível não é? Espero que gostem!

Seu Pipa, Por Salvador Neto

“Se eu não tivesse visto com os meus próprios olhos, jamais teria acreditado. Já fui criança também, e inventava meus amiguinhos imaginários, meus heróis, ou usava os famosos bonequinhos para fantasiar o que via nos livros e gibis. Por isso que ao ouvir o que Miguel me falava naquele instante, uma tarde luminosa no Morro da Luz, área central da pequena Vem quem Quer, entendi que era um daqueles momentos que também tive lá pelos 10 anos de idade, mesmo tempo de estadia na terra que o pequeno garoto de olhos pretos, cabelos ondulados e claros, pele queimada do sol, me contava ali ao lado da venda do seu Manoel.

Passava pelo vilarejo vendendo minhas mercadorias, uma batalha diária para ganhar o pão de cada dia, e ao vender meus aviamentos no Mercado do Manel, assim mesmo, sem o “o” do Manoel, eis que me aparece o Miguel logo na porta da vendinha. Pés descalços, calção curto e surrado, o garoto me perguntava se havia visto a sua pipa falante. – Pipa falante? Retruquei. – Sim, eu mesmo que fiz com varetas de bambu, linha de costura da minha mãe, cola emprestado da vizinha e papel de seda que ganhei da minha vó Elza! Pensei que ele estava era arrumando uma desculpa para pedir alguma coisa. – O que você quer garoto? Bala, um doce? Diga-me logo que estou com pressa.

Estava cansado da viagem que já durava umas três semanas por aquelas bandas secas, pobres e poeirentas. – Não é mentira não seu moço, é verdade! Ela é grande assim ó – mostrava com as mãozinhas pequenas e sujas de brincar na rua. Comprei umas balas de goma, umas paçocas e lhe dei, mas não adiantou. Ele insistia e já estava triste por não ver mais a sua pipa, sua primeira pipa criada por ele mesmo. Senti um aperto no coração ao ver no rosto de Miguel a mesma decepção que tive quando era criança, ao perder um brinquedo querido.

– Tá bom, falei. Toma aqui essas balas, vamos procurar a sua pipa, mas só um pouquinho, entendeu? Ele abriu um largo sorriso, pegou minha mão e puxou.- Estava com ele amarrado ali naquela árvore, ele estava bem alto. Fui pegar uns gravetos para levar para minha casa para fazer fogo, e quando voltei ele não estava mais ali! – Vai ver que alguém a levou, devia ser bonita, respondi. Miguel fechou a cara e disse que não, ele era muito inteligente e que não sairia dali nas mãos de outro menino. E que não era “ela”, mas sim “ele”. Intrigado, resolvi entrar na brincadeira do garoto.

– Pipa é ela, não ele, larguei. – Você não sabe de nada, disse ele franzindo a testa. – Seu Pipa é menino, homem como eu! Tentei consertar o engano. – Tá bom, ele então. E porque seu Pipa? – Porque quando ele acordou e viveu, ele se apresentou e pronto, completou Miguel. Decidi então partir para a ajuda na busca ao “Seu Pipa”. – Como ele é então garoto? Ainda chateado com a minha falta de atenção ao seu problema, ele descreveu em detalhes a pipa que fala. Era das grandes, feita com papel de seda em quatro cores: azul, vermelho, rosa e verde, e tinha o rabo também comprido, com duas cores, amarelo e roxo em papel crepom. A linha era forte, e o carretel de tamanho médio, com bastante linha, dizia meu amiguinho de Vem quem Quer.

Mas tinha mais: quando ele falava, uma boca sorridente se abria na parte de baixo, e olhos redondos e grandes na parte de cima piscavam sem parar. – Seu Pipa me disse que quando ele nasceu bateu um vento forte, e ele ficou assim, piscador, alertou Miguel. Já entediado com aquilo, não questionei. – Vamos encontrar o seu Pipa então, falei e saí com ele ao meu lado na rua em frente à vendinha. Ele mostrou a árvore onde ele, seu Pipa, deveria estar. Decidimos seguir em meio à mata que tinha poucas árvores naquela área do Morro da Luz. Era um pequeno caminho, uma trilha que moradores usavam para ir de um lado a outro daquela comunidade, explicava Miguel. Estava um dia quente, e eu com sapatos, calça comprida jeans e camisa de manga longa, já suava as bicas.

O vento era só uma brisa morna, e o garoto seguia com suas pequenas pernas no chão batido, e olhos abertos mirando de um lado a outro na mata em busca da sua pipa. Ou melhor, do Seu Pipa. Já estava decidido em acabar com aquela brincadeira em que havia entrado quando ouvimos uma voz grave que dizia: – Estou aqui, olhem para cá! Enquanto tentava ver quem nos chamava, Miguel já corria à minha direita em meio aos tufos de mato gritando de alegria: – Seu Pipa, seu Pipa, você está aí! Incrédulo eu avistava então aquela imagem coloridíssima tal qual o menino tinha descrito, engatado em uma goiabeira de tamanho médio.

Espantado fiquei quando aquela figura de papel seda, crepom, bambus, linha e cola se mexia e falava! – Miguel, quem é esse aí com você, um desconhecido perigoso? A pipa emitia frases nítidas, e uma espécie de boca abria e fechava, e olhos piscavam sem parar! Também pisquei várias vezes, esfreguei meus olhos, me belisquei para ver se não estava era acordando de uma soneca, mas não! Aquele ser realmente se mexia no galho da goiabeira, e falava, e olhava cobrando do pequeno Miguel aonde ele havia se metido e o deixado voar por aí.

– Você não deveria andar por esse mato com gente assim. Nem sabe quem é! O pequeno, feliz da vida por ter encontrado a sua pipa, opa, seu Pipa, esbanjava um sorriso após algumas marcas de lágrimas em suas bochechas, pedia desculpas: – Foi só um instante que o deixei amarrado no poste, só para pegar gravetos para a minha mãe seu Pipa, e quando olhei você não estava mais lá. Ai fiquei desesperado e encontrei esse homem. Ele aceitou ajudar a te procurar, falava sem parar o Miguel. Ainda atordoado pelo que via, fiquei mudo vendo o garoto resgatar seu Pipa daquela árvore com todo o cuidado e carinho.

Enquanto isso aquele ser contava como tinha chegado até ali. Um jovem havia passado de bicicleta e visto a pipa ali amarrada. Deu meia volta e maldosamente soltou o fio do poste e seguiu pedalando em seu caminho. – Foi tão inesperado que quando vi a ventania já tinha me arrastado para cá Miguel, explicava a… o Pipa. Já com o seu amigo brinquedo à mão e no chão, o garoto sentou em um tronco grande à beira da trilha e pediu que eu sentasse também. – Não chegue muito perto não!, gritou a pipa… o Pipa. – Não se preocupe, não farei mal algum a você. Encontrei o menino na venda, e ele me pediu ajuda. Não acreditei na história de uma pipa falante, mas resolvi ajudar ao ver a sua aflição.

Miguel então agradeceu o meu apoio, pediu desculpas à Pipa por sua falta, e disse: – Acredita agora que tenho uma pipa que fala, escuta, enxerga e também voa? O que poderia dizer diante daquilo… – Posso tocar em você Pipa? Meio desconfiado, Pipa deixou não antes que eu mostrasse se não tinha nenhum canivete ou outra coisa nas mãos. O garoto me passou o Pipa cuidadosamente. Segurei na vareta central, uma mão em cima, outra embaixo. Era incrível!- Satisfeito? Perguntou a pipa enquanto se movia para um lado e outro, balançando o rabo colorido e piscando os olhos quase sem parar.

– Como isso pode ser verdade, acontecer, perguntei em voz alta. – Acontecendo, respondeu seu Pipa. – Quando a pureza de uma criança linda como Miguel acredita e precisa, o senhor Universo autoriza que objetos como eu tenham vida, falou seu Pipa. – Minha mãe cria eu e meus cinco irmãos sozinha, e não temos brinquedos. De tanto eu pedir minha vó apareceu um dia com bastante papel de seda, crepom, cola e me disse para fazer uma pipa, pandorga. Meu amigo José me ajudou, e assim nasceu o seu Pipa, explicou Miguel. Devolvi com cuidado o seu Pipa ao garoto, não queria estragar aquele momento de reunião entre criador e criatura após terem se perdido um do outro.

– Mas como foi que começou a falar, a ter boca e olhos? – Todos os dias a gente reza pedindo uma vida melhor para nossa casa. Uma noite eu resolvi pedir a Deus que seu Pipa falasse, fosse vivo para que eu tivesse um amigo de verdade para conversar. Eu ouvia com atenção, enquanto seu Pipa dançava com o vento para lá e pra cá. – No dia seguinte quando voltei da escola, fui direito pegar a pipa para soltar, tinha bastante vento! Chegando ao quarto levei um susto quando ele me deu oi! Mas entendi que Deus tinha me ouvido. Mas é segredo, e agora segredo nosso viu moço?

Emocionado com aquela história, mexi a cabeça afirmativamente. Seria o nosso segredo para sempre. Olhando fixamente em meus olhos, seu Pipa ainda disse: – Nunca esqueça que o que se promete a uma criança é sagrado! Mantenha o segredo que o Universo saberá recompensá-lo! Daquele dia em diante minhas vendas aumentaram, consegui melhorar de vida e posso ajudar a outras pessoas em momentos de dificuldades. E toda semana vou a Vem quem Quer colocar a nossa conversa em dia lá no Morro da Luz. Eu, Miguel e seu Pipa viramos grandes e inseparáveis amigos. Para sempre”.

Palavra Poesia – “Qual o valor do tempo”

Os tempos andam amargos, duros, secos. O que nos tira dessas agruras é a arte, e a arte da literatura chega novamente aqui no Palavra Livre com o Palavra Poesia. Nosso escritor e poeta, o jovem Edmundo Alberto Steffen, colaborador do blog, nos oferece mais uma produção poética para aliviar a vida diária, e nos dar o devido valor da vida, pois tempo é vida. Vamos lá conhecer mais um pouco do valor do tempo?

“Qual o valor do tempo?

Estamos trancados em casa
Mas deixa isso de lado
Vamos pensar no futuro
Pensando sempre no passado

Não cometendo os mesmos erros
Hoje sabemos o valor de um abraço
Que tenhamos mais fogo da vida
E menos fogo nos maços

A vida não é só alegria
Caso você, não teria graça
Qual o valor da felicidade
Se um dia ela não passa?

Eu te desejo tudo de bom
Que viva bem todos os teus dias
Em meio a esse turbilhão
Possa ter fuga nessa poesia

Agora você vai sorrir
Pois às vezes é só questão de opinião
Não deixe nada pra depois
Corre lá pedir perdão

A pandemia nos mostrou uma coisa
Temos pouco tempo e o tempo não espera
Deixamos de lado o rancor
Que então o amor impera

Qual o valor do tempo?
Não sei nem se é mensurável
Tem vezes que dura muito
Tipo um filme da Marvel

Tem vezes que dura pouco
E nos deixa vulnerável
“Não deixe pra amanhã”
Não é uma frase de coach barato

Podemos ver que o tempo é valioso
E isso cada vez mais é um fato
O que levamos da vida?
O que deixamos aqui?

Apenas sorrisos e lembranças
E quem fizemos sorrir”.

* Edmundo Alberto Steffen nasceu em Joinville-SC, no dia 13 de outubro de 1997, cursou Ensino Fundamental na rede municipal de ensino da mesma cidade, Ensino Médio no Instituto Federal Catarinense – Campus Araquari e atualmente é estudante de Filosofia da PUCPR em Curitiba. Autor do livro “Poesias aos Ventos”, escreve poesias, textos e análises sobre cinema e literatura em seu Instagram @edmundo.steffen

Palavra Poesia – “Despidos ou Corrompidos”

Prá não dizer que não falei de arte, cultura e literatura, aqui no Palavra Livre é lugar sim para a divulgação da produção literária de veteranos, aprendizes, jovens autores, quem desejar ver seu texto publicado para compartilhar nas inúmeras redes sociais existentes. Como já expliquei várias vezes, este espaço recebeu o nome Palavra Livre para que não se tenham amarras, e sim, que possamos noticiar, debater, informar, divulgar todos e quaisquer temas.

Esta semana voltamos então a publicar a produção literária fruto da convivência na Confraria do Escritor, projeto nascido e muito vivo na cidade de Joinville (SC) que gerou uma nova leva de autores e inclusive uma Associação, a Associação das Letras da qual este editor foi fundador e depois diretor de comunicação. De lá vem a poesia título deste post de autoria de Edmundo Alberto Steffen. Ele aproveita o momento atual que vivemos de intenso debate político insanidades e alia este seu sentimento e se inspira em letras de grandes músicas brasileiras (descubra quais!) para produzir a provocativa poesia que segue abaixo:

Despidos ou Corrompidos – Autor: Edmundo Alberto Steffen (*)

Não quero lhe falar meu grande amor
Das barbáries que vejo na rua
Quero me despir da impureza do mundo
Conversa contigo completamente nua

Vestidos apenas da arte
Conversando sobre literatura
Pois a realidade não existe mais
Tornou-se muito dura

Cores de roupas simbolizam guerra
Uma polarização não mensurada
Quero me despir das cores do ódio
Estar vestido apenas da minha palavra

Mas a palavra, do que vale?
Não acreditamos mais em fatos
Não são mais belas as verdades
Essas, se tornaram trapos

Bebados vestidos de vermelhos
Equilibristas levando a cor da pátria
Ambos olhando para um espelho
Sem vidro, sem psiquiatra

Paixões pulsantes por um lado
Deixando os sãos encurralados
O bêbado me chama de fascista
Não entendendo o peso do que fala
O equilibrista me chama de comunista
Carregando sangue vermelho em sua mala

O equilibrista luta para apoiar
Tentando de todas as formas mascarar
Chega a dizer “não foi bem isso que ele disse”
Enquanto seu líder aplaudia aquele
Que fez chorar Maria e Clarice

Escolhem lados de uma mesma laranja podre
Que apenas tem seus gomos de cores diferentes
Continuamos nos degladiando em redes sociais
Assistindo a morte de tanta gente

  • Edmundo Alberto Steffen nasceu em Joinville-SC, no dia 13 de outubro de 1997, cursou Ensino Fundamental na rede municipal de ensino da mesma cidade, Ensino Médio no Instituto Federal Catarinense – Campus Araquari e atualmente é estudante de Filosofia da PUCPR em Curitiba. Autor do livro “Poesias aos Ventos”, escreve poesias, textos e análises sobre cinema e literatura em seu Instagram “ @edmundo.steffen “ .

Que a produção literária e crítica de Edmundo inspire muitos outras pessoas a ler mais e produzir poemas, crônicas, contos, romances, letras de músicas, muita arte para que nosso país evolua. Tá precisando muito. Parabéns Edmundo, siga criando! E você que lê este post, fique à vontade para enviar o seu texto, porque aqui, a Palavra é Livre.

Simdec 2015 – Inscrições encerram na próxima sexta-feira (2/10)

Termina nesta sexta-feira (2/10) o período de inscrições para o Edital de Apoio à Cultura e Mecenato Municipal de Incentivo à Cultura, do Sistema Municipal de Incentivo à Cultura (Simdec) 2015 de Joinville (SC).

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas obrigatoriamente pelo site da Fundação Cultural de Joinville, até às 23h59min desta sexta.

O proponente deverá preencher o formulário do sistema online (Anexo I do decreto 12.839/2006), salvar, enviar, imprimir e entregar em uma única via, encadernada em espiral, até às 17 horas da próxima segunda-feira (05), na Fundação Cultural de Joinville (3° andar do Centreventos Cau Hansen).

Neste ano, serão destinados R$ 5.712.000,00 aos mecanismos do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec) 2015, cerca de R$ 1,2 milhão (aproximadamente 25%) a mais que 2014.

Metade deste valor é destinada ao Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (FMIC), que é redistribuído ao Edital de Apoio à Cultura, projetos da Fundação Cultural e suas unidades, e custos administrativos do Simdec. A outra parte corresponde ao montante do Mecenato.

O coordenador do Simdec, Rodrigo Dippold, recomenda que os interessados realizem o cadastro o quanto antes, para evitar congestionamento do sistema.

“É importante ler bem o edital, os anexos e documentos obrigatórios. Vale lembrar também que os projetos devem ser entregues lacrados e não serão conferidos pela executiva do Simdec”, destacou Dippold.

Sobre os editais
O Edital de Apoio à Cultura irá disponibilizar R$ 1.713.600,00 para a execução de projetos culturais em 17 modalidades. A novidade deste edital em 2015 é a modalidade de design, que irá contemplar projetos nesta área.

Podem concorrer ao Edital de Apoio e Mecenato, pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos e de utilidade pública municipal, e pessoas físicas, responsáveis por projetos de caráter estritamente cultural. Cada proponente poderá encaminhar no máximo dois projetos para o Edital de Apoio à Cultura e dois para o Mecenato.

O montante destinado ao Mecenato Municipal de Incentivo à Cultura – MMIC, para 2015, é de R$ 2.856.000,00; distribuídos em 19 modalidades.

A novidade no Mecenato, neste ano, é a modalidade “Cultura Gastronômica Local”, que visa promover cursos, oficinas, mostras, exposições, livros, receitas, debates e palestras sobre gastronomia ao público especializado e aqueles que se interessarem pelo tema, sem formação específica na área.

O valor do projeto do Mecenato é pago com doação/patrocínio através da busca da captação dos recursos, feitas pela renúncia fiscal de até 30% do pagamento de Imposto sobre Serviços e Imposto Territorial Urbano de empresas.

Com informações da Ascom/Prefeitura de Joinville

Associação das Letras promove “Vivência Literária Poética” com Rubens da Cunha no próximo sábado (15) em Joinville (SC)

A Associação das Letras promove no próximo sábado – 15 de agosto – mais um evento de formação para escritores.

A Vivência Literária Poética será ministrada pelo professor doutor em literatura, Rubens da Cunha no Hotel Slaviero Slim que apoia culturalmente o evento, das 8:30 às 17:30 horas. As inscrições são limitadas.

Essa é a segunda edição da Vivência Literária. A primeira foi realizada em maio, também com Rubens da Cunha, mas teve como tema o conto e a crônica.

As inscrições estão abertas a todos que se interessem por literatura e tem investimento diferenciado para associados que estiverem em dia com suas mensalidade, que pagarão apenas R$ 15,00.

Demais interessados pagam R$ 30,00. Para se inscrever basta fazer o depósito na conta da Associação das Letras e preencher uma pequena ficha de inscrição, como segue:

Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1897
Código: 003
Conta Corrente: 3812-7
Titular da Conta: Associação Confraria das Letras
CNPJ: 16.783.372/0001-71

NOME:
CIDADE:                                                                 ESTADO:
Profissão:
Associado:   (    )Sim             (      )Não
E-MAIL:
TELEFONES:

Observação: É preciso enviar o comprovante de pagamento, juntamente com a ficha de inscrição para o email: associacaodasletras@hotmail.com.br. Os telefones de contato para mais informações são (47) 9613-7451(TIM) e (47) 92717063 (Vivo).

Serviço:
O quê: Vivência Literária Poética com Rubens da Cunha
Quando: sábado, 15 de agosto, das 8:30 às 17:30 horas
Onde: Hotel Slaviero Slim – Rua Sete de Setembro, 40 – Centro de Joinville (SC)
Promoção: Associação das Letras – www.facebook.com/associacaodasletras
Inscrições: abertas até sexta-feira (14/8)
Valor: R$ 15 para associados em dia, e R$ 30 para demais interessados, depósito em conta e enviando dados pessoais e cópia depósito  pelo email associacaodasletras@hotmail.com.

Literatura: Meu primeiro conto – “O reencontro de Natal”

Um conto envolvente, simples e encantador
Um conto envolvente, simples e encantador

Pressionado a escrever um conto ou uma crônica, ou poesia para a sétima mini antologia da Associação Confraria das Letras, o “Letras da Confraria” especial de Natal, ao final de 2014, resolvi arriscar a produzir um conto. Mais complexo que a crônica, que é uma linguagem mais fácil, livre, e leve, o conto exige mais do escritor, algo que ainda persigo.

Por isso publico aqui no Palavra Livre o meu primeiro conto, já que poucos tiveram a oportunidade de lê-lo, apreciando e criticando o conteúdo. É isso que desejo dos amigos leitores. Não o divido em partes para não perder a sequência da história de Fred, Joana, Jujuba e crianças que esperam seus presentes… Aí vai o “Reencontro de Natal”:

“Estavam os três ali, sacolejando ao balanço do caminhão, dentro de um caixote que não parava de pular na carroceria. Pudera, em ruas tão esburacadas como queijo suíço… Fred, um carrinho de madeira, Joana, uma boneca descabelada, e Jujuba, um velho pião com as cordas surradas de tanto rodar por aí, já estavam há dias naquele vai, não vai. Já usados, velhos de tanto brincarem com seus donos, não tinham mais esperanças de voltar às mãos de crianças brincalhonas, arteiras e felizes. Estavam ali entre tantos outros brinquedos abandonados.

É a vida, pensavam os velhos companheiros de tantas crianças! Conheceram várias delas por algumas gerações, doações, mas agora competiam com poderosos concorrentes internacionais que falam, voam, pulam, choram, andam em velocidade sem serem jogados pelas mãozinhas. O Natal estava à porta, e em meio às campanhas solidárias, lá se foram Fred, Joana e Jujuba para uma caixa entre tantas dispostas naquele shopping luxuoso. Sequer tiveram tempo de se despedir de seus donos! E o pior, até ali, ninguém os pegara para cuidar e brincar…

Joana era a mais sentida. Com seus belos olhos azuis, cabelos loiros, já um pouco ralos, sim é verdade, vestida com uns paninhos coloridos e sem sapatinhos, não aceitava a solidão. – Sou muito bela para estar aqui! Mereço uma bela cama com lençóis de seda!, reclamava. Fred, do alto da dureza do seu ser, madeira bruta, apesar de bem arrebentado por muitas corridas e carregamentos de barros e batidas (já não tinha mais a caçamba…), retrucava. – Ora, eu sim, um forte, parceiro para todas as durezas, preciso de quem me valorize, que goste de aventura! E Jujuba… ah, este não tinha ambições.

– Eu quero é girar logo por aí. Sei que perdi um pouco a graça, afinal tem uns novos colegas aí bem mais modernos, mas ainda tenho muito a rodopiar e dar show!, dizia. A verdade é que em meio a tantos outros brinquedos, uns mais quebrados, outros não, a rota do caminhão solidário de Natal dirigido pelo velho voluntário Sebastião estava chegando ao final. Tião, como era conhecido em tantos anos de corridas pelos bairros da cidade, já tinha os ralos cabelos brancos. Se na próxima parada sobrasse algum daqueles brinquedos, o jeito era deixar por aí, ou jogar no lixo. – Tenho pena, quando eu era criança nem tinha um desses para brincar, pensava enquanto dirigia-se ao ultimo ponto de parada.

Nas paradas anteriores a maioria da criançada tinha pegado os brinquedos mais novos, modernos, com menos uso. O que estava ali na carroceria do velho Mercedes cara chata talvez não agradasse aos meninos e meninas que o esperavam nos fundões do Paranaguamirim, bairro da periferia. Afinal, o que sobrara ali eram brinquedos antigos, bem velhinhos e uns tão usados e quebrados que… bom, era melhor não pensar nisso e seguir a missão. Junto com Tião ia João, vestido de vermelho como manda o figurino. Não via a hora de terminar o serviço que durava o dia todo.

Mas lá no Panágua, como o povão chama seu próprio lugar mais ao gosto da simplicidade, a gurizada esperava. Mães e pais também, na esperança de que os filhos ficassem felizes com a chegada do bom velhinho e seus brinquedos. Famílias pobres, lutavam todos os dias para por comida na mesa, e não sobrava para dar brinquedos novos e modernos como os de hoje, que dirá tablets, celulares. Então, aguardavam amontoadas no pátio da igreja, local de encontro daquele ano. Era uma festa. No meio do povo, vendedores ambulantes ofertavam algodão doce, pipoca, doces, também na busca dos últimos trocados para garantir as festas de final de ano.

De repente, lá na esquina surge o cara chata com o bom velhinho acenando! Alvoroço na comunidade. Era só criança correndo para ver quem chegava primeiro para abraçar o Noel, e ver o que podia ganhar. Tião dirige com todo o cuidado, porque nessas horas a multidão não tem controle. Ao parar o caminhão, João Noel desce e distribui balas e doces. Uma alegria só, e um empurra-empurra generalizado! Imagine o desejo infantil do brinquedo adorado, e o sonho de pais em ver seus filhos felizes. De repente o vozeirão avisa: – Atenção! Vamos organizar a fila gente! Era o padre Felício tentando organizar a desorganização de sempre.

O povo o respeitava muito, afinal ele era o homem de Deus na região, e também sabia das coisas. Cobrava das autoridades uma vida melhor para aquele povo. Magro, com seus óculos quadrados, pretos, mas com fala firme e olhar decidido, padre Felício liderava movimentos em favor de mais saúde, infraestrutura, e agora, ajeitava tudo para que não faltassem brinquedos para a criançada. O motorista Tião já sabia que, se faltasse brinquedo ali a bronca seria enorme! No roteiro de visitas pela cidade, cuidava para que nada faltasse até o final no encontro com o padre.

Se o alvoroço era grande lá fora, imagine naquela caixa. Entre os colegas brinquedos, Fred, Joana e Jujuba tentavam se ajeitar para serem notados, afinal, queriam voltar para a alegria das crianças, viver em animação nas ruas, animar histórias nas mãos infantis. E começou a entrega dos brinquedos. Uma a uma as crianças saiam com seus troféus, já a brincar com os coleguinhas. Quase ao final da fila estava José. Com seus dez anos, pequeno para a idade, olhos miúdos e castanhos, cabelos da mesma cor, ondulados, tinha chegado atrasado.

A tristeza já tomava o seu coração. Será que ainda sobraria brinquedos para ele seus irmãos? A cada metro que a fila avançava, mais sua respiração acelerava, parecia que o coração saltaria boca afora. Seu pai e sua mãe garantiam o sustento da casa com a pesca artesanal. Seu atraso se justificava: estava até a pouco cuidando dos manos pequenos. Quando os pais chegaram, ele correu até a igreja. Será que daria certo? Conseguiria ao menos um presente? E a fila andava… e não chegava a sua vez!

E João Noel não aguentava mais de entregar presente para a meninada agitada. Tião preparava o caminhão para ir embora ver a sua família. E o padre avisava a todos que daqui a pouco tinha a missa, não poderiam faltar! Deus não perdoa, dizia ele. Fred se batia ao lado de Jujuba, e aquele barulho de madeira batendo o deixava furioso! Joana, já quase perdendo o vestidinho, lamentava a sua má sorte: nenhuma criança a tinha escolhido! E agora! Será que ficariam sem dono, sem eira nem beira em pleno Natal?

Chegou a vez de José. Ansioso, olha nos olhos do Papai Noel como quem espera o prato de comida. Tião empurra a caixa que ainda tinha algo dentro. – É o que sobrou filho, diz ele a José. Um brilho nos olhos surgiu, e por trás dele, lágrimas de alegria, pois sobraram apenas três brinquedos! Era muita sorte! – Obrigado!, disse José já pegando nas mãos aqueles três brinquedos, exatamente o que precisava para que todos em casa ficassem contentes. Ao espiar cada um deles nos pacotes de presente meio rasgados, parece que via alegria também vinda daqueles brinquedos! Seria possível?

Correu para casa sem parar! O trecho da igreja até a sua pequena casa de madeira que beirava o rio parecia ter milhares de metros, não acabava mais! Os cabelos esvoaçavam ante os ventos do inicio da noite. Fred, Joana e Jujuba percebiam o chacoalhar, diferente dos pulos na carroceria do Mercedes de Tião. O que acontecia, imaginavam. José chegou finalmente. Seu pai e sua mãe o receberam enquanto limpavam seus peixes. A pequena Sara, a caçula, e Mateus, irmão do meio, pularam em sua frente. – O que nós ganhamos, o que veio, gritavam!

José então entregou a cada um o seu presente. Sara não sabia o que dizer da boneca loira que tinha nas mãos… era a mais linda que tinha ganhado, na verdade, inteira, era a única. Mateus pegou o pião nas mãos e saiu a atirar ele ao chão e ver rodar. Já tinha visto os amigos com alguns, mas agora tinha o dele. E José, enfim teve seu caminhão. Faltava a caçamba, mas isso dava para enjambrar. Saiu também a fazer vruummm, vruummm, pelo terreiro da casa. Depois do susto, era a realização de sonhos, sonhos natalinos dele, dos pais, da família. O reencontro da alegria que só o Natal faz.

E Fred, Joana e Jujuba? Bom, eles também se reencontraram com a alegria da brincadeira, dos inventos, e sentiram-se úteis e felizes. No dia seguinte, Fred já tinha sua caçamba feita de casca de ostra. Joana ganhou novo vestido feito pela mãe de Sara, todo florido! E Jujuba, ah, Jujuba agora roda mais forte que nunca! Ganhou uma nova corda reforçada e sai por aí rodando o mundo a partir do Panágua!

* Escrito por Salvador Neto em 8 de dezembro de 2014, especial para a sétima mini antologia Letras da Confraria da Associação Confraria das Letras.

Literatura: Associação Confraria das Letras lança a sétima edição do “Letras da Confraria” especial de Natal

Capa Letras da Confraria_7_FINALPara fechar um ano de muitas realizações, a Associação Confraria das Letras decidiu presentear a sociedade com uma edição especial de Natal da sua mini antologia “Letras da Confraria”.

Será a sétima edição do título com 18 autores publicando seus contos, poesias e crônicas com motivos natalinos e de ano novo. O evento de lançamento será simples e acontecerá no restaurante Capitão Space às 20 horas da próxima terça-feira (16/12), quando os escritores associados também farão a sua confraternização do ano. O Letras da Confraria – Especial de Natal será vendido no local por apenas R$ 5,00.

Analisando o ano que está se encerrando, o presidente da Associação, David Gonçalves, avalia que foi marcante para a literatura local. “Nós começamos o ano lançando mini antologias, o livro Saganossa com 22 autores, lançamos a sexta edição do Letras da Confraria em agosto, e realizamos em novembro o II Encontro Catarinense de Escritores com a presença de mais de uma centena de escritores, professores, entre outros, trazendo grandes nomes para debater a literatura. Vamos fechar o ano com essa belíssima edição de Natal do Letras da Confraria, com a satisfação do dever cumprido em favor da cultura, da literatura”, destaca David.

Todas as atividades da Associação Confraria das Letras são produzidas com recursos próprios de mensalidades dos associados, da venda dos livros dos escritores, e venda das mini antologias e do livro Saganossa, que deverá ter a sua segunda edição lançada em março de 2015.

Serviço:

O quê: Lançamento da 7ª. Mini Antologia Letras da Confraria – Especial de Natal

Quando: dia 16/12/2014 (terça-feira)

Horário: 20h

Onde: Capitão Space Rua Marquês de Olinda, 3340 – Glória / Joinville / SC – contato@capitaospace.com.br – (47) 3422-5544

Como: Será vendido a R$ 5,00 no local

Realização: Associação Confraria das Letras

Literatura: 48 escritores brasileiros representarão o Brasil no Salão do Livro de Paris 2015

Em evento na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler, anunciou nesta terça-feira (9/12) os nomes dos 48 escritores que representarão o Brasil no Salão do Livro de Paris 2015.

Na 35ª edição do evento, entre 20 e 23 de março, o Brasil será o país homenageado e contará com espaço de 500 metros quadrados destinados à venda, exposição de livros e palestras com autores. Haverá ainda programação cultural paralela.

“Ao receber seu merecido reconhecimento em eventos de porte como este, a literatura brasileira não só apresenta o Brasil para o mundo como também encontra maior valorização no mercado interno”, avaliou a ministra durante o anúncio.

Os autores escolhidos são Adauto Novaes, Adriana Lisboa, Adriana Lunardi, Affonso Romano de Sant’Anna, Alberto Mussa, Ana Miranda, Ana Paula Maia, Angela Lago, Bernardo Carvalho, Betty Mindlin, Betty Milan, Bosco Brasil, Carola Saavedra, Cristovão Tezza, Daniel Galera, Daniel Munduruku, Davi Kopenawa, Edney Silvestre, Edyr Augusto, Fabio Moon, Fernanda Torres, Fernando Morais, Férrez, João Carrascoza, Leonardo Boff, Lu Menezes, Luiz Ruffato, Marcelino Freire, Marcello Quitanilla, Maria Conceição Evaristo, Marina Colasanti, Michel Laub, Milton Hatoum, Nélida Piñon, Paloma Vidal, Patrícia Melo, Paulo Coelho, Paulo Lins, Ricardo Aleixo, Rodrigo Ciríaco, Roger Mello, Ronaldo Correia de Brito, S. Lobo, Sérgio Rodrigues, Sérgio Roveri e Tatiana Salem Levy.

Além deles, um acordo com a Academia Brasileira de Letras (ABL) permitiu levar mais três imortais para a capital francesa: Ana Maria Machado, Antônio Torres e Nélida Piñon.

A seleção dos autores é resultado da parceria entre o Centro Nacional do Livro francês e do Comitê brasileiro, formado por 24 integrantes, entre titulares e suplentes, com representantes de secretarias e órgãos do Ministério da Cultura (MinC) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE); do Conselho Diretivo do Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL); e de entidades representativas do setor, como a Câmara Brasileira do Livro (CBL); União Brasileira de Escritores (UBE); Liga Brasileira de Editoras (LIBRE); Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU); Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e Serviço Social do Comércio (SESC-SP).

As escolhas obedeceram aos seguintes critérios: autores com obras traduzidas para o francês; equilíbrio na seleção (incluindo autores novos e consagrados); abrangência de diversos gêneros literários; diversidade editorial; oportunidade igual para homens e mulheres e produções com diversidade étnica e cultural de profissionais de várias regiões do país.

Os curadores do evento são a escritora e idealizadora do Fórum das Letras de Ouro Preto, Guiomar de Grammont, que também participou da seleção, e o professor de Literatura na Université Paris-Sorbonne e nomeado Conselheiro Literário junto ao Centre National du Livre para o Salão do Livro de Paris em 2015, Leonardo Tonus.

Para a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, a homenagem no Salão do Livro de Paris não é um fato isolado. O Brasil tem investido cada vez mais na internacionalização da cultura e está sendo reconhecido por outros países.  Ela citou as recentes homenagens recebidas na Feira do Livro de Frankfurt, Alemanha; na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, Itália, entre outras.

Já o diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos Piúba, destacou que o convite para o Brasil ser o país homenageado foi firmado e divulgado na Declaração Conjunta dos presidentes da França e do Brasil, François Hollande e Dilma Rousseff, por ocasião da visita dela à França em 11 de dezembro de 2012.

Os patrocinadores brasileiros são a empresa Ticket e a seguradora Caixa Seguros. O evento tem apoio também do Centre National du Livre e do Institut Français.

II Encontro Catarinense de Escritores: Balanço do evento revela consolidação no calendário cultural

Comissao-Organizadora-II-Encontro-Catarinense-Escritores-15nov2014O II Encontro Catarinense de Escritores, promovido pela Associação Confraria das Letras nos dias 14 e 15 de novembro no salão da comunidade da faculdade Bom Jesus/Ielusc em Joinville (SC), reuniu cerca de 140 participantes entre escritores, professores, acadêmicos.

Com essa significativa presença de público, e a presença de palestrantes do quilate de Paulo Markun, Carlos Henrique Schroeder, José Fernandes e Celestino Sachet, o evento se consolida como um dos principais na literatura catarinense. Para 2015 já há data agendada para o III Encontro: 13 e 14 de novembro em local a ser definido no início do ano que vem.

Para o presidente da Associação Confraria das Letras, David Gonçalves, o sucesso se deve ao engajamento dos escritores em uma causa comum, e de forma coletiva.

David-Goncalves-presidente-Associaçao-Confraria-das-Letras-15nov2014“Nossa entidade tem apenas dois anos, mas com 50 associados, união, talentos e organização, já conseguimos publicar seis mini antologias (Letras da Confraria), um livro (Saganossa), e realizar dois eventos de porte, com poucos recursos e muita criatividade. Creio que cada vez mais vamos fazer do Encontro um evento grandioso para a literatura”, afirma David.

Durante o evento houve sorteios de livros dos palestrantes e escritores que doaram obras, apresentações culturais, musicais que animaram os participantes.

As associações e academias de literatura que se inscreveram puderam apresentar seus trabalhos. Um espaço para divulgação e venda das obras dos escritores da Associação e de outras entidades literárias foi oferecido, e as vendas chegaram foram significativas.

Para 2015 os planos são trazer novamente nomes de peso da literatura, talvez até do exterior, promover oficinas, e oferecer temas voltados aos jovens, professores e contadores de histórias, além de buscar patrocínios e patrocinadores que garantam recursos financeiros para o projeto. “Vamos surpreender novamente no III Encontro”, ressalta o presidente da Associação Confraria das Letras, David Gonçalves.

O evento, abertura com Paulo Markun
Associação-Confraria-das-Letras-Paulo-Markun-II-Encontro-Catarinense-Escritores-14nov2014-Alexandra-FláviaNa primeira noite do evento (sexta, 14) a palestra com o escritor e jornalista Paulo Markun foi o destaque. Markun tem 14 livros publicados, todos de não ficção. Paulo participou de forma intensa do período da ditadura militar e também da campanha das “Diretas Já”, juntamente com o também jornalista Vladimir Herzog.

Markun deu início à palestra “Mídia e Literatura” ilustrando sua fala com a história bíblica de Adão e Eva, como seria vista pela mídia. Ele destacou todos os passos de uma reunião de pauta, entre decidir se é interessante para o público e para o veículo, se irão ouvir o casal e também dar voz a serpente e questionar-se quem seria o assessor de imprensa de Deus. “Depende muito dessas assessorias de imprensa que fazem com que determinadas pessoas se tornem notícia ou não”, afirmou.

O jornalista também fez relação entre a mídia e o poder no Brasil, já que nos inventários seiscentistas não havia nenhum livro, e na época da inconfidência mineira, os livreiros eram presos.

“O primeiro jornal que começou a ter moldes do que conhecemos hoje foi o ‘Gazeta do Rio de Janeiro, criado após a vinda da família real ao Brasil, entretanto, três meses antes havia o ‘Correio Braziliense’, que parecia mais um livro mensal com 140 páginas”, comenta ainda que oficialmente, o primeiro jornal informativo foi o “Diário do Rio de Janeiro”, em 1821. Ao final Paulo Markun autografou suas obras para uma extensa fila de admiradores.

Sábado intenso
Jose-Fernandes-II-Encontro-Catarinense-Escritores-15nov2014O sábado começou com a palestra sobre “Literatura, Criação e Leitura”, com o escritor e doutor em literatura José Fernandes. Segundo ele, para se fazer literatura é preciso ter conhecimento do imaginário daqueles elementos que fazem parte da cultura.

“Quem escreve deve ser altamente hábil para introduzir no texto elementos para fixar o leitor e para que ele se sinta motivado para descobrir as coisas do texto”, relata Fernandes enfatizando a importância entre a relação entre escritor e leitor.

Ele embasou sua palestra em textos de Machado de Assis, como “Missa do Galo”. Fernandes declara que Machado consegue acrescentar no texto algumas coisas que muitos não conseguem identificar. O texto machadiano contém muitas peculiaridades conforme análise de José Fernandes.

“Tudo gira em torno do número três, seus ensaios sustentam a teoria simbolista”, relatou. Para o doutor em literatura, todo grande escritor é um grande estudioso, um grande leitor, além disso, não é possível escrever sem conhecimento.

Sachet sem papas na língua
Celestino-Sachet-15nov2014Em seguida à José Fernandes, um descendente de italianos que não tem medo de falar o que pensa, o escritor e doutor em literatura Celestino Sachet falou sobre “Literatura Catarinense e Contemporânea – Estruturas e Temática”.

Celestino disse que sempre gostou de pesquisar sobre a literatura catarinense por prazer. “A literatura catarinense teve seu destaque maior agora na primeira década deste século, não há um motivo específico. Entretanto em minha opinião, a internet foi peça chave para tudo isso”, ressalta.

Sachet coloca que a sociedade não vai permitir que se mate a cultura. Ele ainda afirmou que esse consumo vai continuar, mas talvez diminua, pois as pessoas precisam se informar, já que mesmo na “maquininha” (celular) você está se informando.

“Apesar de que eu discuta a validade dessa informação, é informação, temos que ser otimistas, o mundo vai ser melhor”, declara. Segundo Celestino, o livro não vende porque não está na livraria.

“É um ciclo, por isso é importante esses eventos, ao menos para mostrar o livro, conversar e trocar experiências”, afirma. Ele conta que foi a um lançamento em Florianópolis de livro de uma pessoa de Blumenau, o autor vendeu apenas cinco exemplares.

“Mesmo o Paulo Coelho que é nome consolidado de vendas, não consegue se manter entre os mais vendidos atualmente, o que vende hoje em dia é livro de autor americano”, declara lamentando a preferência de livrarias catarinenses sobre os autores americanos.

Schroeder polemiza, painel debate capacitação professores
Carlos-Henrique-Schroeder-15nov2014A tarde de sábado (15) foi aberta pela palestra do escritor e editor Carlos Henrique Schroeder. Ele analisou as dificuldades e acessibilidades do mercado editorial catarinense e brasileiro. Schroeder afirma que as livrarias precisam se reinventar para conquistar os novos públicos. “O livro foi praticamente expulso do mercado, as feiras do livro ocupam a função que são das bibliotecas”, destacou.

Schroeder diz que muitos escritores “ingeriram e regurgitaram” e se construíram em cima de Machado de Assis, e ressalta a importância dos escritores locais para a criação da biodiversidade literária.

“Não podemos repelir os escritores catarinenses, além disso, a dificuldade das livrarias se reinventarem é muito grande”, enfatiza. Ele destaca que a literatura é uma linha do tempo.

“Temos que respeitar nossos pais, nossos escritores, não podemos dizer que não lemos isso ou aquilo”, diz ele que cita a importância dos autores catarinenses, como Cruz e Souza. “Os teus concorrentes não são as pessoas que são do teu estado, da tua região, mas sim os escritores de outros países que são renomados”, enfatizou o escritor.

Schroeder comenta também sobre o “atraso” da valorização das obras de autores catarinenses. “Não podemos esquecer dos nossos conterrâneos, não podemos valorizar só o que é do ‘eixão’ (Rio – São Paulo)”, apelou o escritor.

Painel-Encontro-Catarinense-Escritores-15nov2014Finalizando as atividades do II Encontro, o painel “Como driblar as pedras na literatura contemporânea?” foi mediado pelo jornalista e escritor Salvador Neto tendo como painelistas o teatrólogo e escritor Jura Arruda, o doutor em literatura e escritor José Fernandes, o escritor e editor Carlos Henrique Schroeder e o escritor e presidente da Associação Confraria das Letras David Fernandes.

O teatrólogo Jura Arruda enfatiza baseado na fala do escritor Carlos Henrique Schroeder, que a “pedra no caminho” da literatura é o fator de distribuição.

“Ela é uma das maiores, por isso, é mais fácil de ver”, relatou. Schroeder mostrou a facilidade de livros chegarem às mãos das pessoas pelo celular. “Em menos de 10 minutos eu consigo no meu celular baixar e comprar um livro que nem foi lançado oficialmente nas livrarias, isso muitas vezes complica a venda dos livros para os autores”. Ele enfatizou que o preço do livro no Brasil ainda é muito alto, que dificulta o acesso de muitas pessoas.

O escritor David Gonçalves afirmou a importância de formarmos leitores desde quando as crianças aprendem a ler. “Se não fortalecemos isso lá, como queremos adultos leitores depois? O meio está mudando, o livro não”, comenta.

Todos os participantes concordaram sobre a necessidade de aperfeiçoar a capacitação dos professores, e Jura Arruda enfatizou o caso de uma professora que foi afastada da direção de uma escola em Joinville (SC) por estar incentivando à leitura e ensinando coisas positivas as crianças.

“Nunca recebi uma resposta se ela foi afastada para mostrar a rede municipal seu trabalho ou por algum outro motivo”, contou Arruda. Após o painel, para fechar o segundo dia de encontro dos escritores catarinenses, houve a apresentação de um sarau literário acompanhado pelo músico Ananias Almeida, onde os participantes puderam apresentar seus contos, poemas e outras produções literárias.

* Com informações da assessoria de imprensa do evento, este texto contou com a colaboração da acadêmica em jornalismo, Alexandra Flávia, que também registrou o evento com fotos. Ela é estudante de jornalismo do Bom Jesus/Ielusc.