Denúncia dos respiradores: agora a culpa é de uma servidora?

Ontem, após eu ter publicado o post cobrando o governador de Santa Catarina e seu Secretário da Saúde, Carlos Moisés e Helton Zeferino respectivamente, a comunicação do Governo enviou uma nota à imprensa que nada responde, nada esclarece, e pior, atira a culpa de uma compra feita em cinco horas no valor de R$ 33 milhões para a compra de respiradores para pacientes da Covid-19 que já se vê é uma fraude gigante, em uma servidora de terceiro escalão.

Quem conhece um pouquinho da administração pública sabe que há um processo documentado, e que vários servidores assinam a papelada, e inclusive o senhor Secretário de Estado. Jogar a responsabilidade de uma compra de R$ 33 milhões em uma servidora chega a ser desonesto. Em nenhuma empresa do mundo, e inclusive no setor público, jamais uma operação destas seria delegada totalmente a uma pessoa sem o conhecimento, anuência e aprovação do seu superior, ou superiores, o dono da coisa toda.

Os deputados estaduais devem abrir imediatamente uma CPI para ir a fundo nesta questão específica. O modus-operandi é o mesmo utilizado para o falecido hospital de campanha em Itajaí. É preciso descobrir o que está por trás dessa operação que envolve empresas de fachada, que passou por Joinville – porque lá, quem lá conhece a pessoa envolvida? – feita em apenas cinco horas e totalmente paga à vista, e sem os respiradores entregues! O governo Carlos Moisés tem uma comunicação pífia com a imprensa, é fechado, não gosta do diálogo. Mas será preciso sim prestar contas.

O Ministério Público Estadual e também o Federal, afinal é para existir aí uma operação alfandegária, internacional, precisam se manifestar e também investigar. O Tribunal de Contas, idem. Combater esta pandemia que arrasa com famílias, promove a morte por asfixia, não dá a qualquer gestor público carta branca para fazer o que bem entender do dinheiro público, e sem prestar contas disso. Ainda esperamos que o governador e secretário se manifestem sobre essa operação que tem cara, nome e jeito de fraude.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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