Depressão não é frescura

Sim, convivo com a depressão sim. E já fazem bons anos que esta megera me acompanha, seduz, fala ao meu ouvido sorrateiramente. Ela é forte, persuasiva, persistente, te abraça tanto que se você deixar, ela te sufoca. Para dar aquela força à ela ainda chegaram juntas a sua companheira pandemia com seus aliados coronavírus e Covid-19. Uma união que leva até à UTI física e mental. Às vezes, carrega você ao túmulo, e sua alma ao outro plano. O que escrevo aqui é sério.

Não sou o único, tampouco fui ou serei o último a conviver com a depressão. Conheço muita gente que compartilha da sua companhia indesejável. Sim, a gente não deseja andar com ela, mas ela insiste e gruda como chiclete. E não me venham aí os vendedores de saídas mágicas ou religiosas para esta doença. Não é falta de um deus, ou seja lá o que for. É uma mistura de emoções, traumas, violências, perseguições, química humana, que em algum momento deságua em uma espécie de derrota total. Derruba, adoece, mata. Dá tristeza, pessimismo, baixa estima.

Se você tiver alguém que, muito corajosamente, te abrir a boca para dizer que está com depressão, faça uma coisa: acolha, ouça, escute, abrace, ande a seu lado, tenha paciência, procure ajudar sem cobrar, sem pressionar. Creia, há muitos amigos e amigas, familiares e outros que estampam sorrisos nos rostos, mas sangram miseravelmente dia a dia sem que ninguém saiba. Uma hemorragia invisível vai drenando o fluído vital, a vida, a vontade de estar aqui. Pode ter muito dinheiro, casas, carros. Pode morar na favela, no barraco, tanto faz. Ela te envolve e te derruba.

Depressão não é frescura, é doença e que está aumentando o seu exército diante de uma sociedade doente, distante, fria e que não vê no outro um semelhante, um ser humano que cai e precisa de apoio para levantar. Preste atenção no outro, ajude, esteja junto. Estamos aqui de passagem, não levamos nada a não ser o que fomos e fizemos, ou deixamos de bom em outras pessoas. Não abandone a quem precisa. Acolha, depressão mata.

Afaste os pensamentos negativos

pensarNo dia a dia, a gente não presta atenção aos pensamentos e mal percebe quando está presa num círculo vicioso de ideias negativas. Em seu famoso livro O Poder do Agora (ed. Sextante), o escritor alemão Eckhart Tolle conta que esses pensamentos aparecem sob diversas formas, como vozes internas, imagens ou até “filmes” mentais. É um processo involuntário e constante que drena nossa energia vital, além de causar tristeza, medo e ansiedade.

Algumas pessoas só percebem o mundo através de um ponto de vista sombrio, mesmo quando a situação não tem essa conotação. Até quando tudo parece caminhar bem e acontece apenas uma coisa ruim, todo o resto perde o sentido para elas”, explica a psicoterapeuta junguiana Sâmara Jorge.

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Coaching Flora Victoria explica que pensar negativamente é enxergar apenas determinado ponto da questão. “O pessimista acredita na permanência do problema, generaliza o que é ruim e especifica o que é bom. Diz que nada funciona para ele. Quando a gente o lembra daquela vez que deu certo, ele alega que foi uma exceção. Já o otimista faz o contrário, sabe que as adversidades são passageiras e que dificilmente as coisas dão errado”, afirma.

A consultora americana Linda Spangle, autora de diversos livros sobre perda de peso, como Life Is Hard, Food Is Easy (em tradução livre, “Viver É Difícil, Comer É Fácil”), ainda não publicado no Brasil, acredita que a mente tem uma importância determinante nos resultados que obtemos em qualquer questão. Ela usa a fórmula: fato-pensamento-ação-resultado para demonstrar que é nossa interpretação dos acontecimentos que determina o sucesso ou fracasso em uma situação.

De acordo com a escritora, nossas leituras distorcidas sobre os fatos se baseiam em experiências anteriores que não deram certo. “Seu passado não determina seu futuro. Elimine a crença de que as coisas sempre acontecem do mesmo jeito e de que você nunca chegará aonde quer. Quando essa ideia vier à mente, afirme: eu costumava ser assim. Não sou mais”, aconselha.

Para Sâmara, somos nós que atribuímos valores aos fatos. “O que vai determinar a qualidade da experiência, se é positiva ou negativa, é a forma como lidamos com ela e o que privilegiamos: as mágoas, a raiva, as dores e o sofrimento ou a compreensão de sua transformação em aprendizado”, aponta.

Aliás, remoer culpa e ressentimento, lembra a psicanalista Cida Lessa, não traz nenhum benefício. “Se as coisas não estão como gostaria, transforme sua vida adotando novos comportamentos. De nada adianta se culpar ou culpar os outros. Somos totalmente responsáveis pelos nossos pensamentos, atitudes e escolhas”, afirma.

Mdemulher