Parque da Cidade completa um ano nesta terça-feira (6/11)

Foi em uma manhã ensolarada de domingo que, após anos de espera, o sonhado Parque da Cidade de Joinville deixou os projetos e os papéis para virar realidade. Terça-feira, ele completa o primeiro aniversário. Em um ano de vida, o que mudou? Tudo. E como um ano passa rápido, não é mesmo? Até parece que foi ontem que a capa de “A Notícia” estampava a família da mãe Abigail do Rosário. Com um pulo cheio de energia, as crianças convidavam os moradores para curtir o fim de semana no Parque da Cidade.

E naquele 6 de novembro, muita coisa aconteceu. Foram apresentações culturais, caminhadas pela nova trilha e, claro, muita correria no Caranguejão, no parque infantil, nas três quadras e na pista de skate. Neste um ano de vida, também houve muitas conversas. O parque custou mais de R$ 4 milhões e usou 42 mil m² dos bairros Guanabara e Bucarein (do ladinho da Arena Joinville). Foi preciso um pouco de paciência e reflexão para se adequar à nova rotina.

A Prefeitura precisou de inúmeras reuniões com os moradores para falar da segurança, por exemplo. Entre os resultados significativos, houve a instalação de câmeras de monitoramento, um espaço fixo para a viatura da Polícia Militar, o fechamento com tela da pista de skate à noite e, claro, uma boa iluminação.

Ainda após a inauguração, os visitantes ganharam acesso à internet gratuito, um monumento em homenagem à Organização das Nações Unidas (ONU), além de contar com eventos culturais como shows, mercado de pulgas e ensaios de bandas – tudo de graça. Lembram? Até a banda Nenhum de Nós esteve no parque, no aniversário de Joinville.

Assim fica fácil falar que o Parque da Cidade mudou nossas vidas. Além de ter valorizado a zona Sul, deu uma mexida significativa no terreno ao lado da Arena, que ganhou quadras de basquete, pista de caminhada e uma academia da melhor idade.

Claro que ainda há pontos para melhorar. Mas isso pode começar por nós. O grande “x da questão” é o vandalismo. Há pichações até no Caranguejão – um brinquedo para crianças. Algumas barras de ferro que protegem o mirante foram quebradas e ainda há muito lixo no chão, mesmo com 40 lixeiras espalhadas pelo parque. Sem contar o cocô de cachorro que não foi recolhido pelos seus donos. Então fica a dica: cuide do parque, porque ele é seu – agora mais do que nunca.

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35o. Copão Kurt Meinert homenageia Anita Massena nesta edição

A 35ª edição do Copão Kurt Meinert será especial. Nesta quinta-feira (21/6), no Teatro Juarez Machado, aconteceu a cerimônia de lançamento da competição para essa temporada. O evento contou com aproximadamente 600 pessoas, divididos entre atletas, treinadores, dirigentess e equipes de apoio. A grande novidade ficou por conta da homenageada deste ano, divulgada no evento: A professora Anita Massena.

“Optamos por escolher a Anita por tudo que ele representa para o Copão e também como uma forma de agradecimento por tudo que ela já fez no esporte joinvilense”, ressaltou o presidente da Fundação de Esportes, Lazer e Eventos de Joinville, Flávio Sérgio Pscheidt. No evento, duas apresentações de danças escolares movimentaram a noite a abrilhantaram as homenagens. “Estou extremamente emocionada com esse momento. Espero que esse seja o melhor Copão de todos os tempos”, declarou a professora Anita Massena, homenageada deste ano.

A competição tem início programado para o dia 30 de junho, na Arena Joinville. Antes, porém, acontece o congresso técnico, também na Arena, marcado para a próxima terça-feira, dia 26. Este ano são 65 equipes participantes do Copão Kurt Meinert, troféu Anita Massena, que tem término programado para o final de Novembro.

Foto de Mauro Artur Schlieck/ SECOM

Copa do Mundo da África – “Legado para quem”

Pesquisador sul-africano que escreveu livro sobre a Copa na África diz que seu verdadeiro legado foram dívidas e desemprego

O sul africano Eddie Cottle, autor do livro “Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?”, acompanhou o megaevento de 2010 com olhos atentos. Ele coordenou a campanha por trabalho decente entre os sindicatos da construção no país. E após pesquisar o antes, durante e pós Copa, garante que as perspectivas de crescimento do país, aumento do número de empregos e no número de turistas nunca se concretizou por lá.

Ele acredita para o Brasil a coisa pode ser ainda pior, principalmente por causa do grande número de despejos que já aconteceram por aqui. “Olhando para o que está acontecendo no Brasil, o que se pode esperar é um aumento pequeno dos níveis de emprego a curto prazo, salários baixos, e a maioria dos fundos públicos sendo desviados para os lucros das grandes empresas”.

Quais eram as promessas para o evento na África do Sul? E quem mais encorajou esta “ilusão”? A mídia? O governo? A própria Fifa?

Uma das maneiras mais perniciosas de se criar a aceitação geral da Copa do Mundo é através da divulgação de números exagerados de geração de empregos. Nesse sentido, o evento de 2010 parecia muito interessante. O número de postos de trabalho foi estimado em 695.000 para os períodos pré e durante a Copa do Mundo. E o que aconteceu na realidade? No segundo trimestre de 2010, as taxas de empregabilidade diminuíram em 4,7%, ou seja, perdemos 627.000 postos de trabalho. No setor da construção civil, onde se tinha a sensação de que os ‘bons tempos’ seriam sentidos por todos, o emprego diminuiu 7,1% (ou 54.000 postos de trabalho) neste período. Na verdade, o ano de 2010 testemunhou com menos 111.000 postos de emprego na construção. Olhando para o que está acontecendo no Brasil, o que se pode esperar é um aumento pequeno dos níveis de emprego a curto prazo, salários baixos, e a maioria dos fundos públicos sendo desviados para os lucros das grandes empresas. Quando o termo “legado” é usado pelas comissões de licitação, pela Fifa, pelos Comitês Organizadores Locais, funcionários do governo e as principais consultorias econômicas, ele é assumido como inteiramente positivo, com o argumento de que os benefícios do crescimento econômico e do desenvolvimento urbano irão para as comunidades como uma coisa natural. Essas são mentiras absurdas. Nunca são feitos estudos sérios acerca dos investimentos feitos pelo governo e a que custo eles acontecem; sobre o impacto da Copa sobre o meio ambiente ou os custos sociais de sediar a Copa. O relatório econômico oficial é mantido sob sigilo e longe da discussão pública, simplesmente porque são falhos.

Qual foi o acordo de anfitrião feito entre a Fifa e a África do Sul? Foram criadas leis específicas como no Brasil?

O maior problema que o Brasil irá enfrentar é a promulgação das “Leis da Fifa”, que serão o elo entre o governo brasileiro e a Fifa. Estas leis dão garantias para a Fifa que incluem uma “bolha” livre de impostos; importação e exportação irrestrita de todas as moedas do e para o Brasil, bem como a sua troca e conversão em dólares, euros ou francos-suíços; a suspensão de qualquer legislação trabalhista que possam restringir a Fifa, seus parceiros comerciais, a imprensa e os membros de sua equipe de transmissão dos jogos; segurança e assistência médica gratuita [para a Fifa]; a proteção dos direitos de propriedade intelectual da Fifa e garantias para indenizá-la por quaisquer contestações judiciais ou processos que possa vir a sofrer. Para fazer cumprir estas concessões da soberania da África do Sul, a Fifa exigiu que o Estado criasse e financiasse juizados especiais. E para além disso, durante a competição, nenhuma grande obra foi permitida nas cidades-sede, o que significa reduzir o crescimento econômico.

Como estão hoje as vítimas de remoções forçadas? Você sabe?

Eu não tenho notícias… Mas acho que no Brasil a situação será pior, porque na África não tinham tantas pessoas morando ao redor dos estádios.

A África do Sul ganhou ou gastou mais dinheiro com a Copa?

Em 2003, a consultoria internacional Grant Thornton estimou que as despesas da África do Sul com a Copa do Mundo seriam “mínimas”. Ela viria ao custo de US$ 2,3 bilhões, mas, com a renda da tributação da Copa estimada em US$ 954 milhões, seria um lucro enorme. O panorama atual dos gastos é estimado em US$ 5,2 bilhões, um gritante aumento na estimativa inicial. Mesmo assim, nós não temos ainda a contagem final para os custos de hospedagem da Copa do Mundo e provavelmente nunca a teremos. O South African Reserve Bank indicou custos muito mais elevados para o Estado, inclusive através de empresas estatais que investiram US$ 17 bilhões em formação de capital, a maior parte desse valor relacionado com a Copa do Mundo, e que agora estão incorrendo em um déficit de financiamento de US$ 8,3 bilhões como resultado. A avaliação atual para o Brasil e para qualquer outro país que sedie o evento é um destino semelhante de um gasto sem precedentes de fundos públicos, cujas despesas não serão totalmente contabilizadas.

E as obras de mobilidade urbana e reforma dos estádios? Isso realmente ajudou a população depois do evento?

Diz-se que, para a Copa de 2002, a Coreia do Sul e o Japão gastaram US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões respectivamente nos estádios, enquanto na Alemanha os custos dos estádios foram de US$ 2,2 bilhões. A África do Sul gastou US$ 2,5 bilhões nos estádios da Copa do Mundo (excluindo outras infraestruturas). Será extremamente difícil para quase todos os estádios cobrirem suas despesas operacionais, e atender aos interesses do capital e do pagamento de juros.  Isso significa que os impostos municipais locais aumentaram e mais fundos provenientes do orçamento nacional foram destinados aos estádios para suprir os custos excedentes, ficando menos disponíveis para investir nos custos sociais.

Sobre as zonas de exclusão ao redor dos estádios, o que aconteceu com os ambulantes?

A Copa do Mundo é um eufemismo para o que eu tenho chamado de “complexo de acumulação esportiva da Fifa” que impulsiona a exploração das nações anfitriãs e dos trabalhadores. A maioria das análises não consegue ver os interesses de classe que são atendidos pelos megaeventos como a Copa. A Fifa leva uma classe mercantil globalizada a colocar pressões significativas sobre produtores que, por sua vez, se engajam em repressões salariais agressivas sobre os trabalhadores. Na África do Sul, o mascote da FIFA, por exemplo, licenciado pelo Global Brands Group, foi produzido por trabalhadores chineses que receberam apenas três dólares por dia. Como os direitos de propriedade pertencerão 100% à Fifa, apesar de o Brasil estar sediando o evento, os comerciantes locais serão marginalizados e será ilegal para eles usar marcas que estejam fora do rol da Copa do Mundo, então eles serão os perdedores. Na África do Sul, por exemplo, nós fomos forçados a vender cerveja americana, a Budweiser, mesmo contando com grandes cervejarias em nosso país. Cerca de 100.000 comerciantes informais perderam suas fontes de renda durante a Copa do Mundo e não puderam ir aos estádios e, a julgar pelas semelhanças entre os nossos países, isso também deve acontecer no Brasil.

Da Agência Pública – Colaborou Ciro Barros

“Agora o Teixeira tem de renunciar à Fifa”

Ao atender o telefone, do Reino Unido, Andrew Jennings responde entusiasmadamente: “Nós pegamos ele, não pegamos?”. Jennings, parceiro da Pública, foi o autor da reportagem da BBC que denunciou as propinas de US$ 9,5 milhões de dólares dadas a Ricardo Teixeira e US$ 1 milhão ao ex-presidente da FIFA, e seu ex-sogro, João Havelange, para garantir à empresa de marketing esportivo ISL contratos de exclusividade em patrocínios da Copa do Mundo. O caso foi investigado pela Justiça suíça e se tornou um escândalo mundial.

Autor do livro “Jogo Sujo – o Mundo Secreto da Fifa“, ele chegou a prestar depoimento no Senadobrasileiro explicando a história em outubro do ano passado – e apresentou documentos sobre a investigação da corte suíça. Jennings, que se dedica há mais de 20 anos a denunciar corrupção na FIFA, à qual chama de “máfia”, profetiza: “Hoje é Teixeira, amanhã será Blatter”.

O que você acha do Ricardo Teixeira?

O Ricardo Teixeira não tem interesse em futebol, nunca ouvi falar que ele se interessasse pelo jogo. Bom, ele foi sortudo: conseguiu casar com a filha do chefe: foi colocado como presidente da CBF, um empregão. E ele construiu uma longa história de corrupção na CBF. Como ele conseguiu ficar sem punição cometendo crimes por tanto tempo? Porque ele era protegido por pessoas. Cabe aos jornalistas brasileiros denunciar quem eram os políticos que protegiam o Teixeira no Congresso, quem barrava as investigações contra ele.

Você o conheceu?

Sim, claro. Eu o conheci 16 meses atrás, quando fiz plantão diante da sua porta quando ele estava na Suíça. Quando ele apareceu, perguntei: “Senhor Teixeira, o senhor recebeu propinas da ISL?” Ele me empurrou e não respondeu nada.

No ano passado o Teixeira ameaçou te processar, certo?

Sim. Em junho ele enviou dois advogados na FIFA até a BBC para me entregar uma intimação, mas a BBC se recusou a receber. Eles tentaram, não sabiam que eu não morava em Londres e que a BBC iria se recusar a receber documentos do tribunal no Rio. Quando eu fui ao Brasil em outubro, eles tentaram de novo me entregar essa intimação no Senado, mas eu me escondi atrás de uns guarda-costas do Senado, eu apreciei a ajuda deles.

O Teixeira queria me processar por uma entrevista que eu dei para o Romário e saiu no site dele. O Teixeira ficou muito nervoso porque Romário é uma grande estrela no Brasil, ele não podia mais falar que sou apenas um inglês louco.

Aliás, o Romário disse a coisa certa: é como se um câncer tivesse sido tirado da CBF. O Romário tem sido excelente há meses, tem atacado o Teixeira, enquanto o Ronaldo está beijando a sua bunda e ficando mais gordo.

A saída do Ricardo Teixeira vai mesmo fazer alguma diferença, ou vai ficar na mesma?

Temos que esperar para ver. O Brasil não precisa da gangue do Teixeira. Vocês têm pessoas eficientes para fazer a Copa do Mundo, tecnocratas bons, pessoas que podem organizar tudo muito bem. Não precisam desses oficiais da CBF roubando dinheiro. Mas ainda não sabemos se vai melhorar a CBF sem o Teixeira. Acho que isso só vai ser uma mudança real se a Dilma e o Aldo Rebelo disserem: não é só o Teixeira, fora com todos os outros ladrões.

A Dilma tem esse poder?

Claro. Na sexta-feira, quando o Blatter voar para Brasília para encontrá-la, os oficiais da imigração brasileira deveriam mandá-lo de volta.

Já houve um enorme atrito após o Jerome Valcke dizer que o Brasil deveria levar um chute no traseiro…

Sim. E a Dilma estava certa em pedir para ele ser retirado das negociações. Ele não pode pedir desculpas agora que já falou. E não há razões para o Brasil aceitar essas desculpas, acreditar que ele não quis ofender. Ele é um bastardo arrogante e pensou que poderia ofender o Brasil. Então o Brasil deveria dizer: “não venham aqui, nós vamos rasgar o seu visto”.  Vocês podem organizar uma bela Copa do Mundo, não precisam desses crápulas.

E quanto à sucessão na CBF, o governo deveria intervir mais?

A Dilma ou o Aldo Rebelo deveriam estabelecer uma comissão para reavaliar todos os contratos da Copa – com patrocinadores, empreiteiras, venda de ingressos. Tudo isso deveria ser revisto porque Teixeira é um ladrão, e eu estou dizendo isso como o jornalista que o expôs como o ladrão que ele é, e neste caso, como chefe do comitê da Copa, todos os contratos assinados por ele estão sob suspeita. Lembre-se de que houve uma denúncia no ano passado de que o Teixeira iria obter lucro, pessoalmente, com alguns contratos. Eu gostaria de ver o Aldo Rebelo chamar uma conferência de imprensa e diante das câmeras dizer: “vejam esses contratos. Agora eu vou rasgar os contratos”. E então ele deveria rasgá-los. Vocês têm que mostrar ao mundo que pessoas como ele não vão mais fazer parte da sua Copa do Mundo.

Alguns comentaristas afirmaram, depois da declaração de Valcke, que a FIFA poderia voltar atrás e tirar a Copa do Brasil, mudando a sede para a Inglaterra. Você concorda?

Não. A Copa do Mundo não será retirada do Brasil de jeito nenhum. Quem vai tirar a Copa do Brasil? Quem vai fazer uma Copa do Mundo sem o time brasileiro? E além disso, tudo isso é um grande negócio, os contratos já foram assinados, tem estádios sendo construídos, não dá pra voltar atrás agora. Olha, eles ferraram com a África do Sul porque os políticos de lá não se levantaram contra isso. Blatter e Jerôme se acham tão importantes que acham que qualquer político vai beijar a bunda deles. São tão arrogantes! Mas essa é a lição que eles podem aprender, e eu te digo: o resto do mundo vai aplaudir se o Brasil disser, na imigração, que o comitê executivo da FIFA não pode entrar, que o Brasil não vai aceitar isso, pois é um país soberano e orgulhoso, parte dos BRIC!

Quem derrubou o Teixeira agora, 23 anos depois?

A minha sensação é que foi a sua presidente. Quando estive no Senado em outubro do ano passado, o gabinete da presidência ligou depois do meu depoimento pedindo uma cópia do que eu falei.

Não foi pressão de dentro da FIFA?

Com a FIFA é mais sofisticado. Eles tentam suprimir documentos do processo judicial na Suíça que apontam o  Teixeira e o Havelange, então eles ainda estão dormindo na mesma cama. Agora, será muito interessante ver se o Teixeira vai renunciar ao seu cargo na FIFA. O comitê executivo tem 24 homens – só homens, nenhuma mulher – e três representantes da América Latina. Se ele renunciou à CBF, porque ele vai continuar representando o Brasil na FIFA?

Os outros dois representantes são o Júlio Grondona, um bastardo corrupto da Argentina, e o Nicolás Leoz, presidente da Conmebol, que eu denunciei como outro corrupto, mostrando que ele roubou cerca de meio milhão de dólares em três propinas diferentes. É horrível ver esses três corruptos nojentos representando toda a América Latina na FIFA.

Então o Brasil deveria mandar o Teixeira para fora da FIFA também. É muito ruim para a reputação do Brasil que o Teixeira tenha sido acusado de tantas coisas e nada tenha acontecido. Veja o caso do jogo de futebol com Portugal, todo o dinheiro que foi roubado ali – e depois o Sandro Rosel, presidente do Barcelona depositou 3,8 milhões de dólares na conta da filha do Teixeira, que tem 11 anos! O que você faria se um homem depositasse 3 milhões de dólares na conta da sua filha pequena? Isso é abuso de menores! Um escândalo!

O Teixeira era cotado para a presidência da FIFA. Ele ainda tem apoio na FIFA?

Não há nenhum apoio. Veja, a FIFA é formada por duas classes de pessoas: tecnocratas, que são só trabalhadores, e no topo estão 24 homens – metade é corrupta, e a outra metade não, mas eles mantêm a boca fechada porque ganham muito dinheiro.

Não tem apoio. Essa história de que ele estava cotado para a presidência é mentira, e os jornalistas brasileiros acreditaram. A América Latina tem apenas 10 votos no comitê, de 200 países. Mas a FIFA já convive com ele, e o Blatter não vai tirá-lo do comitê porque eles estão dormindo na mesma cama. Somente os latinoamericanos podem pressionar para que ele saia da FIFA. Afinal, ele é um representante do see futebol! Mas veja, nós pegamos o Havelange em dezembro, agora pegamos o Teixeira. O próximo será Blatter.

Como será o fim de Blatter?

Olha, a FIFA sabe que no final as autoridades suíças vão acabar trazendo o caso à tona e publicando os nomes de Teixeira como receptor de US$ 10 milhões em propinas. O Teixeira está tentando protelar a publicação do seu nome, mas é um escândalo que está apenas esperando para acontecer. Agora, o Blatter também será exposto. Deve demorar no máximo um ano. Não tenho a menor dúvida de que vamos pegá-los. Estou absolutamente confiante. Ou seja: não reservem uma cadeira para o Blatter na Copa do Mundo do Brasil. Agora, para acabar com o Blatter, o Brasil pode ajudar. Na sexta-feira, quando ele for a Brasília, a Dilma não deveria encontrá-lo. Devia mandar um burocrata sem qualquer importância, “fale com ele, estou muito ocupada para perder tempo com você”.  Esse gesto vai ser visto no mundo todo, e dar força para aqueles que querem derrubá-lo. Vamos lá Brasil, vocês ganharam todas essas Copas do Mundo, agora é hora de dar algo em troca.

Da Agência Pública – www.apublica.org

“A FIFA não era esta coisa vergonhosa”, diz Mino Carta

Em entrevista à Pública, o jornalista e diretor de redação da Carta Capital lembra a cobertura que fez aos 15 anos para veículos italianos sobre a primeira Copa depois da Segunda Guerra: “O Brasil era o país ideal”. Ali começaria sua longa carreira como jornalista.

Mino fala das muitas mudanças que ocorreram nesses 62 anos no mundo do futebol. A Fifa, por exemplo, não tinha nada a ver com esta de hoje, “que se tornou o que é graças a João Havelange, que, digamos, na Sicília estaria perfeito, dirigindo a máfia”.

E explica que apesar do “Maracanaço”, como ficou conhecida a dolorosa vitória do Uruguai sobre o Brasil no estádio com quase 200 mil pessoas, aqueles eram tempos tranquilos e felizes para o país.

Sobre a Copa de 2014, o jornalista não se mostra otimista. E dispara: “Mazelas mil. Porcarias variadas e mentiras… É uma floresta de enganos”. Senhoras e senhores, com a palavra, Mino Carta:

Você cobriu a Copa de 50 aos 16 anos. Foi seu primeiro trabalho? Como foi parar lá?

Na verdade, foi assim: meu pai detestava futebol e recebeu um pedido de jornais italianos para escrever uma série de artigos sobre a preparação para o Campeonato Mundial de 1950. Eu ainda tinha 15 anos, meu pai detestava o balípodo [futebol]. Me convocou e disse: “Olha, você que gosta dessa porcaria, você gostaria de escrever algo a respeito?”. Eu disse: “Quanto vale?”. Ele disse x e como esse x daria para encomendar um terno azul marinho num alfaiate de muita boa qualidade, eu disse “perfeito!”. Nesse tempo íamos aos bailes de sábado de terno e gravata.

O terno azul era o objeto de desejo?

No meu caso, era o terno azul marinho. Então eu escrevi seis artigos sobre a preparação da Copa. Fui pago, fiz o terno azul marinho e depois quando vieram as equipes dos jornais para os quais eu tinha escrito– que, na verdade, eram dois jornais irmãos, um de Roma e outro de Gênova – o pessoal me usou como intérprete, como ajudante, como contínuo, mil coisas.

A Fifa era menos exigente?

A Fifa não era essa Fifa, que se tornou o que é graças a um brasileiro ilustre que se chama João Havelange, que, digamos, é um concorrente do Totò Riina, do Provenzano. Ele na Sicília estaria perfeito, dirigindo a Máfia. A diferença é que ele está solto e Totò Riina e Bernardo Provenzano estão na cadeia. Esse Blatter é outro. Esse Ricardo Teixeira é outro. Aliás, aprenderam tudo com o João Havelange, que foi o autor desta Fifa vergonhosa. Agora, o campeonato de 1950 funcionou muito bem. Não houve problema algum.

Foram construídos estádios na época?

O Maracanã. Basicamente, o Maracanã, que eu saiba. Eu me lembro porque São Paulo tinha o Pacaembu, que havia sido construído em 1942 e que era um estádio novo e bonito. O Pacaembu aguenta 50 mil espectadores com tranquilidade. São Paulo, nesse momento, beirava os 2 milhões de habitantes. Era um outro mundo. São Paulo tinha 50 mil carros. A gente se locomovia pela cidade com perfeição. Ainda funcionavam os bondes.

O Brasil não parou por causa da Copa, então?

De jeito nenhum. E veio muita gente de fora. O jogo da final, no Maracanã, que foi uma tristeza, um momento de enorme tristeza… Mas também, sabe?, o jogo começou com a distribuição de postais que mostravam o time brasileiro como se já fosse campeão.

Foi mais vergonhoso…

Não, não foi vergonhoso, porque o Uruguai, além de tudo, tinha um time excelente. O Uruguai tinha um time melhor que o do Brasil. Você não perde por acaso. Você perde porque tem pela frente um time que pelo menos, naquele jogo, jogou melhor. Tinha craques incríveis o time do Uruguai, jogadores excelentes. E o Brasil, como frequentemente acontece, era um time desequilibrado. Na defesa, havia muitas falhas. Tinha atacantes excepcionais e uma defesa… Um meio campo muito bom e uma defesa que deixava a desejar. Bom, não foi culpa do goleiro. O marcador do ponta direita do Uruguai não segurava o homem, chamava-se Bigode, o nosso. O outro chamava Ghiggia e corria bem mais. Então, é por aí. Mas enfim, foi um campeonato tranquilo, sem desordem.

O senhor estava lá?

Estava. Triste, foi muito triste. O que tinha de gente chorando na rua era impressionante…

Como foi o clima do estádio nessa hora?

Silêncio. Silêncio aterrador. A alegria de uma pequena torcida uruguaia e silêncio. Porque também os estrangeiros torciam pelo Brasil, os que tinham vindo e tinham ficado muito impressionados. Sobretudo com as duas vitórias por goleada e a exibição de gala, então imagine… Foi triste.

Os torcedores eram pessoas comuns? Os ingressos eram baratos?

Totalmente. Mas olha, o que é impressionante é que (risos) Eu lembro quando eu ia ao Pacaembu, antes quando eu era menino, tinha uns 13, 14 anos, uma ofensa dirigida ao árbitro que eventualmente, na opinião do torcedor, roubava contra o time dele era “tuberculoso!”. Era muito raro ouvir um palavrão no estádio. As pessoas portavam-se de outra maneira. O Brasil virou um país muito vulgar.

E como foi sua cobertura? Como foi essa experiência?

Foi ótima. O que eu realmente escrevi foram os artigos de preparação. Depois, quando o campeonato se deu eu estava ali como ajudante dessa equipe de jornalistas italianos e fiquei como tal. Quer dizer, era sobretudo, um ajudante, um menino. Ali eu já tinha 16 anos e era um menino esforçado, ajudava no que podia.

Os artigos ainda estão por aí?

Eu não guardo nada. Não tenho uma única coleção de alguma coisa que eu tenha feito. Do mundo nada se leva, é minha convicção granítica.

O senhor torcia para o Brasil?

Nesse tempo, sim. Hoje eu mudei muito minha postura. Me irrita pensar que em 70 os presos da ditadura gritavam gol juntamente com os carcereiros. Essa debilidade moral me irrita sobremaneira, hoje em dia. Naquele tempo, não. Ao contrário: eu torcia, sim, pelo Brasil. É claro, lógico. Mas eu tentava ser frio na análise. Porque, realmente, por exemplo, o Uruguai tinha um grande time. Tinha alguns jogadores ali soberbos. No fundo, melhores que os nossos. Schiaffino era um jogador excepcional, por exemplo. Muita cabeça, muita inteligência, via o jogo. Não era só habilidade individual, era capacidade de mentalizar, de no campo mudar a estratégia. Então tinha alguns jogadores excepcionais.

O que o senhor espera pra essa Copa de 2014?

Parece-me que as coisas não estão bem postas. Primeiro, o roubo é absolutamente inegável. Um roubo deslavado, escancarado, transparente. Está ali, para todo mundo ver, mas ninguém dá a mínima. Também é difícil imaginar que em menos de dois anos e meio as cidades brasileiras, sobretudo São Paulo, Rio, Belo Horizonte, consigam montar um esquema que facilite o deslocamento das pessoas para jogos. Não vejo como… As cidades são completamente desequipadas, são miseráveis em certos pontos. Temo um desastre, do ponto de vista da organização. E como teremos eleições em 2014 me parece que esse desastre não vai facilitar em nada para quem do governo quiser continuar aí. Isso vai acabar repercutindo no resultado eleitoral. Acho que, do ponto de vista técnico, o Brasil não tem time para jogar esse mundial, em relação a alguns times europeus que praticam um futebol, hoje, muito mais eficaz para que os bolsos daquele ou desse se encham. Eu não tenho boas perspectivas. Eu acho que foi uma decisão populista do Lula. Uma decisão errada. E nem se fale das Olimpíadas. Tivemos um exemplo que devia ter sido aproveitado, que devia influenciar nas decisões de hoje, que foi o Panamericano do Rio, que foi um roubo, uma coisa monstruosa.

E aquelas obras nem vão servir para as Olimpíadas…

Claro. E veja: estava prevista uma despesa de 400 milhões e a despesa chegou a 4 bilhões. É uma coisa…Dolorosa. Se a Copa for um desastre, o mundo vai ser perguntar “por que as Olimpíadas?”. “Temos de repetir aquela tragédia?”. É isso. O de 50 foi apenas triste porque o Brasil esperava a vitória, mas era um Brasil ingênuo e simples. De uma forma, tenro e um pouco patético, né? Mas nada a ver com o Brasil de hoje.

Então a gente pode dizer que a Copa de 50 foi benéfica pro Brasil?

Foi ótima. Pena que muita gente chorou. Isso que foi pena.

E a segurança? Como era feita?

O Brasil era um país ideal. As pessoas viviam numa boa. Não existiam os medos e receios de hoje.

Então não foi feita uma segurança de guerra como eles estão querendo fazer agora?

Eu tive a sorte e o prazer de assistir a parte final do campeonato europeu realizado em Portugal em julho de 2004. À parte o fato que gosto de Portugal, gosto da comida portuguesa e gosto dos vinhos portugueses, à parte esse detalhe, que não deixa de ter sua importância – foi uma coisa impecável. Uma polícia fantástica, portando-se com fidalguia, com cortesia. Olha, uma coisa impecável! E tinha ali torcidas além de eventualmente muito ruidosas e muito fortes, como a torcida holandesa, por exemplo, que é um pessoal imponente, mas de comportamento impecável. Fiquei muito bem impressionado. Uma organização perfeita. Realmente, parece que para essa ocasião construíram alguns estádios, sobretudo em Lisboa e no Porto, dois estádios muito bonitos e muito modernos. Mas vejam, um detalhe: esse estádio que a Fiat construiu para o time dela, o Juventus de Turin. Eles construíram um estádio moderníssimo, foi inaugurado há menos de um ano. Esse estádio, moderníssimo, a última palavra em termos de estádio, custou um quinto do que vai custar esse estádio de São Paulo (Itaquerão). Um quinto. Imagina? Imagina o que que ali tem de superfaturamento. Mazelas mil. Porcarias variadas e mentiras… É uma floresta de enganos. É isso.

Colaborou: Jéssica Mota. Da Agência Pública

 

Petrobras leva torcedores para a Copa América da Argentina

A Petrobras lançou um concurso cultural eletrônico com o tema “Você com a Petrobras na final da Copa América”, que levará cinco pessoas, com direito a acompanhante, para assistirem à final da Copa América 2011, em Buenos Aires. É a primeira ação de ativação do patrocínio da Companhia ao campeonato de seleções de futebol mais antigo do mundo.

Para participar do concurso, basta que o torcedor envie, até o dia 10/7, pelo site www.petrobras.com.br/copaamericauma foto e uma frase com até 140 caracteres expressando sua paixão pelo futebol. Os cinco melhores conjuntos de foto e frase serão os vencedores.

“Esta promoção reforça a forte ligação da Petrobras com o futebol e procura realizar o sonho de alguns torcedores apaixonados, estimulando formas criativas de expressar este amor”, destaca o coordenador de Promoções da Petrobras, Diego Pila.

O patrocínio da Petrobras à Copa América 2011, que será realizada na Argentina, entre 1º e 24 de julho, reforça a parceria histórica que a Companhia tem com o futebol e promove a integração nos países em que atua na América Latina.

Perfis: Egon Giesel, a enciclopédia do Fluminense do Itaum e futebol amador

Falar de Joinville e não citar o bairro Itaum é esquecer-se do coração romântico da cidade, da boemia, dos trilhos de trem, do samba e futebol. E falar do Itaum sem o Fluminense e seu fundador, Egon Giesel, é apagar as páginas mais ricas do futebol amador da maior cidade catarinense. Aos 80 anos completados em 30 de abril, esse senhor tem em sua memória mais de sete décadas de amor ao esporte amador, e é um dos poucos remanescentes que fundaram o famoso clube da zona sul em 24 de outubro de 1949, em terreno da rua Voluntários da Pátria, próximo a atual Igreja São Judas Tadeu.

“Nosso time era o Estrela, a gente jogava nos muitos campinhos da época. Aí um dia resolvemos fundar um clube mesmo. Uns queriam o nome Botafogo, mas eu torcia pelo Fluminense, e o nome acabou vencendo por mais votos”, conta o descendente de alemães, filho de comerciante do ramo de panificação, nascido e criado na principal rua do bairro, a Monsenhor Gercino bem em frente ao famoso bar do Luizinho. Alto e forte, Egon jogava no meio de campo, mas logo machucou o tornozelo e passou a ser um comandante do clube. Foi diretor, treinador, e hoje ainda é conselheiro ouvido a cada mudança pretendida pela diretoria.

Sétimo de dez irmãos, Giesel começou a trabalhar aos 14 anos na Usina Metalúrgica Joinville, e depois na Companhia Hansen, onde ganhou seu primeiro presente: “Um cachimbo, um leque e uma garrafa de frisante”, conta. Ficou na empresa até 1964 quando abriu um bar e só fechou quando se aposentou, em 1977. Conciliando trabalho e o clube, o veterano comandante se orgulha de cada momento e conquista. “Tivemos nossa outra sede na Monsenhor Gercino, perto do Cesita (Fundamas), onde promovemos os melhores carnavais dos anos 1960 e outras décadas. Às dez horas já tinha de fechar a portaria”, lembra.

A fama do excelente futebol foi tão forte que o time chegou a ter o apelido de “Bailarinos do Itaum”, tal o refinamento do toque de bola e presença de craques. “Nós revelamos o Milton Fumo, que foi pro Vasco e depois Metropol; o Chelo que foi para o Caxias, o Ratinho, grande caráter, que foi para o Marcílio Dias, Portuguesa, Sao Paulo e encerrou carreira no Jec, o Chiquinho, e tantos outros”, relembra Egon. Da venda de Milton Fumo para o Vasco ele conta que a transação marcou época. “Foi por volta de 1963. Veio um cara deles e nós pedimos 200 mil cruzeiros na época. Passados alguns dias eles mandaram carta falando que pagariam 100 mil. Nós aceitamos, não tinha como manter ele aqui, um craque de bola, sem ganhar salários. Se oferecessem 20, também aceitariamos”, fala Egon sorrindo.

Outra negociação que o Fluminense realizou foi com o atleta Chelo, e a forma como foi feita mostra o romantismo da época. “Vendemos ele para o Caxias por um ano de treino e jogos no Ernesto Schlemm Sobrinho”, narra. Entre essa vida no futebol amador e cuidado com a família, Egon Giesel foi atraído para a política, onde foi vereador entre 1983 e 1988, eleito com 1.502 votos, sua única e ultima experiência na área. “O Luiz Henrique me convidou, os amigos apoiaram e venci a eleição. Depois fui vendo que aquilo não era para mim. Era muita gente pedindo”, diz sorrindo. Daqueles tempos ficou a conquista da sede atual do Fluminense, na rua Florianópolis, o Caldeirão do Itaum.

“Sem campo para treinar e jogar, sempre fomos campeões. Quando conseguimos, pensamos: agora vamos ganhar todas. Nunca mais fomos campeões”, comenta entre risadas. Casado há 57 anos com dona Zulma, pai de Cézar, Sandra e Tania, cinco netos, hoje seu Egon descansa em sua casa no Itaum ao lado dos familiares, e recebe visitas constantes de conhecidos de tantas décadas no esporte. Ainda dá seus pitacos no velho Fluminense. “Já disse pro Gaspar (ex-vereador), não vende isso aí não hein”, sobre o grande complexo esportivo onde funcionam escolinhas de futebol, sede social e até uma creche. Quer saber algo do Itaum ou do esporte amador das ultimas sete décadas? Fale com Egon Giesel.

* Publicado na seção Perfil do Jornal Notícias do Dia de Joinville (SC) em maio de 2011.

Perfis: Jean Helfengerger – Com o Vasco, sempre

Ele é sócio do Vasco, com carteirinha e tudo. Se tiver jogo do clube na televisão, deixa os amigos na mão no futebol. Os mesmos que convida para ir em caravana para Curitiba ou Florianópolis para prestigiar o Vascão. Ou ainda, passa 15 dias sem ir à faculdade por uma derrota para o Flamengo em 2001 com o famoso gol do Petkovic aos 43 do segundo tempo. Declama de cor a escalação dos quatro times campeões brasileiros pelo time carioca. E finalmente, dá o nome de Felipe ao filho, de um ano e sete meses, homenageando o craque do Vasco.

Esse é Jean Helfenberger, 31 anos, empresário e morador do bairro Costa e Silva, casado com Fernanda, a quem teve de convencer para dar o nome ao filho, formado em jornalismo. Na sua casa, que fica no mesmo terreno onde ficam também a empresa e a casa dos pais, há um quarto onde ele deposita toda a sua paixão pelo clube cruzmaltino de São Januário. Entre pôsteres, quadros, copos, canecas, almofadas, faixas e agasalhos, Jean coleciona 57 camisas, até agora. A paixão iniciou por volta dos 10 anos.

“Meu avô serviu no Rio de Janeiro, jogava basquete. De lá é que o seu Theófilo Godrich Helfengerger trouxe essa mania”, brinca o descendente de suíços. O pai também é vascaíno, mas nao tao “doente” quanto o filho. Jean cresceu com a era Romário, depois de Felipe, Juninho Pernambucano, Euler, Ramon, que hoje joga no Jec, de quem ele também é sócio. Se jogou futebol? Ele responde: “Futebol é minha paixão. Não bebo, não fumo, só vou no 25 de Agosto. Mas jogar, prá ser profissional, logo vi que não dava. Só joguei no amador, e pouco”, confirma.

Divertido, o empresário formado em jornalismo não esconde que sonha ainda trabalhar com jornalismo esportivo, mas no rádio, causa que o levou a cursar a faculdade. “Ouço rádios do Rio, de São Paulo. Quando eu namorava minha esposa, levava o radinho prá casa da sogra!”, conta sorrindo. Jean conta que nasceu no 25 de Agosto, onde seu pai é diretor e sócio dos mais antigos. “Meu pai Ivo Helfenberger, é diretor lá. Lá fui batizado, fiz a festa do casamento, é uma extensão da casa”, explica. De 2008 a 2010 ele treinou algumas turmas da escolinha do clube, mas a família, o nascimento de Felipe e o trabalho o fizeram dar uma parada. “Quando ele tiver uns seis, sete anos eu volto”, afirma.

O fanatismo é tanto que histórias não faltam. Além dos fatos citados no início da reportagem, Jean conta do sofrimento na derrota de sete a dois para o Atlético Paranaense em 2006. “Quando estava seis pro Atlético eu não agüentei. Fui pro estacionamento, mas nosso carro estava trancado por outros. Para piorar, toda hora um menino passava e gritava “A-tlé-ti-cooo”, comenta. Nem a imagem da Santa Paulina não escapou de uma vitória do Vasco, agora na final contra o Palmeiras, vitória de virada por quatro a três para o Vasco.

“Minha mãe me deu a imagem e disse que ela ajudaria. Pensei: se ela é boa, vai ajudar. Coloquei em cima dos foguetes que armei para a vitória. Primeiro tempo, três a zero pro Palmeiras, tirei tudo da rua, bandeiras, camisas. Esqueci da Santa. Quando o Vasco virou e ganhou, corri e soltei os foguetes. A Santa ficou queimada, nem sei onde a mãe guardou, pois só achou no outro dia no terreno”, conta entre risadas. No dia do casamento, por causa de um jogo do Jec e outro do Vasco, ele chegou em cima da hora, depois de várias testemunhas.

O fanatismo pelo clube é também enorme pelo esporte. Nele Jean fala que fez muitas amizades, e que jamais ofendeu alguém por sua preferência clubística. O vascaíno sonha em ver um Flamengo e Vasco no Maracanã, e quer convidar o meia do Jec, ex-Vasco, Ramon, para conversar em sua casa. “Tenho várias camisas autografadas, quero também a assinatura dele. Penso também em criar a torcida organizada do Vasco na cidade, quem sabe com o grupo de amigos que já temos”, finaliza o fanático torcedor e esportista.

* publicado no jornal Notícias do Dia em maio de 2011

Perfis no Notícias do Dia – Renaldo Blank, o Nalo do 25 de Agosto

Não sei se já contei aos leitores, mas estou agora escrevendo perfis para o jornal joinvilense Notícias do Dia, algo que muito me satisfaz e orgulha. Desde sempre agradeço a oportunidade, e após a publicação impressa, divulgarei aqui no blog todos que produzir. O primeiro coloco hoje, do senhor Nalo, uma das lendas do futebol amador joinvilense, leiam:

“A bola está com ela há 50 anos”.

“Ele é uma lenda viva do futebol amador joinvilense. Baixo, de boné na cabeça, calção, meia e chuteiras, e envergando a camisa do Grêmio 25 de Agosto, Renaldo Blank, ou o Nalo, como é conhecido, está no campo na rua Iguaçu comandando a garotada da escolinha de futebol. O intermediário da entrevista, seu admirador e também treinador de futebol do clube, Jean, segue até ele onde sempre gosta de estar: no gramado orientando seus atletas. Preocupado com o andamento do treino, ele hesita em sair para conversar. Após posar para a foto da reportagem, avisa: “Já tenho tudo anotado”.

Sentado em uma mesa do tradicional clube da zona norte, Nalo mostra sua história anotada em folhas de agenda. Meio arredio, começa a ler seus feitos como jogador e como técnico de adultos e crianças. “Sou vidraceiro. Trabalhei na Pieper por 30 anos, hoje sou autônomo, e aposentado”, solta a voz. Aos 66 anos, esse homem simples que ainda é encontrado jogando futebol nos sábados à tarde com o grupo Quarentões, no 25 de Agosto, tem uma história de fazer inveja a muitos que atuam no futebol amador. Desde 1959 ele corre atrás da bola, e a bola atrás dele.

Como jogador Nalo iniciou no Arsenal Futebol Clube. Passou também pelo juvenil do Caxias – até hoje seu clube de coração – onde jogou com o ex-goleiro da seleção brasileira, Jairo, e também com Adilson Steuernagel, grande ponta direita do clube da zona sul. Jogou também pelo 25 de agosto, novamente o Arsenal, Tupy, Sercos e veteranos do América. “No Caxias ganhamos o torneio Vera Fischer em 1971. O time era Julinho, Luizinho, Coruca, Nalo, Chiquinho Simas, Nenê, Host, Chico Preto, Peracio, Águia e Emilio”, lembra com orgulho.

Campeonatos também não faltam para Nalo como técnico. Arsenal, Aviação, 25 de Agosto, Pirabeiraba, Estrada da Ilha, Cruzeiro da Estrada do Sul, Unidos do Beco, Serrana e America estão na lista dos clubes dirigidos por ele. Para ele, 1985 marca o inicio de uma das fases mais lindas da sua carreira. “O repórter Ricardo Passos me indicou ao América, que montava sua volta ao futebol após a fusão com o Caxias para criar o Jec. Conheci e trabalhei com o mestre Euclides dos Reis e chegamos a ser campeões da 1ª divisão em 1989”, conta feliz. Nalo treinava adultos e já comandava os garotos mirins e infanto juvenis, revelando vários atletas para o futebol profissional.

Nesse período de atleta e treinador, Nalo só foi expulso uma vez como jogador em 1965, e uma vez citado na súmula, e foi depois absolvido. No América comandou 400 crianças na escolinha até o início da década de 1990 quando o clube desativou o setor. Ele lembra que começou lá como “bico”, para poder trabalhar por conta. “Eu disse ao Ademir Carioca, dirigente da época, que se ele tivesse um bico pra mim no clube eu saia do emprego. Ele disse sim, e eu deixei a empresa com 30 anos de serviço. Pedi a conta cara!”, explica ele.

Hoje Nalo comanda as escolinhas do 25 de Agosto nas categorias sub-14 e sub-15, e se realiza ao ver os atletas crescerem e se transformar em cidadãos. “Prefiro trabalhar assim, onde posso lançar jogadores, alguns até já ganham algum dinheiro no Caxias, Atlético Paranaense, mas também ajudar os pais na orientação dos filhos. Muitos já melhoraram bastante na escola só vindo aqui jogar bola. Converso muito e acho que já deu certo com vários”, conta o veterano treinador”.

Ronaldo emociona com humildade e lições de vida

Com a humildade que enobrece os grandes nomes, os grandes ídolos, Ronaldo se despediu dos gramados em uma emocionada entrevista coletiva. Ao lado dos filhos e do presidente do Corinthians, o eterno Fenômeno dos gramados mostra que é também um fenômeno de exemplo para as gerações que chegam.

Chora a bola, pranteiam os gramados. Os dribles incríveis, os gols fantásticos, as arrancadas direto ao gol dos adversários, e no final da carreira o tormento das defesas na grande área, nada mais disso será visto a partir de hoje. Hajam documentários, filmes, textos, vídeos, para mostrar tudo o que fez nos gramados.

Ficam para sempre gravados não só esses momentos de Ronaldo, mas também sua luta contra as adversidades que vieram com as lesões, gravíssimas lesões, que pouco a pouco minaram sua carreira. Ele sempre mostrou como se deve encarar os problemas, lutar, cair, levantar, cair de novo, tornar a levantar e erguer a cabeça, indo em frente na luta.

Parabéns Ronaldo, seu exemplo de jogador que não esquece as origens, sua gente, seu modo de ser, mesmo com toda a fama, e agora o exemplo de embaixador da bola, da fraternidade, paciência, solidariedade para a juventude que precisa se orientar de coisas boas, exemplos bons.

Para nós, das gerações passadas, resta o consolo de ver em vídeos as glórias do grande jogador que deixou pinturas na arte dos gramados mundo afora. Valeu Ronaldo, siga em frente, obrigado pela arte e por seu exemplo.