35o. Copão Kurt Meinert homenageia Anita Massena nesta edição

A 35ª edição do Copão Kurt Meinert será especial. Nesta quinta-feira (21/6), no Teatro Juarez Machado, aconteceu a cerimônia de lançamento da competição para essa temporada. O evento contou com aproximadamente 600 pessoas, divididos entre atletas, treinadores, dirigentess e equipes de apoio. A grande novidade ficou por conta da homenageada deste ano, divulgada no evento: A professora Anita Massena.

“Optamos por escolher a Anita por tudo que ele representa para o Copão e também como uma forma de agradecimento por tudo que ela já fez no esporte joinvilense”, ressaltou o presidente da Fundação de Esportes, Lazer e Eventos de Joinville, Flávio Sérgio Pscheidt. No evento, duas apresentações de danças escolares movimentaram a noite a abrilhantaram as homenagens. “Estou extremamente emocionada com esse momento. Espero que esse seja o melhor Copão de todos os tempos”, declarou a professora Anita Massena, homenageada deste ano.

A competição tem início programado para o dia 30 de junho, na Arena Joinville. Antes, porém, acontece o congresso técnico, também na Arena, marcado para a próxima terça-feira, dia 26. Este ano são 65 equipes participantes do Copão Kurt Meinert, troféu Anita Massena, que tem término programado para o final de Novembro.

Foto de Mauro Artur Schlieck/ SECOM

Perfis: Egon Giesel, a enciclopédia do Fluminense do Itaum e futebol amador

Falar de Joinville e não citar o bairro Itaum é esquecer-se do coração romântico da cidade, da boemia, dos trilhos de trem, do samba e futebol. E falar do Itaum sem o Fluminense e seu fundador, Egon Giesel, é apagar as páginas mais ricas do futebol amador da maior cidade catarinense. Aos 80 anos completados em 30 de abril, esse senhor tem em sua memória mais de sete décadas de amor ao esporte amador, e é um dos poucos remanescentes que fundaram o famoso clube da zona sul em 24 de outubro de 1949, em terreno da rua Voluntários da Pátria, próximo a atual Igreja São Judas Tadeu.

“Nosso time era o Estrela, a gente jogava nos muitos campinhos da época. Aí um dia resolvemos fundar um clube mesmo. Uns queriam o nome Botafogo, mas eu torcia pelo Fluminense, e o nome acabou vencendo por mais votos”, conta o descendente de alemães, filho de comerciante do ramo de panificação, nascido e criado na principal rua do bairro, a Monsenhor Gercino bem em frente ao famoso bar do Luizinho. Alto e forte, Egon jogava no meio de campo, mas logo machucou o tornozelo e passou a ser um comandante do clube. Foi diretor, treinador, e hoje ainda é conselheiro ouvido a cada mudança pretendida pela diretoria.

Sétimo de dez irmãos, Giesel começou a trabalhar aos 14 anos na Usina Metalúrgica Joinville, e depois na Companhia Hansen, onde ganhou seu primeiro presente: “Um cachimbo, um leque e uma garrafa de frisante”, conta. Ficou na empresa até 1964 quando abriu um bar e só fechou quando se aposentou, em 1977. Conciliando trabalho e o clube, o veterano comandante se orgulha de cada momento e conquista. “Tivemos nossa outra sede na Monsenhor Gercino, perto do Cesita (Fundamas), onde promovemos os melhores carnavais dos anos 1960 e outras décadas. Às dez horas já tinha de fechar a portaria”, lembra.

A fama do excelente futebol foi tão forte que o time chegou a ter o apelido de “Bailarinos do Itaum”, tal o refinamento do toque de bola e presença de craques. “Nós revelamos o Milton Fumo, que foi pro Vasco e depois Metropol; o Chelo que foi para o Caxias, o Ratinho, grande caráter, que foi para o Marcílio Dias, Portuguesa, Sao Paulo e encerrou carreira no Jec, o Chiquinho, e tantos outros”, relembra Egon. Da venda de Milton Fumo para o Vasco ele conta que a transação marcou época. “Foi por volta de 1963. Veio um cara deles e nós pedimos 200 mil cruzeiros na época. Passados alguns dias eles mandaram carta falando que pagariam 100 mil. Nós aceitamos, não tinha como manter ele aqui, um craque de bola, sem ganhar salários. Se oferecessem 20, também aceitariamos”, fala Egon sorrindo.

Outra negociação que o Fluminense realizou foi com o atleta Chelo, e a forma como foi feita mostra o romantismo da época. “Vendemos ele para o Caxias por um ano de treino e jogos no Ernesto Schlemm Sobrinho”, narra. Entre essa vida no futebol amador e cuidado com a família, Egon Giesel foi atraído para a política, onde foi vereador entre 1983 e 1988, eleito com 1.502 votos, sua única e ultima experiência na área. “O Luiz Henrique me convidou, os amigos apoiaram e venci a eleição. Depois fui vendo que aquilo não era para mim. Era muita gente pedindo”, diz sorrindo. Daqueles tempos ficou a conquista da sede atual do Fluminense, na rua Florianópolis, o Caldeirão do Itaum.

“Sem campo para treinar e jogar, sempre fomos campeões. Quando conseguimos, pensamos: agora vamos ganhar todas. Nunca mais fomos campeões”, comenta entre risadas. Casado há 57 anos com dona Zulma, pai de Cézar, Sandra e Tania, cinco netos, hoje seu Egon descansa em sua casa no Itaum ao lado dos familiares, e recebe visitas constantes de conhecidos de tantas décadas no esporte. Ainda dá seus pitacos no velho Fluminense. “Já disse pro Gaspar (ex-vereador), não vende isso aí não hein”, sobre o grande complexo esportivo onde funcionam escolinhas de futebol, sede social e até uma creche. Quer saber algo do Itaum ou do esporte amador das ultimas sete décadas? Fale com Egon Giesel.

* Publicado na seção Perfil do Jornal Notícias do Dia de Joinville (SC) em maio de 2011.

Perfis: Valdir Moreira, o Betara – Futebol amador e sindicalismo no sangue

O sonho dele era ser jogador de futebol profissional, mas o destino o levou ao trabalho como torneiro mecânico e, finalmente, o sindicalismo. Valdir Moreira, 63 anos, é desconhecido para a grande maioria, mas o Betara, apelido e nome de guerra desde a infância – “é nome de peixe, mas nem meu pai sabia por que o chamavam assim também” -, é figura carimbada nas portas das fábricas entregando jornais, discursando em cima de caminhões de som, ou simplesmente conversando com trabalhadores e trabalhadores nas madrugadas, dividindo o café das garrafas térmicas com seus companheiros de luta.

Caxiense de coração – “coisa de família, desde pequeno” – pois nasceu na avenida Getúlio Vargas, ao lado do antigo campo do São Luiz (hoje existe o Elias Moreira no terreno), também tem paixão pelo Flamengo do Rio. Com dois anos Betara foi para a avenida Cuba, lendária região do Bucarein que foi celeiro de grandes craques do futebol joinvilense como Piava, Correca, Orlando, Tete, Giga, Helio Sestrem, Canã, Paca, Vieira e tantos outros, segundo elenca o ex-jogador de futebol amador, hoje avô de cinco netos, pai de quatro filhos com a esposa Erna, uma união que já dura quase quatro décadas.

O guerreiro atarracado, cabelos brancos e andar rápido com a inseparável pochete, lembra com saudades daqueles tempos. “Me criei jogando bola no campo do Santos, do Estrela. Vivia na casa de dona Amélia e seu Alemão, pais do Giga, Tite e Orlando, pessoas que reverencio e tenho saudades”, fala Betara. A família Moreira tem estreita ligaçao com o futebol. Jurandir Moreira, grande centroavante que jogou na Tigre, é seu primo. Betara buscou seu sonho no futebol. Jogou no Santos da avenida, Fluminense do Itaum, Juventus do Iririú, Tigre, Baependi de Jaraguá do Sul e Caxias, onde foi campeão do torneio Vera Fischer. “Jogava bem, mas não tinha cabeça. Larguei tudo e fui trabalhar como torneiro mecânico”, conta. Bola, só nas peladas das empresas e em veteranos.

Se o futebol perdeu um craque – “a turma dizia que eu jogava bem” – o sindicalismo ganhou uma liderança forte. Betara começou a trabalhar na Oficina do Jaci, foi para São Paulo trabalhar na oficina do primo. Voltou e serviu o exército, período em que jogou no extinto Guarani. Fundemaq, Kawo, Embraco, Granalha de Aço e Wetzel Tecnomecanica foram outros empregos até se aposentar, aí já alinhado ao Sindicato dos Mecânicos. “Sempre fui contestador. Uma vez demitiram colegas injustamente. Fizemos greve, e eles foram reintegrados. O Dentinho e o João Batista me colocaram na diretoria, e estou até hoje na luta”, afirma Betara.

Ele foi pegando gosto pela atividade. Em defesa dos direitos dos trabalhadores participou de várias greves, paralisações. Foi até da executiva da Central Única dos Trabalhadores (CUT), entre 1995 e 98, morando em Florianópolis. “Viajei o país inteiro, fazendo política sindical. Conheci o Lula nos eventos nacionais da categoria, tenho orgulho dessa trajetória”, comenta feliz. A morte do pai, e o roubo de todos os pertences da sua casa, no Costa e Silva, o fizeram voltar para Joinville. Combativo, não poupa nem colegas quando entende que há o que discutir em favor dos trabalhadores. “Eles me respeitam”, explica, agradecendo especialmente ao atual presidente João Bruggmann, que o trouxe de volta para a direção.

Após quase 20 anos no sindicalismo, ele busca filiados para o Sindicato todos os dias. Conta que há filiados em 400 das 700 empresas da categoria. Cheio de fotos da sua história, Betara diz lamentar que os campos de futebol do São Luiz, do Santos e outros tenham sumido. “Neles é que se criavam os craques, é uma tristeza, uma decepção”. Sobre a data de parada, ele prefere não comentar, mostrando apreensão. “Estar aqui é um orgulho, uma emoção muito grande, eu amo isso aqui. Marcou minha vida”, conta emocionado, para encerrar dizendo que não tem nada melhor que conversar com os trabalhadores no dia a dia e ajudar. “Sindicalismo e futebol é assim, depois que se conhece e participa, é difícil de largar”.

* publicado na seção Perfil do Jornal Notícias do Dia Joinville – Maio de 2011

Perfis no Notícias do Dia – Renaldo Blank, o Nalo do 25 de Agosto

Não sei se já contei aos leitores, mas estou agora escrevendo perfis para o jornal joinvilense Notícias do Dia, algo que muito me satisfaz e orgulha. Desde sempre agradeço a oportunidade, e após a publicação impressa, divulgarei aqui no blog todos que produzir. O primeiro coloco hoje, do senhor Nalo, uma das lendas do futebol amador joinvilense, leiam:

“A bola está com ela há 50 anos”.

“Ele é uma lenda viva do futebol amador joinvilense. Baixo, de boné na cabeça, calção, meia e chuteiras, e envergando a camisa do Grêmio 25 de Agosto, Renaldo Blank, ou o Nalo, como é conhecido, está no campo na rua Iguaçu comandando a garotada da escolinha de futebol. O intermediário da entrevista, seu admirador e também treinador de futebol do clube, Jean, segue até ele onde sempre gosta de estar: no gramado orientando seus atletas. Preocupado com o andamento do treino, ele hesita em sair para conversar. Após posar para a foto da reportagem, avisa: “Já tenho tudo anotado”.

Sentado em uma mesa do tradicional clube da zona norte, Nalo mostra sua história anotada em folhas de agenda. Meio arredio, começa a ler seus feitos como jogador e como técnico de adultos e crianças. “Sou vidraceiro. Trabalhei na Pieper por 30 anos, hoje sou autônomo, e aposentado”, solta a voz. Aos 66 anos, esse homem simples que ainda é encontrado jogando futebol nos sábados à tarde com o grupo Quarentões, no 25 de Agosto, tem uma história de fazer inveja a muitos que atuam no futebol amador. Desde 1959 ele corre atrás da bola, e a bola atrás dele.

Como jogador Nalo iniciou no Arsenal Futebol Clube. Passou também pelo juvenil do Caxias – até hoje seu clube de coração – onde jogou com o ex-goleiro da seleção brasileira, Jairo, e também com Adilson Steuernagel, grande ponta direita do clube da zona sul. Jogou também pelo 25 de agosto, novamente o Arsenal, Tupy, Sercos e veteranos do América. “No Caxias ganhamos o torneio Vera Fischer em 1971. O time era Julinho, Luizinho, Coruca, Nalo, Chiquinho Simas, Nenê, Host, Chico Preto, Peracio, Águia e Emilio”, lembra com orgulho.

Campeonatos também não faltam para Nalo como técnico. Arsenal, Aviação, 25 de Agosto, Pirabeiraba, Estrada da Ilha, Cruzeiro da Estrada do Sul, Unidos do Beco, Serrana e America estão na lista dos clubes dirigidos por ele. Para ele, 1985 marca o inicio de uma das fases mais lindas da sua carreira. “O repórter Ricardo Passos me indicou ao América, que montava sua volta ao futebol após a fusão com o Caxias para criar o Jec. Conheci e trabalhei com o mestre Euclides dos Reis e chegamos a ser campeões da 1ª divisão em 1989”, conta feliz. Nalo treinava adultos e já comandava os garotos mirins e infanto juvenis, revelando vários atletas para o futebol profissional.

Nesse período de atleta e treinador, Nalo só foi expulso uma vez como jogador em 1965, e uma vez citado na súmula, e foi depois absolvido. No América comandou 400 crianças na escolinha até o início da década de 1990 quando o clube desativou o setor. Ele lembra que começou lá como “bico”, para poder trabalhar por conta. “Eu disse ao Ademir Carioca, dirigente da época, que se ele tivesse um bico pra mim no clube eu saia do emprego. Ele disse sim, e eu deixei a empresa com 30 anos de serviço. Pedi a conta cara!”, explica ele.

Hoje Nalo comanda as escolinhas do 25 de Agosto nas categorias sub-14 e sub-15, e se realiza ao ver os atletas crescerem e se transformar em cidadãos. “Prefiro trabalhar assim, onde posso lançar jogadores, alguns até já ganham algum dinheiro no Caxias, Atlético Paranaense, mas também ajudar os pais na orientação dos filhos. Muitos já melhoraram bastante na escola só vindo aqui jogar bola. Converso muito e acho que já deu certo com vários”, conta o veterano treinador”.