Saída da Grécia será o princípio do fim da zona do euro, afirma Tsipras, premier grego

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras disse hoje (19) que a saída da Grécia da zona do euro marcará “o princípio do fim” do bloco econômico. A declaração foi feita em entrevista publicada hoje (19) pelo jornal austríaco Kurier.

“O famigerado Grexit [trocadilho em inglês sobre a saída da Grécia da zona do euro] não pode ser uma opção, nem para os gregos, nem para a União Europeia. Será um processo irreversível, será o princípio do fim da zona euro”, disse Tsipras na entrevista.

O premier grego lembrou que “até o presente, a Europa tem-se orientado por uma ideia de unidade”, e que esse ideal que não deve ser ameaçada. “Uma opção contrária significará o fracasso dos ideais europeus”, advertiu.

Segundo Alexis Tsipras, o debate em torno de um Grexit, que tem ocorrido nos últimos dias por causa da ausência de um acordo entre o governo de Atenas e seus credores, “foi desencadeado quando se começou a aplicar o programa rígido de reformas imposto pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional”.

Apesar dos sacrifícios consentidos pela população grega, “a Grécia não se tornou mais competitiva, além do que a dívida do Estado não se reduziu”. Neste sentido, o primeiro-ministro grego defendeu que “o conceito global [das políticas de austeridade] deve ser revisto”.

Após um novo fracasso nas negociações europeias com a Grécia na quinta-feira (18), uma cúpula extraordinária dos chefes de Estado e de governo dos 19 países da zona euro foi marcada para segunda-feira (22) em Bruxelas.

A ausência de um acordo até o final do junho poderá levar a Grécia a suspender o pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) do empréstimo de 1,6 bilhão de euros.

Com informações das agências de notícias internacionais

Desemprego na Espanha atinge 55% dos jovens

Em recessão desde 2011, o desemprego na Espanha alcançou em 2012 seu maior patamar histórico, desde que o governo começou a medir o fenômeno estatisticamente nos anos 1970. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), o índice de desemprego subiu para 26% da população economicamente ativa no quarto trimestre de 2012, acima dos 25% registrados no trimestre anterior. O percentual representa 5,97 milhões de desempregados, afetando principalmente pessoas com menos de 30 anos e imigrantes. Esse quadro, mais de o dobro em relação à média da União Europeia (UE), vem provocando um êxodo de jovens espanhóis para outros países.

O desemprego na Espanha afeta 55% dos jovens que buscam trabalho. Segundo o INE, o número de trabalhadores ativos entre 16 e 24 anos diminuiu em 166 mil pessoas no quarto trimestre de 2012. Isso equivale a uma queda de 8,9% desse contingente em apenas três meses. O número total dessa faixa etária de trabalhadores somou 1,68 milhão de pessoas, uma taxa de atividade de 41,03%, frente aos 44,37% do mesmo período em 2011. — Nós ainda não vimos o fundo do poço e o desemprego vai continuar a aumentar durante o primeiro trimestre — previu o estrategista do Citigroup, José Luiz Martinez.

Economia ainda sofrerá mais
A Espanha entrou em sua segunda recessão desde 2009 no fim de 2011, após o estouro da bolha imobiliária deixar milhões de trabalhadores de baixa qualificação desempregados, derrubando a confiança do setor privado e reduzindo os gastos de consumidores e com importações. Em meio a um dos maiores déficits fiscais da zona do euro, o presidente de governo da Espanha, o conservador Mariano Rajoy, adotou políticas de austeridade, aplicando bilhões de euros em cortes de gastos e aumento de impostos. Isso piorou os efeitos sociais da crise econômica e prolongou a recessão. Quando Rajoy assumiu o cargo, no fim de 2011, havia 5,27 milhões de desempregados na Espanha.

O Banco Central da Espanha estimou esta semana que a recessão se aprofundou no quarto trimestre do ano passado, com a economia encolhendo 0,6% em relação ao trimestre anterior, quando houve um recuo de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país). Foi o sexto trimestre consecutivo de queda. A autoridade monetária informou que a atividade econômica recuou 1,7% nos últimos três meses de 2012, na comparação com o mesmo trimestre de 2011, e perdeu 1,3% em todo o ano passado.

As medidas de austeridade visam à redução do déficit público, o que vem afetando a economia a curto prazo. Mas as reformas de Rajoy só começarão a fazer efeito a longo prazo. Isso significa que a economia espanhola ainda vai sofrer mais, antes de se recuperar.

A chanceler alemã, Angela Merkel, defensora das medidas de austeridade, citou o desemprego entre os jovens na Espanha para destacar a importância de que a UE adote medidas para ajudar os países em crise, até que os efeitos das reformas possam a ser sentidos na sociedade: — Os resultados das reformas estruturais levam dois, três ou quatro anos, enquanto nossa tarefa é oferecer medidas transitórias até que as reformas surtam efeito.

Do Sindicato do ABC

G20 quer fortalecer euro e economia mundial após alívio na Grécia

Dilma chegou ao México no domingo para participar da reunião de cúpula do G20

Com a pressão ligeiramente aliviada pelos resultados iniciais das eleições na Grécia, o G20, grupo das principais economias emergentes e avançadas do mundo, se reúne em Los Cabos, no México, para discutir o fortalecimento da economia global. O pleito grego do final de semana foi vencido pelos conservadores do partido Nova Democracia, que defendem a permanência do país na zona do euro e acatam as medidas de austeridade defendidas pela União Europeia.

As atenções devem estar quase totalmente voltadas para o debate sobre como salvaguardar o euro e evitar que a crise grega se espalhe para outros países europeus, como Espanha e Itália, ainda que a agenda oficial seja mais ambiciosa no sentido de discutir como gerar ”crescimento vigoroso” no mundo.

Espera-se que o G20 expresse na sua declaração final um apoio firme em favor do euro. E os mercados já especulam que pode ser anunciada na reunião uma ação conjunta de Bancos Centrais para injetar liquidez no sistema financeiro.

Entretanto, o Brasil, que avalia como positiva a sinalização de que a Grécia permaneça na zona do euro, vai enfatizar que a solução para o problema grego – e europeu em geral – não é apenas financeira, mas passa por estimular os mercados dos países em crise, gerando dinamismo econômico.

A presidente Dilma Rousseff, que está em Los Cabos acompanhada do ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai reforçar o coro dos que defendem uma pitada de estímulos econômicos no coquetel de medidas de austeridade adotado nos países avançados.

Além disso, o país vai barganhar ao lado de outros emergentes reunidos nos Brics – grupo que inclui também Rússia, China, Índia e África do Sul – mais poder no Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de aportes para reforçar o caixa da instituição contra a crise.

Socorro à Grécia
Às vésperas do encontro, quando as delegações dos países ainda estavam a caminho do balneário de Los Cabos, na costa mexicana do Pacífico, sede da cúpula, o tema que mais preocupou as delegações foram as eleições gregas – vistas como um referendo sobre a permanência ou não do país na zona do euro. Mas logo após os resultados iniciais do pleito, que favoreceu o partido mais inclinado a manter a Grécia na zona do euro e honrar os compromissos do país com seus credores, o tom foi de menor tensão.

Os Estados Unidos, que consideram que sua economia está sendo arrastada pela crise na zona do euro e que por isso têm gerado empregos aquém do necessário, expressaram o desejo de que a eleição grega ”leve à formação de um novo governo que possa alcançar progresso rápido nos desafios econômicos que o povo grego enfrenta”.

”Acreditamos que é no interesse de todos que a Grécia permaneça na zona do euro, enquanto respeitando seus compromissos com reformas”, disse a Casa Branca em comunicado.

Já o ministro do Exterior da Alemanha, Guido Westerwelle, amaciou o tom ao falar do cenário político grego e indicou que os credores do país poderiam concordar com um relaxamento das condições impostas para emprestar recursos ao governo de Atenas.

“Não deve haver mudança substancial nos compromissos”, disse o ministro, ”mas posso imaginar, sem problemas, uma negociação sobre novos prazos”.

Até agora, a Alemanha vinha se mantendo inflexível na negociação dos recursos emprestados à Grécia. Mas Westerwelle disse que o país viveu “uma paralisia política nas últimas semanas devido às eleições” e que ”os cidadãos comuns não podem ser punidos, especialmente porque já suportaram cortes drásticos”.

Crescimento solidário
O tom ”solidário” com a Grécia – para usar um termo aplicado pelo próprio ministro alemão – coincide com a avaliação brasileira de que para salvar a economia grega não basta oferecer empréstimos e exigir condições: é preciso que as autoridades europeias trabalhem junto com o governo de Atenas para fortalecer a economia do país.

Em Los Cabos, onde todos concordam que é preciso fazer os ajustes fiscais estipulados em reuniões anteriores do G20, alguns países até então alinhados com as ideias de austeridade, como o Canadá e a Grã-Bretanha, já sinalizaram uma mudança de posição tendendo mais à segunda opção, a do estímulo crescimento.

O premiê britânico, David Cameron, cujo país voltou a entrar em recessão neste ano, deve defender uma ”ação decisiva” para fortalecer a demanda no continente europeu, a fim de evitar o fim da moeda comum e o consequente contágio que os analistas consideram inevitável se persistir a crise grega.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, é um dos que já urgiram os países com superávits orçamentários, em especial a Alemanha, a adotar programas de estímulo que evitariam as distorções cambiais e agiriam contra a estagnação econômica.

Prevenindo crises
Além desses temas, estão sendo discutidas maneiras de evitar futuras crises. Tem-se especulado sobre a adoção de medidas conjuntas por parte dos Bancos Centrais para injetar liquidez no sistema financeiro, como foi feito após a reunião do G20 em Londres em 2009.

Naquela ocasião, o grupo mobilizou de maneira coordenada US$ 5 bilhões (cerca de R$ 10,2 bilhões) em estímulos fiscais para conter a freada da economia global, reforçou o caixa do FMI e do Banco Mundial em US$ 1,1 bilhão e criou mecanismos para monitorar o nível de risco nos mercados financeiros.

O anfitrião, o presidente mexicano, Felipe Calderón, também lembrou que pretende finalizar as discussões para o aumento de capital do FMI, no valor de US$ 430 bilhões (cerca de R$ 878,5 bilhões) – praticamente o dobro do poder de fogo do órgão contra a crise.

Os países do bloco Brics já indicaram em abril que devem contribuir com o aporte, mas decidiram não falar publicamente em números até esta reunião de Los Cabos. O grupo se reúne na segunda-feira de manhã para tratar do assunto, com a presença da presidente Dilma Rousseff e do ministro Guido Mantega.

Da BBC Brasil