Guerrilha do Araguaia: retomadas as buscas de restos mortais de desaparecidos

O Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) reiniciou ontem as buscas por restos mortais de desaparecidos da Guerrilha do Araguaia, em Xambioá (TO) e em São Geraldo do Araguaia (PA). A expedição segue até o dia 17 de julho. As atividades serão acompanhadas por uma equipe técnica pericial, além de parentes dos mortos e desaparecidos da guerrilha e representantes do Ministério Público Federal (MPF).

Na última expedição, que ocorreu entre os dias 10 e 20 de junho, o GTA fez a exumação de dois restos mortais localizados na divisa dos estados do Tocantins e Pará. Desde a década de 1990, vêm sendo feitas exumações, tendo sido encontrados 19 restos mortais. Os restos mortais passam por exames antropométricos e por extração de DNA. Após a perícia, eles serão armazenados no Hospital Universitário de Brasília.

No início de 2012, peritos do GTA estiveram nos Estados Unidos para identificar novas técnicas de extração de DNA de material genético degradado, aperfeiçoando, assim, os trabalhos da equipe. O GTA, reformulado em maio de 2011, é coordenado pelos ministérios da Defesa, da Justiça e pela Secretaria de Direitos Humanos. As pessoas que tiverem informações que sobre o local onde teriam sido enterrados os guerrilheiros devem ligar para o Disque Direitos Humanos (Disque 100). As ligações são gratuitas e não há necessidade de identificação.

A Guerrilha do Araguaia foi um movimento que surgiu na década de 1970 em oposição à ditadura militar. Até hoje, dezenas de militantes da guerrilha estão desaparecidos. Em 2009, a juíza da 1ª Vara Federal do Distrito Federal Solange Salgado determinou que o governo federal reiniciasse as buscas na região.

Da Ag. Brasil

Comissão da Verdade se reúne com parentes de mortos e desaparecidos

A Comissão da Verdade ouviu ontem (11) parentes de mortos e desaparecidos durante a ditadura militar e membros das comissões da verdade instaladas na Câmara Municipal de São Paulo e na Assembleia Legislativa do estado (Alesp).

Segundo o coordenador da comissão, ministro Gilson Dipp, novos encontros serão feitos com instituições que trabalham no resgate da memória. “Esse foi o primeiro contato com esse segmento institucional que vai nos auxiliar de maneira essencial para que os trabalhos atinjam um bom fim”, ressaltou em entrevista. “Nós temos, por força de lei até, poderes para ter esse complemento com entidades universitárias e todas as instituições do Poder Público”, completou, após lembrar que a Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo também têm projetos semelhantes.

Na semana que vem a comissão deverá terminar de elaborar o plano de trabalho. “Nós vamos fazer agora um calendário. Mas todas essas pessoas que vocês conhecem, que são controvertidas, que possam informar, todas elas, na época oportuna, serão ouvidas”, explicou Dipp.

O ministro ressaltou que o grupo já tem um espaço físico para desenvolver as atividades, no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília e já nomeou quase todos os 14 assessores que auxiliarão nas investigações.

A reunião com os parentes das vítimas da repressão foi importante, segundo a integrante da comissão Maria Rita Kehl, para dar contexto ao trabalho. “Não são coisas que nós desconhecíamos, mas o depoimento direto com emoção de cada pessoa, com a diferença da emoção de cada pessoa, a expectativa, a esperança renovada de cada familiar, nos alimentou muito”.

Para o deputado estadual Adriano Diogo, presidente da Comissão da Verdade da Alesp, a reunião ajudou a determinar qual será o campo de investigação de cada grupo. “Pelo menos agora a gente tem um norte, como se relacionar, qual é o papel de cada um. Acho que é uma coisa importantíssima”.

Carlos Augusto Marighella, filho do ex-guerrilheiro Carlos Marighella, saiu da Bahia a São Paulo para participar da reunião. Para ele, a comissão será uma oportunidade de apresentar a versão sobre a história do pai que ele e a ex-mulher de Marighella, Clara Charf, vem tentando conservar. “A família, eu a Clara, nós temos 40 anos tentando contar essa verdade. Recolhendo documentos, levantando fatos que provam todas essa versões maliciosas ditas contra ele não têm procedência”.

“Ele foi apresentado pela imprensa controlada, manipulada pelos militares, como um terrorista, assaltante de bancos, como uma pessoa até desajustada, entretanto é um grande herói do país”, destacou.