Eu apenas queria que você soubesse

Quem ainda não ouviu esta letra, não sabe o que está perdendo. É isso mesmo, ouvir a letra, sentir, perceber a profundidade poética que conta uma história de vida. A poesia é o que nos faz gente, nos faz portadores de sentimentos guardados dentro de nós que, por vezes, resolvemos traduzir em palavras para lavar a alma, descarregar emoções, abandonar velhas cicatrizes.

Ao colocar música na poesia, Gonzaguinha criou um hino em homenagem a muitas vidas sentidas, deixadas na estrada. Nos embala ao que um dia fomos, por onde andamos, e onde chegamos quando a composição termina. Postamos a letra para sua leitura aprofundada, que possa inspirar atitudes boas, quem sabe, motivar a novos sonhos, a resolver os antigos problemas do passado, e olhar com alegria o que vem por aí.

Publicamos juntamente o vídeo em que pai e filho, Gonzagão e Gonzaguinha, estão juntos no palco, e Gonzaguinha canta e encanta. Aproveite, se deleite.

“Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho”

Brasil perde o sambista Dicró

Morreu, aos 66 anos, no final da noite de quarta-feira (25), em Magé, na região metropolitana do Rio de Janeiro, o sambista Carlos Roberto de Oliveira, o Dicró, que ganhou notoriedade com letras bem-humoradas e de duplo sentido.

Lutando contra os efeitos da diabetes, o cantor e compositor passou mal em casa, no bairro de Mauá, por volta das 22h, após retornar do hospital onde havia realizado uma sessão de hemodiálise. Segundo parentes, Dicró, antes de sofrer o infarto, reclamou de dores na cabeça. Mesmo encaminhado para o Hospital Central de Magé, o sambista não resistiu e morreu.

O enterro de Carlos Roberto de Oliveira está marcado para as 17h desta quinta-feira (26) no Cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita, cidade natal de Dicró, também na Região Metropolitana do Rio. O velório está sendo realizado desde o início da manhã no mesmo local.

Ouça músicas e aprenda letras de Dicró

Vascaíno, Dicró nasceu em 14 de fevereiro de 1946, e se especializou em sambas satíricos, cujas letras davam ênfase ao dia a dia do subúrbio e da Baixada Fluminense. O apelido “Dicró” veio da assinatura que ele utilizava com as suas iniciais “De C.R.O.” quando fazia parte dos compositores de um bloco de Nilópolis.

Entre alguns dos sambas bem-humorados de sua autoria estão “A Vaca da Minha Sogra”, “Botei Minha Nega no Seguro”, “Funeral do Ricardão”, “Olha a Rima” e “Chatuba”.

Em seus perfis no Twitter, vários artistas se manifestaram sobre a notícia. “Vou fazer um bingo lá na casa da Vovó”, escreveu Tom Cavalcante, citando a música “O Bingo”, que prossegue com o verso “o prêmio é a minha sogra”. “Vai com Deus, meu amigo Dicró”, concluiu o humorista.

Leandro Sapucahy, o rapper Emicida e MV Bill também lamentaram a morte do sambista. “Dicró é dos caras que vão deixar muita saudade”, afirmou Emicida, “que a terra lhe seja leve, malandro”.

Do  Último Segundo

A música do Blog com Zé Renato, composição de Sergio Sampaio – “Eu quero é botar meu bloco na rua”

http://youtu.be/2RjaurZPaNo