Em Joinville (SC), sob protestos, plano municipal de educação é aprovado

A Câmara de Vereadores de Joinville aprovou na noite desta segunda-feira (17), em segunda votação, o Plano Municipal de Educação (PME).

Foram 11 votos favoráveis, contra apenas um contrário – do vereador Adilson Mariano (PT). Sete vereadores não estavam em plenário no momento da votação.

A sessão durou cerca de uma hora e quarenta minutos, e mais uma vez foi acompanhada de diferentes manifestações da sociedade civil organizada.

O presidente do Legislativo, vereador Rodrigo Fachini (PMDB), teve de interromper a sessão duas vezes. Logo após o tempo destinado aos partidos, Fachini tentou colocar em votação o PME, mas a sessão teve de ser suspensa e pessoas ligadas a movimentos sociais e de direitos humanos, dos negros e dos LGBTs, além de religiões de matrizes africanas impediram a continuidade dos trabalhos.

Depois de aproximadamente uma hora, já com a presença de policiais militares para a garantia da integridade física dos manifestantes, dos vereadores, do público presente e dos servidores da Casa, a sessão foi retomada.

Porém, mais uma vez houve grande manifestação e não foi possível dar continuidade à votação. O presidente Fachini paralisou os trabalhos mais uma vez.

Os vereadores seguiram, então, para a sala VIP. A portas fechadas decidiram que o PME teria de ser votado ainda nesta segunda-feira, para que os demais projetos pudessem ser colados em apreciação nos próximos dias.

De volta ao plenário, os vereadores presentes conseguiram colocar em votação o Plano Municipal de Educação, aprovando-o com 11 votos favoráveis.

Agora a proposta segue para sanção ou veto do prefeito. “É minha obrigação garantir o cumprimento do Regimento Interno (da Câmara de Vereadores) e foi isso que fizemos. Respeitamos qualquer tipo de manifestação, mas tínhamos que garantir a continuidade dos trabalhos nesta Casa”, avaliou Fachini.

Com informações da CVJ

Semana da Consciência Negra começa neste sábado (15/11) em Joinville (SC)

DSCN9322Começa neste sábado (15/11) a programação da 6ª Semana da Consciência Negra em Joinville. Realizada oficialmente desde 2009, o evento neste ano contará com manifestações culturais afro-brasileiras, sessões de cinemas, palestras, cortejos públicos, lavagens de monumentos, cultural e beleza afro e as tradicionais rodas de samba. Toda a programação segue até o dia 24 de Novembro e é grauita.

As atividades abrem com a “Homenagem a Umbanda”, uma comemoração pública do aniversário da religião de matriz afro brasileira com a presença povos de terreiros, povo de santo e comunidade de Joinville e região.

O evento inicia às 16h no Parque da Cidade, setor Guanabara, e contará com a distribuição de frutas homenageando com esta manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, criador da Umbanda. A noite o encontro das Casas de Santo se dará no Yle Ashe de Omulu, no quiriri a partir das 19h, com a saída de ônibus gratuitos direto do Parque da Cidade.

Paralelamente, ocorre às 17h no Escondidinho Lanchonete Dançante o evento “I Love my hair”, com a temática África em Mim. A ideia visa destacar o cenário e a beleza afro em Joinville, uma cidade que se reafirma enquanto germânica mas que possui uma história forte de negritude invisibilizada. “I Love my hair” é organizado pelos grupos Amigas Cacheadas Joinville, Miss Meyre e Real Beleza.

DSCN9423No domingo (16/11), no Parque da Cidade, é a vez do Programa Chora Cavaco, ao vivo a partir das 10:30 horas. Tradicionalmente ligado ao pagode e ao samba o programa contará com a presença das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Joinville. Além disso, apresentações de capoeira, afoxé e grupos afro estão programadas.

O Ipadê, comemoração realizada na Câmara de Vereadores, ocorre na segunda-feira (17) com palestras sobre saúde da mulher negra, violência e intolerância racial e educação para a igualdade.

O evento homenageará mães negras que tiveram suas vidas dedicadas a comunidade, a dignidade de seus filhos e filhas, e a resistência e valorização do povo negro.

No encerramento da atividade, um manifesto sobre a inclusão da pauta “igualdade racial”, redigido por entidades, povos de religião de matriz africana e religião afro brasileira , movimentos sociais negros de Joinville e região será entregue as autoridades do município.

Na terça-feira (18), o debate prossegue nas escolas com as Exposições “África em Nós”, “Negras Memórias” que visam ambientar as vivências afro-brasileiras com o convívio escolar e desmistificar as religiões de matriz africana, além de estabelecer um diálogo com as memórias de negros de Joinville.

O projeto prossegue com uma Caravana Cultural e as apresentações de capoeira, makulelê, danças africanas, bem como palestras de professores da rede municipal de ensino. O encontro ocorre na Escola Amador Aguiar das 10h30 às 11h30 e das 14 às 15h30. No período da noite, as Casas de Santo Abassa Inkise Nzazi e Choupana de Obaluaê recebem o “Cine no Ylê”, uma sessão de cinema gratuita com a temática negra seguida de palestra e debate.

Na quarta-feira (19) as programações do “Cine no Ylê” continuam nas casas Ylê Ashe D’Oshun, Centro de Umbanda Ylê Ashe D’Iansa e Ylê Ashe de Omulu sempre seguidos de debates, palestras e coffee break.

Além disso, a Caravana Cultural e as Exposições “África em Nós” e “Negras Memórias” percorrerá a Escola Municipal Prefeito Luiz Gomes das 10h30 às 11h30h e das 14h às 15h.

O Dia da Consciência Negra (20/11), que dá origem à semana de celebração e é reverenciado em homenagem a morte de Zumbi dos Palmares, contará com diversas atividades.

A programação inicia com a homenagem aos descendentes afros sepultados em Joinville às 10h30 no Cemitério Municipal dos Imigrantes. A cerimônia visa promover a memória da resistência negra na cidade e marca a semana de atividades.

No período da tarde, o tradicional cortejo segue do Museu Nacional de Imigração até a Praça da Bandeira, onde haverá a Lavagem do Monumento às 17h, um momento que mescla as demandas sobre visibilidade e marca o apelo contra a intolerância da religiosidade afro-brasileira. A lavagem, simbolicamente, significa lavar a cidade do preconceito.

A programação escolar prossegue na Escola Municipal Sadalla Amin Ghanem com a Caravana Cultural, e as exposições “Negras Memórias” e “África em Nós” na sexta-feira (21).

No sábado (22), o Mercado Municipal de Joinville já tão agraciado com as rodas de samba e a gastronomia local, contará também com o “Encontro de Grupos Afro” e a presença do Maracatu Morro do Ouro, Afoxé Omilodê, grupo Kurima (grupo de estudantes negros da Ufsc), das Escolas de Samba de Joinville e claro, das apresentações de Jongo, Danças Afro, Capoeira e Makulelê. A celebração inicia às 10h e prossegue durante todo o dia com entrada aberta e gratuita.

E para fechar a Semana da Consciência Negra, no domingo 23 de novembro, o Parque da Cidade recebe as apresentações culturais com grupos de Hip Hop, capoeira, Afoxé Omilodê e Maracatu, a partir das 10h30.

A noite, a “Feijoada com Ashé” encerra a programação com muita gastronomia, dança, e samba na Casa da Vó Joaquina. Os trabalhos nas escolas municipais prosseguem até o dia 24 com exposição itinerante “África em Nós”, na Escola Municipal João de Oliveira.

A 6ª Semana da Consciência Negra é um projeto realizado pela Casa da Vó Joaquina, em parceria com diversos movimentos sociais, sendo contemplado em 2013 no Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec). Confira a programação completa no site da Prefeitura de Joinville e no Facebook da Casa da Vó Joaquina.

Serviço:

O quê: 6ª Semana da Consciência Negra

Quando:15 a 24 de novembro

Quanto: Gratuito

Informações: 47: 3426 6601

Quilombolas se unem por políticas públicas em SC

quilombolasNa última quinta-feira  da semana passada(20/6), lideranças de comunidades quilombolas catarinenses, movimentos sociais e representantes de órgãos públicos participaram de oficinas de trabalho e seminário em Florianópolis (SC) que abordaram diferentes reivindicações para a comunidade negra e, especificamente, para remanescentes de quilombos do estado.

A convite da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), os participantes estiveram reunidos pela manhã e à tarde no Plenarinho da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, onde trataram de estratégias para efetiva implementação do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e do Programa Brasil Quilombola.

O superintendente do Incra em Santa Catarina, José dos Santos, e seu substituto, Fernando Souza, estiveram presentes e intermediaram os debates. O órgão é responsável pela regularização dos territórios dentro do Programa Brasil Quilombola e, pela proximidade com as comunidades, também atua como interlocutor entre estas e outros órgãos públicos para que as políticas públicas cheguem a esta população. “É importante buscarmos não somente a regularização dos territórios, mas também garantir que as comunidades tenham acesso a infraestrutura, saúde, educação e formas de sustento”, revela Santos.

Além do Incra, estiveram presentes representantes do MDA, Funasa, Mapa, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Conab e UFSC.

Educação diferenciada

O respeito à cultura negra, sua história e suas manifestações religiosas em Santa Catarina permeou todo o encontro. Tal reivindicação também faz com que os movimentos interajam com os órgãos públicos responsáveis pela educação para que sejam implementados currículos específicos nas comunidades. Com base nessa idéia, surgiu a proposta do curso superior Licenciatura Quilombola, que foi apresentada pelo Movimento Negro Unificado e pelo Coletivo de Professores das Comunidades Quilombolas de Santa Catarina aos membros da Universidade Federal do estado (UFSC).

A proposta foi acatada pela UFSC e está em fase de elaboração da ementa do curso, para posteriormente ser encaminhada ao Ministério da Educação para aprovação. Implementado, o curso formaria professores preparados para atuar no ambiente escolar de forma a valorizar a cultura afro-brasileira e os conhecimentos tradicionais quilombolas, estimulando a reflexão e integrando escolas e comunidades