Michel Temer (PMDB) faz piada com a situação dos desempregados brasileiros

palavralivre-michel-temer-ironiza-desempregadosNão bastasse tudo, o Brasil acaba de ganhar, com algum atraso, um simulacro de Maria Antonieta. Não me refiro a Marcela Temer, que, aliás, anda desaparecida, mas ao marido.

Michel Temer conseguiu fazer piada com as centrais sindicais que protestavam contra a flexibilização dos direitos trabalhistas em frente ao Palácio do Planalto.

Num discurso em que falou da proposta que elevou de 60 para 120 meses o prazo para parcelamento de dívidas tributárias de micro e pequenas empresas, fez uma ironia tacanha e quase psicótica.

Os manifestantes “aplaudem este grande momento do governo federal”. Era coisa bem diferente do que ocorria no auditório, onde os circunstantes distribuíam “palavras de incentivo e aplausos entusiasmados”.

Arrematou com uma tirada: “Quem sabe, quando os senhores saírem, convidam aqueles que estão lá fora. Se não têm emprego, quem sabe arruma emprego. Acho que é uma fórmula muito adequada”.

O desemprego bateu em 11,8% no terceiro trimestre, segundo o IBGE. São 12 milhões de pessoas, 437 mil a mais do que no segundo trimestre, um crescimento de 3,8%. Cabe piada?

Nunca se comprovou que a frase que imortalizou Maria Antonieta fosse dela. “Se não têm pão, que comam brioches”, teria dito a rainha da França ao cocheiro que lhe contou por que as pessoas nas ruas pareciam desgraçadas.

Em 1793, ela perdeu a cabeça. Nosso Carlos Magno, apesar de não ter pescoço, está no caminho.

Por Kiko Nogueira do Diário do Centro do Mundo

Com a Palavra, Salvador Neto – Edição #4 – Notas Políticas

palavralivre-eleicoes-udo-darci-colombo-pmdb-psd-apae-votos-com-a-palavraHá pouco mais de uma semana do segundo turno nas três maiores cidades catarinenses, Joinville, Blumenau e Florianópolis, os cenários mostram grandes incertezas. Pelo andar das carruagens, as melancias do PP, PSD, PSB estão mais próximas, enquanto as do PMDB, PSDB mais alinhadas. Em jogo o comando de Santa Catarina em 2018.

Baixarias
Na campanha de Joinville, onde Darci de Matos (PSD) disputa o segundo turno com o atual prefeito Udo Döhler (PMDB), as baixarias andam a mil nas redes sociais. Fakes, páginas falsas, e até cargos comissionados da prefeitura de Joinville andam a disparar coisas inimagináveis, contra quem é contrário, gente comum, e até contra o governador. Pilantra é a palavra mais leve. Processos à vista.

Confronto aberto
Com a entrada do governador Raimundo Colombo (PSD) na campanha de Darci de Matos, o confronto entre PSD e PMDB se tornou inevitável. Udo Döhler (PMDB) começou a atacar o governo do estado, que segundo a propaganda peemedebista, não manda os remédios de alta complexidade, e também havia ignorado o apelo por verbas para a tão prometida ponte do bairro Adhemar Garcia. O troco veio, e abriu o rombo no casco da “coalizão” que reúne ambos no comando do Governo na Ilha.

Desmentido
Colombo apareceu em propaganda na tv com aquele seu jeito leve, como quem não quer dizer nada, mas disse. Que a Prefeitura de Joinville apresentou apenas uma empresa chinesa com um pré-projeto, e que não havia licitação, nem licença ambiental, tampouco obra em andamento. Por isso não podia ajudar. O PMDB está uma fera com o lageano, e identifica ação total do PSD e governador para vencer na maior cidade catarinense. Vejamos os próximos rounds.

PMDB e sua “Cunha”
A prisão de Eduardo Cunha, deputado do PMDB cassado em setembro, caiu como uma bomba nas campanhas peemedebistas no país, e claro, em Joinville (SC) também. Afinal, Cunha ajudou muita gente boa do PMDB catarinense, era muito bem visto pelos caciques do partido por estas bandas… até que caiu. Ambos começando com “C”, corrupção e cunha são sinônimos em matéria de política, e isso atinge em cheio o discurso anti corrupção, etc. Cunha virou uma bela pedra no sapato do partido na campanha.

Apae de Joinville com eleições
Uma das mais importantes entidades de assistência social, educação e saúde em SC, a Apae de Joinville também terá eleições em novembro próximo. Duas chapas devem se enfrentar, uma sob o comando da Criadora, outra com a Criatura. Heloisa Walter de Oliveira, ex-presidente da instituição deve enfrentar Jailson de Souza, atual presidente pelas mãos de Heloísa, de quem foi vice na gestão anterior.

Dura disputa
A eleição na Apae deve ser duríssima, pelo que já se vê nos bastidores com acusações de ambos os lados. O que se espera é que o processo corra sem maiores riscos para a imagem e atividades da instituição, responsável por atender 420 alunos e suas famílias diariamente com serviços essenciais para as pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Que a política tradicional não contamine um trabalho tão bonito e exemplar.

Por Salvador Neto, jornalista e editor do Palavra Livre

Com a Palavra, Salvador Neto – Edição #3 – PMDB e PSD travam batalha por 2018

palavralivre-com-a-palavra-edicao-3-gean-angela-pmdb-psdHá tempos o casamento entre PSD e PMDB vem fraquejando diante das dúvidas de ambos sobre a lealdade e fidelidade dos enamorados. A desconfiança existiu desde que o então mestre de cerimônias do enlace, o ex-governador LHS, fechou acordo para que Raimundo Colombo fosse o governador da união, e depois quando da renovação das núpcias. Como o mestre se foi para o descanso, o casal que governa SC está em vias do divórcio.

Florianópolis
Na Ilha, onde de fato se decidem as articulações políticas para as maiores cidades catarinenses, a disputa está entre PMDB e PP, Gean Loureiro e Angela Amin. Ao lado de Gean, o PSDB. Ao lado de Angela, o PSD. No segundo turno Gean disparou depois que um magistrado decidiu decidir após 16 anos que Angela estaria inelegível por conta de ação no ano 2000. Daquelas coisas das bruxas que habitam Floripa. Mas, hoje, no STJ, o PP/PSD conseguiu derrubar a inelegibilidade de Angela. É possível que ela reaja, afinal, não se pode subestimar a força dos Amin na grande Florianópolis. Mas a virada é coisa muito difícil de acontecer, não impossível. Já em Joinville…

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Darci de Matos (PSD) parecia que ficaria fora do segundo turno em dado momento da disputa. Udo Dohler (PMDB) crescia com a força da máquina da Prefeitura, e Tebaldi (PSDB) estava melhor colocado. Ao abrirem as urnas, eis que o deputado estadual do PSD conseguiu ir ao segundo turno contra o empresário poderoso do PMDB. Na primeira pesquisa Ibope, Udo sobre dois pontos apenas, enquanto Darci avança 17 pontos. Soado o alarme nos lados do manda brasa, o segundo turno começou mais duro, e o confronto será inevitável.

2018
Nos dois maiores colégios eleitorais de SC travam-se na verdade as prévias da disputa ao governo do estado em 2018. Se der PSD nos dois, o partido do governador Colombo conquista um poderio imenso para manter o comando administrativo e político do estado encabeçando a chapa com Gelson Merísio, ou indo de vice em composição com o PP, no qual o ex-governador Esperidião Amin, o deputado federal mais votado em 2014, desponta como nome forte novamente. Se der PMDB em ambos, o partido de Mauro Mariani, Pinho Moreira e Dario Berger ganha força, mesmo tendo perdido musculatura no planalto norte, região eleitoral do atual presidente do PMDB.

Temperatura
Pelo tom dos primeiros dias de campanha eleitoral na televisão, rádio e redes sociais no segundo turno em Florianópolis e Joinville, os embates serão da cintura para baixo. Nas redes sociais os posts e vídeos de uns contra outros proliferam com denúncias, números, ataques com presença de assessores, e claro, de fakes contratados para azucrinar a vida e campanha dos candidatos. Neste andar da carruagem, não haverá volta na convivência já turbulenta do casamento PSD-PMDB. O divórcio está decidido, falta apenas sacramentar no cartório das urnas no próximo dia 30 de outubro.

Por Salvador Neto, jornalista e editor do Palavra Livre

Com a Palavra, Salvador Neto – Edição #1 – Eu candidato

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O jornalista Salvador Neto foi direto à fonte, como sempre fez, ouvir o cidadão para compreender a realidade e fazer melhor.

Estamos de volta ao que mais gosto de fazer: jornalismo, comunicação, opinião, informação. Após pouco mais de três meses inativo pelas bandas do Palavra Livre por conta de minha participação nas eleições municipais em minha cidade natal, Joinville (SC), como candidato a vereador, é hora de voltar a cuidar do nosso jardim. E nada melhor que falar rapidamente desta experiência única, o exercício pleno da cidadania.

Como jornalista, até 2011 assessorando políticos e desde então fora “do lado de dentro” da política – exceto por 60 dias na campanha municipal de 2012 – sou um crítico ferrenho dos maus hábitos da classe política brasileira. Em minha cidade, muito mais ainda. Até então havia feito de tudo em campanhas eleitorais, desde caminhar nas ruas, panfletar, visitar, passando por planejamento, organização, tesouraria, comunicação, mas jamais tinha sequer aventado ser um dia candidato.

Ao ver o descalabro da atual gestão do PMDB em Joinville, quase um caso de falência total da gestão pública e também do nascimento de um jeito fascista de governar, perseguindo desafetos políticos, resolvi então colocar meu nome à disposição da minha cidade. Queria vivenciar o “ser” candidato. Aproveitei a tal reforma política que poderia reduzir o poder econômico nas campanhas para esta aventura da cidadania. Desde janeiro deste ano, portanto, foquei na campanha.

Vivenciar a campanha como candidato aproximou ainda mais o jornalista da sociedade
Vivenciar a campanha como candidato aproximou ainda mais o jornalista da sociedade

Planejei o roteiro, e o executei na íntegra. Desde ouvir sem parar, sem descanso, aos eleitores e amigos, consultando sobre partidos, propostas, ideias, até a busca do apoio financeiro dos amigos (!?), do apoio das redes de participação social das quais faço parte, me aconselhando com todos os experts. Após nove meses, nasceu a verdade: nada mudou.

O dinheiro continua a mandar na politica. Elege-se quem tem muito dinheiro (quente ou frio fica ao encargo da “ágil e cega” Justiça Eleitoral, já ocupando cargos durante anos, e claro, com grande presença em associações, igrejas, bairros, comunidades. O povo continua o mesmo: quer algo em troca do voto, e não é serviços prestados apenas não.

Mas, ao final da jornada posso dizer que vim, vi e venci. Combati o bom combate, conquistei 514 votos fiéis à minha biografia, ideias, propostas e campanha limpa. Sou e serei sempre grato a quem me acolheu em suas casas, me apoiou voluntariamente no dia a dia – e foram muitas pessoas amigas, e a maioria novos amigos – e a todos que mesmo não votando neste jornalista opinador, torceram por minha vitória. Seria realmente algo novo vencer somente com base na rede de amigos, sem grana. Mas a sociedade ainda não quer assim.

Agora volto com energias renovadas para fazer um Palavra Livre ainda mais forte, mais presente, mais comunitário, polêmico, duro, tudo em favor da sociedade. Vamos trazer em breve novidades que deixarão nossos leitores ainda mais felizes com o conteúdo, o papel jornalístico e a postura do nosso Blog.

Por isso ele ainda está aqui após oito anos de sua fundação e lançamento. Porque não tem compromissos com os endinheirados, nem poderosos. Tem compromisso com você, leitor e leitora. E assim seguiremos cada vez mais presentes e fortes!

Por Salvador Neto, jornalista, escritor, editor do Blog Palavra Livre