Kes Gray: a infância como território literário

Kes Gray: a infância como território literário

  • Da Redação

O autor britânico Kes Gray, conhecido por best-sellers infantis como Oi Frog! (em parceria com o ilustrador Jim Field) e pela série Daisy, descobriu recentemente que suas raízes em Essex influenciaram sua obra mais profundamente do que imaginava. A revelação veio durante a preparação de uma exposição sobre sua trajetória no Museu de Chelmsford.

Com mais de três milhões de livros vendidos, Gray revisitou armários e arquivos pessoais para compor a mostra, e foi surpreendido pela quantidade de memórias que emergiram. “Comecei a anotar todos os pequenos gatilhos de memória que consegui encontrar, e eram muitos mais do que eu jamais imaginei”, declarou.

Entre essas lembranças, uma em especial se transformou em personagem: uma expedição com o amigo Tim ao Baddow Recreation Ground, onde coletaram girinos com um balde. Dessa vivência nasceu Badpole, um girino rabugento arrancado de seu lago por um garoto curioso — uma metáfora direta da infância de Gray.

“Posso te prometer que todo sapo que você encontrar hoje na propriedade Moulsham Lodge é descendente daquele balde cheio de desova que Tim e eu transferimos de Baddow Rec”, brinca o autor, com o humor que marca suas histórias.

A ideia da exposição surgiu após uma visita ao Museu de Chelmsford — a primeira em cinquenta anos. Ao percorrer os corredores, Gray percebeu que sua ligação com a cidade merecia espaço. “Sou tema Chelmsford”, afirmou. “Cresci aqui. Sei que há exposições sobre escritores de Essex, e pensei: ‘Bem, eu sou um deles’.”

O museu acolheu a proposta, e Gray preencheu o espaço com brinquedos, ilustrações e objetos da própria infância — muitos recomprados ao longo dos anos. “Não sou apenas um autor infantil, sou um colecionador de memorabilia da infância”, disse. “Revirar esses armários foi catártico. Entreguei minhas bobagens, meu lixo, minhas coisas ao museu.”

A exposição abriu ao público neste sábado, celebrando não apenas a obra de Kes Gray, mas o poder da memória como matéria-prima da literatura.

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