- Da Redação – Foto by Euronews
Na manhã deste sábado (29/11), a cidade de Giessen, no oeste da Alemanha, tornou-se epicentro de uma mobilização histórica. Milhares de manifestantes ocuparam ruas, estradas e acessos em protesto contra a convenção fundadora da nova organização juvenil do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). O movimento, articulado por dezenas de coletivos, sindicatos e organizações democráticas, marca uma das maiores ações antifascistas do país nos últimos anos.
A nova juventude da AfD, chamada Generation Germany, nasce sob forte contestação. Sua antecessora, Jovem Alternativa, foi dissolvida em março após ser classificada como extremista pela agência de inteligência interna da Alemanha. O próprio AfD, que obteve mais de 20% dos votos nas eleições nacionais de fevereiro e se tornou o maior partido da oposição, enfrenta acusações semelhantes — suspensas judicialmente, mas ainda presentes no debate público.
Desde as primeiras horas do dia, manifestantes bloquearam vias e acessos à cidade. A polícia respondeu com gás pimenta após o lançamento de pedras, e ameaçou utilizar canhões de água para dispersar os bloqueios. Cerca de 6.000 agentes foram mobilizados. Estima-se que até 50.000 pessoas participem dos protestos ao longo do dia.
Entre os cartazes visíveis, destacam-se os de “Omas gegen Rechts” (Avós contra a extrema-direita), Sea-Watch, União de Estudantes Socialistas, sindicato GEW e bandeiras palestinianas. A deputada Janine Wissler (Die Linke), presente como observadora parlamentar, declarou: “O AfD não é um partido normal. É lamentável que as manifestações não sejam permitidas diretamente em frente aos pavilhões de exposições”.
A convenção ocorre no centro de exposições Hessenhallen, onde cerca de 1.000 delegados da AfD são esperados. Os participantes foram escoltados por viaturas policiais e entraram por uma entrada lateral. Estão previstos discursos de Alice Weidel, Tino Chrupalla e do fundador do partido, Alexander Gauland. A pauta inclui a aprovação do estatuto da juventude, definição de estruturas internas e eleição da direção executiva. O logótipo da nova organização será votado posteriormente.
Suraj Mailitafi, porta-voz da aliança Resist, sintetizou o espírito da mobilização: “Não permitiremos que a próxima geração de fascistas violentos se organize em Hessenhallen. Nestes minutos, dezenas de milhares de pessoas de Giessen e de toda a Alemanha estão a impedir a sua entrada”.
A AfD, que se apresenta como força anti-establishment, capitaliza o descontentamento popular com temas como migração e política institucional. Desde sua entrada no parlamento em 2017, o partido tem ampliado sua base, mesmo sob acusações de xenofobia e radicalismo.
Hoje, Giessen não apenas resiste — ela afirma, com clareza, que a juventude alemã não será cooptada pelo autoritarismo.






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