O Centenário de Saramago

Você sabia que José Saramago não devia ter este nome? O seu nome real, conta ele mesmo, era somente José de Sousa, mas como seu pai era conhecido como saramago – nome de uma planta que servia como alimento aos pobres naqueles tempos do início do século XX – o funcionário do registro civil incluiu por conta própria esta alcunha. Interessante não? Um dos maiores escritores do mundo completaria 100 anos no dia 16 de novembro deste ano, e a data será comemorada em Portugal e todo o mundo.

José de Sousa Saramago nasceu numa família de camponeses em Azinhaga, Portugal, em 1922. A trajetória literária de José Saramago é bastante interessante pelos diferentes gêneros que desenvolve: da poesia ao teatro, do jornalismo à ficção.

Sua atividade como escritor iniciou-se em 1947, com o livro ‘Terra do Pecado’, Em 1966, lança ‘Os Poemas Possíveis’. Atuando como crítico literário e jornalista, passa a escrever no Diário de Notícias e a partir de 1975, passa a viver de literatura, primeiro como tradutor, em seguida, como autor.

Saramago foi criador de um dos universos literários mais sólidos do século XX, uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época, tendo sido membro do Partido Comunista Português.

Entre seus livros mais importantes estão ‘O Evangelho segundo Jesus Cristo’, ‘Ensaio sobre a cegueira’, ‘A jangada de pedra’, ‘A viagem do elefante’. Saramago conquistou em 1995 o Prêmio Camões e em 1998, o Prêmio Nobel de Literatura.

Sua obra ‘Evangelho segundo Jesus Cristo’ foi considerada ofensiva para os católicos e censurada, em 1992, pelo governo português por se referir ao nascimento de Jesus como algo comum “sujo de sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio…”.

Seus livros foram publicados em 64 países, e foram traduzidos em 48 línguas. Toda a sua obra está sob os cuidados da Fundação José Saramago que tem sede em Lisboa, e é quem está capitaneando a organização da programação de eventos do Centenário de Saramago que você pode consultar aqui.

A Fundação José Saramago tem como fontes de financiamento os direitos de autor da obra de José Saramago, os parceiros, as receitas de entrada e as das lojas, não recebendo qualquer financiamento público. Aliás, quando visitar Lisboa você não pode deixar de visitar a Fundação José Saramago que fica bem próxima à Praça do Comércio (clique aqui), ponto de visitação obrigatório a quem visita a capital portuguesa.

Quando da criação da Fundação, Saramago deixou expressas algumas vontades e desejos para nortear as atividades:

a ) Que a Fundação José Saramago assuma, nas suas actividades, como norma de conduta, tanto na letra como no espírito, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em Nova Iorque no dia 10 de Dezembro de 1948.

b) Que todas as acções da Fundação José Saramago sejam orientadas à luz deste documento que, embora longe da perfeição, é, ainda assim, para quem se decidir a aplicá-lo nas diversas práticas e necessidades da vida, como uma bússola, a qual, mesmo não sabendo traçar o caminho, sempre aponta o Norte.

c) Que à Fundação José Saramago mereçam atenção particular os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta, os quais atingiram níveis de tal gravidade que já ameaçam escapar às intervenções correctivas que começam a esboçar-se no mundo.

Bem sei que, por si só, a Fundação José Saramago não poderá resolver nenhum destes problemas, mas deverá trabalhar como se para isso tivesse nascido.

Como se vê, não vos peço muito, peço-vos tudo.

Lisboa, 29 de Junho de 2007.

Que tal conhecer mais sobre a vasta obra de Saramago?

Autor: Salvador Neto

Jornalista e escritor. Criador e Editor do Palavra Livre, co-fundador da Associação das Letras com sede no Brasil na cidade de Joinville (SC). Foi criador e apresentador de programas de TV e Rádio como Xeque Mate, Hora do Trabalhador entre outros trabalhos na área. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde foi diretor de comunicação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.