Liderar exige coragem

Muita gente já ouviu grandes palestrantes mundiais sobre liderança, gestão, capacidade de reação à crises. O que ninguém conta é que o grande desafio mesmo é liderar na gestão pública, segurar o touro pelos chifres quando ele salta no meio do povo, deixando vítimas e choro. É o caso que vivemos hoje com o coronavírus, e também em outras catástrofes que Santa Catarina sabe bem por sofrer com enchentes que deixaram cicatrizes.

Escrevo isso como um jornalista que acompanha o cenário político, econômico e social há pelo menos 30 anos. Já vi, vivi, atuei durante catástrofes. Liderar as ações em momentos duros como estes é para poucos. Posso dizer que nosso Estado tem sorte hoje em ter pelo menos dois líderes que tem a exigida coragem para enfrentar as pressões: o governador Carlos Moisés (PSL) e o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM).

Cada um a seu modo e jeito, vem conseguindo equilibrar decisões difíceis como restringir a mobilidade das pessoas em lugares públicos, exigir ações de saúde e higiene, paralisar atividades empresariais, transporte coletivo, fechar escolas, enfim, praticamente fechar a todos em suas casas. Tudo para conter uma pandemia que os brasileiros ainda não entenderam a extensão e gravidade. Talvez porque ainda não tenham morrido pessoas mais próximas. Ambos os líderes decidiram apostar em manter vidas, antes de manter empregos, renda e lucros. E só por isso já merecem os méritos.

Creio que as pressões dos empresários não tem sido fácil de conter. Afinal eles também são importantes, empreendem e geram empregos, compram, vendem, pagam impostos, tem responsabilidades. Os trabalhadores e trabalhadoras precisam trabalhar, receber salários, pagar contas, colocar comida na mesa, viver. Os informais contam com pessoas nas ruas para vender seus produtos, ganhar a vida. Até moradores de rua precisam da movimentação para garantir sua sobrevivência tantas vezes ignorada. Mas é um fato que a vida vem antes de qualquer lucro. Sem vida, não há comprador, trabalhador, vendedor, lucros, empresários, nada.

Por isso é que talvez somente a história vai dar aos dois líderes catarinenses o devido valor. Carlos Moisés e Gean Loureiro vem conseguindo ser o farol de credibilidade para os catarinenses, e quem sabe até para outros governadores e prefeitos. Se equilibram diante do virus mortal que está chegando – sim, ainda não está todo por aqui – e vai tirar vidas, empregos, empresas e esperanças de muita gente. De olho na ciência, na medicina, dialogando, dizendo sim quando podem e devem, e não quando precisam mesmo deixando muita gente brava, ambos dão exemplo a um Presidente que não dá valor a vida, nem ao seu povo, brincando de gerir um Brasil que precisa de competência e coragem nesta hora.

Da parte das pessoas o que se espera é o mínimo de discernimento, informação e responsabilidade com suas vidas e com as vidas de seus semelhantes. Se pode ficar em casa, fique. Você se protege, e protege a vida dos demais. E ainda valoriza a vida de quem está na linha de frente em hospitais, UPAs, postos de saúde, ambulâncias, Samu, e tantos outros locais, dando a vida para manter a dos demais. A sua caminhada, corrida, passeio de bicicleta, banho de mar, roda de samba, etc, podem esperar.

A torcida é que a liderança de Carlos Moisés e Gean Loureiro nos levem ao menor dano possível, e que possamos comemorar o retorno do abraço e do beijo em nossos familiares, amigos e colegas.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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