Possível cassação do vereador Maycon César em Joinville (SC) vai render muito!

Recebi, assim como outros colegas de mídia, Ministério Público e outros entes de investigação da moralidade administrativa, um email da eleitora Alessandra Espindula, que coloca inclusive seu número de título eleitoral em uma carta aberta sobre o caso do processo de cassação do vereador Maycon César.

Ela se sentiu ofendida com a atitude da Câmara de Vereadores, seu presidente Rodrigo Fachini, no caso de representação também contra o vereador Fábio Dalonso. Segundo ela, que indica vídeos da sua denúncia contra o tucano, não deram bola para a denúncia. Confiram a carta, e tirem suas conclusões:

“CARTA ABERTA

Respeitáveis membros do Ministério Público Estadual, Procuradoria da República Estadual, centro de direitos humanos, OAB, imprensa, autoridades, ACIJ, AJORPEME, Rotary Clube, cidadãos e vereadores que recebem esta CARTA ABERTA;

Meu nome é Alessandra Espindula, e sou eleitora joinvilense com título eleitoral nº. 36030320957.

Faz algum tempo que acompanho a política de nossa cidade. Admito que estava sem nenhuma esperança com nossos representantes. Mas semana passada li no jornal que os vereadores de Joinville abriram uma investigação para apurar crimes e irregularidades de um outro vereador também de Joinville. O próprio jornal dizia que talvez fosse por motivações políticas, por perseguição a este vereador. Mas eu achei que isto era desculpa, e vi naquela notícia a oportunidade de ajudar Joinville, de ser útil no combate a corrupção. Li o depoimento de vereadores sobre isenção e necessidade de respeitar a vontade da munícipe e da eleitora que havia pedido a investigação e resolvi denunciar também.

Assim, com auxílio de uma advogada, nesta última segunda-feira (02/03/15) também fiz o procedimento idêntico ao que foi feito contra um outro vereador que sabidamente havia feito coisas muito, mas muito erradas, e pedi a abertura de investigação para este segundo vereador. Por algumas horas, tive a certeza de que estava no caminho certo, de que eu estava ajudando a cidade de Joinville.

Acontece que, na minha opinião, eu fui maltratada pelos vereadores, fui esculachada, ofendida, ameaçada de processo judicial e sofri deboche deles. Não de todos, mais de vários deles, cada qual destes me atacando de um modo diferente.

Fizeram chacota da minha representação. Ainda na segunda feira até leram parte da representação em plenário, mas por esquecimento ou de propósito mesmo, resolveram não ler as provas que apresentei. Claro que não aprovaram a abertura de investigação, pois sem lerem as provas nenhum vereador que estivesse bem intencionado iria aprovar mesmo.

No outro dia, na terça-feira (03/03/15), enviei nova representação, nova denuncia, demonstrando minha insatisfação, dizendo o quanto humilhada me sentia, e pedindo que corrigissem o erro de segunda feira e que se não quisessem mostrar o vídeo (poderiam, pois existem telões para isto lá) provando o que o vereador Fábio Dalonso havia feito, que ao menos lessem as provas, lessem para os demais vereadores que haviam provas das minhas afirmações. Santa ingenuidade minha.

Em poucos segundos, acho que não mais do que um minuto, o presidente da Câmara de Vereadores citou meu novo requerimento mas disse que tudo havia sido feito corretamente no dia anterior e que nada precisava ser lido. E também ignorou todas as ofensas que sofri e nada disse sobre isto.

Em suma, me sinto ultrajada, exposta e humilhada. Pensei que poderia ser considerada por tentar lutar contra a corrupção, mas o que vi foi exatamente o contrário, foi vereadores fazendo pouco caso de uma munícipe que tentou denunciar algo.

Eu tenho CERTEZA que somente os vereadores de Joinville não acham o caso de Fábio Dalonso grave e merecedor de uma investigação. Tenho certeza que 99,9% da população acha grave sim e acha que uma investigação é merecida.

Faço questão de mostrar o quanto eu fui humilhada e questão de mostrar as provas que eles não leram enquanto faziam pouco caso da minha denuincia;

Vejam:

“PAULO BAUER: SÓ UMA PESSOA DE BRASÍLIA QUE FOI COLOCADA, A MEU PEDIDO, PORQUE NÃO DAVA PARA COLOCAR O FÁBIO DALONSO.

CLÁUDIO: HUHUM…

PAULO BAUER: ISSO POR UM TEMPO. AGORA, TANTO É QUE O DINHEIRO É PASSADO MENSALMENTE, PRO FÁBIO DALONSO, DIA 20, 25. NÃO SEI SE VOCÊ TEM CONHECIMENTO DISSO.

PAULO BAUER: ENTÃO, PRA TODOS OS EFEITOS, UMA PESSOA, EU PEDI PRO JOÃO, SE ELE PODERIA ENCONTRAR ALGUÉM QUE PODERIA EMPRESTAR O NOME.”

O vídeo está na internet e é claramente a voz de Paulo Bauer. Vejam só no youtube a gravação original no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=N7xQlmgtziQ&feature=youtu.be

Mas na denuncia não coloquei apenas as imagens do vídeo. Coloquei um CD com o vídeo gravado, e o CD foi ignorado, não foi passado para os demais vereadores e para os telespectadores da TV Câmara que podem ter acreditado na versão dos vereadores que eu sou uma idiota, que faço denuncias sem provas, sou “maldosa”.

Quero deixar bem claro que acho que o que fizeram comigo foi uma palhaçada. Um circo. Não acredito mais na intenção daqueles vereadores em moralizarem a Câmara de Vereadores e de ouvirem o clamor do povo. Até aceitaria se acabassem não investigando o Fábio Dalonso, mas fazerem pouco caso de mim, me chamando de “maldosa”, de “suposta eleitora”, ameaçando me processar judicialmente, e não lendo as provas e não passando o vídeo, isto eu acho inadmissível.

Ninguém merece ser tratada da maneira como eu fui tratada.

Ontem mesmo li que um vereador da cidade de Franca/SP, deu um tapa no rosto de um eleitor após este fazer um questionamento para o vereador. Está certo isto? É assim que eu me sinto, não recebi um tapa físico, mas verbal.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/03/1597904-criticado-vereador-da-tapa-na-cara-de-morador-na-camara-de-franca-sp.shtml?cmpid=%22facefolha%22

Os vereadores de Joinville deram, na minha opinião, um recado bem claro para a população: Eles só vão investigar e punir quem eles quiserem, de acordo com os interesses políticos deles. Deram o recado para a população não fazer denuncias que não sejam para eles pertinentes, pois se fizerem denuncias não pertinentes os denunciantes não serão respeitados, muito pelo contrário, terão um tratamento tal que inibirá novas denuncias. Uma vergonha!!!

E não estou sozinha, ainda hoje um ex-candidato a prefeito de Joinville se posicionou neste sentido, embora ele não tenha sido humilhado, do modo que eu fui. Vejam:

http://camasao.org/04/03/2015/a-cassacao-de-maycon-cesar/

Solicito que o Ministério Público faça o que for possível para investigar o caso e que a imprensa e a sociedade organizada fiquem atenta ao comportamento dos vereadores, que ataca munícipes e defende o indefensável.

Obrigado pela atenção e leitura. E cuidado! Hoje fui eu a esculachada por tentar combater a corrupção, mas amanhã pode ser você, se você tiver a mesma coragem.

Alessandra Espindula – título eleitoral nº. 36030320957

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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