FBI investiga Armínio Fraga e propinoduto tucano

A mais influente agência de inteligência norte-americana (FBI, na sigla em inglês) passou a investigar, formalmente, o fundo de investimento nas Ilhas Cayman, um paraíso fiscal no Caribe, administrado pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, neto.

Segundo apurou o jornalista investigativo Amaury Ribeiro Jr., autor do best seller Privataria Tucana, “o fundo, intitulado Armínio Fraga, neto – Fundação Gávea, é suspeito de distribuir para a Suíça e outros paraísos fiscais dinheiro sem origem comprovada”. Fraga fez campanha para o candidato derrotado do PSDB, Aécio Neves, e ocuparia o Ministério da Fazenda, caso o senador mineiro fosse eleito.

Segundo Ribeiro Jr., “as autoridades norte-americanas chegaram ao fundo após investigar a lista dos clientes de todo mundo que mantinham contas no HSBC da Suíça. O tucano e seu fundo, isento de impostos no Brasil por ser uma organização filantrópica, deixaram rastros bem detalhados na lista do HSBC”.

“De acordo com uma fonte do FBI, ligada a operações de lavagem de dinheiro, em 2004 o fundo nas Ilhas Cayman enviou US$ 4,4 milhões para outra conta da mesma fundação no HSBC da Suíça. Os dados apurados apontam que a conta beneficiada era uma conta de compensação.

Conhecida como conta-ônibus, esse tipo de conta só serve para transportar dinheiro de um paraíso fiscal para outro. É uma conta, por exemplo, onde não se pode fazer nenhum tipo de investimento”, afirma o jornalista.

Segundo os documentos levantados por agentes norte-americanos, antes de cair no HSBC o dinheiro foi transferido para outra conta-ônibus do ex-ministro no Credit Bank da Suiça.

“No mundo da lavagem de dinheiro há uma premissa: quanto mais rodar em conta-ônibus, mais limpo fica o dinheiro até chegar ao seu destino final. As investigações apontam que após ser lavado na Suíça o dinheiro voltou limpo para a conta de Fraga no America Bank de Nova York”, acrescenta.

“A papelada comprova ainda que, para se livrar da tributação de impostos, Armínio declarou à Receita que a Fundação Gávea era filantrópica, ou seja, isenta de tributos. Mas, num lapso de memória, enviou o dinheiro para o Caribe por meio de sua conta pessoal no HSBC.

Os investigadores pediram a quebra de sigilo do fundo. Ou seja, serão revelados os nomes dos tucanos e de outros brasileiros que usaram esse duto para enviar dinheiro ao exterior”, aponta Ribeiro Jr.

Vale lembrar que, na condição de ministro no governo Fernando Henrique Cardoso, Fraga foi o principal articulador para que não fosse quebrado, por exemplo, o sigilo em torno dos nomes de correntistas que operavam no Fundo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.

“Agora, Fraga não tem mais o controle da situação. Uma faxina em seu fundo no Caribe é um passo para se chegar ao verdadeiro Dossiê Cayman”, refere-se o jornalistas investigativo ao propinoduto denunciado durante a época das privatizações no país, durante o governo FHC.

Experiente no mercado, Fraga tentou dar um aspecto legal à operação ao declarar à Receita Federal o Fundo no Brasil. Seus problemas estão nos EUA, onde o ex-ministro tem cidadania. É lá que ocorreu a maior parte das operações e, por isso, Fraga e os outros correntistas do fundo terão de responder por seus atos na Justiça.

Ex-ministro nega
Ao site R7, que publicou originariamente a matéria de Ribeiro Jr., Fraga disse que a investigação nos EUA é “100% ficção”, mas admite que o fundo existiu.

– Investi nesse fundo há sete ou oito anos, mas tudo dentro da legalidade. Todas as minhas contas, de minha família e da Gávea Investimentos são declaradas perante as autoridades competentes, brasileiras e norte-americanas. Não houve esta transferência mencionada, houve sim um investimento regular e documentado. Não temos notícia de qualquer investigação sobre o tema – conclui.

Com informações do Correio do Brasil

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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