Uma sociedade bolsonariana?

o-BOLSONARO-MARIA-DO-ROSRIO-facebookO personagem é conhecido. Deputado federal pelo Rio de Janeiro, aliás o mais votado agora mesmo em outubro deste ano naquele estado. É um militar da reserva, de orientação política de direita, vai para a sétima na Câmara dos Deputados, eleito pelo PP (Partido Progressista).

Tem mais: é pai de Carlos Bolsonaro, vereador carioca e Flávio Bolsonaro, deputado estadual fluminense, ambos do PP. Bolsonaro pai ganhou notoriedade nacional após dar declarações sobre questões polêmicas, como homofobia, preconceito racial, sexismo, cotas raciais e defesa da tortura e do regime militar no Brasil.

Esse “deputado” continua em frente em suas lamentáveis, tristes, violentas e criminosas declarações. Na última, ofendeu essa semana a deputada federal pelo Rio Grande do Sul, e ex-ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT).

Em discurso no plenário da Câmara na última terça-feira (9), Jair Bolsonaro afirmou que só não estupraria Maria do Rosário porque ela “não merece”. A deputada respondeu e disse que foi “agredida como mulher, parlamentar e mãe” e prometeu que vai processá-lo.

Bolsonaro, em entrevista hoje a uma rádio gaúcha, reafirmou que quer disputar a próxima eleição presidencial. “Pretendo conseguir a legenda para presidente em 2018. Vou ajudar o Brasil e ir para o caminho certo”, concluiu.

Vejo rolando por aí em sites e redes sociais várias tentativas de taxar o governo atual de “bolivariano”. Creio que poucos saibam que foi Bolívar, o que fez, e não vou aqui dar aulas de história. Quem quiser pode pesquisar e saber a verdade.

Dizem também que vivemos à beira de um regime ditatorial de esquerda. Ora senhores, e senhoras, vejam se isso não é uma piada. Vivemos em um regime capitalista, pleno, em democracia, plena, e os governos Lula e Dilma estiveram longe de dar qualquer pista ou chance de os taxarmos de “socialistas”, “comunistas”, etc.

Ontem mesmo, em cerimônia histórica no Planalto, Dilma chorou ao falar dos desaparecidos políticos na ditadura ao receber o relatório da Comissão Nacional da Verdade. Um relatório que apresenta partes, pequenas ainda, do que foi feito à centenas de pessoas, talvez milhares de brasileiros, em nome do Estado.

Um relatório que sugere, apenas sugere, iniciativas para processar os criminosos, sim, criminosos da ditadura que massacraram jovens, trabalhadores, brasileiros que desejavam o fim daquela ditadura violenta. Isso pode se chamar, mesmo bem de longe, de um regime bolivariano, comunista ou socialista? Por favor…

Na Argentina, os ditadores foram julgados, condenados e cumprem pena. No Chile, idem. Uruguai, também. Só no Brasil a hipocrisia impera, os interesses idem, e a Lei da Anistia é a cortina, o escudo, a defender uma prática contra os direitos humanos, os sequestros, torturas, mortes efetuadas por agentes do Estado. Uma vergonha!

Escrevo tudo isso para mostrar que estamos sim à beira da instalação de uma nova ditadura, caso não sejam tomadas as providências cabíveis de defesa da nossa democracia. Estamos mais para a implantação de uma sociedade bolsonariana que nunca, porque afinal, este deputado defende tudo que é de mais nocivo, mais cruel, insano, estúpido, e violento, com palavra livre para tanto, e sem sofrer nada de quem quer que seja, inclusive de seus pares no Congresso Nacional.

Jair Bolsonaro representa tudo o que há de mais atrasado em nossa sociedade. Pela via da política, espertamente, e sem medir consequencias, ele ataca a moral das pessoas, qualquer uma. Defender atividades criminosas como a tortura, e agora o estupro ao dizer as ofensas contra a deputada petista. Sim, ele promove, incita o crime de estupro com sua frase. E não se desculpa por isso, e segue impunemente.

Pior é verificar que ao nosso lado, em nossos convívios, nas redes sociais e alguns sites, e em determinadas siglas partidárias e lideranças políticas, empresariais e até religiosas, existem milhares de apoiadores deste insano deputado. E claro, do que ele defende, e defende em nome destes que não querem, e não gostam de aparecer, mas de usufruir de algo possível no futuro.

Você que gosta da sua liberdade, faça a sua parte. Denuncie, combata com ideias e palavras como o faço aqui, as tentativas de destruir reputações, destruir a democracia, restringir direitos das pessoas, em favor de direitos de apenas alguns, a minoria que gosta de usar o chicote para manter seus privilégios.

Eu não quero uma sociedade ditatorial. Eu não quero viver em meio a uma sociedade bolsonariana. Eu repudio a violência, e todos os que tentam promovê-la. Eu defendo a liberdade e os direitos humanos. E que Bolsonaro seja sim processado civil e politicamente. Quem sabe possamos deixar a política um pouco mais saudável.

Salvador Neto é jornalista, e editor do Blog

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

2 comentários em “Uma sociedade bolsonariana?”

  1. Juarez, obrigado por comentar aqui no Palavra Livre. Sabes que me fez relembrar o que escrevi neste post… ehehe. Vejo que antecipava o problema que temos hoje, infelizmente novamente a beira de um golpe na democracia, mais um neste país já tão atrasado. Lutemos pela democracia.

  2. O capitão é um imbecil.
    Mas não estamos na mão do PSDB de Aécio Neves e cia.
    Espero a retomada do PT na próxima eleição, se o povo não propagar os fake news.

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