Manifestação em repúdio ao golpe militar termina em repressão no Rio

anistia2O protesto que marcou os 50 anos do golpe militar de 1964 terminou em repressão policial contra os manifestantes, no centro do Rio de Janeiro. A passeata, que saiu da Igreja da Candelária por volta das 18h de hoje (1º), seguiu de forma pacífica pela Avenida Rio Branco, com grupos ligados a centrais sindicais e entidades estudantis, que se misturavam a militantes de partidos políticos de esquerda.

Com muitas faixas e cartazes com frases contra a ditadura militar e também fotos de desaparecidos políticos e mortos pelo regime militar, os manifestantes cantaram slogans contra o governador do Rio, Sérgio Cabral, e a Polícia Militar (PM), além de entoarem canções antigas, que embalavam as manifestações nos anos 1960 e 1970.

Quando chegaram à Cinelândia, praça que é um marco histórico das lutas políticas do país, a passeata se dividiu em dois grupos. Um permaneceu no local, em frente à Câmara de Vereadores, e o outro prosseguiu para a sede do Clube Militar, um pouco adiante, em um ato contra a ditadura. Um corpo foi desenhado na calçada, com velas acesas ao redor.

Uma garrafa com tinta vermelha foi arremessada contra a fachada do clube e atingiu alguns policiais militares (PMs), que responderam com uma bomba de efeito moral e uma de gás lacrimogêneo. Os manifestantes se dispersaram e foram em direção à Câmara Municipal, onde estava a outra parte dos ativistas, mas a PM atirou outra bomba de efeito moral, provocando ainda mais correria.

Alguns policiais jogaram spray de pimenta contra os manifestantes, inclusiva profissionais de imprensa, que estavam trabalhando e não exerciam qualquer ação violenta. Um fotógrafo de mídia independente teve os óculos quebrados ao ser atingido pelo empurrão de um policial. Pelos menos dois manifestantes acabaram presos e levados para uma delegacia de polícia.

O protesto acabou por volta das 20h30, quando a maior parte dos manifestantes deixou o local e a Avenida Rio Branco, que teve o trânsito interrompido por duas horas e meia, foi reaberta ao tráfego de veículos.

 

Do EBC.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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