A falta de água em Araquari é uma vergonha!

Acompanhando o drama do povo de Araquari, cidade do norte catarinense que era reconhecida como a capital do maracujá, fruto cujo suco dizem deixar as pessoas mais calmas, fiquei nervoso! Faltar água em uma cidade que agora é berço da BMW no Brasil, em pleno século 21, e por mais de um mês, é uma vergonha! Verdadeiro caso de polícia, e processo contra todos os administradores, prefeitos, que por lá passaram, e também contra governadores bons de discurso e muito ruins de prática! Sem contar os deputados estaduais que vivem a visitar o povo incauto a cabalar votos…

Há quase 15 anos fiz matéria sobre a questão da falta de água potável em Araquari, nas áreas periféricas, que eram, e ainda são, muitas. Vi o drama de pessoas que naquela época ainda não tinham acesso á agua potável porque a rede de abastecimento só ia até o Itinga, hoje região que berra com a goela seca, tanto pela falta do líquido quanto de pedir aquilo que já deveria existir em suas casas. Quem podia pagava para ter um poço artesiano, que infelizmente produzia água salobra, salgada, com cheiro forte e cor amarelada.

Para beber e cozinhar, somente água comprada nos mercadinhos, revendas, bares e similares. Entrevistei vários moradores, e em alguns casos a água era até clara, mas o cheiro e gosto, sem condições de consumo humano. As respostas da Casan eram de que havia projeto para estender a rede de água até estas regiões. O que vemos hoje? O povo do Itinga, bairro que divide as cidades de Joinville e Araquari, passando necessidades básicas como se vivesse no Saara, nos países mais pobres da África ou Oriente Médio. Vergonhoso.

Com absoluta certeza, os ex-prefeitos e o atual detentor do cargo, e vereadores passados e do presente da grande Araquari, não ficaram e ficam sem água em suas casas. Podem beber, cozinhar, tomar banho. Também os deputados estaduais que já pescaram votos por lá, e ainda pescam, jamais sentiram a falta de um banho gostoso após um dia de trabalho duro, e seus filhos podem usufruir o bem mais precioso da humanidade. Governadores do passado e presente também, e seus secretários, diretores de Casans, e outros órgãos, tomam seus banhos e bebem água limpa e ótima. Porque o povo de Araquari, não tem esse direito garantido?

Onde estão nossos promotores da moralidade pública, do consumidor? Porque não agem imediatamente neste caso para exigir ação imediata e futura para essa população que espera trabalho do poder público há anos? Depois aparecem os defensores da ordem pública denunciando o vandalismo das pessoas a pedir seus direitos fundamentais em manifestações que podem chegar a situações perigosas! O que mais fazer senhores e senhoras, se todos os personagens públicos, regiamente pagos com o dinheiro da nossa gente, não planejam, tampouco executam o que lhes é prerrogativa e dever de fazer?

Eleitores de Araquari, Joinville, São Francisco do Sul, Itapoá, Garuva, Barra Velha, São Joao do Itaperiú, e regiões próximas, muita atenção neste ano! Eleições a vista, muitas promessas novamente, e está em suas mãos a mudança de postura, a exigir mais respeito de quem é eleito pelo voto, ou está em cargo público concursado ou não. Depois, não adianta chorar a água que não chega aos reservatórios de suas casas e na boca de seus filhos!

Por Salvador Neto.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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