Civilização Digital: como viver nela?

Civilização Digital? Mas o que é isso deve pensar o leitor que abre este post! Não se assuste, é isso mesmo! Vivemos hoje em uma verdadeira, complexa, multifacetada, intrincada, escandalosamente conectada e compartilhada civilização digital. Antes que me crucifiquem pela avançada ousadia, explico que Civilização é o estágio de desenvolvimento cultural em que se encontra um determinado povo. Este desenvolvimento cultural é representando pelas técnicas dominadas, relações sociais, crenças, fatores econômicos e criação artística.

Vários fatores podem influenciar no desenvolvimento de uma civilização como, por exemplo, recursos naturais de uma região, clima, proximidade com outra civilização, liderança exercida por um determinado período, etc. Uma civilização pode ser movida pela vontade, de seu povo ou liderança, de acumular riquezas, obter conhecimentos úteis, dominar militarmente outras regiões ou até mesmo buscar a qualidade de vida para as pessoas. Durante a história, tivemos o desenvolvimento de diversas civilizações com características diferentes.

A civilização egípcia, por exemplo, caracterizou-se pela concentração de poder e riquezas materiais nas mãos do faraó. Desenvolveram vários conhecimentos com objetivo religioso (preservar o corpo e as riquezas para uma vida após a morte). A civilização grega se desenvolveu com intuito de aprimorar as capacidades intelectuais, físicas e políticas. Neste contexto, desenvolveram a democracia, as artes, o teatro e muito mais. A civilização romana dedicou-se ao domínio militar de amplas regiões, como forma de obter poder econômico. Todas estas e muitas outras civilizações formam a nossa civilização.

Agora, todas essas culturas, conhecimentos, e muito mais estão a um clique da sua casa. Estão a um clique no seu celular, tablet, smartphone, e também em sua televisão. Acabaram as distancias. Podemos viajar por diversas culturas a partir do nosso mundo, na mesa de um bar, na escola, no trabalho. Assim como podemos ligar e falar com qualquer um em qualquer lugar do mundo a qualquer hora! Sistemas nos conectam o tempo todo a tudo. Podemos comprar com o acesso a sites que vendem de tudo, de bijuterias a roupas, de tênis a aparelhos eletrônicos, de passagens aéreas a hospedagem.

Esta nova civilização, no entanto, ao mesmo tempo em que está altamente comunicada e interligada em tempo real, se ressente do tempo para ver fisicamente o outro. Se por um lado aumentam aos borbotões as redes de amigos via Facebook, Linkedyn, Twitter e outros, não os conhecemos verdadeiramente! Na sua grande maioria só temos a imagem, talvez a simpatia pelo

que fazemos, contamos, divulgamos. Mas não sabemos quem são, o que fazem, não sentimos os outros. Nos encontramos diariamente via internet, mundo virtual, como também é a civilização digital, virtual. Mas não conseguimos nos reunir em uma mesa para conversar, olhar os olhos, tocar as mãos, viver como humanos.

Como viver nesta civilização, é a pergunta do título deste artigo. Simples. Não troque sua rede de amigos físicos pela de amigos virtuais. Use as ferramentas de relacionamento digital para o encontro pessoal, e para matar saudades momentâneas. Seja responsável pelo tempo que dedicas a estar em rede, tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Pense que o tempo não é algo a ser gasto, que falta para você. Não! O tempo é exatamente a vida, a sua vida que escoa como na ampulheta, instrumento antiguíssimo que o homem criou para medir o tempo. O relógio da antiguidade.

Se não há como viver longe da civilização digital, porque o mundo gira em torno do virtual, negócios e trabalhos são fechados e realizados, temos que criar uma nova cultura de convivência. Porque somos humanos, e precisamos viver juntos, próximos, em comunidade real. Não confunda sua vida virtual com a real, física. O que vale é a física, onde temos as relações que valem efetivamente as nossas vidas. Para vivar a civilização digital é preciso ter os dois pés fincados na civilização humana. É partir daqui que se realiza a digital, e não o contrário.

Por Salvador Neto.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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