Vereador do PMDB Joinville é indiciado por crime eleitoral

Em junho de 2011, o vereador Mauricio Soares, o Mauricinho e o diretor da penitenciária industrial, Richard Harrison Chagas dos Santos, se filiaram ao PMDB em um evento comandado pelo deputado federal Mauro Mariani. O evento contou também com a presença do atual prefeito Udo Döhler.

Nas eleições municipais de 2012, Mauricinho foi eleito vereador pelo PMDB com 3.457 votos. Este ano, Mauricinho homenageou Richard em uma solenidade na Câmara de Vereadores de Joinville. Porém, a estreita relação entre a dupla acabou revelando uma suposta prática criminosa que foi parar nos ouvidos do promotor eleitoral Francisco de Paula Fernandes Neto, do Ministério Público Eleitoral (MPE), que no último dia 9, ofereceu denúncia ao juiz Augusto Cesar Allet Aguiar, da 105ª Zona Eleitoral.

De acordo com o MPE, em fevereiro de 2012, ano em que ocorreram eleições municipais, os acusados Maurício e Richard promoveram campanha eleitoral em favor da candidatura de Mauricinho nas dependências da Penitenciária Industrial de Joinville, visando captar votos de potenciais eleitores em serviço naquele local ou em visita aos detentos.

Em uma das visitas realizadas por Mauricinho à Penitenciaria Industrial, local de cumprimento de pena, uma conversa foi mantida no interior do gabinete e na presença de Richard, diretor do presídio. “MAURÍCIO constrangeu o servidor público Nelson Cidral a apoiar a sua candidatura (de MAURÍCIO), sob a ameaça de ser substituído no cargo de natureza pública que ocupava naquele estabelecimento.”, registra a denúncia.

Coação consentida

Ainda conforme o documento do MPE, Richard, que é policial militar, consentiu com a coação exercida pelo candidato peemedebista. “RICHARD, que abertamente apoiava a candidatura de MAURÍCIO, assistiu à coação, nada fazendo para evitar ou corrigir a coação que presenciava, em tácita solidariedade com a atitude criminosa de MAURÍCIO. Além disto, como Nelson Cidral não se comprometeu a apoiar o seu candidato, RICHARD transferiu-o de setor com o fim de prejudicar sua eventual candidatura (Nelson tinha a pretensão de também concorrer ao cargo de vereador naquele ano)”, revela o MPE.

Além disto, o MPE requereu que uma cópia da denúncia seguisse também ao Ministério Público Estadual (MPR) “Tendo em vista que as condutas acima descritas como criminosas ocorreram nas dependências de repartição pública com o fim de favorecer campanha eleitoral de Maurício Soares, podendo constituir improbidade administrativa (…) e ou abuso de poder de autoridade (…), REQUER a remessa de cópia desse caderno indiciário e denúncia à 13ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville, com atribuições na área da moralidade administrativa”, finaliza o promotor Francisco de Paula.

De acordo com o Código Eleitoral, se aceita a denúncia, a tramitação do processo não deve ultrapassar 30 dias após a citação dos acusados. Até o fechamento desta edição, o processo estava desde o último dia 17 no gabinete do juiz para análise.

Fonte: Gazeta Joinville

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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