Caso Busscar: LHS esquece dos verdadeiros guerreiros da empresa

O senador Luiz Henrique é um grande líder político. Lançado na vida pública pelo ex-prefeito, ex-deputado federal e ex-governador Pedro Ivo Campos, LHS tem uma carreira invejável. Deputado estadual, deputado federal por vários mandatos, prefeito de Joinville (SC) por três vezes, governador de SC por duas vezes e agora no Senado da República. Sabe como poucos as estratégias políticas, de marketing, um grande vendedor de ideias. Sabe mexer suas peças neste imenso xadrez que é a vida, e a vida pública. No entanto, algumas manifestações do eminente senador catarinense causam espanto, principalmente no caso da Busscar.

Além de sempre estar ao lado do empresário acionista da empresa, inclusive na tentativa frustrada de arrumar mais dinheiro público do BNDES – lembrem que o banco estatal federal já emprestou, e não recebeu ainda, R$ 30 milhões à Busscar em 2004 – Luiz Henrique nunca se posiciona quanto aos trabalhadores que foram lesados pela péssima gestão da empresa que tem dívidas que superam um bilhão de reais. Somente para os trabalhadores já são mais de R$ 120 milhões em débitos. Esses mesmos trabalhadores estão há 25 meses sem salários, sem décimo-terceiro, sem FGTS, sem o precioso INSS depositado. E agora a empresa ainda pede que os mais de cinco mil trabalhadores abram mão de seus direitos, de decisões transitadas em julgado, e que parcelem por mais 36 meses! Isso mesmo, três anos e mais seis meses de carência para começar a pagar!

Causa não só espanto nestas cinco mil famílias, mas também indignação, a declaração do senador eleito também com seus votos na reunião da noite de segunda-feira (7/5) na Acij, em Joinville (SC). Publicada na coluna de Claudio Loetz, de A Notícia de hoje, LHS elege um nome de trabalhador da empresa, seguidor de Claudio Nielson que continua a receber salários nesta fase sombria da empresa, para chamá-lo de “guerreiro”. Guerreiro senador? Guerreiros são os cinco mil e quinhentos trabalhadores que não veem o sagrado direito ao seu salário, e ainda assim, mantém suas famílias com bicos ou trabalhos precários. Guerreiros senador são os pais de família que acreditaram nas falsas promessas do paraíso da Busscar, fizeram passeatas e até foram à Brasília na base de laranjas e bananas, e que agora recebem esse tratamento.

Guerreiros são os trabalhadores lesados, e que ainda acreditam na recuperação da Busscar por amor ao que produziam, como todo operário joinvilense que é marca registrada pelo talento e qualidade da sua mão de obra. E são realmente guerreiros por tudo isso, e mais, por esperarem das lideranças políticas um olhar, um aceno, uma atitude justa, de lembrança ao que eles representam: a verdadeira força de trabalho desse marca joinvilense. Não senador, não é guerreiro quem defende apenas o seu patrão. Guerreiros são todos esses homens e mulheres que esperam por justiça, por seus créditos trabalhistas, por bom senso dos acionistas que insistem no caminho que vai levar a Busscar à falência caso o tal Plano apresentado não se modifique radicalmente.

Senador, pelo que ouço dos trabalhadores nas ruas e em meu trabalho, eles querem é respeito e consideração, não a marginalidade, o esquecimento, e o enaltecimento de um personagem que não representa a maioria dos trabalhadores da Busscar. Com toda a sua experiência, LHS poderia ser sim o conselheiro dos acionistas para uma saída honrosa, que parece ser agora tardia. E isso senador, certamente os verdadeiros guerreiros da Busscar, os cinco mil e quinhentos guerreiros, adorariam ver em sua atuação política.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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