Correndo o controle remoto pelos canais da tv, assisti na noite de ontem um programa interessante do Sergio Silva na TV Brasil Esperança falando sobre o transporte coletivo e a provável realização de concorrência pública ainda este ano, pela primeira vez na história da maior cidade catarinense, Joinville. Ouvi atentamente o diretor-executivo do IPPUJ, Vladimir Constante, e devo dizer que gostei de boa parte das suas informações, não concordei com outras ponderações, mas penso que só o fato de estarmos discutindo isso com a população já é um avanço considerável em nossa província.
Pois eis que aqui vai uma sugestão que penso ser importante e relevante para o bom andamento do trânsito no centro da cidade, maior fluidez no tráfego dos ônibus e veículos na área central, modernização e humanização do centro como um todo: a desativação do Terminal Central. Há 40 anos foi importante, era fundamental, mas hoje é impraticável. O próprio diretor executivo do IPPUJ relatou isso, a demora dos ônibus se deslocarem do Terminal até sair na JK e outras vias de grande tráfego. Pensem em fazer as grandes paradas e acessos aos usuários pelas avenidas e ruas JK, Beira Rio, Blumenau, João Colin, por exemplo. Ficam próximas ao centro e não “matariam” o comércio, coisa que tanto assombra os comerciantes, alguns deles é claro.
No local poderia ser criada uma grande praça, com um bela concha acústica para apresentações culturais, musicais, populares. Espaço de convivência e passeio para famílias, um lugar de efervescência cultural que por si só faria o movimento e mobilidade das pessoas melhorarem muito, com grandes ganhos comerciais também. E, claro, sem o tráfego dos grandes ônibus que se arrastam pelas estreitas ruas centrais, e com adaptações de algumas ruas e sentidos delas, teríamos um novo centro, aberto, iluminado, mais humanizado, moderno e voltado para as pessoas e não veículos.
Tá aí mais uma ideia do Blog, e quem sabe a Prefeitura possa aceitar e realizar. Mas não venham com histórias de que o Terminal é uma marca desse ou daquele, é tombado, e que sem ele tudo morre em volta, enfim, coisas desse tipo. Se querem Joinville melhor, melhor é se despir desses ranços, ultrapassar desejos pessoais e egos, para ver algo novo florescer. Que tal pensarmos nisso IPPUJ, Prefeitura, CDL, etc.?
Verdade Mário Cezar, falta responsabilidade a todos os atores. Essas contribuições tuas para políticas públicas, essas sim que promovem, ou pressionam sim pela realização das coisas de fato, são grandes heranças para a sociedade. Espero que você continue contribuindo aqui com o nosso Blog, mandando artigos e debatendo esses temas tão caros para todos nós. Obrigado Mário!
Salvador, infelizmente o assunto que hora discutimos, não é de interesse coletivo discutir neste momento. Estão “todos muito preocupados” com as discussões do agora, dos fatos criados no dia a dia de nossos despreparados gestores e legisladores(?). Estamos muito preocupados em discutir Tarifa Zero, transporte coletivo por empresa pública, aumento “legal”dos nossos prestativos edís, o asfaltamento de mais ruas, a volta do Tebaldi, o BBB, entre outros assuntos mais importantes do que a RESPONSABILIDADE de nossas decisões. Pensar nas heranças que as decisões deixarão para o futuro da cidade é muito cansativo e pode angariar inimigos.
Tenho, há muito tempo, procurado alternativas para conseguir fazer as mudanças no conceito de pensar a cidade.
Já fui viceral, encrenqueiro, o chato de plantão. Hoje tenho os pés no chão. Vou comendo pelas beiradas, jogando opiniões aqui e ali, até que um ouvido “certo” descubra interesse nos meus pitacos. Continuo o “Chato de plantão”, o “cara de um só tema” – ACESSIBILIDADE, mas tenho consciência, sem modestias desnecessárias, que as conquistas conseguidas são boas heranças.
Estamos concluindo a Política Municipal de Acessibilidade, decreto que deve ser assinado em breve pelo prefeito. Minha próxima meta é começar a discussão da “Política Mun icipal de Mobilidade Urbana”, pois ela é fundamental para a micro e macro acessibilidade, ou seja, respectivamente, a relação pedestre/ território e o deslocamento na malha viária estrutural da cidade. Só depois de entender o que será a mobilidade na cidade é que podemos entender pelo que queremos lutar.
Grande amigo Mário Cezar, mestre na acessibilidade e mobilidade urbana, que prazer ver um comentário seu em meu humilde blog! Obrigado por participar com mais uma intervenção lúcida e coerente. Penso exatamente na mesma linha. Defendo a retirada do Terminal Urbano para fazer exatamente isso, ou seja, dar mais espaço a tudo isso que você cita, transformar o centro em um grande parque, com todos esses atrativos. O problema é que a política tem atropelado o pensar a cidade a longo prazo pelo pensar como faço para ganhar votos na eleição que chega! Vamos multiplicar essa ideia, vamos promover mais debates sobre esse tema. A partir do centro, desse debate, quem sabe conseguimos dar um novo rumo ao que pensamos e queremos para a “grande” Joinville. Obrigado mais uma vez Mário, forte abraço!
Salvador, não sei se concordo com você. A avaliação que faço é pensando em “Mobilidade Urbana Sustentável”. Antes de mais nada, devemos saber exatamente o que queremos do centro de Joinville e que atrativos REALMENTE levariam a população a ocupar aquele espaço. Tirar o terminal como motivo de propiciar melhor circulação de veículos é por si só péssimo. Temos é que “dificultar” o interesse de ir de automóvel para o centro. Sei que serei criticado pela posição que aqui coloco, mas deveríamos começar por aproveitar a licitação do Estacionamento Rotativo e o do Transporte Coletivo, para estudar a vocação que queremos para aquela região da cidade onde temos o maior investimento público em infraestrutura urbana. Na licitação do Estacionamento Rotativo proponho criar três níveis de preço de vaga. O primeiro a R$ 4,50, na área central, o intermediário a R$ 2,00, nos arredores do centro e o terceiro a R$ 1,oo, no restante das áreas. A intenção é dificultar o uso central por automóveis e usar parte da arrecadação para melhoria e conservação da área. A intenção final é fazer do centro um grande shopping, repleto de lojas e atrações culturais de lazer e esportes, com calçadas largas, ciclovias, um grande PARQUE do CENTRO, ou seja atrativos para que o povo tome posse do centro. Com isso, TALVEZ o terminal seja importante onde está. Digo TALVEZ porque é necessário, antes de mais nada, um estudo técnico aprofundado..
Proponho também adiar o lançamento da licitação do Transporte Coletivo, que está sendo feito no afogadilho de interesses políticos, e estudar as mudanças ocorridas nos últimos anos na mobilidade da cidade, para poder ser visionário quanto ao que acontecerá nos próximos 15 anos, duração inicial do contrato. DEVEMOS APROVEITAR OS INSTRUMENTOS DAS LICITAÇÕES PARA MELHORAR A CIDADE E NÃO REPETIR MAIS DO MESMO, QUE TEM NOS DEMONSTRADO QUE NÃO É A MELHOR ESCOLHA. É MOMENTO DE CHOQUE DE GESTÃO.
Abraço,
Mário Cezar