Perfis: Clube 13 de Maio – 40 anos de amor ao futebol amador

Eles são do tempo em que Joinville tinha campinhos de futebol por toda a cidade, onde a meninada se divertia a valer jogando bola. Bola de meia, de plástico e pés descalços não eram impedimentos para gastar energia suando e fazendo gols. Hoje, já cinqüentões, Adelar Bittelbrunn, Izael Macelay (Iza) e Edmilson Correa (Preta) lutam para manter em atividade um dos clubes mais antigos em atividade no futebol amador joinvilense, o 13 de Maio do bairro Fátima, zona sul da cidade. Amador mesmo, tanto que eles não têm campo próprio ou sede própria, mantendo um local de reuniões no bar de um deles, o Preta, localizado na rua Fátima, 1926.

Tudo começou no final da década de 1960 e inicio de 1970, quando o primeiro clube do Fátima, o Vila Palmira, encerrou atividades. “Meu pai amava e ama futebol, e decidiu continuar com apoio da minha mãe, que lavava as roupas do time”, conta Edmilson, o popular Preta, filho do fundador do clube, Vicente Antonio Correa. O trio dirigente conta que o nome saiu de uma reunião na casa do amigo João – não lembra o sobrenome – onde a maioria era da raça negra. “O João propôs que o nome fosse 13 de maio, porque também estavam no mês de maio, e aí ficou”, contam com base na história de seu Vicente.

Izael, o Iza, entrou para o time logo nos primeiros anos e lamenta o fim dos campinhos. “Tinha o campo do Internacional no Boehmerwaldt, do Guarani, Benfica e tantos outros. A gente ia antes do time principal, correndo, a pé, de bicicleta, para arrumar o campinho e jogar com a turma de lá. Hoje sumiram os campinhos”, relembra saudoso. Adelar destaca a força e união do grupo para manter o time. “O pessoal era e é tao unido que em mutirão chegou a fazer o campo da associação de moradores do bairro, na rua Guanabara”, explica. Mas nunca conseguiram apoio da Prefeitura para erguer sua sede própria, apesar de várias tentativas.

“Desde os tempos do Freitag tentamos terreno”, critica Adelar. Iza e Preta lembram do projeto que o Prefeito apresentou à diretoria do clube. “Eles tinham o projeto pronto, bonito. Mostraram para nós, e mandaram aterrar lá onde chamam de areão do Fátima. Tava tudo bonito, mas voce acredita que em um dia terminaram o aterro, e no outro tava cheio de barracos?”, contam ainda incrédulos com o que aconteceu. Indignados, foram ao Prefeito que disse: “Se vocês conseguirem tirar eles de lá, é de vocês”, conta Preta, sorrindo. Mesmo sem campo, os amigos não pararam nem um instante, e mantém a integraçao familiar.

Além de continuar a disputar o Copão Kurt Meinert, torneio que participam desde a primeira ediçao e que venceram em 1991 e 2007, o 13 de Maio mantém o time de veteranos que tem jogos marcados até 2012, todos os sábados por várias cidades da regiao e em Joinville. Todos os eventos sao realizados para angariar fundos e manter o time em atividade. No mês de maio passado o Clube 13 de Maio completou 40 anos de fundaçao com um grande baile no clube Dallas, também do Fátima. “Os recursos deste baile, que é anual, é a principal renda para manter os uniformes, taxas, e outras despesas”, contam orgulhosos.

Os veteranos atletas sonham ainda com uma sede própria para manter o clube ativo e forte para as futuras geraçoes do bairro, tirando crianças das ruas com o futebol amador. O Clube reúne em torno de 200 pessoas com suas atividades esportivas e sociais.“É difícil porque em tudo querem dinheiro para jogar hoje, estao acabando com o amador. Mas nós vamos manter a nossa história, e o lazer que o 13 nos proporciona com amizade e integraçao entre as famílias”, finaliza o trio de jogadores veteranos, parte da história do futebol amador joinvilense.

* publicado na seção perfil do Jornal Notícias do Dia de Joinville (SC) em 2011.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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