Psicopatas: cuidado, sempre pode haver um ao seu lado!

Impressiona o número de crimes bárbaros praticados contra inocentes crianças, idosos, de pais contra filhos, estupros seguidos de morte, entre tantos outros fatos fartamente divulgados pela imprensa. Em menos de um mês de 2012 as famílias ficam aterrorizadas por tanta violência. Excetuando-se esse caso dos idosos assassinados brutalmente no bairro Paranaguamirim em Joinville (SC), que parece ser realmente um roubo que acabou em morte, são graves os registros de estupros contra menores, crianças inocentes.

É revelador da nossa sociedade doente, fascinada por seres bigbrotherianos, pelo luxo e luxúria, pelo ter mais do que ser. Uma sociedade que se esquece de conviver em família, de saborear um café entre amigos durante uma tarde chuvosa ou de sol. Nós vamos a extremos. Ou somos totalmente workaholics, nos entregamos totalmente ao trabalho e ignoramos os amigos e familiares, ou dedicamos tudo ao individualismo, à busca do corpo perfeito em academias, e pouca luta por exercícios que revigorem o cérebro, ou nosso espírito.

Essa sociedade que se embasa mais na tecnologia, nos relacionamentos virtuais, on line, do que dos encontros pessoais e prazerosos em uma rua ou praça. Dos namoros e compras à distância que não deixam vestígios de humanidade. O que seremos daqui a alguns anos? Não sairemos de casa sequer para comprar um pedaço de pão? Confraternizaremos via tela da TV mais moderna do momento sem o abraço, o tilintar das taças em frente aos rostos?

A criminalidade cresce com base nessa sociedade que vivemos. Crimes sempre houveram no mundo, desde Caim e Abel. A inveja, o ciúme, a vingança e sentimentos desse nível encobrem grandes crimes, ou os justificam há milênios. Mas o que se vê hoje em dia são os psicopatas. Diferente do que se pensa, eles não fazem caretas feias ou assustadoras como nos filmes. Na verdade, eles são dissimulados, mentem com maestria, e se escondem sob auras de benevolentes, de gente séria, de “mui amigo”, entre várias facetas.

Sabe-se que o psicopata não é um deficiente mental, nem sofre de alucinações ou problemas de identidade, como pode ocorrer com os esquizofrênicos. Frequentemente, possui inteligência acima da média podendo ser simpático e sedutor. Podendo usar essas qualidades para mentir e enganar os outros. Embora entenda perfeitamente a diferença entre o certo e o errado, o psicopata não é dotado de emoções morais: não sente arrependimento, culpa, piedade nem vergonha. Tampouco consegue nutrir qualquer empatia pelo próximo.

Teremos de fazer um pacto novo em nossa sociedade: voltar a olhar para nossa humanidade, nossa vida simples de jogar bola na rua, andar com os pés na grama, sentir o vento, ouvir os sons, olhar as pessoas em volta e ver que todos temos o poder e o dever de ser felizes sem pisar no outro, vencer o outro a qualquer custo. Isso vai, lentamente é claro, reequilibrar a humanidade. Enquanto isso, temos de ficar sempre atentos a esses psicopatas. Prestar atenção aos detalhes dessas mentes doentias que podem chegar até a matar o outro sem sentir absolutamente nada. Olhar, prestar atenção e reconhecer esses psicopatas que várias vezes estão até dentro da nossa casa, do nosso trabalho, é fundamental para nossa defesa.

Dar atenção aos nossos filhos, observar tudo neles é outro caminho. Deixar mais de correr atrás do ouro do trabalho e voltar a polir o tesouro que eles são em nossas vidas. Assim o caminho de acesso dos psicopatas a nossos tesouros fica mais difícil. Porque o amor ainda é o melhor remédio para uma sociedade doente como a nossa.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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