Perfis: Lauro Lorenzi, o pequeno grande cidadão

Quem vê aquele pequeno homem em frente a casa na rua Rio das Antas no Comasa, vestindo um agasalho esportivo, de tênis e óculos não imagina o quanto de participação ele teve, e ainda tem, na vida da cidade. O senhor Lauro Loreni, aposentado, 72 anos, hoje passa seu tempo cortando a grama do jardim, pescando com os amigos da Associação de Pescadores Novos Horizontes, lendo e fazendo arte com arames e um pequeno alicate. Rosários e correntinhas surgem para presentear amigos e familiares, e também da igreja católica do bairro onde tem atuação antiga e ainda freqüente. Antes de chegar nessa fase de sossego, Lorenzi escreveu sua história na vida pública e na educação.

Nascido em Jaraguá do Sul em família de 12 irmãos, “família de colonos”, afirma, Lauro Lorenzi foi estudar nos Irmãos Maristas em Curitiba (PR), passando também por São Paulo onde lecionou no Colégio Arquidiocesano, Rio de Janeiro e Santos (SP), até chegar a Joinville em 1960/61. Trabalho na Cia Jordan como auxiliar de escritório até 1963 quando um amigo lhe indicou espaço para trabalhar na Tupy, a grande indústria da época. “Fui cronometrista, calculando tempos de produção das peças, e cheguei a ser cronoanalista. Saí em 1973”, conta Lauro, para atender a um chamado para a vida pública. Seu amigo Elmar Zimmermann, vereador do PMDB, perguntou se ele estava disposto a assumir a Intendência do Distrito do Boa Vista no governo de Pedro Ivo Campos.

“Eu não sabia nada disso, de serviço público. No dia da posse o prefeito falou comigo e disse que precisava de alguém que se preocupasse com a comunidade, e eu aceitei”, lembra orgulhoso. Assumiu o cargo em 1973 e ficou até 1978 quando assumiu a direção do então Colégio Cenecista José Elias Moreira sucedendo Gonçalo Nascimento. “Eu já lecionava história e geografia desde 1967 no Elias. Primeiro em salas no colégio Plácido Olimpio no Bom Retiro, depois na escola Castelo Branco no Boa Vista onde fui coordenador. Daí o Gonçalo me convidou e fui seu vice, até assumir a direção. Estudei administração na ACE, me formei, e fiquei até 1980”, narra Lorenzi. Da época ele guarda as melhores lembranças da vida, tem mais saudade. “Introduzimos o pré-escolar e construímos o auditório, coisas ousadas”, relata.

Lauro retornou à Prefeitura já com Luiz Henrique Prefeito, assumindo a administração regional sul.  Estimulado pelo prefeito, por Pedro Ivo e Freitag, o professor concorreu a vereador em 1982 e venceu com boa votação. Como tinha feito um bom trabalho na gestao Pedro Ivo na fabricação de tubos, logo recebeu convite de Freitag para tocar a fábrica de tubos em Pirabeiraba, recém adquirida pela Prefeitura. “Lá fizemos história, aumentando a produtividade enormemente.  A equipe fazia apenas 18 tubos dia. Passaram a produzir 94 tubos/dia. O segredo? “Dieter Neermann era nosso chefe. O grande problema da Prefeitura até hoje é a falta de motivação. Introduzimos a produtividade, pagando horas extras se eles produzissem mais que o planejado. Deu certo”, conta.

Para isso dar certo tiveram que mostrar ao Prefeito, durão, que eles poderiam fazer. “Falamos que dariamos um engradado de cerveja e um de refrigerante se eles atingissem a meta no final da semana. O prefeito iria lá na hora do café, na sexta. Na quinta eles já tinham atingido a meta. Freitag foi lá e adorou o resultado”, fala Lorenzi sorrindo. Ela nao foi feliz na reeleição, mas já tinha se decepcionado com a face obscura da política. “Mas consegui ajudar a comunidade. Consegui a pavimentação da Baltasar Buschle, a abertura da Helmuth Falgatter e a pavimentaçao da Albano Schmidt até o Valente Simeoni”, relembra. Da política lembra das amizades que fez. “Foi o melhor”, diz.

Casado há 47 anos com Tereza Dias Lorenzi, três filhas naturais e uma adotiva e seis netos, Lauro continua a morar no mesmo lugar no Comasa, em rua sem pavimentaçao. O casal vive rodeado das filhas, com quem se reunem todos os domingos para almoço em familia, sagrado. Ainda atua na igreja Sao Paulo Apóstolo nos encontros para noivos e na coordenaçao de atividades da comunidade. Com simplicidade, o ex-professor, ex-vereador e ex-funcionário público deixa duas constatações de hoje. “Na política atual falta honestidade. Antes se lutava para ganhar e ajudar o povo. Hoje se ganha para ganhar mais individualmente”, critica. Sobre a educação: “Falta motivaçao do corpo docente. As famílias estão desintegradas, e cobram o que não fazem em casa”, destaca. 

Publicado no Jornal Notícias do Dia de Joinville (SC) na seção Perfil no mês de junho de 2011.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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