Perfis:Os artistas das calhas – Wilson Finder seguiu os passos do seu pai Alóis Finder

O pai Alóis Finder construiu sua família fazendo calhas. Dos seus sete filhos, cinco botaram a mão nas chapas metálicas, entre eles, Wilson Finder, hoje tocando a empresa Calhas Wilson com os filhos Fernando e Tiago no bairro Fátima há mais de 30 anos. “Cara, acho que nasci na calha”, brinca ao falar do tempo em que está no ramo, onde iniciou com o pai já com 10 anos de idade ainda no bairro Iririú, onde tudo começou. A família Finder tem história com Joinville. Amandus Finder (tio) foi vereador e empresta o nome para o Parque Morro do Finder. Alóis, o pai, virou nome de rua no Aventureiro, e a família se espalha pela música, elétrica e em vários setores.

Wilson aprendeu tudo que sabe com seu pai, mas passou um bom tempo trabalhando em grandes empresas, como mecânico de manutenção e também funileiro. Essa profissão – funileiro – trabalha com a confecção de peças em folha-de-flandres, chapas metálicas fabricadando peças moldadas a partir de chapas metálicas, como componentes de alambiques (principalmente funis, daí a origem), e também calhas que captam as águas das chuvas dos telhados, evitando que empoçem em volta da casa, e conduzindo-as ao local desejado. “A calha não pode ter nenhum furinho na fabricação, senão causa um problema grande depois”, ensina Wilson.

Produzir calhas hoje é muito mais complicado que no passado. “Antes as casas tinham duas águas, quatro águas (quedas do telhado). Hoje tem arquitetura diferente, e a estética é cobrada”, comenta o filho Fernando, que trabalhou com o pai, depois se formou em tecnologia da informaçao e foi trabalhar na área, retornando a tres anos. Tiago, o mais novo dos Finder, é ferramenteiro e nunca saiu do trabalho, mesmo quando Wilson e esposa foram passar um tempo nos Estados Unidos em busca de novos desafios. “Eu fiquei e continuei atendendo. Gosto de criar soluçoes para as situaçoes que encontramos”, conta. “Ele já sabe tanto ou mais que o Wilson”, elogia o irmao Fernando.

Wilson Finder conta como faziam na época de seu pai para instalar as calhas. “O pai fazia um fogo com carvão, ao lado da casa que íamos instalar. Ele subia para instalar, e eu esquentava o ferro até ficar vermelho, e aí jogava prá ele lá em cima. Era tudo estanhado, tinha de ser assim para colar as chapas, soldar. E não jogava certo prá ver, o pau pegava! Hoje não, hoje tem silicone pra juntar, soldar, mudou tudo”, conta entre gargalhadas. O trio trabalha junto pensando tudo na empresa. Wilson e Tiago se dedicam mais à instalação e estar na rua. Fernando cuida mais da administração, orçamentos, e comercial, mas também vai instalar as calhas quando precisa.

As duas gerações vão se entendendo e modernizando o sistema de produção e atendimento. Com sete funcionários, a empresa foi pioneira no seu setor colocando na internet seu site – WWW.calhaswilson.com.br. Também atendem grandes empresas e empreendimentos que buscam suprir necessidades de prédios residenciais, galpões industriais e inclusive, áreas externas com a parte estética. “Acho que a capacidade criativa é o que temos de melhor. Dá uma chapa, uma tesoura e uma dobradeira que os Finder criam, é incrível”, comenta Fernando. Nem só de calhas viveram os Finder, que já produziram formas de pão e bolo, coifas, casinhas de correio e muitos outros produtos. Agora se preparam para aproveitar oportunidades que o mercado oferece via terceirizações das grandes empresas. “Não gosto de ficar parado”, finaliza Wilson.

* publicado no jornal Notícias do Dia em maio de 2011

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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