Perfis: Pastor Ari Estevam – “Deus tinha uma missão para mim”

Elegantemente vestido com um terno verde bem cortado, camisa clara e gravata estampada, tudo combinando perfeitamente com os sapatos marrons, Ari Estevam chega para a entrevista na sede central da Igreja Maravilhas de Jesus, na rua São Paulo, esquina com a rua Piauí, em frente à Cipla na divisa dos bairros Anita Garibaldi e Bucarein. “A paz do senhor”, ele cumprimenta e caminha para a escada que leva ao interior do templo. No espaço bem arrumado, naquela tarde de muito sol, se vê na parede a frase que diz tudo sobre a filosofia adotada: “Adorai ao único Deus senhor Jesus Cristo, cantai a glória do seu nome”.

De uma pasta ele tira outras pastas com fotos de uma história que começou há 43 anos, quando o alfaiate Ari se converteu ao pentecostalismo tradicional na então igreja da Cruzada, hoje Evangelho Quadrangular. “Desde pequeno minha família dizia que eu seria sacerdote. No início não deu certo, mas depois Deus me fez conhecer o evangelho. Deus tinha algo, uma missão para mim”, afirma com a seriedade estampada em seu rosto. Aos 70 anos, em 2010 ele voltou a comandar a Igreja que fundou em fevereiro de 1974, junto com outros 40 irmãos da fé. “Voltei para reorganizar os rumos, as coisas estavam ficando muito liberais”, conta o pastor.

Ari tem o registro de nascimento em São Francisco do Sul, no distrito do Saí, mas tem raízes na região de Itajaí. O pai tinha uma serraria, que logo transferiu para Joinville, onde se fixou na rua Dona Francisca, nos arredores do clube América, de quem ele foi torcedor por muitos anos. “Desde os 13 anos não dependi mais da família. Ajudei meu pai, mas logo fui trabalhar na Alfaiataria Müller que ficava na avenida Getúlio Vargas, próximo a Casa da Borracha. Lá aprendi muito nos três anos que fiquei”, relata. O dom da costura ele credita à família, onde todas as irmãs costuravam ou bordavam, e assim o menino logo aprendeu o oficio, que quando adulto, sustentou a família por muitos anos. Trabalhou também na antiga rede de lojas Prosdócimo, serviu o exército, até abrir seu ateliê na rua Monsenhor Gercino, ao lado de onde fica hoje a Luizinho Autopeças.

Sua conversão causou espanto aos familiares, mas Ari não se abalou. Sua fé era muito maior, e partiu para trabalhos missionários, até que um grupo de irmãos, conta ele, seguiu um chamado de Jesus para que defendessem a igreja primitiva, tradicional. “Nos reunimos, discutimos os rumos. Eu recebi uma visão do nome Maravilhas de Jesus, apresentei e foi aprovado por unanimidade”. Ari foi vice-presidente até 1987, quando assumiu a Presidência. Morou em Florianópolis por 15 anos, passou por Jaraguá do Sul, até retornar a Joinville em 2003. Pastor Ari ficou fora da Presidência entre 2004 e 2010. Foi reconduzido ao comando na Convenção da Igreja em 2010.

A Igreja Maravilhas de Jesus está presente em quatro estados brasileiros (RS, SC, PR, SP) e tem um núcleo na Argentina, e conta com cerca de 50 igrejas atuantes. Disposto, o Pastor ainda viaja por suas igrejas, mas agora com alguém dirigindo. Prega com todo ardor a forma tradicional de apresentar os mandamentos do evangelho. Ele não teme o afastamento da juventude da Igreja diante do mundo atual, globalizado e cheio de alternativas. “Os jovens vem até nós pela família, de pequenino. O povo precisa ouvir o evangelho, e é isso que fazemos. Por isso não fico parado, viajo para dar apoio e energia para nossa gente”, completa.

O Pastor conta que eles foram muito perseguidos no inicio, mas tiveram apoio do então prefeito Pedro Ivo Campos, via vereador Aderbal Tavares Lopes. “Nós pedimos apoio para comprar esse terreno aqui onde fica a sede. Conseguimos 10 mil cruzeiros na época, o bastante para completar o pagamento”, diz soltando um dos raros sorrisos. Aposentado, casado há 50 anos, pai de quatro filhos tem nove netos e três bisnetos, Ari prepara a Convenção Nacional que será realizada dias 7 e 8 de maio em Joinville com muita garra na defesa da sua fé, e ainda encontra tempo e força para apresentar um programa de rádio todos os sábados das 11 ao meio-dia na rádio Colon AM 1090 Khw. E avisa: “Agora só vou parar minha missão quando Deus quiser”.

* publicado na seção perfil do Jornal Notícias do Dia em abril de 2011

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

6 comentários em “Perfis: Pastor Ari Estevam – “Deus tinha uma missão para mim””

  1. Igrejas falidas !!! Pastores excluidos !!
    João Garcia de lima filho – pastor em Curitiba – Boqueirao –
    Ismael Silvério Soares – pastor em Joinville
    Eliseu Silvério Soares – pastor em Florianopolis
    Pastor Antonio – Barrinha Sp
    Pastor Maurodir – Fazenda Rio Grande Pr – (Igreja Abandonada )
    Procurem saber mais sobre seus lideres e sua organização !!!
    Verdadeiros Picaretas !!!!

  2. todos esses comentarios a respeito da devida igreja é falso , pastores mentirosos , roubaram a verba destinada a igreja assembleia crista a marcha da fé falsificando documentos e receberam a verba que foi doada a outro ministério hj tem a igreja na rua sao paulo esq com rua piaui em joinville , a maioria dos imoveis dessa entidade foram adquiridos irregular , procurem saber mais sobre seus pastores suas igrejas seus lideres , hj falidos !!!!

  3. Maurício, obrigado por participar. Escrever sobre ele foi difícil, porque é um personagem que tem muita história de vida, de paixão por Deus. Sua luta em erguer e manter a Igreja é digna de registro, e você, como filho, certamente tem de se orgulhar e louvar a atitude dele diante da vida. Abraço, e continue participando conosco.

  4. Comentar sobre Pr.Ari (PAI),é muito gratificante, pois ele é referencia pra mim, como pai, pastor e amigo, a qual nos momentos mais dificieis da minha vida sempre esteve ao meu lado. Eu seria suspeito em falar dele, mais o que eu tenho a dizer é simplesmente que ele é a pessoa mais importante é claro depois de Deus, na minha vida. Ele é amoroso, compreensivo, amigo, paizão e sobre tudo o amor que ele tem como pastor sobre o seu rebanho, sem duvida é indiscutivel. Com toda sinceridade, é raro pastores hoje com tanto amor as almas perdidas e fiel a Jesus, isto eu tenho presenciado e convivido e vejo o quanto é dificil cada dia mais pastores, que tem o verdadeiro amor as almas que precisam de alivio para suas dores. Simplesmente pra mim pastor Ari é a pessoa mais querida que eu conheço e convivo, é isso ai.

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