Gilberto Gil percorre a Alemanha como missionário do forró

gilberto gilEm entrevista à Deutsche Welle, cantor conta sua relação com público da Alemanha, onde é lembrado como ex-ministro da Cultura, e fala dos elementos europeus no forró, que facilitam sua assimilação pelo público europeu.

Ele se diz “aprendiz de forrozeiro”. O cantor e compositor Gilberto Gil, de 68 anos, está percorrendo cinco cidades da Alemanha e indo a outros países europeus para divulgar seu álbum Fé na Festa. O show é todo baseado no balanço do forró, gênero que, ao contrário do samba e da MPB, poucos conhecem fora do Brasil.

Gil retorna às raízes. Os ritmos nordestinos foram parte de sua infância no interior da Bahia e sempre estiveram presentes em sua multifacetada obra musical. Em sua atual turnê pela Europa, uma das maiores estrelas da música brasileira, com 52 álbuns lançados, se apresenta como mero “divulgador do forró”.

Ele faz o público europeu dançar baião, xote e xaxado, explicando sempre, em inglês, entre uma música e outra, o significado de cada estilo e contando um pouco das tradições de festas juninas do interior do Brasil.
Gilberto Gil: É boa. A Europa não conhece muito bem esse gênero brasileiro. Conhece fragmentos dele, que estiveram sempre presentes na chamada MPB, na música de tantos artistas que alcançaram algum êxito na Europa. Mas os especialistas do forró, os artistas do Nordeste, os sanfoneiros, os forrozeiros propriamente ditos, nunca vieram trabalhar na Europa. Não é um gênero como o samba carioca, que é conhecido, a bossa nova, a MPB, que ficou conhecida na Europa.
O forró veio fragmentariamente, mas nunca através de discos, de uma turnê ou de uma presença mais forte junto ao público. Sou aprendiz de forrozeiro. Desde menino eu gosto do forró. Sempre separei certo espaço no meu trabalho para dedicar exclusivamente a isso. Fiz alguns discos ligados ao forró e decidi me tornar um divulgador desse gênero fora do Brasil, especialmente na Europa.
Uma das razões é que esse gênero tem muitos elementos europeus, de fácil identificação. Há traços tiroleses, célticos, escoceses e irlandeses nessa música. O público europeu, de certa forma, guarda elementos da sua tradição, do seu passado rural. Ele pode rapidamente se identificar com os elementos do forró.

É a música da infância, a primeira música, que deixou resíduos muito fortes na minha alma. E, ao mesmo tempo, é uma música que não se esgotou lá atrás. Poderia ter ficado na lembrança, esgotado no tempo. Mas não é assim, o forró permaneceu muito forte no país inteiro. Ele se desdobrou, influenciando a música sertaneja, mesmo a música pop, e artistas como Alceu Valença, Elba Ramalho, José Ramalho, Lenine e mesmo Caetano Veloso e Carlinhos Brown. É uma música que permanece muito forte na vida cultural e musical brasileira. E, no meu caso, ela vem de berço. E continuo aprendendo com o rei do baião, Luiz Gonzaga, e sou, antes de tudo, um artista do forró. Depois vem o resto.

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Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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