A nova velha Estação Ferroviária

Acabo de passar em frente à nossa tão querida, judiada e abandonada por anos, e agora quase totalmente recuperada, Estação Ferroviária de Joinville. Construída há 100 anos para apoiar o desenvolvimento da Joinville do início do século 20, ela gestou muitos sonhos, embarcou e desembarcou muitos trabalhadores e trabalhadoras que iam e vinham, todos em busca de uma vida melhor.

Ao longo do tempo, com a aposta nas ferrovias como indutor da economia, ela marcou época. Mas com a decisão do governo brasileiro nas décadas de 1950 em diante de investir no automóvel, nas rodovias, aos poucos ela foi sendo abandonada. Os passageiros foram escasseando. Até que no governo FHC – aquele das privatizações de tudo que era nosso – as linhas ferroviárias foram entregues à iniciativa privada. Os trilhos hoje só levam soja, trigo, milho, entre outras commodities. As pessoas ficaram com seus carros e carrões. E a Estação Ferroviária ficou só, tão só que virou apenas ícone e cartão postal.

Vários governantes acreditaram que a Estação Ferroviária ficaria sempre nova, assim como nos postais. Ocorre que isso não foi possível (!!), e os anos a deterioraram. A estação de cargas foi restaurada parcialmente em 2000, para também logo após, ficar esquecida. A partir de 2001, muitos foram eleitos com as promessas de recuperação, mas só agora parece que a velha nova ou nova velha Estação vai voltar à vida. Que beleza!

Esperamos todos que a partir desta reforma, o espaço seja devidamente ocupado, preservado e integrado à comunidade. Sem isso, logo voltará ao esquecimento. É preciso que tudo ali seja tomado de vida, e isso só será possível com uma gestão voltada ao público. Sem politicagens. Sem estrelismos. A cidade vai cobrar essa ação a partir da inauguração que está marcada para fins de abril ou início de maio.

Um viva à restauração da Estação Ferroviária de Joinville.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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