Obrigado Boechat!

A estúpida morte do maior nome do jornalismo brasileiro, e porque não dizer um dos maiores do mundo, Ricardo Boecht, 66 anos, em uma queda do helicóptero que o levava de Campinas para São Paulo ontem (11/2), enche o jornalismo e toda a sociedade de luto.

Boechat foi um daqueles profissionais que orgulha a quem faz do jornalismo o seu sacerdócio. De forma ímpar, crítico ácido e mordaz dos políticos, empresas, empresários que burlam a lei e se escondem atrás de imunidades, poder econômico e intimidações, ele foi meu mestre no jeito de buscar fazer jornalismo sério, com humor, e com alto grau de profissionalismo. Minha inspiração para fazer jornalismo como faço, que não chega sequer perto do que o mestre fazia, veio dele.

A perda da voz número do bom jornalismo brasileiro faz pensar, e agitar sobre o nosso meio: tá na hora de sacudir a poeira e fazer um jornalismo como manda o figurino, com a imparcialidade, a objetividade, o compromisso com o leitor, a sociedade, e não com os poderosos, os esquemas, o poder econômico e os interesses inconfessáveis que mancham e quase enterram também o jornalismo.

Ricardo Boechat nos deixa órfãos, mas ao mesmo tempo nos incita ao movimento de recuperação do bom jornalismo opinativo, informativo, que critica com acidez, sem perder a ternura. Que vai em busca da verdade, do furo jornalístico sem atacar os princípios básicos da apuração sem cessar, do cuidado com o manejo das fontes e informações, com o desejo de iluminar o que não se quer iluminado.

Gratidão mestre, você se foi de forma tão trágica e inesperada que causa espanto, assim como os fatos nos surpreendem no exercício da profissão. Que o Criador conforte a sua família, seus filhos, seus fãs como eu, e que de onde estiver, continue a nos enviar lucidez e os bons caminhos para o nosso trabalho de informar.

Com a Palavra, Salvador Neto – Edição #1 – Eu candidato

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O jornalista Salvador Neto foi direto à fonte, como sempre fez, ouvir o cidadão para compreender a realidade e fazer melhor.

Estamos de volta ao que mais gosto de fazer: jornalismo, comunicação, opinião, informação. Após pouco mais de três meses inativo pelas bandas do Palavra Livre por conta de minha participação nas eleições municipais em minha cidade natal, Joinville (SC), como candidato a vereador, é hora de voltar a cuidar do nosso jardim. E nada melhor que falar rapidamente desta experiência única, o exercício pleno da cidadania.

Como jornalista, até 2011 assessorando políticos e desde então fora “do lado de dentro” da política – exceto por 60 dias na campanha municipal de 2012 – sou um crítico ferrenho dos maus hábitos da classe política brasileira. Em minha cidade, muito mais ainda. Até então havia feito de tudo em campanhas eleitorais, desde caminhar nas ruas, panfletar, visitar, passando por planejamento, organização, tesouraria, comunicação, mas jamais tinha sequer aventado ser um dia candidato.

Ao ver o descalabro da atual gestão do PMDB em Joinville, quase um caso de falência total da gestão pública e também do nascimento de um jeito fascista de governar, perseguindo desafetos políticos, resolvi então colocar meu nome à disposição da minha cidade. Queria vivenciar o “ser” candidato. Aproveitei a tal reforma política que poderia reduzir o poder econômico nas campanhas para esta aventura da cidadania. Desde janeiro deste ano, portanto, foquei na campanha.

Vivenciar a campanha como candidato aproximou ainda mais o jornalista da sociedade
Vivenciar a campanha como candidato aproximou ainda mais o jornalista da sociedade

Planejei o roteiro, e o executei na íntegra. Desde ouvir sem parar, sem descanso, aos eleitores e amigos, consultando sobre partidos, propostas, ideias, até a busca do apoio financeiro dos amigos (!?), do apoio das redes de participação social das quais faço parte, me aconselhando com todos os experts. Após nove meses, nasceu a verdade: nada mudou.

O dinheiro continua a mandar na politica. Elege-se quem tem muito dinheiro (quente ou frio fica ao encargo da “ágil e cega” Justiça Eleitoral, já ocupando cargos durante anos, e claro, com grande presença em associações, igrejas, bairros, comunidades. O povo continua o mesmo: quer algo em troca do voto, e não é serviços prestados apenas não.

Mas, ao final da jornada posso dizer que vim, vi e venci. Combati o bom combate, conquistei 514 votos fiéis à minha biografia, ideias, propostas e campanha limpa. Sou e serei sempre grato a quem me acolheu em suas casas, me apoiou voluntariamente no dia a dia – e foram muitas pessoas amigas, e a maioria novos amigos – e a todos que mesmo não votando neste jornalista opinador, torceram por minha vitória. Seria realmente algo novo vencer somente com base na rede de amigos, sem grana. Mas a sociedade ainda não quer assim.

Agora volto com energias renovadas para fazer um Palavra Livre ainda mais forte, mais presente, mais comunitário, polêmico, duro, tudo em favor da sociedade. Vamos trazer em breve novidades que deixarão nossos leitores ainda mais felizes com o conteúdo, o papel jornalístico e a postura do nosso Blog.

Por isso ele ainda está aqui após oito anos de sua fundação e lançamento. Porque não tem compromissos com os endinheirados, nem poderosos. Tem compromisso com você, leitor e leitora. E assim seguiremos cada vez mais presentes e fortes!

Por Salvador Neto, jornalista, escritor, editor do Blog Palavra Livre

Artigo: Tempos difíceis, hora de seguir com firmeza e cautela, por José Alvaro Cardoso do Dieese/SC

José Alvaro Cardoso é economista e  técnico do Dieese/SC
José Alvaro Cardoso é economista e técnico do Dieese/SC

Segue o processo de polarização política no país, como uma espécie de terceiro turno. Circulam na internet, por exemplo, mensagens com o título de “O Fim do Brasil”, defendendo a tese de que o Brasil vai quebrar nos próximos meses, que o desemprego vai aumentar, que o país não conseguirá cumprir seus compromissos externos, etc.Há um verdadeiro massacre informativo envolvendo a corrupção na Petrobras, dando a nítida impressão aos incautos de que a empresa é um antro de ineficiência e corrupção.

A escolha de Joaquim Levy para a economia, por outro lado, tornou o governo refém do êxito ou fracasso da política ortodoxa. O preço será alto em qualquer hipótese: se fracassa o ministro, fracassa o governo; se o ministro tiver êxito na sua política de ajuste, isto pode levar a um distanciamento do governo da sua principal base social, que lhe ofereceu quatro mandatos seguidos.

A questão é ainda mais complexa. Mesmo que o programa de Levy seja exitoso, isto é, reduza o nível inflacionário, atinja a meta fiscal e melhore o desempenho da balança comercial (que acumula déficit superior a US$ 6 bilhões no primeiro bimestre do ano), não há nenhuma garantia de que o Brasil ingressará num novo ciclo de crescimento.É que a crise mundial continua extremamente grave, apesar da melhor performance da economia norte americana. Mesmo que a elevação dos juros e o corte de gastos públicos signifique redução do poder de compra dos salários (o que inclusive pode abrir um flanco de conflito com os trabalhadores, agravando ainda mais a crise política), não será nada fácil para o país reverter a crise da indústria e as dificuldades na balança comercial. O ambiente externo é muito difícil, a crise já se prolonga por seis anos e o encolhimento dos mercados provocou uma espécie de guerra cambial de todos contra todos.

Em outra frente de batalha, o massacre contra a Petrobras continua ensandecido. Usando como pretexto os R$ 400 milhões desviados da empresa pelos ladrões confessos (valor comprovado, as especulações estimam que possa ultrapassar R$ 2 bilhões), o objetivo dos golpistas em geral com a campanha contra a Petrobras são os trilhões de reais depositados no pré-sal, (que podem alcançar R$ 20 trilhões).A campanha pelo impeachment da Presidente da República se inscreve neste contexto. Imprensa, incautos, traidores, entreguistas e outros falam em Petrobras “destruída”. No entanto a empresa:

● Bateu o recorde de produção em dezembro com 2,17 milhões de barris de petróleo por dia. O sexto recorde anual seguido.
● No mês passado recebeu o OTC-2015, o Distinguished Achievement Award for Companies, Organizations and Institutions, “o mais importante para operadoras off-shore”.  O prêmio foi em reconhecimento ao “conjunto de tecnologias desenvolvidas para a produção na camada pré-sal”.  O OTC – Offshore Technology Conferences, é o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos
● É a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 – mais de 10 bilhões de dólares (a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período)
● Ultrapassou, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte – americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto
● Tem faturamento de 305 bilhões de reais em 2013
● Investe mais de 100 bilhões de reais por ano
●Opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo
● O pré-sal com apenas 47 poços operando (isso é quase nada serão centenas), produz, entre petróleo e gás, 815,8 mil barris de óleo equivalente por dia, um aumento de 93% de um ano atrás.
● Sozinha é responsável por mais de 10% de todo o investimento brasileiro neste ano. A empresa é responsável pelo maior plano de investimento em curso no século XXI, feito por uma única corporação: algo em torno de U$ 200 bilhões de dólares serão aplicados pela estatal em exploração e produção, entre 2014 e 2018.
Por todos os ângulos que se olhe, nenhuma empresa tem números sequer comparáveis aos da Petrobras. Obviamente ela está sendo atacada não pelos seus defeitos, mas pelas suas virtudes e por significar um obstáculo fundamental na cobiça das multinacionais petrolíferas pela riqueza contida no pré-sal. Quem deseja destruir a empresa tem hoje três alvos principais:1) acabar com as políticas de conteúdo nacional da Petrobras;
2) extinguir oregime de partilha no pré-sal;
3) abolir a exclusividade da exploração do pré-sal pela Petrobras. Brasileiros e trabalhadores temos a obrigação de sermos críticos e apontar implacavelmente os erros dos governos. Mas não temos o direito de ser ingênuos.

José Álvaro de Lima Cardoso, é economista e técnico do DIEESE em Santa Catarina

Opinião: Ou mudamos, ou seremos mudados – Por Salvador Neto

Como a correria é grande no dia a dia, às vezes não consigo escrever em todos as mídias nas quais tenho participação. Por isso desta vez replico aqui o texto que publiquei hoje no Chuva Ácida (www.chuvaacida.info), aliás, onde escrevo de 15 em 15 dias todas as sextas-feiras. Proponho aos amigos do Palavra Livre a leitura, reflexão, e espero as críticas, compartilhamentos e curtidas, valeu? Aí vai:

“Você já conhece esta frase. Já ouviu em algum lugar. Nos últimos dias cansou de ver políticos a repeti-la como mantra. E cá está este jornalista a utilizar a frase novamente, que saco!

Ulysses Guimarães, famoso político brasileiro que sumiu do mapa sem que o tenham encontrado até hoje, tem um livro publicado com este título (1991). Talvez ele não tenha mudado, e alguém o mudou por conta e risco em um acidente aéreo em 1992. Políticos costumam utilizar tais frases de efeito para seduzir o eleitor. Fazer com que pensemos que a mudança que eles bradam é a mesma que nós queremos e desejamos. Pura ilusão nossa.

Vejamos a eleição municipal de 2012 em Joinville (SC). A mudança para algo diferente, novo, era o mote. Mas os candidatos, os mesmos de sempre. O atual Prefeito se elegeu com o discurso da gestão, da qual ele era o grande conhecedor. Pura quimera. Ele também já era figura conhecidíssima, nãos dos pleitos eleitorais, mas de bastidores. Para não deixar no poder quem nunca quiseram, o uso da “mudança” foi maciço. Deu certo. Mudamos? Que nada, fomos mudados para votar no que a elite local desejava. Olhem a cidade e a gestão… paramos ou até regredimos.

Mais um case? Vamos para algo novo, a eleição das mesas diretoras do Senado e Câmara dos Deputados. Notem que fomos nós, brasileiros, que elegemos e reelegemos os ocupantes daquelas confortáveis cadeiras, gabinetes com altos privilégios. No Senado, o ex-governador catarinense Luiz Henrique, ex-pupilo de Ulysses, utilizou a frase famosa do seu eterno líder ao tentar apear Renan Calheiros da presidência. O que mudaria? Apenas os nomes, pois a prática é a mesma, afinal, ambos e grande parte daquela casa não muda faz tempo. Lá estão a manipular os destinos da nação em nome dos Estados.

Eduardo Cunha, veterano na Câmara dos Deputados, também fez uso da máxima ao propor a independência daquele poder. Derrotou o candidato de Dilma, o candidato de Aécio e PSDB, com sobras. Agora manda prá valer, e é o terceiro na linha sucessória do país. Mudou alguma coisa cara pálida? Alguma prática vai mudar? Os grandes temas nacionais que sonhamos ver valendo serão efetivamente votados? Ou mudamos, ou seremos mudados. Pois é. Eles continuam mudando tudo para nada mudar, e nós apenas a observar.

O Congresso Nacional saiu muito mais conservador das últimas eleições. A mudança para a qual milhões foram às ruas em 2013 vai ficar para mais alguns anos à frente. Duvidam? A não ser que ocorram terremotos nas ruas, anotem: serão enterradas a união civil de pessoas do mesmo sexo, a regulação da mídia eletrônica, o imposto sobre fortunas, a reforma política com financiamento público de campanhas, e qualquer outro projeto progressista. E que se cuidem os trabalhadores e trabalhadoras, pois ficarão mais 20 anos nas gavetas do Congresso temas como a redução da jornada de trabalho. E direitos trabalhistas, estes sim, poderão ser “flexibilizados”.

Ulysses Guimarães tem mais uma frase importante que compartilho aqui. “Quando as elites políticas pensam apenas na sobrevivência do poder oligárquico, colocam em risco a soberania nacional. A governabilidade está no social. A fome, a miséria, a ignorância, a doença inassistida são ingovernáveis. O estado de direito, consectário da igualdade, não pode conviver com o estado de miséria. Mais miserável do que os miseráveis é a sociedade que não acaba com a miséria.”

Ainda não superamos a miséria e as desigualdades sociais, e continuamos a nos superar na miséria intelectual, e na participação política. Os movimentos sociais estão preguiçosos, longe das lutas e das ruas. Não entenderam o seu papel nos governos petistas, e estão inertes. Não reagem, perdem a luta midiática. Os partidos são meros balcões de negócios. E assim perdemos todos.

Olhem para os cenários políticos em todos os níveis. Vejam o que temos como lideranças para escolher nos próximos pleitos. Queremos que algo mude, de fato? Se sim, mudemos nossa ação, analisando e participando ativamente. Se não, deixemos que nos mudem para o último lugar na história.

* Salvador Neto é editor do Blog Palavra Livre, escreve para o site Chuva Ácida nas sextas-feiras quinzenalmente, é jornalista e consultor em comunicação.

Agora também no Chuva Ácida

Bom amigos e amigas, do Palavra Livre, cá estamos de volta à labuta do jornalismo, do pluralismo das ideias, da informação de interesse público, após breve descanso. É sempre um prazer manter o Palavra Livre ativo, por ser mais uma janela isenta na área da comunicação e imprensa verdadeiramente livres.

De novidades para o início de 2015, informo que o Palavra Livre continuará firme, mantido às custas da vontade do editor e alguns abnegados que gostam do que aqui se publica. Como viram no lamentável assassinato de cartunistas franceses do Charlie Hebdo dia 7 de janeiro passado, não é fácil estar na trincheira do jornalismo e da imprensa.

Teremos mais literatura, mais cultura, e mais opinião durante este ano, que promete muito! É preciso motivar as pessoas a participarem de mídias independentes para que possam ter uma leitura maior e mais ampla do que realmente acontece em sua aldeia e na aldeia global que é nosso mundo, tão diferente, tão complexo. Assim também é a informação, altamente complexa, pois se constitui de fatos e versões advindas de muitos pontos de vista, de milhares ou milhões de angulos diferentes.

Outra novidade é que além de escrever e editar neste Palavra Livre, vocês poderão ler minhas opiniões e pontos de vista em outro veículo também independente, e pra lá de ácido: o Chuva Ácida – www.chuvaacida.info. A convite do colega José António Baço, estarei a cada 15 dias escrevendo nas sextas-feiras, o que é uma honra e oportunidade que agradeço muito.

Estreei hoje com o artigo “12 mortos pela liberdade”, onde abordo esse trágico, violento, tirânico assassinato dos jornalistas e cartunistas franceses, olhando um pouco mais além do fato e de algumas versões.  O que você lerá lá, não lerá aqui. O esforço opinativo deve valorizar os espaços, e isso é importante para a liberdade de expressão. Para ler clique aqui.

Finalizando, quero agradecer o apoio que recebo sempre dos leitores e apoiadores deste trabalho em favor da sociedade. E fazer um convite à participação de todos com artigos, opiniões, críticas, sugestões, charges (perigoso!), poesias, crônicas, enfim, toda a forma de expressão que nos leve a um mundo melhor, mais humano e justo.

Obrigado, Feliz 2015 a todos e todas!

Salvador Neto
Editor

Dilma conquista uma vitória maiúscula, a maior da história política do país

Ela aguentou e venceu a tortura nos anos de chumbo que o Brasil ainda tenta esquecer. Assumiu cargos importantes na gestão pública na área de energia, e venceu todos os obstáculos.

Com sua participação política, ajudou Lula a vencer em 2002 e foi sua ministra de Minas e Energia, depois da Casa Civil. A “Coração Valente” teve mais uma pedra no caminho: o câncer. Encarou, e também venceu.

Escolhida por Lula para ser sua candidata à Presidente em 2010, ela venceu o conservador tucano José Serra, ex-ministro, ex-prefeito e governador de SP.

Diante de ataques sistemáticos da oposição, gente que viveu por longos anos das benesses do período da ditadura militar e que hoje se abrigam em partidos tidos como defensores da democracia, e também da grande mídia que desde sempre defende candidatos do capital financeiro internacional, Dilma Rousseff acaba de protagonizar a maior vitória eleitoral e política da história contemporânea brasileira. Não há, na história recente do Brasil, alguém que tenha derrotado tantos de uma só vez.

Ela derrotou no primeiro turno a candidata Marina Silva, ex-PT, ex-PV, ex-Sustentabilidade, e possivelmente ex-PSB. Derrotou também os candidatos ultraconservadores Pastor Everaldo, Levi Fidelix, Eymael.

Derrotou Eduardo Jorge do PV. Derrotou Luciana Genro, ex-PT e da extrema esquerda do Psol. Derrotou também o tucano Aécio Neves, que superou Marina na corrida para estar no segundo turno.

Dilma, apesar dos resultados excepcionais do seu governo e do antecessor, Lula, não conseguiu ganhar em primeiro turno porque a grande mídia apoiou o discurso oposicionista de corrupção na Petrobras. A última tacada foi a “reportagem” da revista Veja, que inclusive antecipou sua circulação, tudo para tentar derrotar a candidatura petista.

A Presidenta entrou no segundo turno em desvantagem política e numérica nas pesquisas. Exceto Luciana Genro, todos os demais candidatos, Marina Silva, Pastor Everaldo, Eduardo Jorge, Levi Fidelix, Eymael abraçaram a candidatura tucana de Aécio Neves.

As pesquisas a colocaram em segundo lugar, a poucos pontos de Aécio, mas atrás na corrida pelo Planalto. Dilma não esmoreceu diante do franco golpe midiático que passou a sofrer com as criminosas publicações de boatos e vazamentos de possíveis depoimentos de delatores no caso Petrobras.

Além desses nomes todos, Dilma venceu toda a tucanada reunida, as aves mais emplumadas do PSDB que são FHC, Geraldo Alckmin e José Serra que, eleitos, caíram de cabeça na campanha de Aécio.

Dilma enfrentou todos esses entraves, e a maior bagagem política e de retórica de Aécio Neves. Muito técnica, com estilo eminentemente gerencial, ela se superou também neste quesito, buscando ao máximo melhorar. E indiscutivelmente venceu a todos, como nunca antes em outras eleições do país após a democratização.

O ódio e a raiva disseminados durante esta campanha eleitoral, a intolerância que chegou ao limite da decência, tendo até resvalado para atos de vandalismo, devem encerrar agora, porque a vitória de Dilma é inconteste. Cabe agora à oposição ter a grandeza de se reinventar, e de se colocar como a população a colocou: como fiscalizadora do governo federal.

A todos os brasileiros e brasileiras, cabe o compromisso de cobrar de Dilma as propostas e promessas da campanha eleitoral, fiscalizando e acompanhando a ação do Governo. E desejar a ela, a primeira mulher a ser eleita, e agora reeleita, Presidenta da República, muito sucesso.

Porque da ação positiva e competente do seu novo governo dependerá também o sucesso do Brasil. Que ela possa encampar definitivamente a transformação do país, para valer, com a reforma política que acabe com a orgia política atual, institua eleições gerais de seis em seis anos, fim das coligações, financiamento público, voto distrital.

Que ela regulamente imediatamente o capitulo das comunicações no país, acabando com a farra de poucas famílias com concessões de TV e rádio país afora, democratizando o segmento para que todos possam saber mais sobre suas culturas e noticias, e não só o que os poderosos querem, e também que amplie exponencialmente a entrada de jovens nas universidades, faculdades, cursos técnicos, investindo muito na educação em todos os níveis, e também na cultura.

Assim, teremos um dia um país em paz, sem violência, e sem as ainda persistentes desigualdades sociais que há séculos perduram. Parabéns Dilma Rousseff, coração valente, a maior vencedora da história política do Brasil. E viva a nossa democracia e a liberdade!

Opinião – Eleição Presidencial 2014: Deixemos de hipocrisia!

Corrupção é o ato ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem em negociata onde se favorece uma pessoa e se prejudica outra. É tirar vantagem do poder atribuído.

“Corrupção” vem do latim corruptus, que significa “quebrado em pedaços”. O verbo “corromper” significa “tornar-se podre”. Estamos aqui falando de algo extremamente humano, o ato de corromper, a intenção e vontade de se corromper, existente em nossa vida desde que o mundo é mundo.

Nesta eleição presidencial a oposição colocou na pauta, como aríete, como sua arma maior o tema corrupção. Aécio Neves aposta tudo no carimbo idealizado para marcar a testa de Dilma Rousseff como, no mínimo, suscetível à corrupção.

Ocorre que a corrupção é como um câncer, uma metástase que acomete o tecido social, as células que formam nosso corpo Brasil, e como tal, é de difícil diagnóstico, tratamento e solução que não agrida nosso organismo. Por vezes não há como vencer tal doença, porque não a percebemos antes. E esse câncer nos vence.

Digo isso porque chegamos ao século 21 com bases muito baixas na discussão do futuro do país. Pautar um debate que envolve o coletivo apenas em corrupção é apostar também que somos todos anencefálicos, ou no mínimo, não pensamos e sequer percebemos onde vivemos, o que vivemos e, principalmente, como vivemos.

Como já disse, a corrupção é como um câncer que se espalha rapidamente sem hora marcada. E ele está presente em nosso organismo social. Isso é inegável. Não defendo a corrupção, quero é ver o país olhando a outros horizontes, mais produtivos.

Se há corrupção, é claro que existem corruptores, e aí, corrompidos. Porque as causas da corrupção jamais são debeladas? Por que o poder está em 50% mais um nas mãos dos corruptores, gente endinheirada e gananciosa por mais fonte de dinheiro.

De outro lado, os corruptos, gente que por obra do destino, ou das mãos de gente – quem não conhece o ditado, jabuti em árvore, ou foi enchente, ou mão de gente – está em posições estratégicas do Estado (Governo Federal, Estadual, Prefeituras, Judiciário, Legislativos), ou até em empresas, porque não?

Proponho este debate por entender que pautar o tema corrupção a cada eleição é criar cortina de fumaça, é jogar o foco do debate para um lado nebuloso, ardiloso, uma terra movediça em que o eleitor, sempre ele, tem de decidir entre o mais ou o menos corrupto.

E vamos respeitar a nossa inteligência leitores: nem sempre há corruptos de lado a lado, nem do lado dos candidatos, tampouco dos eleitores. Mas todos, sim, todos, podem ter abraçado a corrupção em algum momento da vida. A depender do ponto de vista, não se enxerga corrupção, não é mesmo?

Pedir um jeitinho, furar a fila no transito, nos postos de saúde, não parar na faixa para pedestres, estacionar em lugar de idosos, cadeirantes, colar na prova, enganar a esposa ou esposo com outro ou outra, é muito diferente de pedir, ou dar, 10 ou 15% de uma licitação ou concorrência pública? É diferente de fazer obras próximas a propriedades de amigos para valorizar terras?

Não, claro que não! Nós fazemos de conta que ao não terem os mesmos valores ($$) os delitos, a corrupção, ela não existe! Isso se chama hipocrisia, um falsear da realidade de acordo com o nosso desejo. Precisamos definitivamente fugir disso, e ter a superior decisão de compreender, e vigiar, para que não caiamos na mesma armadilha: o câncer da corrupção.

Quando os candidatos Aécio e Dilma entram na discussão “projetos de país”, aí sim vejo um caminho lúcido para que o eleitor possa avaliar os futuros rumos.

Analisar o que cada grupo representa, de onde vem, o que já fez. Com base em projetos deste nível que mostre quem defende o quê, fica muito mais interessante e altivo o debate. Afinal, temos de saber se A ou B defendem o capital especulativo ou desenvolvimentista. Se apoiam a igualdade social ou a separação entre quem tem mais ou menos, prega o mesmo credo ou não, se creem que é preciso apoiar quem tem menos para que encontrem um caminho ou se o Estado deve servir apenas ao mercado e capital.

Podemos ter mais claro qual projeto defende que todos têm os mesmos direitos, ou que, por exemplo, gays não tem o direito de constituir família, casar. Podemos ver quem é mais conservador, mais liberal. Enfim, quando o debate vai para algo mais concreto, visível, o eleitor, o povo que costuma não querer saber de política, se interessa sim, e com isso ganha a democracia, a cidadania, e todo o país.

O Brasil tem de crescer, e não regredir a cada eleição. Nestas de 2014 o que se viu, e se vê ainda no segundo turno presidencial e em alguns estados, é o atraso intelectual, político e de propostas.

Causas importantes como o meio ambiente, a inclusão social de pessoas antes abandonadas e sem futuro, os direitos dos GLBTs ao casamento e constituição de família, a busca por novas fontes de energia para sustentar a vida em sociedade – vejam a falta de água em SP, caso gravíssimo de falta de planejamento e sustentabilidade –, o investimento maciço em educação para a vida, e para a vida profissional, a moradia, o saneamento, e até a segurança, algo que só se resolverá com a diminuição das desigualdades sociais, e não com mais polícia e repressão.

Esses são os temas que devem estar na agenda nacional, das lideranças politicas, partidárias, empresariais, sociais, religiosas, movimentos sociais.

Mas não. O que se vê é o empobrecimento do debate, o não ataque às fontes da corrupção como uma ampla reforma politica que acabe com a farra de partidinhos de aluguel, eleições gerais de seis em seis anos, fim de coligações, financiamento público de campanha, voto distrital puro o misto, democratização da comunicação acabando com oligopólios midiáticos que colocam todo o seu peso para negociar (ou seria corromper?) com grupos políticos e do capital, em desfavor da sociedade. Esse empobrecimento interessa ao status quo.

Se queremos uma sociedade mais justa, com menos corrupção (acabar é impossível, seria como acabar com a humanidade…), mais desenvolvida intelectual e socialmente falando, precisamos elevar o debate.

Precisamos de novas lideranças que tenham os corações cheios de olhar social, de paz, voltados ao desenvolvimento humano, e não do crescimento puramente econômico, que por si só é excludente.

Essas lideranças, que hoje não tem espaço nos partidos tradicionais, mas estão envolvidas em empreendimentos sociais de fato, não de fachada, estão com muita energia para doar à sociedade. Se parte deles estiverem na politica em um novo momento, teremos chance de ver algo novo, uma sociedade melhor nascendo.

Por isso, ao se dirigir às urnas no próximo domingo, dia 26 de outubro, vá com a missão de escolher seu candidato para um país voltado à cultura da paz, socialmente mais justo e solidário.

Vá votar sem os cabrestos que partidos, líderes partidários, televisões e jornais, impõem no dia a dia. Faça a sua escolha após refletir muito sobre o que já viveu, o que já viu. Para quem já viveu tempos amargos e duros, isso é ainda mais importante. Os mais jovens, busquem informações em todos os lugares, comparando tudo para decidir.

Votar, em que pese milhões entenderem ser uma bobagem a ponto de anular votos, ou votar em branco, ou ainda pior, não votar, é um exercício de inteligência, de amor ao convívio em sociedade.

Vamos deixar de hipocrisia. Vamos pensar. Vamos analisar. Comparar. Perceber. Se envolver. E votar conscientemente pelo melhor candidato ou candidata. Mas não para por aí não. Depois é acompanhar a todos de perto, cobrar, fiscalizar. Depois, participe de algum projeto social, vá viver a experiência de se doar ao coletivo. Exercer a cidadania é isso. O resto é ignorância e pura hipocrisia e palavras ao vento! Bom voto a todos e todas!

* Escrito por Salvador Neto, jornalista e editor do Palavra Livre

Opinião: Aumento de salários no STF é uma afronta à inteligência brasileira

Esse aumento salarial que o STF deseja, ainda com um adicional de 5% a cada cinco anos de serviço, é uma afronta a inteligência média brasileira! Aproveitando a fumaça eleitoral, o lodaçal de toda campanha eleitoral onde todo mundo se suja, com todo o jeitinho tentam passar tal absurdo!

É um desrespeito a um povo que luta todos os dias por mais dignidade, melhores salários e condições de trabalho, com um salário mínimo ridículo, e os magistrados puxam a fila do trem do aumento… lamentável, para dizer pouco!

Este país não muda porque há setores, castas, encastelados em postos chave da República, que jamais concederão espaço para a verdadeira emancipação dos brasileiros. Essa é a verdade.

Se desejam mesmo o sucesso do país em momento de crise, porque não há o sacrifício que todos os homens e mulheres comuns se expõem todos os dias na labuta diária por parcos salários?

Deveria partir dessa elite judiciária o primeiro passo em direção a igualdade social, retirando esse vergonhoso pedido de aumento salarial para apenas R$ 36 mil… que peninha deles…

E com o adicionalzinho, chegarão a poucos R$ 40 mil, vejam só, sem contar as vantagens dos cargos… Não são só os políticos os responsáveis por um país que não consegue avançar, há também o judiciário, legislativos, executivos, mas tudo começa lá de cima…

Seria honroso, e todos os brasileiros tirariam o chapeú aos ministros do STF, se retirassem tal pedido por tempo indeterminado. Assim, mais uma sangria vergonhosa aos cofres públicos, e aos nossos bolsos por consequência, seria detida, para o bem do Brasil!

Será que eles topam? E você brasileiro e brasileira, o que pensa disso? O que fará para denunciar e tentar evitar tamanha desfaçatez?

* escrito por Salvador Neto, editor do Palavra Livre, jornalista.

Opinião Eleições 2014: Votar é decidir o futuro com responsabilidade

Nesta eleição presidencial, acredito, o que está em jogo de fato é o projeto de país que queremos. Há caminhos estratégicos para que o Brasil não só amplie seu crescimento econômico, mas também aumente o seu desenvolvimento. Duas coisas diferentes.

Temos de decidir o voto com base nos projetos que cada um dos candidatos representa.

Temos de olhar com muita atenção ao que, e a quem, cada um deles está ligado. Bancos? Banqueiros? Latifundiários? Financistas? Capital estrangeiro?

Temos de tentar perceber o que se esconde por trás de cada discurso, de cada imagem produzida por marqueteiros, qual a “verdade” ou a “mentira” existente.

Temos de avaliar o que já fomos, pelo que passamos, para compreender o que vivemos, e a partir daí, o que desejamos ser. Ou continuar a ser. Ou voltar a ser.

Temos, enfim, que descartar os megafatos, as espetacularizações midiáticas, e se debruçar sobre os projetos de país que cada um dos candidatos representa.

Nada de voto de mudar por mudar. Nada de voto de continuidade por continuar. Nada de voto inconsequente que pode nos jogar nas mãos de quem não queremos, pessoas que podem vender nossa independência, soberania, e também riquezas (por que não? Já fizeram isso, lembram?).

Atenção agora, para não chorarmos depois, e ter de esperar longos quatro anos para tentar achar um novo projeto.

Escrito por Salvador Neto, editor.

Opinião: A quem interessa o clima de terror?

Manipular as massas sempre é perigoso para a democracia
Manipular as massas sempre é perigoso para a democracia

Temos visto nas últimas semanas nas grandes redes televisivas, e por efeito cascata, com um pouco de falta de pauta e também interesses nos efeitos, uma tentativa de criação de um estado de terror. Barbárie nas ruas com pessoas justiçando pelas próprias mãos. Manifestantes matando pessoas com rojões. Venezuela em estado de sítio porque o governo é ditador e manipulador da imprensa, e com isso o Brasil pode virar também uma ditadura de “esquerda”. E a Globo “inticando” militares com a reabertura do caso Riocentro que aconteceu em 1981.

Uso óculos, e talvez pela miopia, não consiga enxergar esse monstro bolivariano que vai engolir o nosso país porque a Dilma declara apoio a um governo constitucionalmente eleito. É possível que não veja o quanto é nocivo o aumento da violência pelas próprias mãos, o que poderia descambar para uma guerra civil. E claro, também meus olhos não consigam distinguir os manifestantes por um país mais justo dos que tentam atear fogo às instituições do país. Creio que não são meus olhos que não veem. Alguém quer que eu, e mais alguns milhões, vejam o que eles querem que vejamos.

Não esqueçamos que estamos em pleno ano eleitoral. Da Presidência da República, passando pela formação de um novo Congresso Nacional com eleições de deputados e senadores, até chegar às Assembleias Legislativas e Governos estaduais, o que está em jogo é o poder. É o comando do maior país da América do Sul, um dos emergentes na economia mundial, da quinta economia do mundo. A luta política entre grupos ideológicos mais afinados com aqui e acolá vai se ampliar exponencialmente agora. E há um lado que conta com o apoio da grande mídia, buscando “midiatizar” qualquer fato para aumentar sensivelmente o sentido da população em relação ao fato em si.

Esse filme já passou em 1954 com Getúlio Vargas, que como conta a história, se suicidou. Em seguida os interesses se voltaram contra JK. Não deu certo na primeira vez, mas quando ele se preparava para voltar em 1965, criaram as condições de terror (comunismo, comem criancinhas, vão tomar as terras dos trabalhadores, etc) em 1964 contra Jango e o golpe durou mais de 20 anos, e espalha seus resquícios até hoje. O clima de terror, de medo, de conflagração contra alguém ou algum projeto, só interessa a quem deseja a volta de estados de sítio, ditaduras, repressão, censura, fim das liberdades.

A mim e a milhões, o retorno à ditadura, o tempo do medo, não interessam. Mortes por justiçamentos, movimentos democráticos de ser ouvidos, e tantos outros fatos, acontecem todos os dias desde que o mundo é mundo. Somos feras que foram adestradas, educadas, na busca por viver em paz. Mas há quem não queira, e busque sempre manipular as massas com os poderosos meios de que dispõe, inclusive a mídia tradicional. E isso tanto da oposição quanto de quem está no governo. Mas, cá para nós, a coisa não está tão ruim assim. Mandem para outro lugar essa tentativa de clima do medo. Tratem de manter a paz, e buscar ganhar o poder como manda o jogo democrático. No voto.

Por Salvador Neto, editor do Palavra Livre