Juristas nazistas se infiltraram no sistema para evitar julgamentos de colegas

palavralivre-infiltrados-judiciario-alemao-nazistasAo fim da Segunda Guerra Mundial, houve uma grande migração de juízes e membros do Judiciário nazista para a República Federal da Alemanha, fundada em 1949.

Essa transição foi feita pelas brechas do sistema e, dessa forma, magistrados que cooperavam e se identificam com os ideais de Adolf Hitler evitaram o julgamento de seus colegas de partido. Esses fatos foram investigados por um grupo de historiadores independentes da Alemanha, que analisou durante quatro anos os arquivos do Ministério da Justiça alemão.

O projeto de pesquisa nasceu em 2012 por iniciativa da então ministra da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger. Nesta segunda-feira (10/10) foram apresentados os resultados do “Dossiê Rosenburg” e o jornal alemãoDeutsche Welle publicou reportagem sobre a iniciativa.

Junto com sua equipe, o historiador Manfred Görtemaker, da Universidade de Potsdam, teve acesso a todas as pastas de pessoal do ministério entre 1949 e 1973, até então confidenciais.

Em números concretos: dos 170 juristas em posições de liderança no ministério após a guerra, 90 haviam sido formalmente associados ao partido NSDAP, de Hitler, e 34 até integraram a tropa paramilitar da SA.

Segundo a reportagem, o dossiê mostra que os antigos juristas do regime usaram de todos os meios para entravar a persecução de criminosos nazistas. “Depois de 1949, nenhum juiz ou advogado teve que responder pelo que fizera durante o ‘Terceiro Reich'”, aponta o professor Görtemaker.

Os historiadores participantes do projeto de pesquisa constataram que algumas leis só foram incipientemente “desnazificadas”. A República Federal da Alemanha herdou da ditadura nazista a discriminação dos homossexuais e dos nômades das etnias sinto e rom, conhecidos como ciganos.

Para Christoph Safferling, professor de Direito Penal da Universidade de Nurembergue-Erlangen, essa é uma prova sensível de que o processamento da história não é uma questão menor: “Aqui, o que está em jogo é nada mais do que a luta pelo Estado de Direito – e isso, em todas as matérias”.

Com informações do Conjur

Plateia passa mal com peça de Wagner ao estilo nazista

teatro-300x168Uma montagem da ópera Tannhaeuser, de Richard Wagner, adaptada a uma temática nazista foi tirada de cartaz depois que espectadores passaram mal com as cenas mostrando homicídios e uma câmara de gás, disse em seu site a companhia responsável pela encenação.

A Deutsche Oper am Rhein, de Duesseldorf, tentou sem sucesso convencer o diretor a fazer mudanças na encenação. Diante da recusa, o restante da temporada será mantido apenas na forma de concerto.
O Tannheuser, do diretor Burkhard C. Kosminski, se passa durante o Holocausto, e provocou escândalo já na sua estreia, no sábado, quando alguns espectadores buscaram atendimento médico após verem cenas fortes, disse a companhia em nota no seu site nesta semana.
A direção da companhia disse que já tinha conhecimento prévio do caráter polêmico da encenação, baseada em uma obra inspirada em lendas nacionais.
– Estamos, no entanto, chocados pelo fato de algumas cenas, especialmente a muito realista cena do tiros, ter causado tamanho estresse psicológico e físico para alguns convidados, a ponto de eles terem precisado de tratamento médico posterior – disse a Deutsche Oper am Rhein, em nota.
– Após considerar todos os argumentos, concluímos que não podemos assumir a responsabilidade por nossa obra artística tendo um efeito tão extremo, então não podemos permitir que essa produção continue sendo apresentada sem alterações – acrescentou a companhia.
A companhia disse que, por razões legais, não pode impor as mudanças a Kosminski, que disse a um jornal alemão estar “chocado” com o cancelamento da temporada.