Estudo aponta áreas de silvicultura em SC

Levantamento feito com base em imagens de satélite detalha onde estão os plantios de Pinus e Eucalipto no estado

Um levantamento que começou em novembro de 2018 e foi concluído em fevereiro de 2020 mapeou a silvicultura catarinense de forma inédita. O estudo, contratado pela Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR) e desenvolvido pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC-CAV), identificou através de sensoriamento remoto as áreas com florestas plantadas em Santa Catarina. A conclusão do estudo foi que a área total com florestas plantadas no estado é de 828,9 mil hectares. Desta totalidade 553,6 mil hectares (67%) são área com Pinus; e 275,3 mil hectares (cerca de 33%) estão ocupados com Eucalyptus.

O trabalho envolveu dois professores doutores (Marcos Benedito Schimalski e Veraldo Liesenberg), quatro mestrandos e oito bolsistas de iniciação científica. O grupo desenvolveu métodos científicos que corroboraram para estudo possibilitando avalição relativa à sanidade vegetal e idade dos plantios.  O professor Marcos Schimalski, coordenador do trabalho, resume o processo: “Foram processadas 55 imagens do satélite Sentinel 2 empregando técnicas de segmentação de imagens e classificação de objetos com o algoritmo Random Forest. Os resultados foram validados estatisticamente e a acurácia dos trabalhos de mapeamento variou de 90 a 95%”, conta Schimalski.

O estudo foi traduzido graficamente e dividido por regiões de Santa Catarina. A cor marrom foi utilizada para identificar os plantios de Eucalyptus e a cor verde para Pinus. “Adicionalmente, os resultados obtidos foram comparados com aqueles derivados com imagens de outro satélite o (Planet – GSD 3m) as quais o estudo teve acesso. Isso mostrou que estatisticamente os produtos gerados pelas imagens dos dois sensores são iguais. Os polígonos finais foram verificados manualmente garantindo excelente aspectos quantitativos e qualitativos do mapeamento”, detalha o professor Schimalski.

Parte do resultado do estudo está no Anuário Estatístico de Base Florestal para o Estado de Santa Catarina – 2019. Além da versão física, o anuário possui uma versão digital, que está disponível gratuitamente para download no site da ACR: www.acr.org.br.

Defesa de Mestrado
Nesta sexta-feira (26) o estudo será objeto de defesa de metrado na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). A banca de avaliação da dissertação será composta por professores convidados do Brasil e da Universidade Leicester (Reino Unido). O acadêmico Jeanderlon Veiga, orientado pelo professor Veraldo Liesenberg, irá apresentar: “Viabilidade de dados Sentinel-2 no mapeamento de povoamentos de Pinus sp. e Eucalyptus sp em Santa Catarina”. A dissertação aborda as metodologias, resultados e validações científicas para o mapeamento das florestas plantadas de Santa Catarina.

Madeireiros e grileiros: debate apela por ação integrada contra atividades

Representantes de órgãos federais e do estado do Amazonas admitiram na última terça-feira (19/6), em audiência na Câmara, que há dificuldade de enfrentar a ação de madeireiros, de pistoleiros e de grileiros no sul do Amazonas. Para o secretário-adjunto de Patrimônio da União, Jorge Arzabe, é preciso haver uma ação integrada de combate aos conflitos na região.

– Precisamos atuar conjuntamente para fazer uma ação realmente de peso na região, porque a situação lá é sabidamente de risco, não só para as pessoas (que lá vivem), mas também para os servidores federais. O fato de ser Estado não afasta o risco – disse.

O diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes (ICMBio), Paulo Carneiro, afirmou que a exploração ilegal da madeira tem migrado de Rondônia para o sul do Amazonas. Ele disse que o órgão não tem condições de resolver sozinho os problemas ambientais da região e que, por isso, foi preciso fazer parcerias com a Polícia Federal e as polícias militares dos dois estados.

Segundo informações divulgadas na audiência, a Polícia Federal conta com apenas 70 agentes, enquanto o ICMBio dispõe de 73 fiscais ambientais para agir nas 35 unidades de conservação que ocupam 25 milhões de hectares da Amazônia.

Acompanhamento

A audiência de terça-feira foi promovida pelas comissões de Direitos Humanos e da Amazônia. A deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), que sugeriu o debate, disse que as duas comissões vão pedir relatos mensais das ações dos governos federal e estaduais para a solução dos conflitos.

Ela também anunciou que vai enviar um requerimento de informação ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que foram convidados para a audiência pública, mas não enviaram representantes.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Domingos Dutra (PT-MA), sugeriu uma nova reunião, no dia três de julho, com os mesmos integrantes da audiência pública de terça-feira, para examinar as ações que estejam em curso. “Ações de estrutura integrada formam o melhor caminho para juntar o pouco que cada órgão tem hoje atuando na região”.

Violência

Desde 2007, seis pessoas foram mortas por denunciarem crimes ambientais e grilagem de terras, sobretudo no município de Lábrea, a 600 km de Manaus. Várias outras sofrem ameaças frequentes, como a líder camponesa da Associação Deus Proverá, Nilcilene de Lima, que teve de deixar sua terra e hoje vive sob a proteção da Força Nacional de Segurança.

– Eu já apanhei dos madeireiros, tive minha casa queimada, tive minhas plantações queimadas e hoje vejo meus companheiros sendo expulsos da terra por pistolagem. Eu vivo escondida. Eu é que sou uma foragida – disse Nilcilene, que participou da audiência de terça-feira.

– Quem manda no sul de Lábrea são os madeireiros e os grileiros. Quantos companheiros meus já perderam a vida defendendo o meio ambiente e, até hoje, ninguém fez nada. Eu sou uma mulher revoltada – declarou.

Ameaça permanente

A coordenadora da Comissão Pastoral da Terra no Amazonas, Marta Valéria Sponton, relatou o caso de outro líder comunitário, o pastor Antônio Vasconcelos, da Reserva Extrativista Ituxi, que também vive sob ameaça permanente. “Se a Força Nacional de Segurança sair de Lábrea, o pastor Antônio vai ser assassinado. Isso é claro porque, mesmo com a Força, o pastor continua sendo ameaçado de morte”.

Marta Valéria lembrou que muitos dos denunciados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara que investigou a grilagem de terras públicas da Amazônia, em 2002, já voltaram a agir impunemente na região.

Necessidade de proteção

O representante da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, Frederico Mendes, afirmou que o governo do estado não se omite diante dos crimes da região e tem encaminhado todos os inquéritos à Justiça. Ele disse, no entanto, que 18 prisões teriam sido revogadas.

Mendes lembrou que a maioria dos conflitos acontece em uma região de mata, de difícil acesso, a 350 km do centro urbano de Lábrea. Para aumentar a presença do poder público na região, ele sugeriu a instalação de postos integrados por agentes de vários órgãos federais e estaduais.

Já o coordenador-geral do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República), Igo Martini, comemorou o fato de nenhuma das lideranças incluídas no programa ter sido assassinada até o momento e anunciou a sua extensão a vários estados das regiões Norte e Nordeste. E pediu a aprovação do Projeto de Lei, do Executivo, que institui o Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos.

Do Correio do Brasil