Mesa Diretora da Câmara dos Deputados rejeita assinaturas de Picciani para retorno a liderança do PMDB

A Mesa Diretora da Câmara rejeitou há pouco a lista com as 36 assinaturas recolhidas por Leonardo Picciani (PMDB-RJ) para retornar à liderança do PMDB na Casa.

Para a negativa, o órgão argumentou que o deputado Vitor Valim (CE) também foi signatário da lista anterior, que pedia a substituição de Picciani. Criou-se assim uma dualidade. Picciani prometeu recorrer e buscar novos apoios.

Picciani precisa reunir metade mais um da bancada do partido – hoje com 69 parlamentares – para poder voltar à função.

As assinaturas foram obtidas devido ao retorno de alguns filiados que ocupavam cargos no estado do Rio e foram exonerados, reassumindo vagas na bancada da Câmara, e pela mudança de posição de alguns parlamentares. Entre os deputados fluminenses, estão Marco Antonio Cabral que estava no comando da Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude do estado, e Pedro Paulo Carvalho, que era Secretário municipal da Casa Civil do Rio de Janeiro.

“Acho que fui vítima de um instrumento de força que é ruim para o partido, que constrange os deputados. Fui obrigado a fazer a lista porque foi a única forma de retornar à liderança e manter o calendário de eleição [para que novo líder seja escolhido em fevereiro do próximo ano]. Lamento que isto tenha ocorrido, mas agora restauramos a decisão democrática”, disse.

Segundo ele, o argumento usado na conversa com deputados peemedebistas foi o alerta sobre o uso de listas para aprovação de nomes para o cargo em detrimento de eleição.

Saída
O motivo da saída de Picciani foi a lista de nomes do PMDB que ele apresentou para compor a comissão especial que vai analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

As vagas foram disputadas por integrantes do partido aliados do governo e nomes ligados ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que desde o fim do primeiro semestre anunciou rompimento pessoal com o Palácio do Planalto.

Insatisfeitos com as indicações, uma ala da legenda chegou a acusar Picciani de descumprir um compromisso firmado com a bancada, que previa que metade dos nomes (quatro) fossem escolhidos entre parlamentares favoráveis ao processo e a outra metade entre mais aliados ao governo.

De acordo com o grupo, Picciani “atropelou” a bancada e fechou uma lista que foi construída com o Palácio do Planalto.

Leonardo Picciani minimizou divergências e negou que tenha sido vítima de um golpe. “Creio que isso é fruto do momento tenso que o país vive, em que é preciso aprovar medidas fiscais, quando há um processo de impedimento em curso, e ainda divergências sobre a situação de [presidente da Câmara] Eduardo Cunha. Tudo isto tensiona o ambiente. É preciso que todos recolham suas armas para que o PMDB ajude o país a superar esta situação.”

Diálogo
O peemedebista afirmou que com a confirmação das assinaturas retomará a liderança, mantendo o diálogo com o Palácio do Planalto.

“Continuarei dialogando com a presidente Dilma [Rousseff]. A maioria da bancada tenho certeza que preza o diálogo, embora alguns reclamem. Conversando é que se encontram os caminhos para os desafios”, concluiu.

Com informações da Ag. Brasil

Presidente João Bruggmann encerra mandato: “Saio da presidência, mas continuo na luta”

“Quero deixar registrado o meu agradecimento especial a todos os funcionários, prestadores de serviços, colegas de direção, pelo carinho e a atenção que sempre me dispensaram. Não tenho reclamações, não tenho nada que reparar, apenas agradecer de coração todo o apoio e dedicação. Por isso o Sindicato está sempre forte, atendendo a todos e todas com cordialidade, sem distinção, sempre com bons serviços. Agradeço também a toda a categoria mecânica que participou comigo e a direção de tantas lutas, tantas batalhas, de tantas vitórias e derrotas, mas sempre pelo bem de todos os trabalhadores, sempre lutando por seus direitos. Obrigado por acreditar e me conceder, por três vezes seguidas, a honra de ser seu Presidente. Tudo isso ficará marcado em minha memória para sempre. Entrei com toda humildade do mundo, aprendi muito, e saio com a mesma humildade, de cabeça erguida com o dever cumprido. Obrigado gente”.

Essa é a mensagem que o presidente João Bruggmann, que deixa o cargo nesta terça-feira (6/3/2012), oferece aos inúmeros amigos, admiradores, funcionários, prestadores de serviços, fornecedores, dirigentes sindicais, e toda a categoria mecânica após 13 anos de dedicação integral à luta pelos direitos dos trabalhadores, na manutenção do seu patrimônio em bom estado, com avanços invejáveis e intocáveis que a história já registrou. Enfrentou todas as campanhas salariais de forma firme, direta e dura, e em todas conquistou ganhos reais que valem muito em tempos de inflação baixa. “Fico feliz em ter contribuído com alguma coisa para a construção e fortalecimento do nosso Sindicato”, revela Bruggmann.

Nascido na localidade de Vidal Ramos, hoje município, que à época fazia parte do município de Brusque (SC), há 57 anos, Bruggmann tem orgulho de suas raízes. Filho de pais analfabetos, “mas trabalhadores e honestos, que nos ensinaram a ser gente de bem”, João veio para Joinville em 18 de novembro de 1968 quando tinha 13 anos. “Para viver, manter a família grande da gente, trabalhei de tudo: carpinei quintais, vendi laranjas em frente as empresas, enfim, buscávamos um jeito de ganhar a vida”, conta ele. Seu primeiro emprego com carteira assinada foi na Indústrias Colin em 1970. “Ainda era ali onde hoje é a avenida JK. Meu salário inicial foi de R$ 0,36 a hora. Fiquei cinco anos lá”, registra.

Teve de servir o Exército em 1973, “ano em que mudou o nome de Batalhão de Caçadores para 62 BI” – anota o líder sindical. Com o pouco que ganhava conseguiu pagar terreno no Bom Retiro, na rua Piratuba. Trabalhou ainda na Tupy por cinco anos, Carrocerias Nielson (atual Busscar) por seis anos, pequenas passagens pela Suin Industria Agrícola, Consul e Ciser. Mais dois anos na Kawo, e depois a Cid Produtos Metalúrgicos, onde já está há 18 anos. “Fui muito perseguido por discordar do tratamento dos patrões com a gente. Acho que aí viram que tinha um ladinho para o movimento sindical e me convidaram”, confessa Bruggmann.

Conquistou a presidência do Sindicato em 1999, enfrentando uma chapa de oposição, sem ter experiência em comandar uma entidade tão representativa quanto a dos mecânicos. Eu era diretor suplente, atuava no chão de fábrica, na verdade era o último suplente da nossa diretoria. Saí do torno direto para comandar o Sindicato. Foi duro, mas valeu a pena”, destaca o líder sindical reconhecido por suas lutas, as mais recentes diante das crises da Busscar (2003/2004 e 2008 até agora). Agora que deixa a presidência para assumir a diretoria financeira da entidade – “não vou sair do movimento sindical, continuo na luta” – João Bruggmann revela que vai continuar apoiando forte o novo presidente, Evangelista dos Santos.

“Acredito que ele vai fazer um bom mandato, vai cuidar com carinho da situação atual dos trabalhadores da Busscar, sem deixar que toda a categoria fique desprotegida. Companheiro na secretaria geral desde 2000, Evangelista tem raízes fortes no chão de fábrica, vem de uma das maiores empresas da categoria, a Duque, e saberá conduzir nosso Sindicato”, afirma Bruggmann. Sem pompa, sem solenidades, o líder sindical finaliza hoje o seu mandato, e deixa um recado aos que pensam que vai ficar parado e sumido. “Saio feliz com os resultados que conseguimos, mas já aviso: continuo presente, atuando em favor da nossa categoria mecânica”, finaliza.

Do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região