“Cristofobia”: Cunha quer urgência para votação de projeto

O projeto de lei que tenta transformar a chamada “cristofobia” em crime hediondo deve tramitar em regime de urgência na Câmara.

Foi o que declarou nesta quinta-feira (11) o próprio presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), depois de mais uma rodada de votações sobre reforma política.

Entenda-se por cristofobia, de acordo com quem utiliza o termo, uma espécie de aversão a preceitos e práticas cristãos, em que eventuais detratores dispensariam a religiosos o mesmo tratamento – a “homofobia” – dado a homossexuais por parte dos chamados homofóbicos.

De autoria do líder do PSD na Câmara, deputado Rogério Rosso (DF), a matéria aumenta a pena de ultraje a culto para até oito anos de prisão. Hoje, a pena para esse tipo de crime varia de um mês a até um ano de cadeia, como estipula o artigo 208 do Código Penal.

“Se tiver a urgência dos líderes, eu ponho para votar”, disse Cunha nesta quinta-feira (11), referindo-se à tramitação do projeto. A proposta foi apresentada em resposta às manifestações da Parada do Orgulho Gay realizada em São Paulo, no último domingo (7).

Durante os protestos, a atriz Viviany Beleboni, de 26 anos, transexual e espírita, desfilou presa a uma cruz encenando o sofrimento de Jesus Cristo. Na extremidade superior da cruz, uma frase de protesto: “Basta de homofobia LGBT”. O gesto foi entendido como uma provocação contra católicos e evangélicos.

Na noite de quarta-feira (10), Rosso apresentou um requerimento de urgência à tramitação da proposta assinado por lideranças de partidos como PSDB, PSD, PMDB e DEM. Enter as grandes legendas da Câmara, apenas o PT não aderiu ao pedido. “A gente quer transformar isso em lei ainda neste ano”, disse Rosso.

Para já
Para o líder do PSD, a tendência é que a proposta seja votada nas próximas três semanas, desde que a urgência lhe seja devidamente conferida por vontade da maioria do plenário. Atualmente, tramitam em caráter de urgência constitucional na Câmara o pacote anticorrupção do governo e o projeto de lei que promove a desoneração da folha de pagamento. Ambas as proposições devem ser apreciadas na próxima semana.

“O que eles [os grupos LGBTs] estão fazendo, e que ninguém imaginava, é unir os cristãos”, observou Rosso. Segundo apuração do Congresso em Foco, o próprio presidente da Câmara também quer que o projeto da “cristofobia” seja apreciado até o final de junho.

Ainda na noite de ontem (quarta, 10), representantes de pelo menos 330 parlamentares apresentaram uma nota de repúdio contra a Parada Gay do último domingo.

No documento, lido no Plenário da Câmara, deputados classificaram a manifestação LGBT como uma “tentativa de desmoralizar a crença de milhões de brasileiros, com provocações desnecessárias, atitudes nefastas, inescrupulosas e reprováveis”.

O coordenador da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), por exemplo, disse que “dinheiro público” foi utilizado para “patrocinar a intolerância”, em referência a patrocínios de autarquias do governo federal à manifestação.

Com informações do Congresso em Foco

Drag Queens invadiram o centro de Joinville no sábado (8/12)

Drag Queens em performance no centro de Joinville (SC) - Foto de Rogério Souza Jr.

Projeto de capacitação e intervenções urbanas patrocinado pelo Simdec ocorreu no sábado. As Drag Queens visitaram o CDH (Centro de direitos Humanos), shopping, o Centro da cidade, e até o festival de balonismo.

Maquiagem colorida, cílios enormes, perucas volumosas, muita purpurina, alegria e descontração. Foi desta maneira que as participantes da segunda edição do projeto DiverCidade invadiram o Centro de Joinville, neste sábado para promover a cultura LGBT, na mais populosa cidade de Santa Catarina.

Montadas as Drag Queens foram às compras no shopping Mueller, conheceram a decoração de Natal do Centro da cidade e ainda tiveram um tempinho para participarem do festival de Balonismo, na Arena Joinville, e o CDH (Centro de Direitos Humanos) sempre interagindo com a comunidade.

“A atividade faz parte do Projeto do Simdec (Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura), e já está em sua segunda edição. A ideia é fomentar a diversidade cultural e de gênero por meio de intervenções urbanas”, explica o coordenador do DiverCidade, o jornalista e produtor cultural, Windson Prado.

Antes de realizar as intervenções o grupo passou por uma capacitação com as Drag Queens Lilica Ripilica, de Curitiba, e Céia Maravilha, de Itajaí. “As duas artistas estão há mais de 15 anos no mercado, e usaram toda esta bagagem para ministrar o Segundo Workshop para Drag Queens. Nesta edição, os temas abordados foram performances caricatas, produção de palco/show e stand-up Comedy”, conta o produtor cultural.

Para a Drag, Lilica Ripilica, a atividade contribui para a valorização do artista. “Nós somos atores performáticos, que com nosso trabalho transmitimos cultura e alegria ao público. Ir aos espaços públicos, interagir com a comunidade é uma forma de divulgar nossa arte e mais do que isso, promover a cultura, diminuindo o preconceito”, acredita.

Polly Lews, Drag Queen há mais de oito anos, nunca havia participado de uma capacitação como esta. Para ela, o projeto abre portas para a profissionalização. “A gente tem que aprender tudo sozinhas, maquiagem, interação com o público, como se portar no palco. Não há curso ou oficinas que nos ensine a ser uma Drag Queen, ou melhor, não havia”, brinca.

“Com o DiverCidade a gente pode se reciclar, para cada vez fazer um produto final melhor”, diz.Ainda durante as atividades, os participantes ganharam kits com perucas e adereços. Todo o evento foi filmado e fotografado e deve dar origem a uma exposição em 2013.