Obrigado Boechat!

A estúpida morte do maior nome do jornalismo brasileiro, e porque não dizer um dos maiores do mundo, Ricardo Boecht, 66 anos, em uma queda do helicóptero que o levava de Campinas para São Paulo ontem (11/2), enche o jornalismo e toda a sociedade de luto.

Boechat foi um daqueles profissionais que orgulha a quem faz do jornalismo o seu sacerdócio. De forma ímpar, crítico ácido e mordaz dos políticos, empresas, empresários que burlam a lei e se escondem atrás de imunidades, poder econômico e intimidações, ele foi meu mestre no jeito de buscar fazer jornalismo sério, com humor, e com alto grau de profissionalismo. Minha inspiração para fazer jornalismo como faço, que não chega sequer perto do que o mestre fazia, veio dele.

A perda da voz número do bom jornalismo brasileiro faz pensar, e agitar sobre o nosso meio: tá na hora de sacudir a poeira e fazer um jornalismo como manda o figurino, com a imparcialidade, a objetividade, o compromisso com o leitor, a sociedade, e não com os poderosos, os esquemas, o poder econômico e os interesses inconfessáveis que mancham e quase enterram também o jornalismo.

Ricardo Boechat nos deixa órfãos, mas ao mesmo tempo nos incita ao movimento de recuperação do bom jornalismo opinativo, informativo, que critica com acidez, sem perder a ternura. Que vai em busca da verdade, do furo jornalístico sem atacar os princípios básicos da apuração sem cessar, do cuidado com o manejo das fontes e informações, com o desejo de iluminar o que não se quer iluminado.

Gratidão mestre, você se foi de forma tão trágica e inesperada que causa espanto, assim como os fatos nos surpreendem no exercício da profissão. Que o Criador conforte a sua família, seus filhos, seus fãs como eu, e que de onde estiver, continue a nos enviar lucidez e os bons caminhos para o nosso trabalho de informar.

Novos velhos tempos, novo retorno

Jornalismo com credibilidade e independência está de volta

Olá amigos do Palavra Livre, tudo bem? Estivemos algum tempo fora do ar por motivos profissionais – estava atuando em assessorias e trabalhos que eticamente me impediam de atuar no jornalismo – e agora retomamos o trabalho jornalístico independente que sempre marcou o Palavra Livre nestes 11 anos de existência dele na rede mundial de computadores.

Como vivemos tempos ditos novos, mas com tintas fortes do passado na política e até economia, costumes, relações humanas, nada mais importante do que informar, opinar, ouvir todos os lados, avaliar as medidas deste novo momento para governadores, senadores, deputados e presidência da república.

Mais uma vez contamos com todos os leitores, leitoras, lideranças políticas, econômicas, sociais, de todos os segmentos da sociedade para oferecer aos leitores e leitoras um panorama equilibrado e consistente da nossa vida cotidiana, sem perder os laços com o passado. Vamos cobrir Assembleia Legislativa e Governo de SC com mais proximidade a partir da capital Florianópolis (SC), sem deixar nada de Brasília e outros estados de fora.

Agradeço o apoio que sei que receberei novamente, vamos em frente!!

Salvador Neto, jornalista e editor chefe do Palavra Livre.

Jornalismo em debate em Joinville (SC) na noite desta quinta-feira (20)

palavralivre-debate-jornalismoPromover um diálogo entre jornalistas e a sociedade de Joinville é a proposta do 1º Debate sobre Jornalismo que ocorre nesta quinta-feira (20), às 19h, no anfiteatro da Unidade Centro do IELUSC.

O evento integra o projeto “GPSJor – Governança, Produção e Sustentabilidade para um Jornalismo de novo tipo”. Trata-se de uma iniciativa que tem como intuito pesquisar e propor soluções para as crises do jornalismo contemporâneo.

Participam 20 pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Instituto Superior e Centro Educacional Luterano BOM JESUS/IELUSC.

De acordo com o coordenador do GPSJor, professor Jacques Mick (UFSC), a intenção é envolver lideranças sociais de Joinville numa ampla discussão sobre a informação jornalística local.

“As transformações tecnológicas, a situação econômica atual, as reviravoltas políticas, tudo isso afeta o jornalismo. Partimos do princípio de que jornalistas e sociedade precisam, antes de tudo, conversar e então pensar em alternativas que assegurem a qualidade e o acesso à informação”, explica.

Até junho do próximo ano, o projeto prevê a aplicação de questionários e outros instrumentos de pesquisa, sessões de discussão em grupos menores, além de mais debates públicos.

O pesquisador Samuel Lima (UFSC), que também integra o grupo, destaca a importância de refletir sobre mecanismos de autofinanciamento do jornalismo.

“Queremos pensar num modelo de governança social para o jornalismo, ou seja, enfrentar o desafio de acolher a participação do público”, afirma.

Joinville foi escolhida como piloto para a pesquisa por ser a cidade mais populosa de Santa Catarina e pela afinidade dos organizadores com o curso de Jornalismo do IELUSC, onde ambos já atuaram.

A intenção é realizar na cidade uma experiência de interação social, que possa ser reproduzida em outras cidades. Durante o evento, qualquer participante poderá opinar, questionar ou fazer sugestões.

“Não é uma palestra. Haverá breves explanações sobre o projeto, mas o que queremos mesmo é começar a ouvir a sociedade, por meio das lideranças comunitárias, representantes de classe, ONGs, enfim, de todos os segmentos sociais e, é claro, dos jornalistas”, conta a professora do IELUSC, Marília Crispi de Moraes. A entrada é franca.

Com informações da Ascom Ielusc

Acervo de Gabriel Garcia Márquez será digitalizado

PalavraLivre-acervo-garcia-marquezQuase 2 anos após a morte de Gabriel Garcia Márquez, o jornalista e escritor colombiano terá seu acervo digitalizado pelo Centro Harry Ransom, da Universidade do Texas.

Os arquivos de Garcia Márquez foram comprados pela universidade em 2014. Alguns dos itens desse acervo, como o documento da primeira correção do romance “O Amor nos Tempos do Cólera”, já estão disponíveis online neste link.

O acervo completo inclui manuscritos originais de 10 livros do escritor, mais de 2.000 cartas e correspondências, o rascunho do discurso do Prêmio Nobel de 1982, mais de 40 álbuns fotográficos que registram os quase 90 anos de vida de Márquez, as máquinas de escrever e os computadores que ele usou para escrever suas principais obras, além de álbuns com recortes das notícias que Gabo escreveu durante sua carreira como jornalista. Os materiais datam de 1950 até 2013.

O projeto, chamado de “Compartilhando Gabo com o Mundo: Construindo o Arquivo Online de Gabriel Garcia Márquez através dos documentos do Harry Ransom Center” deve começar em junho de 2016 e a previsão é que o processo de digitalização do arquivo completo dure cerca de 18 meses. O arquivo ficará disponível para o público geral.

A digitalização foi possível graças a uma bolsa do Conselho de Bibliotecas e Recursos Informacionais (CLIR, na silga em inglês), organização formada por bibliotecas e universidades americanas.

Com informações da Abraji

Lei de Acesso à Informação: Jornalistas continuam com dificuldades em obter informações do poder Executivo

A segunda edição da pesquisa sobre o uso da Lei de Acesso a Informações na imprensa realizada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) mostra que o Executivo permanece como o poder que mais apresenta problemas para jornalistas na hora de fornecer dados solicitados via Lei de Acesso a Informações. A conclusão foi obtida a partir de respostas de 83 jornalistas de todo o país a um questionário online, recolhidas de 6 de março a 6 de maio de 2015.

Em 2013, quando a primeira edição do levantamento foi realizada e a LAI completava um ano em vigor, dois terços dos jornalistas tinham dificuldade para obter dados do Executivo nas três esferas.

Dois anos depois, mais da metade dos profissionais de imprensa ainda tem dificuldade em receber resposta a pedidos de informação enviados aos Executivos nas esferas federal e municipal. No nível estadual, a situação piorou: de cada dez jornalistas, oito têm problema para obter dados.

Veja a íntegra do 2º Relatório de Desempenho da Lei de Acesso a Informações Públicas

A maioria dos casos envolve pedidos de acesso a informações sobre remuneração de servidores, contratos, pagamentos e repasses dos órgãos públicos.

Nos Executivos das três esferas, pelo menos nove entre 10 jornalistas disseram ter tido dificuldades em obter informações desse tipo – que, em sua maioria, compõem o conjunto daqueles cuja divulgação é obrigatória sem necessidade de solicitação, de acordo com o artigo 8º da LAI.

Além dos problemas, a pesquisa da Abraji mostra evoluções importantes, como a difusão do uso dos pedidos de informação como ferramentas de apuração para além dos grandes veículos. Profissionais de jornais regionais e locais representaram 38% dos participantes – em 2013, eram 24% do total.

Aumentou, também, a quantidade de solicitações às esferas locais, especialmente nas cidades: em 2013, 54% dos jornalistas haviam pedido informações a órgãos do Executivo municipal.

Em 2015, foram 93%. O Legislativo, que havia sido acionado por apenas 31% dos jornalistas em 2013, foi alvo de 68% das solicitações de informação este ano. Experiências de outros países mostram que a demanda é o principal motor para a implementação de leis de acesso a informação, e que o peso da imprensa na geração dessas demandas é significativo.

O questionário da pesquisa incluiu um espaço para que os profissionais dessem sugestões para melhorar o atendimento a pedidos de informação via Lei de Acesso. Das mais citadas entre as 30 respostas, a impessoalidade no tratamento às solicitações merece destaque.

Jornalistas de locais diferentes disseram que, mesmo quando fazem pedidos por meio dos Serviços de Informação ao Cidadão, são encaminhados às assessorias de imprensa dos órgãos públicos, que não respondem ou atrasam ainda mais o fornecimento dos dados.

Quem não usou
Entre os participantes da pesquisa que disseram ainda não terem feito pedidos de acesso a informações para fazer reportagens, a maioria (45%) apontou como motivo o fato de não ter sido necessário até o momento. 14% disseram preferir pedir informações às assessorias de imprensa e 11% tiveram dificuldades em fazer pedidos com base na Lei de Acesso.

Mapa de Acesso a Informações Públicas
Em julho de 2015, a Abraji lançará outra pesquisa sobre o acesso a informações públicas no Brasil. O Mapa de Acesso a Informações Públicas é produzido desde 2007 e testa a conformidade dos órgãos públicos com a obrigação de fornecer dados públicos prevista na Constituição Federal (e, desde 2013, na LAI).

Neste ano, o primeiro levantamento será repetido: serão feitos pedidos de acesso a informações aos três poderes dos 26 Estados e do Distrito Federal, para mensurar velocidade e qualidade das respostas.

Assim, será possível comparar o desempenho dos órgãos antes e depois da Lei de Acesso a Informações. O resultado será divulgado durante o 10º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Com informações do SJSC e Fenaj

A literatura e o mundo perdem Eduardo Galeano

O escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano morreu hoje (13) aos 74 anos, informaram os diários uruguaios El País e Subrayado. Galeano é considerado um dos maiores autores da literatura latino-americana.

Ele estava internado em um hospital em Montevidéu e morreu devido a complicações de um câncer de pulmão, que já havia sido tratado em 2007. Entre suas obras mais famosas estão As Veias Abertas da América LatinaMemórias do FogoOs Dias SeguintesCrônicas Latino-Americanas.

Em suas obras, ele misturou os gêneros de ficção, jornalismo, análise política e histórica. Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940 em Montevidéu e começou a escrever aos 14 anos no jornal El Sol. Em 1958, passou também a escrever crônicas de arte. Nos anos 1960, trabalhou como editor do jornal semanal Marcha e no diário Época.

Após o golpe de estado em 1973, Galeano teve de deixar o Uruguai e foi viver na Argentina. Quando voltou ao seu país em 1985, ele fundou o semanário Brecha.

*Com informações da Telesur

Agora também no Chuva Ácida

Bom amigos e amigas, do Palavra Livre, cá estamos de volta à labuta do jornalismo, do pluralismo das ideias, da informação de interesse público, após breve descanso. É sempre um prazer manter o Palavra Livre ativo, por ser mais uma janela isenta na área da comunicação e imprensa verdadeiramente livres.

De novidades para o início de 2015, informo que o Palavra Livre continuará firme, mantido às custas da vontade do editor e alguns abnegados que gostam do que aqui se publica. Como viram no lamentável assassinato de cartunistas franceses do Charlie Hebdo dia 7 de janeiro passado, não é fácil estar na trincheira do jornalismo e da imprensa.

Teremos mais literatura, mais cultura, e mais opinião durante este ano, que promete muito! É preciso motivar as pessoas a participarem de mídias independentes para que possam ter uma leitura maior e mais ampla do que realmente acontece em sua aldeia e na aldeia global que é nosso mundo, tão diferente, tão complexo. Assim também é a informação, altamente complexa, pois se constitui de fatos e versões advindas de muitos pontos de vista, de milhares ou milhões de angulos diferentes.

Outra novidade é que além de escrever e editar neste Palavra Livre, vocês poderão ler minhas opiniões e pontos de vista em outro veículo também independente, e pra lá de ácido: o Chuva Ácida – www.chuvaacida.info. A convite do colega José António Baço, estarei a cada 15 dias escrevendo nas sextas-feiras, o que é uma honra e oportunidade que agradeço muito.

Estreei hoje com o artigo “12 mortos pela liberdade”, onde abordo esse trágico, violento, tirânico assassinato dos jornalistas e cartunistas franceses, olhando um pouco mais além do fato e de algumas versões.  O que você lerá lá, não lerá aqui. O esforço opinativo deve valorizar os espaços, e isso é importante para a liberdade de expressão. Para ler clique aqui.

Finalizando, quero agradecer o apoio que recebo sempre dos leitores e apoiadores deste trabalho em favor da sociedade. E fazer um convite à participação de todos com artigos, opiniões, críticas, sugestões, charges (perigoso!), poesias, crônicas, enfim, toda a forma de expressão que nos leve a um mundo melhor, mais humano e justo.

Obrigado, Feliz 2015 a todos e todas!

Salvador Neto
Editor

Eleições 2014: Assista análise realizada ontem (5/10) ao vivo, via internet, com a participação de Salvador Neto

Uma novidade nas análises das eleições em Joinville (SC) foi realizada ontem – domingo, 5 de outubro – logo após fecharem as urnas das eleições gerais de 2014: a análise dos resultados por parte de comentaristas de Joinville e de quem conhece bem a cidade, mesmo morando na Europa.

O editor deste Blog, Salvador Neto, o editor do Portal Joinville, Wagner Dias, o sociólogo Charles Henrique Voss e o publicitário e articulista José Antonio Baço, este direto de Portugal, ambos do Chuva Ácida, estiveram ao vivo, via tecnologia Hangouts, dissecando o que saia dos números vindos do TRE e TSE.

Confira aqui o conteúdo de um ótimo bate-papo, diferenciado do que você vê nos jornalões ou nos tradicionais veículos da grande mídia, local e regional. Comente, compartilhe, foram mais de três horas de análise isenta para você:

Comunicação: Definida a programação da Semana Integrada de Comunicação do Bom Jesus/Ielusc

O evento tem como tema liberdade e comunicação e traz, entre os palestrantes, o jornalista Luciano da Costa Martins, do Observatório da Imprensa, e também a equipe responsável pela fanpage no Facebook da prefeitura de Curitiba.

De 15 a 18 de setembro ocorre a quarta edição da Semana Integrada de Comunicação (SIC), na unidade centro do Bom Jesus/Ielusc. O evento, que faz parte do calendário acadêmico da instituição desde 2011, procura debater o processo democrático no Brasil, a crítica de mídia e as modalidades alternativas no campo da comunicação. As palestras com profissionais de Jornalismo e Publicidade e Propaganda devem discutir os temas dentro do campo profissional da área.

O tema da IV SIC foi pensado a partir do marco dos 50 anos do golpe militar no Brasil, assunto que também será abordado em uma das palestras do evento. Segundo a responsável pela comissão organizadora, professora Maria Elisa Máximo, a experiência acumulada durante os três anos de planejamento dos conteúdos do evento, fez com que a programação surgisse de uma forma natural.

“O conteúdo da SIC já está definido desde junho. Devido a relevância do golpe militar para a comunicação e a necessidade de um curso da área abrir essa discussão sobre o tema, decidimos, a partir de sugestões dos outros membros da comissão, explorar também debates que se relacionem com o marco”, afirma.

As palestras também são um diferencial da IV SIC. Entre os convidados estão o jornalista Luciano Martins Costa, do portal Observatório da Imprensa e os publicitários Marcos Giovanella e Marcel Belly, responsáveis pela fanpage da Prefeitura de Curitiba. Conforme Maria Elisa, o evento promete muito debate sobre empreendedorismo na mídia digital e a exploração de novas narrativas sobre a crítica de mídia.

“O tema escolhido permite falar desde as críticas de mídia até as formas de modalidade de comunicação alternativa. Os estudantes podem esperar uma programação mais madura e acredito que eles vão entender a importância do evento de uma forma natural, enxergando como uma oportunidade de conhecimento”, conclui. Mais informações: www.semanaintegradadecomunicacao.com

Serviço

O que: Semana Integrada de Comunicação

Quando: 15 a 18 de setembro de 2014

Onde: Bom Jesus/Ielusc – Princesa Isabel, 438 Centro

Contato: 9952-5913 (Naiara),  3026-8000 (Maria Elisa ou Lívia) – Das 14h às 18h

Opinião: Massacre em Gaza e o falso jornalismo

O que acontece em Gaza é um massacre, uma limpeza étnica.
O que acontece em Gaza é um massacre, uma limpeza étnica.

Desde o reinício da desigual luta entre palestinos e israelenses, de acordo com fontes locais, morreram pelo menos 1.822 palestinos desde o início do conflito em 8 de julho, enquanto do lado israelense morreram 64 soldados e três civis. Só estes números demonstram cabalmente o que acontece na Faixa de Gaza: um massacre, uma verdadeira limpeza étnica. Não há o que dizer ao contrário diante do que se vê pelos jornais, impressos ou televisivos, e hoje na melhor das mídias, a internet.

O que causa náuseas e envergonha a humanidade é ver as lideranças mundiais “lamentarem” as mortes de crianças em bombardeios à escolas, hospitais, sem qualquer tomada de atitude imediata contra Israel. Um povo que passou por uma campanha de extermínio nas mãos de Hitler jamais deveria praticar tais atrocidades contra civis, inocentes, e mais, em uma região de onde o povo palestino não tem como fugir!

Causa espanto a quem estudou o jornalismo e suas práticas éticas ver matérias como a que vi sobre os túneis em Gaza, exibida pela Globo ontem. matéria de Rodrigo Alvarez. Ele encontrou uma fonte israelense que sai com ele pela área em conflito, e o coloca nos túneis construídos, segundo o jornalista, pelo Hamas para trazer armas para a Faixa de Gaza. O jornalista diz que é por ali que o grupo palestino trafica armas, e que essas passagens estão sendo descobertas e destruídas…

Incrível como é difícil fazer um jornalismo sério, isento, com um pouco mais de equilíbrio. Ora, se um povo está preso em seu território – vejam, acuados sempre pelo cerco israelense – sem acesso a comida, medicamentos, água, e muito mais, o que mais faria para se manter vivo? Um povo, o palestino, refém em sua própria terra ter de andar por baixo da terra, aliás, construir passagens como tatús, para obter o básico da sobrevivência, o que faria?

Não vejo os grandes grupos de mídia entrarem na área de guerra e expor o ponto de vista dos palestinos que não tem sequer para onde ir para fugir de bombardeios covardes, que mancham com sangue a história da humanidade. Será que Israel aprendeu com a opressão dos guetos em que seu povo viveu na Segunda Guerra Mundial para hoje usar as mesmas técnicas na Palestina, em Gaza?

E o jornalismo dos grandes grupos de mídia, até quando seguirão induzindo a opinião pública sobre temas tão importantes quanto este, em que morrem 2 mil para 70? É por essas e outras que as redes sociais, os Blogs, sites independentes e outros crescem e mostram que há sim vida inteligente na comunicação dos fatos. Há sim formas de evitar os bloqueios editoriais, as edições que manipulam os fatos!

Que cesse o massacre, e que Israel e suas lideranças sofram sanções com crimes de guerra, que é isso que vemos hoje em pleno século 21!

Por Salvador Neto, jornalista