Com a Palavra, Salvador Neto – Edição #2 – Distância e saudade

palavralivre-poema-distancia-saudade-salvador-neto-jornalista-escritorNeste retorno à edição do Palavra Livre, vamos escrevendo e publicando textos guardados em outras gavetas, outras memórias. Eis aqui uma poesia de minha autoria feita há dois anos. Talvez possa virar música, se algum compositor tiver a vontade de…

Leiam, curtam, comentem e claro, compartilhem! Ah, e se tiver algum que você escreveu, mande que publicamos aqui, mande já!!

Distância e saudade

Sinto falta dos acordes do violão
Do tan tan do bongô
Das artes e transformações
Dos teatros, vídeos, das vozes

Sinto falta dos desenhos
Caricaturas de gente esquisita
Quase fotografias criadas por mãos especiais
Sinto falta dos cabelos crespos, ondulados e lisos

Pensando na rota do bumerangue
Lancei amor, paixão, torci e estive ali, lado a lado
Na volta, recebi algo não esperado

Sinto falta do que dei e não recebi
Sinto falta dos chutes e treinos
Das corridas nos campos
De ver os jogos e torcer
Até ver as medalhas, com suor no rosto

Sinto falta de cantar junto
Desafinar, mas cantar
Sinto a falta de ver, e ver crescer
E fico somente a imaginar

Sinto falta das crianças que foram
E que hoje não mais são
Sinto muito, mas não perco a esperança
De acabar com a distância, e matar a saudade

Sinto falta dos acordes do violão
Do tan tan do bongô
Das vozes juntas, dos carinhos
Dos teatros, dos vídeos, das vozes
Do bater dos corações

Sinto falta, mas continuo mandando
Amor e sonhos,
Desejos de vitórias
Com o mesmo bumerangue
Esperando na volta
O fim da falta, o fim da distância

Por Salvador Neto, jornalista e editor do Palavra Livre, escrito em 10 de outubro 2014

Corpo de Içami Tiba será enterrado na tarde desta segunda-feira em São Paulo (SP)

O corpo do psiquiatra, educador e escritor Içami Tiba está sendo velado desde a 1h no Cemitério do Morumbi e será enterrado às 16h no mesmo local. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, onde morreu ontem (2) às 19h. De acordo com o hospital, Içami Tiba tratava de um câncer desde o início do ano.

Na página do psiquiatra no Facebook, a família divulgou mensagem comunicando a morte “com imensa tristeza” e afirmando que o marido, pai e avô deixa lembranças infinitas e um vazio imenso. “Seu legado de trabalho, retidão, alegria, ideias e amorosidade ficarão para sempre nas mentes e corações de sua família, amigos, pacientes, alunos e leitores. A todos seus seguidores, a nossa mais profunda gratidão”, diz o comunicado.

Içami Tiba deixa a mulher, três filhos e dois netos. Ele era filho de imigrantes japoneses e se formou em medicina em 1968 pela Univerdidade de São Paulo, fazendo especialização em psiquiatria pelo Hospital das Clínicas. Escreveu 40 livros sobre educação, que foram referência para pais, filhos, educadores, psicólogos, psiquiatras e psicopedagogos. Um dos principais éQuem ama, educa!.

Escreveu também Sexo e Adolescência (Editora Ática); Puberdade e Adolescência (Editora Ágora);Saiba Mais sobre Maconha e Jovens (Editora Ágora); 123 Respostas sobre Drogas (Editora Scipione);Adolescência, o Despertar do Sexo (Editora Gente); Seja Feliz, Meu Filho (Editora Gente); Abaixo a Irritação (Editora Gente); Anjos Caídos – Como Prevenir e Eliminar as Drogas na Vida do Adolescente(Editora Gente); Homem-Cobra, Mulher-Polvo (Editora Gente) e Adolescentes: Quem Ama, Educa!(Integrare Editora).

Com informações da Ag. Brasil

Confraria do Escritor de Joinville lança terceira edição da coletânea “Letras da Confraria”

letrasconfrariaUma coletânea de poesias, contos e crônicas de 16 autores joinvilenses será lançada na noite desta quinta-feira (25/7). O livro “Letras da Confraria”, idealizado e organizado pela Associação Confraria das Letras, reúne textos de diferentes vertentes literárias e oportuniza aos escritores locais mais visibilidade para seu trabalho. O lançamento acontecerá a partir das 19 horas, na Livrarias Curitiba, e conta com o apoio da Biblioteca Pública Rolf Colin.

A Associação Confraria das Letras nasceu dos encontros da Confraria do Escritor, um projeto da Biblioteca Rolf Colin. A iniciativa, idealizada com a intenção de criar um espaço para escritores joinvilenses, promoverem a troca de ideias e divulgação do trabalho destes autores. Para formalizar este grupo, foi criada a Associação, que já publicou duas coletâneas anteriores a esta.

“A primeira publicação foi lançada em dezembro de 2012 e em março deste ano foi lançada a segunda. Os autores, integrantes da Associação, mandam seus textos e parte deles é selecionada. Nós fazemos um revezamento entre os escritores, para que todos tenham a oportunidade de ver seu trabalho publicado”, conta Eliana Aparecida de Quadra Correa, coordenadora do setor infanto-juvenil da Biblioteca Rolf Colin.

O autor Marcos Aurélio Carvalho já participou da edição anterior e verá novamente seu trabalho impresso e divulgado nesta nova coletânea. Ele escreveu uma crônica sobre a própria Confraria da qual participa e destaca a importância do grupo para o incentivo à literatura local. “A Confraria por si só já é significativa, porque possibilita o encontro com escritores que têm experiência e oportuniza a troca de informações. A Associação, por sua vez, é a nossa organização legalizada. É o que faltava no município”, relata o escritor.

Presidida por David Gonçalves, a Associação Confraria das Letras possui, aproximadamente, 40 associados e os encontros acontecem semanalmente na Biblioteca Pública Rolf Colin. A publicação “Letras da Confraria” estará à venda por R$ 5 e depois também será distribuída nas escolas da rede municipal de ensino.

O quê: lançamento da terceira antologia da Associação Confraria das Letras
Quanto: quinta-feira (25), a partir das 19h
Onde: Livrarias Curitiba do Shopping Mueller (rua Visconde de Taunay, 235, Centro)
Quanto: a entrada é gratuita.

“O bálsamo do labor da cigarra”, crônica do amigo Donald Malschitzky

Com a anuência do amigo, escritor, poeta e confrade das letras, Donald Malschitzky, reproduzo aqui uma de suas crônicas, que publica em jornais de Joinville e de São Bento do Sul, falando de incompreensões, etc…. Sempre eloquente, Donald sempre nos passa toda a crueza da vida em linhas suaves…. Confiram abaixo:

Escrever tem dessas coisas. Mencionei a posição dúbia do papa para com o ecumenismo; leitora escreveu-me que se o papa não aprovava “esse tal de ecumenismo”, coisa boa não era! Obviamente, não tinha a menor noção de seu significado, que vem de “aldeia”, um lugar onde as pessoas convivem e se aceitam sem se acharem superiores às outras. Da outra, disse que o “workalcolic” tinha uma doença que deveria ser tratada. Antes de fazê-lo, pesquisei no são Google e em livros e indaguei especialista. A reação não foi das melhores!

Em “Fogo Pálido”, Vladimir Nabokov (para ajudar: autor de “Lolita”) escreveu: “La Fontaine errou: morta a mandíbula, a canção perdura”. Não foi La Fontaine o autor da fábula, foi Esopo, mas o francês a colocou num poema que todo mundo que um dia estudou a língua teve de aprender. Bilac inventou outra fábula, enaltecendo a canção, e Khalil Gibran chamou de limitado o pensamento que coloca o labor da formiga acima da música da cigarra. Nabokov foi perfeito: a mandíbula um dia para; a canção é perene. Não só a canção: a arte.

Quem montou o primeiro tanque de guerra? E quem compôs a Nona Sinfonia? Quantos sabem a resposta para a primeira pergunta? E para a segunda? Em uma religião, o que vem antes, o templo ou a palavra? Quando os bens acumulados se vão, o assobio não fica guardado e um dia se manifesta e faz carinho no coração? Se, da contemplação da beleza, aparente ou oculta, não nascessem quadros, esculturas, poemas, acordes, seríamos mais ou menos felizes?

O conceito de que fazer arte não é trabalhar tem várias origens, todas elas burras; quem faz arte, normalmente, tem outra visão das coisas, não gosta de caretice, não vê sentido em regras sem sentido e por aí vai, mas trabalha, e muito. Ou pintar a Capela Sistina foi um descanso para Michelangelo? E como podemos classificar o esforço de Beethoven, surdo, mandando cortar as pernas do piano para, pela vibração no solo, melhor identificar as notas? E o escritor que passa dez horas por dia escrevendo e mais um tempo pesquisando? Quantos anos de duro aprendizado precisa a bailarina e, depois, quantas horas de ensaio para minutos de aplausos? Cigarras, sim, que trabalham para que o suor seja mais agradável. E gostam do que fazem. Talvez esteja aí a razão do preconceito”.

Feira do Livro de Joinville supera os 100 mil livros vendidos

Matéria publicada no jornal A Notícia de Joinville na edição de hoje atesta o grandioso sucesso desta edição da Feira do Livro. Matéria assinada por Roberta Benzati fala dos resultados, da alegria dos expositores, do futuro com nomes internacionais da literatura que podem vir com novos apoios culturais, e já destaca o período da Feira em 2013, confiram:

A 9ª edição da Feira do Livro de Joinville terminou com saldo de aproximadamente cem mil livros vendidos, 55 mil visitantes (estimativa até a manhã de domingo) e grandes expectativas para o ano que vem. Para Sueli Brandão, organizadora do evento, a feira deu um grande salto de qualidade este ano.

— Tivemos importantes nomes da literatura nacional e contamos pela primeira vez com um curador, que criou um tema e um slogan. Outro fator que possibilitou esse salto na qualidade foi o recurso financeiro conseguido pela Lei Rouanet, que foi um dos nossos maiores desafios nesses oito anos.

O professor James Schroeder reforçou a importância desse apoio financeiro para que as edições do evento ganhem ainda mais fôlego. — É interessante para o empresariado colaborar porque isso ajuda a projetar o nome da cidade na qual eles mantêm seus negócios, além de associar sua marca, seu produto, à cultura—, avalia.

Outro aspecto positivo observado por Sueli foi a participação de editoras renomadas como Ediouro, Positivo, Paulus e SM, entre outras. De acordo com a organizadora, os expositores querem voltar com o dobro do espaço no ano que vem. — Por que não podemos ter a maior feira de livros do País? Acho que temos que lutar por isso—, comenta Schroeder.

A Feira do Livro de 2013 já tem data marcada: será realizada de 5 a 14 de abril. A organização estuda ainda a possibilidade de trazer um nome de peso da literatura internacional na próxima edição. Algumas melhorias também estão sendo previstas, como reforçar a acústica do pavilhão e fortalecer a campanha do vale-livro, que não teve o apoio esperado.

O curador, Alcione Araújo, explica que a proposta da feira deste ano foi valorizar a cultura e o conhecimento. Ele citou a grande participação do público infanto-juvenil no evento, mas destacou a baixa adesão de jovens estudantes e universitários. — Senti essa lacuna do ensino superior. A feira está aberta, oferece diversas atividades. Por que as universidades não vêm para cá fazer uma aula de literatura com os próprios escritores, por exemplo?—, questiona.

No sábado, o movimento de visitantes foi intenso durante todo o dia, e os joinvilenses se mostraram satisfeitos com a 9ª edição da Feira do Livro. — Sempre trago as crianças. Acho que a feira tem que continuar e ser cada vez mais valorizada. É fundamental valorizar a literatura—, comenta a visitante Silvia Fernandes.

Ivete Eifeer, outra visitante, destacou a grande variedade de livros à venda. — Venho todos os anos e agora me parece ter mais opções de obras. O movimento também chamou a atenção, é um volume grande de pessoas. Para a organização, esse foi mais uma passo para transformar Joinville na Cidade da Leitura.

— Agora precisamos trabalhar para nos tornarmos referência e trazer delegações de outros estados do País—, conclui Sueli”.

Confraria do Escritor na Feira do Livro valoriza o pensamento da gente local

Confraria do Escritor tem espaço bacana para conversas com escritores locais na Feira do Livro. Olha eu aí com Jura Arruda e Giane Maria de Souza

Um dos melhores momentos da nona Feira do Livro de Joinville (SC) tem sido o espaço para a Confraria do Escritor, diariamente no auditório da Feira. Tive a honra de ser convidado para participar de um desses momentos de construção de conhecimento, troca de ideias, conversa boa, ontem – domingo – às 15 horas. Com a mediação do amigo, escritor, publicitário e artista Jura Arruda, eu e a professora, pesquisadora, historiadora e escritora Giane Maria de Souza, falamos sobre mídia, comunicação, sindicalismo, trabalhadores, pensamento, literatura, mídias sociais, enfim, um caldão bem bacana que foi prestigiado por poucas pessoas, mas importantes pessoas interessadas em pensar diferente.

Diz o ditado, e o dia a dia dos profissionais mostra muitas vezes isso, que santo de casa não faz milagres. Creio que esse ditado tenha de ser modificado pela ação contínua nossa, dos escritores, jornalistas, artistas, poetas, todos os profissionais, para que a cultura local seja valorizada, ampliada, motivada, preservada, impulsionada e prestigiada… É um grande passo que os autores locais conquistaram, lançando seus livros na Feira, mostrando todo o talento que a sempre festejada Joinville tem, mas que por longos tempos teve vergonha de mostrar.

Recomendo a todos que passem na Feira e sempre observem no fundo do pavilhão, bem ao lado da praça da leitura e também ao lado do espaço do artista Humberto Soares. Aliás, essa é uma das pequenas, grandes?, falhas na Feira, a falta de uma comunicação visual melhor, criativa. Muitas pessoas não encontram os locais sem se perder e perder os horários. Mas, como dizia, não custa nada, não é demorado nem chato, podem ter certeza. O bate-papo é construtivo, e você sai de lá com novas ideias de mundo, e sabendo que sim, temos vida inteligente e muita na maior cidade catarinense além dos apadrinhados da mídia tradicional, ou dos já consagrados por longos anos de trabalho. Para a Sueli Brandão e todos os que fazem a Feira do Livro cada vez maior e melhor, os meus parabéns e meu muito obrigado pela oportunidade. Ao Jura Arruda e toda a Confraria do Escritor, que me acolher com muito carinho, minha gratidão permanente. Vamos juntos lutar por mais espaços para a cultura e arte da nossa gente!