MPSC vai investigar o ensino virtual em SC; denúncia foi feita pelo SINTE/SC

O SINTE/SC apresentou denúncia ao MPSC contra o Plano de Atividades para aulas não presenciais, elaborado pela Secretaria de Estado da Educação, com a finalidade de cumprir o calendário letivo de 2020. A representação do Sindicato apontou inúmeros problemas na oferta de ensino por meio virtual, a saber:

a) Falta de capacitação e estrutura para que professores e alunos possam utilizar as ferramentas disponíveis de atividades virtuais;
b) ofensa a universalidade e a garantia ao padrão de qualidade da educação, considerando que nem todos os professores e alunos tem as mesmas oportunidades de acesso às atividades virtuais;
c) os alunos sem acesso à plataforma digital serão obrigados a descumprir as medidas de distanciamento social e, por conseguinte, os gestores e professores são obrigados a comparecer e permanecer nas Unidades Escolares; em tais circunstâncias, há risco concreto de transmissão e contágio pelo COVID 19;
d) as atividades não presenciais prejudicam a aprendizagem, porque os alunos não podem contar com a presença dos gestores e professores para oferecer o suporte pedagógico, especialmente nos casos de baixa escolaridade e da necessidade de atendimento especial;
e) por fim, o SINTE/SC questiona os gastos que o Estado realizou para a contratação das plataformas virtuais que serão utilizadas.

O Promotor de Justiça responsável determinou a instauração de um procedimento denominado “Notícia de Fato”, como a expedição de ofício à Secretaria de Estado da Educação a fim de que, no prazo de dois dias úteis, justifique a forma de implantação do Regime Especial de ensino não presencial. De partida o MPSC cobrou da SED a razão porque professores e gestores devem comparecer as unidades escolares se a Resolução 009/2020 do CEE determina a manutenção de atividades pedagógicas sem a presença de professores e alunos nas dependências escolares.

O MPSC também exigiu informações sobre quais as medidas higiênico-sanitárias a SED está adotando para assegurar a saúde de professores, gestores e estudantes que comparecem as escolas. Outra questão que preocupa o MPSC é saber se houve a capacitação de professores para a utilização das plataformas digitais, como foi realizada e o percentual de participação docente. Com relação aqueles que não dispõe acesso à internet questionou-se se a SED dispõe de um planejamento para oferecer transporte seguro para gestores, professores e alunos que devem se deslocar até as unidades escolares para viabilizar a implantação do regime especial de atividades não presenciais.

As dúvidas do MPSC abrangem também a capacidade de o ensino virtual atender a carga horária necessária para o aluno e as condições de se aferir a efetiva transmissão e compreensão do conteúdo transmitido, em razão da impossibilidade de interação entre professores e alunos. Para a diretoria do SINTE/SC é muito importante o acatamento da denúncia feita pela entidade, porque inclusive vai investigar em detalhes o Regime Especial de ensino não presencial oferecido pela SED.

“É um importante avanço na luta pela qualidade do ensino público e gratuito, a defesa da universalidade do processo ensino/aprendizagem, bem como pela preservação da saúde e da vida digna de todos os profissionais do magistério”, assinala a note enviada ao Blog pela diretoria executiva do SINTE/SC.

Coronavírus SC – Governo informa 1.170 casos confirmados no estado

O Governo de SC acaba de atualizar os números da Covid-19 no estado. Agora praticamente todas as regiões tem casos confirmados, inclusive nos menores municípios. O governador Carlos Moisés (PSL) anuncia que até o momento temos 1170 casos confirmados em 104 cidades, e 42 óbitos em 26 cidades. Ao lado do secretário da Saúde, Helton Zeferino, Moisés ressaltou muito para que as pessoas fiquem em casa se puderem, e ao sair, tomem todas os cuidados com a higienização, uso de máscaras, e que não devem sair somente porque atividades foram liberadas com restrições.

Ontem eram 1115 casos e 39 mortes, o que demonstra que a contaminação avança, enquanto as mortes se mantém controladas. A Fecam reclamou que o governo do Estado tem deixado de notificar os casos das cidades, ou seja, há uma alta subnotificação, cerca de 400 a 500 casos apenas no momento. O órgão representativo dos Prefeitos quer mais abertura e transparência por parte do Governo. Helton Zeferino ressaltou que as pessoas não saiam de casa, caso necessitem de fato sair, sem a máscara. Carlos Moisés finalizou a entrevista coletiva alertando para o número de mortes no país, 407 em um dia. “Atenção as pessoas para que se cuidem, evitem sair, e se sairem por motivos reais, usem máscara”, destacou também o Governador.

Coronavírus – Brasil registra 407 mortes em 24 horas

Em um dia, o Brasil registrou o maior número de óbitos decorrentes da covid-19. De acordo com os dados divulgados na tarde de hoje pelo Ministério da Saúde, nas últimas 24 horas foram notificados 407 novos óbitos. O número de casos confirmados de pessoas infectadas no país também aumentou para 49.492, o que representa 3.735 novos casos confirmados. E há governos liberando atividades que acabarão reunindo multidões, gerando contaminações em massa… Triste o que virá por aí.

América Latina enfrentará o “pior momento” da pandemia, alerta OMS
Os países da América Latina vão presenciar impactos mais fortes da pandemia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “O epicentro da epidemia está se mudando da Europa para as Américas, o que nos deu tempo para nos preparar para o que está por vir”, afirmou, nesta quarta-feira (22), o representante da OMS e da Opas-braço da organização nas Américas- no México, Cristian Morales. As informações são do portal de notícias Uol.

“O que não é tão benéfico e o que não podemos escapar é que estamos prestes a experimentar o pior momento da epidemia na região e no México”, completou Morales. Diante dessa situação o representante da OMS orientou os países a potencializarem o processo de testagem da população para o coronavírus.

  • com informações de Ag. de Notícias e Congresso em Foco

O libera geral perigoso

Duas lideranças haviam se destacado em SC até aqui no combate à pandemia do Covid-19, famoso coronavírus: o governador Carlos Moisés (PSL) e o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM). O Prefeito saiu na frente ao determinar fechamento de escolas, cuidados com a alimentação dos alunos, e posteriores decretos de isolamento social e cuidados da população. Moisés reagiu e também iniciou a tomar medidas duras para evitar que o contágio assumisse proporções catastróficas no estado.

Mas aí começaram as pressões do setor econômico, legítimas, por conta do fechamento geral de comércios, indústrias, atividades diversas. Sem a economia funcionando, empregos e renda em risco, inclusive para que o próprio governo, estados e municípios, seguissem na batalha. Sem dinheiro, nada se concretiza. Da coragem inicial de ambos, começaram a rasgar os discursos de proteção à vida, lentamente, mas com direção definida: reabertura geral que ambos negavam veementemente. O que a população aplaudia, hoje já apupa. Com o “libera geral” feito por ambos em tempos minimamente diferentes, a população se obriga a ir ao trabalho e se expor claramente ao vírus mortal.

A escalada maior da contaminação ainda nem chegou com força ao país inteiro, e tampouco em SC. Cantar vitória antecipadamente não é boa política. Vidas, e milhares delas, estão em jogo. Todos sabemos que a massa se movimenta de acordo com o caminho apontado. Também não temos a cultura da prevenção como outros países que já sofreram pandemias e guerras, têm. Em breve todos acabam relaxando, humanamente natural, e passam a sequer lembrar de higienizar mãos, usar máscaras, etc. O risco de termos a doença vencendo por aqui, ficou grande.

Que tenhamos muita sorte, porque prudência e mais coragem tem faltado à maioria dos Prefeitos, mas não se esperava a mesma atitude das duas lideranças destacadas. Nós aqui já haviamos elogiado a ambos. Agora tememos por suas atitudes temerárias. O perigo está a solta com o libera gera. Cuidem-se, e fiquem em casa ao máximo que puderem.

Deputado propõe que Alesc defina o final do estado de calamidade pública em SC

O deputado estadual Sargento Lima (PSL) pretende alterar o decreto legislativo 18.332, de 20 de março deste ano, que estabelece o prazo de calamidade pública, em SC, até 31 de dezembro deste ano em decorrência da pandemia provocada pelo coronavírus. Até lá, o governo está dispensado de atingir resultados fiscais.

Lima propôs que os relatórios mensais produzidos pela comissão parlamentar e o secretário da Fazenda, sobre a situação econômica de SC, sejam submetidos ao plenário da Alesc. Com base neles, os deputados decidiriam pela manutenção, ou não, do estado de calamidade.

O líder do PSL argumenta que a pandemia não tem um comportamento uniforme e os números oscilam de acordo com a região. Assim, diz ele, o cenário poderá permitir que o estado de calamidade seja suspenso antes do dia 31 de dezembro, voltando o governo a se submeter a regras mais rígidas de controle.

Decretos
No dia 20 de março a Assembleia Legislativa aprovou decreto legislativo decretando calamidade pública, e no último dia 17 de abril o Governo do Estado publicou decreto no mesmo sentido, o que lhe dá mais liberdade de ação para enfrentamento à pandemia do Coronavírus. Após o episódio do hospital de campanha milionário de R$ 78 milhões sem licitação, com indícios de direcionamento para um grupo somente no tempo recorde de 48 horas, os deputados acenderam o alerta e querem apertar a fiscalização. A licitação foi cancelada pelo Governador após várias denúncias e intervenção do TCE e MPSC.

Sob o Covid-19 e Bolsonaro, o Brasil pode virar a tragédia da vez

Mandetta saiu. Entra Nelson Teich. Nada muda. Pode acreditar. E sabe por quê? Porque quem governa o Brasil é Jair Bolsonaro e seus filhos. Despreparado, ignorante, incapaz de gerir até seu gabinete em 30 anos de “mandatos” parlamentares que ninguém sabe dizer ao que serviu, o inquilino do Palácio do Planalto aposta no caos, no confronto entre os brasileiros e brasileiras por conta de visões de mundo diferentes. Tudo tem uma estratégia de poder, de aposta na ruptura institucional. A vida, para ele, não tem valor algum

É o que se depreende das atitudes do Presidente da República. As informações do mundo – apenas ontem nos EUA, pátria a qual Bolsonaro admira mais que o Brasil, morreram 4,5 mil pessoas por Covid-19 – mostram que é uma calamidade crescente que logicamente atinge a economia, empregos, renda de todos. Jogar parte da população para o matadouro como circular, ir a escola, comprar e vender abertamente nas ruas e comércios é contramão de tudo o que é real. Quem pode acreditar que isso não existe, e que aqui no país nada acontecerá. É ignorância sem fim.

Portanto não há como esperar algo de bom da química entre o coronavírus e Bolsonaro, a não ser o caos e confronto. Ontem mesmo ao anunciar o novo ministro da Saúde, já chamou para a briga o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Não contente, acusa Maia de tramar a sua derrubada. Sem provas, sem movimentos no horizonte. Em nenhum momento se ouve o Presidente liderar com serenidade, cuidados com o seu povo e a vida. Qual líder mundial faz o que Bolsonaro faz? Só o seu chefe Trump. Os demais cuidam de salvar ao máximo a vida dos seus.

O que nos cabe como brasileiros e brasileiras é continuar a resistir e se tiver que ser, com desobediência civil. Vamos explicar melhor: Desobediência civil, é uma forma de protesto político, feito pacificamente, que se opõe a alguma ordem que possui um comportamento de injustiça ou contra um governo visto como opressor pelos desobedientes. É o que temos. A maioria da população quer cuidados e prevenção, proteção. O Presidente quer defender somente interesses de meia dúzia de grandes empresários e a economia.

Produção e giro de dinheiro como desejam os capitalistas hard só existem se pessoas estiverem bem, saudáveis, vivas e com alguma renda. Essa massa de gente dá vida ao capitalismo. Sem elas de pé, nada existe para o modelo econômico em que vivemos. Portanto, preservar vidas é preserva o sistema que eles acham o melhor. Antes que o caos se instale de vez, há que se colocar o Presidente em seu lugar e vedar ações inconsequentes que tem implementado. STF, Congresso Nacional e juízes tem até tentado, mas é pouco. Que tenham habilidades para evitar o caos. Bolsonaro e seguidores só sobrevivem de caos. Extinguir o caos, é o caminho. E no mais, fiquem em casa, usem máscara, protejam os seus, e assim protegerão a coletividade.

Pesquisa da Fiesc aponta para corte de 165 mil postos de trabalho na crise do Covid-19

A crise do coronavírus já custou 165 mil empregos na indústria de Santa Catarina. Esse número representa uma redução de 21% na quantidade de trabalhadores formais no setor, que fechou 2019 com 786 mil empregados e agora está com 621 mil, mostra pesquisa feita pelo Observatório da Federação das Indústrias (FIESC), divulgada nesta quinta-feira (16). A análise, que mede os impactos após o início do período de isolamento, mostra ainda que, no estado, houve retração de R$ 3,4 bilhões na produção industrial, diminuição de R$ 3,1 bilhões nas vendas no mercado interno e redução de R$ 327 milhões nas exportações industriais. Confira aqui e veja a apresentação completa da pesquisa

“É uma fotografia dramática, que quantifica o impacto que já é sentido pelas empresas e trabalhadores. O levantamento mostra como a crise está desestruturando um estado que estava em crescimento e deixa claro que é necessário que as medidas de apoio ao setor produtivo precisam ser mais objetivas”, afirma o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar. Passado um mês do início da crise, uma série de pleitos encaminhados pela indústria buscando a sobrevivência das empresas e a manutenção dos postos de trabalho segue sem respostas”, acrescenta. Aguiar se refere a questões como a postergação e parcelamento do recolhimento do ICMS e das faturas de energia elétrica.

O levantamento informa que, dos 17 setores consultados, os mais impactados do ponto de vista do emprego são equipamentos elétricos (-41,7%), confecção (-41,4%), automotivo (-39%), madeira (31,3%), bebidas (-29,3%), móveis (27,6%), cerâmica (-27%), construção civil (-23,8%), gráfico (-23,8%) e produtos químicos (20,9%).

Ainda na análise, as empresas sugerem medidas que poderiam ser adotadas em âmbito municipal, estadual ou federal para minimizar os impactos. Entre elas, destacam-se: isolamento vertical (26% dos respondentes), incentivos fiscais (15,8%), flexibilização do acesso ao crédito (15,3%) e retorno gradual às atividades (11,5%).

As indústrias também avaliaram as medidas dos governos para o enfrentamento da pandemia: em relação às ações do governo federal, 62,8% consideram positivas e 26,6% avaliam como negativas. Quanto ao governo estadual, 67,4% consideram as medidas negativas e 24,6% avaliam como positivas. Em relação às ações municipais, 39,3% consideram negativas e 42,4% positivas. 

Sobre a pesquisa – A amostra da pesquisa é formada por 740 empresas respondentes, das quais 8,1% são grandes, 37,6% médias e 54,3% pequenas, de 129 municípios catarinenses.

SC confirma 853 casos confirmados e 28 mortos por coronavírus

Santa Catarina chegou ao número de 853 casos confirmados de Covid-19 e 28 mortes causadas pelo novo coronavírus. A atualização foi divulgada pelo governador Carlos Moisés em entrevista coletiva online no início da noite desta terça-feira, 14. O número de casos confirmados representa um aumento de 3,3% em relação ao dia anterior. Os dois óbitos que entraram nos registros são de idosas de 84 e 75 anos, de Braço do Norte e Camboriú, respectivamente

O número de municípios com pelo menos um morador com confirmação de infecção por coronavírus permanece 84, sem alterações em relação ao dia anterior. Há 18 cidades com registro de ao menos um óbito.

O estado tem 97 pacientes em unidades de terapia intensiva (UTI) para Covid-19, entre casos confirmados (55) e suspeitos (42). Desses, 60 estão utilizando ventiladores mecânicos. Desde o início da pandemia, 112 pessoas já tiveram alta da UTI para leitos de enfermaria.

Casos confirmados por município

Águas Mornas – 1
Anita Garibaldi – 1
Antônio Carlos – 11
Araranguá – 4
Aurora – 1
Balneário Arroio do Silva – 2
Balneário Camboriú – 57
Balneário Gaivota – 2
Balneário Piçarras – 2
Barra Velha – 1
Biguaçu – 2
Blumenau – 69
Botuverá – 2
Braço do Norte – 25
Brusque – 17
Caçador – 2
Camboriú – 45
Canelinha – 1
Capivari de Baixo – 1
Chapecó – 6
Cocal do Sul – 1
Criciúma – 41
Florianópolis – 207
Forquilhinha – 1
Garopaba – 2
Gaspar – 5
Governador Celso Ramos – 3
Gravatal – 10
Guabiruba – 2
Guaramirim – 1
Içara – 7
Imbituba – 10
Indaial – 3
Ipumirim – 2
Irati – 1
Itajaí – 39
Itapema – 7
Itapiranga – 1
Jaguaruna – 3
Jaraguá do Sul – 10
Joaçaba – 1
Joinville – 64
Lages – 10
Laguna – 4
Mafra – 1
Massaranduba – 1
Morro da Fumaça – 2
Navegantes – 7
Nova Trento – 1
Orleans – 2
Palhoça – 11
Papanduva – 2
Paulo Lopes – 1
Pedras Grandes – 2
Pescaria Brava – 1
Pomerode – 1
Porto Belo – 5
Rancho Queimado – 2
Rio do Sul – 1
Rio Negrinho – 1
Rio Rufino – 1
Sangão – 2
Santa Cecília – 1
Santa Rosa de Lima – 2
Santo Amaro da Imperatriz – 1
São Bento do Sul – 1
São Domingos – 3
São Francisco do Sul – 2
São José – 31
São Lourenço do Oeste – 2
São Ludgero – 6
São Pedro de Alcântara – 1
Schroeder – 1
Siderópolis – 5
Sombrio – 8
Tangará – 1
Tijucas – 4
Timbé do Sul – 1
Timbó – 1
Treze de Maio – 2
Tubarão – 32
Urussanga – 3
Vidal Ramos – 1
Videira – 1
Outros estados – 9
Outros países – 3

Óbitos por município

Antônio Carlos – 3
Balneário Gaivota – 1
Braço do Norte – 1
Camboriú – 1
Criciúma – 4
Florianópolis – 3
Gaspar – 1
Indaial – 1
Itajaí – 2
Joinville – 2
Massaranduba – 1
Palhoça – 1
Pedras Grandes – 1
Porto Belo – 1
São Ludgero – 1
Sombrio – 1
Tubarão – 2
Urussanga – 1

Coronavírus – Estudo da UFSC aponta risco em flexibilização de isolamento

Um grupo formado por engenheiros e matemáticos da Universidade Federal de Santa Catarina (campi de Florianópolis, Blumenau e Joinville) e da Univille de Joinville, e pelo professor Oscar Bruna-Romero, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC, preparou uma análise técnico-científica, encaminhada nesta sexta-feira, 10 de abril ao reitor da UFSC, Ubaldo Cesar Balthazar. O estudo aponta uma significativa expansão recente da Covid-19 no estado de Santa Catarina.

“Esses dados só confirmam e reforçam a seriedade e responsabilidade das medidas que estamos adotando.  Fiquem em casa”, reforçou o reitor da UFSC. Os dados serão encaminhados ainda nesta data ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Os especialistas trabalharam com modelagem matemática e usaram os dados reais da infecção que está acontecendo em Santa Catarina, no Brasil e no resto do mundo. Os dados demonstram que, como provável consequência da retomada parcial das atividades no estado durante as últimas duas semanas, é possível observar, desde a quinta feira dia 1° de abril (ver gráficos abaixo), um aumento muito significativo e imprevisto no número de casos positivos para Coronavírus, que deverá continuar durante os próximos dias e semanas.

Da mesma forma, “o número registrado de óbitos por Covid-19 mais do que triplicou no nosso estado durante a última semana (passou de 5 para 18), mostrando que não é fácil evitar um desenlace trágico na evolução de muitos pacientes”.

A conclusão dos cientistas é que, em nenhum país até agora foi observada uma taxa de óbito da população geral inferior a 0,7%. “Nem nos países com a melhor tecnologia de diagnóstico e controle de espalhamento da infecção; isto representaria um número mínimo de mais de 1,4 milhão de mortes no país e mais de 50 mil mortes no estado de Santa Catarina”.

Portanto, escreve Bruna-Romero, “não existe qualquer justificativa científica para a flexibilização de medidas de isolamento social restrito (quarentena total) mantido até o controle da pandemia”.

>> Leia, na íntegra, o estudo encaminhado ao reitor da UFSC

Cenários

Os gráficos gerados a partir dos dados oficiais mostram que, até o dia 1° de abril, havia um efetivo “achatamento” da curva dos números de infectados.

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No entanto, após essa data, observa-se um aumento cada vez menos controlado dos casos. “Após o relaxamento do isolamento social (coincidindo com a ‘janela de infecção-patologia’ da Covid-19, ou seja o tempo desde que o vírus entra até que os sinais e sintomas aparecem) esse ‘achatamento’ desapareceu e a curva retomou uma tendência exponencial de crescimento, como pode ser observado a seguir”.

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‘Verticalidade Exponencial’

A nova curva, concluem os cientistas, “está atingindo as características (verticalidade exponencial) de países com altíssimo crescimento do numero de casos, como são a Itália ou os Estados Unidos (ver a seguir), e mostrando também que, ainda dentro do nosso país, temos no estado algumas das cidades com maior aumento do numero de casos”.

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Tendência

A mesma tendência da curva é observada também no cenário nacional. “Acreditamos que possa ser consequência de algum pronunciamento a respeito do relaxamento da quarentena proferido por alguma autoridade nacional entre os dias 24-26 de março (5-7 dias antes do efeito observado, como corresponde com a janela infecção-patologia da Covid-19)”.

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As conclusões do documento apontam que “a situação está longe de ser controlada”. O grupo reforça que “não existe qualquer justificativa científica para a flexibilização de medidas de isolamento social estrito (quarentena total) mantido até o controle da pandemia”.

“De posse destes dados, somente podemos concluir que está acontecendo uma aceleração descontrolada da curva epidêmica, e que a flexibilização da quarentena, sem a possibilidade de identificação dos infectados pela falta de testes diagnósticos, levará de forma irremediável à subsequente infecção de milhares de pessoas, e à convergência quase imediata com as terríveis taxas de contágio e morte associadas que estão sendo observadas em outros países do mundo”.

A indicação do professor Bruna-Romero é que haja “teste exaustivo de todos os possíveis indivíduos infectados e seus contatos próximos, somente permitindo uma liberação gradual e controlada de indivíduos curados ou que não representem riscos, após ter alcançado essa massiva capacidade diagnóstica”.

** com informações da Ascom/UFSC

Bilhetes levam carinho a pacientes com Covid-19 em Lages (SC)

Uma ação de humanismo e sensibilidade chama a atenção na ala de internamento para os pacientes com o novo Coronavírus no Hospital Tereza Ramos de Lages. Bilhetes com mensagens de força e inspiração foram colocados para dar um pouco de alento às pessoas atingidas pelo vírus.

A iniciativa partiu da enfermeira responsável pela ala, Raiza Ciceri, que notou o quão difícil foi para os pacientes lidar com o isolamento imposto. No início, não eram permitidos nem objetos pessoais como telefones celulares. Além disso, o contato dos profissionais da saúde com os pacientes é o mínimo. “É muito difícil não poder tocar no paciente, não poder pegar na mão. Eles sentem isso”, conta a enfermeira do HTR, Thayse Alves.

“Já estão passando por um período complicado, sem família, sem contato, então surgiu daí a ideia da nossa enfermeira do setor o amenizar o sofrimento e humanizar o atendimento”, diz Thayse, que completa: “Tem sido muito legal. Eles se emocionam e nós também. É tão simples, mas é gratificante”, comenta a enfermeira.

Há quem diga que após o Coronavírus poderemos nos transformar em uma sociedade melhor. O que você pensa sobre isso? É possível?