Selo de Qualidade para restaurantes em Floripa

A gastronomia é um dos pontos fortes de qualquer cidade turística no mundo, e um indicador importante para a qualificação que o turista dá à cidade, região, estado ou país quando o visita, ou a visita. Florianópolis busca qualificar o setor da gastronomia agora instituindo um selo de qualidade para a procedência e preparo dos pescados.

A Secretaria de Turismo, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico iniciou uma campanha para incentivar o registro de restaurantes no Serviço de Inspeção Municipal (SIM). Equipes da prefeitura, em parceria com a Vigilância Sanitária vão visitar estabelecimentos e conscientizar sobre a importância do registro.

O selo do serviço atesta a qualidade e procedência dos pescados e garante que o beneficiamento (higiene, acondicionamento, embalagem e rotulagem) dos alimentos seguiu uma série de boas práticas. Pescadores que fornecem pescados para restaurantes e que realizam esse processo antes da venda, são obrigados por lei, a apresentarem o registro no SIM.

Os restaurantes que optam por serem os responsáveis por esse beneficiamento também são obrigados por lei, a apresentar o selo.

Com a campanha “Diga SIM ao SIM”, a Prefeitura de Florianópolis quer educar os restaurantes sobre a importância da garantia da procedência dos pescados.

“Essas ações visam garantir que os alimentos não apresentem riscos à saúde da população e que tenham sua procedência e qualidade garantida. ”, explica o superintendente de Pesca, Maricultura e Agricultura, Adriano Weickert.

De acordo com a lei 555/2016 e decreto 18.185/2017 que regulamenta a legislação em Florianópolis, os restaurantes devem comprovar procedência da matéria-prima dos alimentos comercializados no local. Se encontrado em situação irregular, o estabelecimento pode receber intimação ou auto de infração da vigilância sanitária e passa a responder processo administrativo.

Sem dúvidas é uma medida acertada, mas que precisa da adesão tanto de quem pesca e vende, quanto de quem compra e prepara os pescados para o consumidor final. Outra atitude que a Prefeitura da Capital precisa tomar e com grande urgência é a qualificação dos trabalhadores no setor de turismo como um todo. Na média, o atendimento deixa a desejar por diversos fatores.

Obrigado Boechat!

A estúpida morte do maior nome do jornalismo brasileiro, e porque não dizer um dos maiores do mundo, Ricardo Boecht, 66 anos, em uma queda do helicóptero que o levava de Campinas para São Paulo ontem (11/2), enche o jornalismo e toda a sociedade de luto.

Boechat foi um daqueles profissionais que orgulha a quem faz do jornalismo o seu sacerdócio. De forma ímpar, crítico ácido e mordaz dos políticos, empresas, empresários que burlam a lei e se escondem atrás de imunidades, poder econômico e intimidações, ele foi meu mestre no jeito de buscar fazer jornalismo sério, com humor, e com alto grau de profissionalismo. Minha inspiração para fazer jornalismo como faço, que não chega sequer perto do que o mestre fazia, veio dele.

A perda da voz número do bom jornalismo brasileiro faz pensar, e agitar sobre o nosso meio: tá na hora de sacudir a poeira e fazer um jornalismo como manda o figurino, com a imparcialidade, a objetividade, o compromisso com o leitor, a sociedade, e não com os poderosos, os esquemas, o poder econômico e os interesses inconfessáveis que mancham e quase enterram também o jornalismo.

Ricardo Boechat nos deixa órfãos, mas ao mesmo tempo nos incita ao movimento de recuperação do bom jornalismo opinativo, informativo, que critica com acidez, sem perder a ternura. Que vai em busca da verdade, do furo jornalístico sem atacar os princípios básicos da apuração sem cessar, do cuidado com o manejo das fontes e informações, com o desejo de iluminar o que não se quer iluminado.

Gratidão mestre, você se foi de forma tão trágica e inesperada que causa espanto, assim como os fatos nos surpreendem no exercício da profissão. Que o Criador conforte a sua família, seus filhos, seus fãs como eu, e que de onde estiver, continue a nos enviar lucidez e os bons caminhos para o nosso trabalho de informar.

Nono dígito para celulares passa a valer na próxima segunda-feira em Santa Catarina

palavralivre-nono-digito-celulares-santa-catarinaCelulares com os DDDs 47, 48 e 49 de Santa Catarina vão receber o nono dígito a partir da próxima segunda-feira, 6. Os usuários de telefonia móvel devem acrescentar o número nove em sua agenda.

As ligações com oito dígitos ainda serão completadas por um tempo determinado, durante o processo de adaptação dos usuários e das redes, mas após esse período as chamadas não serão mais completadas. Mensagens de SMS e MMS também não serão enviadas se forem usados oito dígitos.

Para facilitar a adaptação dos consumidores, o Procon de Santa Catarina recomenda o uso de aplicativos para realizar a mudança.

“Existem alguns aplicativos que fazem a atualização total da agenda. Isso faz com que o consumidor evite a perda de dados ou fique sem a comunicação com o seus contatos”, afirma  o diretor do Procon, Maycon Baldessari.

O diretor lembra também que as empresas de telefonia não podem cobrar pela aumento de dígitos. “Como essa inclusão é uma exigência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), então as empresas são obrigadas a fazer essa mudança sem custo adicional para os consumidores”, diz.

Além de Santa Catarina, os DDDs do Paraná (41, 42, 43, 44, 45 e 46) e do Rio Grande do Sul (51, 53, 54 e 55) também terão o algarismo 9 adicionado a seus números. Os telefones fixos continuam com oito dígitos.

Passe livre para deficientes físicos em ônibus interestadual vale para todo o país

palavralivre-deficientes-fisicos-passe-livre-onibus-interestadualO direito de deficientes físicos carentes ao passe livre em ônibus interestaduais, sem limite de dois assentos, é válido em todo o país. Assim entendeu a 2ª turma do STJ ao confirmar a abrangência nacional de uma decisão do TRF da 3ª região, que reconheceu o direito.

A decisão foi tomada após análise de recursos de empresas de ônibus e da União. O TRF havia assegurado o passe livre instituído pela lei 8.899/94, sem a limitação do número de assentos imposta pelo artigo 1º do decreto 3.691/00, e estendido seus efeitos para todo o território nacional.

Ação
Em 2000, o MPF ajuizou ação civil pública, em Campo Grande/MS, para garantir o direito ao passe livre assegurado pela lei 8.899/94 às pessoas com deficiência e carentes, uma vez que o Poder Executivo não regulamentou a matéria no prazo de 90 dias, conforme previsto pela legislação.

O juízo da 4ª vara Federal de Campo Grande julgou procedente a ação e determinou que a abrangência do passe livre ficasse restrita à circunscrição territorial da 1ª subseção Judiciária de Mato Grosso do Sul. O MPF recorreu então ao TRF da 3ª região por discordar dessa limitação territorial, e argumentou que negar efeito nacional representaria violação do princípio constitucional da igualdade.

“Ora, todos os deficientes brasileiros fazem jus à gratuidade do transporte interestadual de passageiros, e não apenas os residentes, ou em trânsito, em Campo Grande e outras cidades incluídas na competência territorial da 1ª Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul.”

Recurso
O Tribunal Regional aceitou os argumentos do MPF e estendeu os efeitos da sentença para todo o território nacional. Inconformadas, as empresas e a União recorreram ao STJ. Entre as razões, argumentaram que a decisão deveria ter efeito apenas regional, e não nacional.

A União argumentou ainda que deveriam ser reservados apenas dois assentos por ônibus, em nome do princípio da razoabilidade. Mas, no julgamento no STJ, o relator do caso, ministro Herman Benjamin, afastou os argumentos apresentados pelas empresas e pela União.

Sem lindes geográficos
Para o ministro, recorrer aos limites da competência para reduzir a efetividade de uma sentença em ação coletiva implica infringência às regras do CDC, que determinam que o juízo do foro da capital do Estado ou do DF detém competência absoluta para julgar as causas que tratem de dano de âmbito regional ou nacional.

O relator citou entendimento do STJ, segundo o qual “os efeitos e a eficácia da sentença não estão circunscritos a lindes geográficos, mas aos limites objetivos e subjetivos do que foi decidido, levando-se em conta, para tanto, sempre a extensão do dano e a qualidade dos interesses metaindividuais postos em juízo”.

Competência suprema
Em relação ao argumento de que deveriam ser reservados apenas dois assentos por ônibus, Benjamin ressaltou que a decisão do TRF “teve viés constitucional” e que não seria possível ao STJ analisar tal questão, sob pena de invadir a competência do Supremo.

Ele lembrou que a Corte de origem estabeleceu que a limitação de dois assentos em cada veículo, prevista no decreto 3.691/00, ofende os comandos constitucionais que asseguram tratamento diferenciado aos portadores de deficiência.

Com informações do STJ e Migalhas

 

Após caso do estupro coletivo no Rio, Senado aumenta pena para estupradores

PalavraLivre-vanessa-senadoraA pena para estupro coletivo pode chegar a 16 anos e oito meses de prisão, quatro anos a mais que a pena máxima prevista atualmente, de 12 anos e meio. Além disso, transmitir imagens de estupro pela internet também poderá ser tipificado como crime.

É o que prevê projeto aprovado por unanimidade nesta terça-feira (31) pelo Senado. O texto, que modifica o percentual de aumento da pena em caso de estupro cometido por duas ou mais pessoas, ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados.

O Projeto de Lei do Senado (PLS) 618/2015, apresentado no ano passado pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), ganhou destaque após a repercussão do estupro de uma jovem no Rio de Janeiro, neste mês. Antes da aprovação do projeto, os senadores votaram um pedido de urgência e a relatora, senadora Simone Tebet (PMDB-MS), ofereceu o relatório em Plenário, mesmo sem ter o texto fechado por escrito.

— A maioria dos casos passam ao largo das lentes das nossas retinas, mas não aqui, não no Congresso Nacional. O Congresso Nacional, ciente de sua responsabilidade, tem enfrentado essa questão — disse Simone Tebet.

Internet
O Código Penal estabelece pena de reclusão de 6 a 10 anos para o crime de estupro. Se for coletivo, a pena já é aumentada em um quarto, o que eleva a punição máxima para 12 anos e meio de prisão. O texto proposto por Vanessa Grazziotin aumentava a pena em um terço, fazendo com o que máximo fosse para pouco mais de 13 anos.

Com a mudança sugerida por Simone Tebet e aprovada em Plenário, o aumento de pena para estupro coletivo será de no mínimo um terço, podendo chegar a dois terços. O tempo máximo, assim, passará para mais de 16 anos. Para ela, a mudança permitirá ao juiz adotar um parâmetro elástico, que possa punir com maior ou menor rigor os criminosos, dependendo das circunstâncias do crime.

Simone Tebet também mudou o texto para tornar crime, punido com dois a cinco anos de prisão, a publicação do conteúdo que contenha cena de estupro por qualquer meio, inclusive pela internet. Segundo a relatora, a mudança preencherá um vazio legal, já que atualmente essa divulgação é punida com até seis meses, como injúria.

— Estamos trazendo para o Código Penal mais um tipo, diante desse vácuo normativo: divulgação pela internet, seja de que forma for — fotografia, vídeo, comentários, transferir, comentar — passa a ser crime quando essa divulgação for de imagens de estupro individual ou coletivo — explicou.

Unanimidade
A matéria, aprovada por unanimidade, foi elogiada pela maior parte dos senadores. Ronaldo Caiado (DEM-GO) aplaudiu a mudança por acreditar que o estuprador, atualmente, se sente confortável ao saber que passará pouco tempo na prisão. Aécio Neves (PSDB-MG) também ressaltou a questão da impunidade. Lúcia Vânia (PSB-GO) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) lembraram casos recentes de violência contra a mulher.

Lindbergh Farias (PT-RJ), no entanto, fez um alerta. Para ele, responder com aumento de pena não é o caminho ideal para resolver a questão da cultura do estupro no Brasil. O aumento da pena, segundo o senador, é insuficiente e o grande debate é sobre machismo e educação dos jovens.

— Passa não só pelo estupro, mas por atos que antecedem. Tentar agarrar uma mulher à força, beijar à força, tratar como um objeto. Uma cultura do machismo mais invisível, que tem chantagem emocional, tratar a mulher como pertencimento do homem. Eu acho que esse debate tem que ser mais amplo – afirmou. A mesma ponderação foi feita por Waldemir Moka (PMDB-MS).

A autora do projeto, Vanessa Grazziotin, disse que o texto contém avanços importantes, como a previsão do crime de divulgação de conteúdo de estupro. A senadora elogiou as mudanças feitas pela relatora,Simone Tebet, e a disposição do presidente do Senado, Renan Calheiros, que ligou para todos os líderes para viabilizar a aprovação do projeto. Ivo Cassol (PP-RO) voltou a defender a castração química dos estupradores, prevista em projeto apresentado por ele.

Hashtag
Durante a discussão, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou a interrupção do debate sobre o texto por senadores que queriam saudar o novo líder do governo, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Para ela, apesar de o novo líder merecer saudações, isso poderia ser feito após a discussão do projeto. A atitude dos colegas, disse, foi de desrespeito com as mulheres.

— Não é possível que o Senado da República, diante de tema tão importante, tão doído para a população e para as mulheres, se comporte dessa forma. Ficamos invisíveis aqui, falando, como invisíveis estamos agora na discussão desta matéria.

Logo após, Aloysio Nunes pediu ao presidente Renan Calheiros que colocasse o texto em votação para evitar mal-entendidos.

Sobre o caso do estupro da jovem de 16 anos, que motivou a celeridade na votação do projeto, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) sugeriu uma campanha com hashtag #deleteovídeodameninadorio. O objetivo é parar com a divulgação das imagens do estupro.

— Peço ajuda a todos aqueles que participam das redes sociais, que possam divulgar essa hashtag, para que possamos ter o maior sucesso possível e que essa menina possa recomeçar a sua vida, que possa sentir, de todo o Brasil, esse apoiamento, e que tenha esperança de que pode ter futuro, porque o Brasil deve garantir isso a ela.

Com informações da Agência Senado

Maternidade Darcy Vargas faz campanha por mais doações ao Banco de Leite Materno

PalavraLivre-doacao-leite-prematurosBebês prematuros ou nascidos de gestantes com dificuldades de lactação precisam de leite materno. Nesta quinta-feira, 19, é Dia Mundial de Doação de Leite Humano e as mães em fase de aleitamento podem fazer doações na Maternidade Darcy Vargas, em Joinville.

No Banco de Leite do hospital foi montada uma sala para receber as doadoras e também há o serviço de coleta a domicilio, uma vez por semana.

No ano passado foram coletados 1.351 litros de 741 doadoras, o suficiente para a sobrevivência de 673 bebês. Em 2014, o número de crianças atendidas foi maior: 1.544 litros e 701 recém-nascidos amamentados por doadoras.

“A data é um momento especial de sensibilização da sociedade para a importância da doação porque pesquisas mostram o efeito protetor para os prematuros e a importância do uso do leite humano pasteurizado”, explica a médica pediatra Maria Beatriz do Nascimento, da MDV.

Embora o Brasil disponha da maior rede de bancos de leite do mundo – 215 locais de armazenamento e 146 postos de coleta – a captação de doadoras é um dos grandes desafios.

“A amamentação é fundamental para a sobrevivência, nutrição e desenvolvimento na primeira infância. O aleitamento propicia o melhor início da vida para as crianças e protege contra doenças”, avalia o pediatra Fernando Pereira, diretor da MDV.

Dados do Banco de Leite da MDV
* 2015

– 28.719 atendimentos
– 1.351 litros coletados
– 741 doadoras
– 673 bebês atendidos

* 2014
– 24.547 atendimentos
– 882 doadoras
– 1.544 litros coletados
– 701 bebês atendidos

Com informações da MDV

Todos os homens (e nenhuma mulher) do presidente interino Michel Temer (PMDB)

Com o afastamento da presidente Dilma Rousseff, Michel Temer chega ao comando interino do país rodeado de “homens fortes” do PMDB.

Cinco deles em especial se destacam como aliados bastante próximos do novo presidente: Eliseu Padilha, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves, que devem ter papel de destaque no novo ministério. Todos, aliás, ocuparam cargos importantes nos governos petistas.

Nenhuma mulher faz parte do núcleo duro em torno de Temer – e, a julgar pelas notícias que vêm sendo veiculadas na imprensa nacional, seu ministeriado corre o risco de ser 100% masculino.

Duas deputadas vinham sendo cotadas para assumir a pasta de Direitos Humanos: Mara Gabrilli (PSDB-SP) e Renata Abreu (PTN-SP). No entanto, devido à pressão para Temer diminuir o número de ministérios, a tendência é que o órgão seja incorporado à pasta da Justiça.

Já a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie chegou a ser convidada para para assumir a Controladoria-Geral da União (CGU), mas recusou, de acordo com a colunista Monica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

Todos os outros nomes que têm sido levantados como possíveis ministros de Temer são homens.

O governo Dilma chegou a ter duas mulheres em dois dos cargos mais importantes, em seu primeiro mandato – Gleise Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais). Agora, antes de seu afastamento, quatro mulheres eram titulares de ministérios – Kátia Abreu (Agricultura), Tereza Campello (Desenvolvimento Social), Nilma Lino Gomes (Direitos Humanos) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente).

Conheça melhor abaixo os cinco “homens fortes” de Temer:

Eliseu Padilha

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Image captionPadilha chegou a ser denunciado por envolvimento em suposto esquema de desvio de verba pública de merenda no RS

Aliado bastante próximo de Temer, Eliseu Padilha deve ocupar o ministério da Casa Civil no novo governo. Será a terceira vez que vira ministro – esteve à frente da pasta dos Transportes no governo FHC e chefiou a Secretaria de Aviação Civil no segundo mandato de Dilma.

O gaúcho foi o primeiro ministro peemedebista a deixar o governo, ainda no ano passado, o que foi visto como claro sinal de aumento do distanciamento entre a presidente e seu vice.

A decisão veio apenas dois dias depois do então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aceitar a denúncia de impeachment, no início de dezembro. Teria contribuído para seu desembarque do governo o fato de Dilma não ter nomeado um aliado seu para uma das diretorias da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Entre abril e setembro do ano passado, quando Temer assumiu a articulação política de Dilma, Padilha foi seu principal assessor na tarefa de distribuir os cargos dos segundo e terceiro escalões do governo entre políticos. Metódico, o ministro mantinha uma planilha com todas as indicações de parlamentares e seus posicionamentos nas votações do Congresso.

Detentor de um conhecimento privilegiado sobre a estrutura de cargos federais, segue à frente das negociações para compor o governo Temer. Nas últimas semanas, despachou do escritório da presidência do PMDB, no Congresso.

Padilha é quadro antigo do PMDB, no qual ingressou em 1966, ainda na Ditadura Militar, quando o partido de oposição aos militares chamava-se MDB.

Seu primeiro cargo eletivo foi como prefeito de Tramandaí (RS), de 1989 a 1992. Depois disso, na maior parte das últimas décadas, atuou como deputado federal. Em 2014, porém, não quis mais de candidatar.

Naquele ano, o STF rejeitou denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) que acusava Padilha de envolvimento em suposto esquema de desvio de verba pública de merenda escolar no município de Canoas (RS).

O Supremo aceitou argumento da defesa de Padilha de que a investigação contra ele era nula porque foi conduzida na primeira instância da Justiça quando ele já era parlamentar e, portanto, tinha direito a foro privilegiado.

Romero Jucá

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Image captionJucá chegou a ser ministro da Previdência Social de Lula e deve assumir o Planejamento na administração Temer

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) foi também um dos articuladores do rompimento do PMDB com o governo Dilma. Recentemente, conforme avançava o trâmite do impeachment, assumiu interinamente a presidência do partido no lugar de Temer, com missão de evitar a exposição do então vice.

Tido como um dos mais eficientes articuladores políticos dentro do Congresso, Jucá foi líder nos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma no Congresso. Economista, ele é cotado para comandar o Ministério do Planejamento do governo Temer.

Seria a segunda vez que assume uma pasta. Entre março e julho de 2005, foi ministro da Previdência Social de Lula – caiu rapidamente devido ao desgaste causado pelas acusações de que teria oferecido ao Banco da Amazônia (Basa) fazendas inexistentes como garantia de empréstimo feito pelo banco à empresa Frangonorte em 1996 – da qual Jucá foi sócio entre 1994 e o final de 1996.

O ministro disse à época que as denúncias eram “levianas”, e atribuiu as informações às disputas políticas no Estado de Roraima.

Dentro da operação Lava Jato, Jucá já foi citado mais de uma vez como tendo recebido propinas. Uma dessas citações – feita na delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia – deu origem a um inquérito que investiga o senador.

Pessoa afirmou que Jucá pediu R$ 1,5 milhão em doações para as eleições de 2014 em Roraima, quando seu filho, Rodrigo Jucá, de 34 anos, foi candidato a vice-governador.

O repasse, afirma o empreiteiro, estaria relacionado à contratação da UTC para construção da usina nuclear Angra 3. Jucá confirma o pedido de doação, mas nega ligação com a contratação da empreiteira.

Moreira Franco

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Image captionMoreira Franco é um dos responsáveis por documentos “Ponte do Futuro” e “Travessia” do PMDB

Na presidência da Fundação Ulysses Guimarães, centro de estudos ligado ao PMDB, Moreira Franco virou o coordenador da elaboração das políticas que devem ser adotadas no governo Temer.

Esteve por trás da criação do “Ponte para o Futuro”, documento lançado ainda em 2015 que resume as propostas do partido para a economia, e mais recentemente do “Travessia”, que traz as sugestões para área social.

Com propostas de cunho liberal, o “Ponte para o Futuro” tem sido duramente atacado pelo PT e até mesmo por parlamentares do PMDB.

Ex-governador do Rio de Janeiro no final dos anos 1980, Franco também desempenhou funções de destaque nos últimos três governos. Foi assessor especial de FHC, um dos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal no governo Lula e ocupou dois ministérios de Dilma (as secretarias de Assuntos Estratégicos e de Aviação Civil).

Ficou sem cargo no segundo mandato da petista e acabou virando um dos principais articuladores do impeachment.

Temer o citou em sua polêmica carta com reclamações a Dilma: “A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me”, queixou-se o então vice-presidente.

É cotado para o cargo de assessor especial de Temer, devendo ficar à frente das concessões, privatizações e parcerias público-privadas.

Geddel Vieira Lima

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Image captionGeddel foi ministro do governo Lula e, recentemente, foi citado na operação Lava Jato.

Presidente do PMDB na Bahia e reconhecido por seu talento na articulação política, Geddel Vieira Lima é o favorito para assumir a Secretaria de Governo de Temer.

Deputado federal por cinco mandatos seguidos, foi contemporâneo do novo presidente na Câmara dos Deputados. Apesar de nunca ter sido muito simpático à aliança com o PT, assumiu o Ministério da Integração Nacional em 2007, no governo Lula.

Depois, em 2010, perdeu a disputa pelo governo da Bahia para o petista Jaques Wagner. Pediu votos para Aécio Neves em 2014. Naquele ano, perdeu a eleição para o Senado para Otto Alencar (PSD-BA), candidato apoiado pelo PT.

Lima é citado na operação Lava Jato sob suspeita de negociar propina com a empreiteira OAS, o que ele nega.

Henrique Eduardo Alves

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Image captionHenrique Eduardo Alves deixou Ministério do Turismo de Dilma um dia antes de PMDB oficializar saída do governo

Ex-deputado federal por onze mandatos, Henrique Eduardo Alves é tido como o mais próximo de Temer, seu amigo pessoal. Com passagem pelo MDB, está no PMDB desde a sua fundação.

“Essa amizade cresceu quando atuamos juntos na Câmara, no dia a dia daquela Casa, eu como líder e ele como presidente. Quantas dificuldades passamos? Inúmeras”, afirmou recentemente ao portal UOL.

Depois de perder a eleição para o governo do Rio Grande do Norte em 2014, foi alocado no Ministério do Turismo, pasta que deixou em março, um dia antes de o PMDB oficializar o rompimento com o governo petista.

A expectativa é de que, no governo Temer, Alves volte ao comando do ministério, que pode receber também a pasta de Esportes.

Citado pelo doleiro Alberto Youssef em delação premiada, é também investigado na Operação Lava Jato. Em dezembro do ano passado, o ministro do STF Teori Zavascki autorizou buscas pela Polícia Federal em sua casa, na fase batizada de Operação Catilinárias.

Com informações da BBC Brasil

Parabéns Joinville 165 anos! O Palavra Livre te homenageia!

PalavraLivre-joinville-165anosDe Joinville produzimos nosso trabalho para todos os cantos do mundo, em Joinville fazemos história e ajudamos a informar tudo o que a nossa gente é capaz de produzir em todas as áreas!!

Com a nossa palavra, através de nossas matérias, opiniões, reportagens, contribuimos para que a maior cidade catarinense tenha uma informação independente, crítica e construtiva, para que a cidadania se estabeleça de forma plena!

Por tudo isso, Parabéns Joinville, 165 anos, continuaremos contando a sua história!

* Equipe Palavra Livre, blog independente de informação e jornalismo.

Opinião: O que dizer sobre a decapitação do jovem em Joinville (SC)?

Salvador Neto é jornalista, escritor e editor do Palavra Livre
Salvador Neto é jornalista, escritor e editor do Palavra Livre

Um jovem de 16 anos teve a cabeça decepada na última terça-feira (2) em Joinville (SC), um vídeo feito supostamente da execução foi feito por seus algozes e compartilhado em redes sociais. A cabeça foi encontrada dentro de uma mochila. O crime choca pela extrema violência. O que dizer disso, além de lamentar a perda de mais um jovem para a violência?

Vivemos, infelizmente, em uma sociedade que só deseja o ter, ter, e ter mais, sem dar a mínima ao próximo. Os ricos estão mais ricos, e quando os pobres evoluem, são tachados de oportunistas, aproveitadores, só porque querem um espaço digno para viver e criar seus filhos. Qualquer movimento de ascensão social de negros, índios, sem terras, LGBTs e outros são vistos como uma afronta por pessoas do “andar de cima” nesta bela sociedade.

Algumas semanas atrás a organização não governamental britânica Oxfam, que atua na busca de soluções para a redução da pobreza e da desigualdade, divulgou os resultados de um estudo no qual afirma que o 1% mais rico do mundo já detém tanta riqueza quanto o resto dos habitantes do planeta.

Além disso, a ONG também destacou que as 62 pessoas mais ricas têm tanto dinheiro e bens quanto metade da população global. A lista tem dois brasileiros: o empresário Jorge Paulo Lemann, que atua em uma série de setores – como de cervejarias e o de varejo –, e o banqueiro Joseph Safra.

Nossa juventude está jogada nas mãos de marginais porque nossa elite governante (?!) só almeja melhores posições, negócios, economia, e a próxima eleição. As retóricas se sucedem ao longo das eleições, mas as lideranças políticas não tem coragem de encarar o que deve ser feito. Recuam ao menor sinal de desagrado do “andar de cima”.

Nossa sociedade apodrece há muito tempo, e não reage. Sair às ruas só em momentos de grave tensão, para gritar, queimar pneus, protestar e ir para casa sem nunca fiscalizar seus governantes, judiciário, executivos e legislativos, dá nisso que colhemos hoje.

A sociedade tem de mudar, urgentemente. Tragédias acontecem todos os dias, na natureza, na vida urbana, na área rural, nas empresas, nas casas, nas famílias, e tudo em nome do senhor dinheiro, da ganância. Por onde anda a humanidade, a solidariedade, a vontade de amar ao próximo?

E o que fazemos? Ficamos em casa a assistir na televisão, ou compartilhando a morte, como neste caso do jovem decapitado. A barbárie está batendo às portas, de todos, e só entristece ver que em pleno século 21, as pessoas não reajam a isso, não se mobilizem permanentemente em favor da paz. E ao pessoal do “andar de cima” já deveria ter percebido que se a maioria não melhorar de vida, tiver cultura, arte, educação, casa, emprego, renda, poupança, dignidade, vai acabar ameaçando o seu próprio bem estar.

E sobre compartilhar o vídeo em suas redes sociais? Só mostra o nível cultural e humano que atingimos. Penas dessas pessoas, precisam tratamento urgente. Sobre o menino no crime? A sociedade é cúmplice, e ponto. Ou reagimos, ou caminhamos para a decapitação total da sociedade hipócrita em que vivemos.

Por Salvador Neto, editor do Blog Palavra Livre