Letras Associadas é o novo lançamento da Associação das Letras

Nova mini antologia terá formato de bolso e 160 páginas
Nova mini antologia terá formato de bolso e 160 páginas

Com nova denominação social e nova logomarca, a Associação das Letras lança no próximo sábado, 25 de julho às 17 horas no Museus de Arte de Joinville (MAJ) sua mais nova obra: a série mini antologia – Letras Associadas 1. Um sarau também marcará o momento de troca entre escritores e o público que irá prestigiar.

Fruto de um trabalho coletivo realizado há três anos, a obra é uma coletânea de contos, crônicas e poesias que tem a participação de 25 escritores membros da Associação das Letras. Até o mês de maio a entidade literária era conhecida como Associação Confraria das Letras.

Por decisão da maioria dos associados a mudança foi aprovada e uma nova logo também foi criada, buscando assim marcar fortemente a ação da Associação como promotora da literatura e leitura.

A mini antologia Letras Associadas tem outro diferencial em relação às obras anteriores produzidas e lançadas pela Associação das Letras. Agora vem em formato de bolso, para facilitar ao leitor o seu manuseio e leitura. Nesta obra o leitor poderá apreciar os escritos de: Alexandra Flávia, Ana Janete Pedri, Aron Gottfried Slutzky, Bernadéte Schatz Costa, Donald Malschitzky, Elizabeth A. C. M. Fontes, Hilton Görresen, João Bosco Strozzi, José Fernandes, José Klemann, Maria de Fátima Joaquim, Mariane Eggert de Figueiredo, Marinei Luiza V. Valcanaia, Marlete Cardoso, Milton Maciel, Onévio Zabot, Reinoldo João Corrêa, Rita de Cássia Alves, Romualdo Vicente de Ramos, Salustiano Souza, Silvio Vieira, Sônia Pillon, Stella Bousfield, Urda Alice Klueger, Valério Mattos.

Nova logomarca moderniza a imagem da Associação
Nova logomarca moderniza a imagem da Associação

A publicação cumpre o propósito da missão da Associação das Letras – “Fomentar o desenvolvimento literário, por meio da criação, produção e divulgação da literatura; o intercâmbio entre escritores e o incentivo à leitura”, segundo sua presidente Bernadéte Costa.

Ela destaca também o financiamento compartilhado entre a Associação e os escritores. “Todas as nossas obras tem essa marca, a divisão entre a entidade e seus escritores, que bancam 50% do valor. Assim já lançamos as sete mini antologias anteriores denominadas Letras da Confraria e duas antologias Saganossa”.

Serviço:
O quê: Lançamento Letras Associadas 1 – Nova série de mini antologias

Quando: 25 de julho (sábado)

Onde: Museu de Arte de Joinville

Hora: 17h

Livro Saganossa – Outras Histórias será lançado hoje (15) na Feira do Livro de Joinville (SC)

Capa-Saganossa-Outras-Historias-mar2015Agora é fato consumado. Chega hoje às mãos dos leitores e leitoras a a segunda antologia produzida pela Associação Confraria das Letras com sede em Joinville (SC) mas com participação e ação em todo o país.

Com o título Saganossa – Outras Histórias, esta edição é totalmente custeada pelos associados de forma cooperativa, assim como já o foram a primeira (Saganossa, 2014) e as sete mini antologias Letras da Confraria. De forma transparente e com regulamento de participação definido por sua diretoria, a Associação escolheu 24 autores que enviaram poesias, contos e crônicas inéditas.

O Saganossa – Outras Histórias será lançado hoje, quarta-feira (15/4) na 12ª. Feira do Livro de Joinville  às 18h, no palco da feira. “Nós estamos focados em fazer a literatura forte, e não paramos um momento sequer. Já estamos preparando o III Encontro Catarinense de Escritores, novos lançamentos e muitas novidades”, avisa o presidente David Gonçalves, que deixa o posto agora em abril, quando a Associação Confraria das Letras realizará eleições para a nova diretoria. A entidade vai completar três anos de atividades.

Minha Crônica: A vida e a morte no meio do caminho

Salvador Neto descreve o encontro com vida e morte  em sua caminhada diária
Salvador Neto descreve o encontro com vida e morte em sua caminhada diária

O despertador toca. Hora de começar a rotina. Acordar, fazer a filha acordar, escola à vista. Após a pressãozinha natural para ela não perder a hora do transporte escolar, vou ao meu ritual. Coloco o café para passar, arrumo a mesa, bebo minha água. Calço o tênis, e junto com ela vou ao portão esperar. Um beijo e lá vai ela, arrumadinha para sua viagem até a escola. É a vida desabrochando. E lá vou eu para a caminhada matinal de todos os dias.

A chuva que caiu forte a noite deixou poças de água em calçadas mal feitas, algumas com areia e barro vermelho a escorrer pelo asfalto debilitado das ruas do meu bairro. Carros vão e vêm, homens, mulheres, crianças caminham aos seus destinos, na frenética corrida do homem para garantir o sustento da família e buscar seu lugar no mundo. Mães levam seus filhos às creches, a pé, de bicicleta. O ar ainda limpo refresca o dia, e o céu ainda clareia mais um dia.

De repente vem do outro lado da rua aquele corredor, fones de ouvido pendurado às orelhas, em minha direção. É o José Eduardo, que há poucos meses quase alcançava um recorde, mas no peso: 157 quilos. Sorridente como poucos, o negro mulato estaca à minha frente com um bom dia de contagiar o mais pessimista dos mortais. Corria à verdureira que tinha ficado para trás em meu trajeto.

Conversamos sobre a mudança de hábitos que lhe deu de volta a qualidade de vida perdida. Conta-me sobre as dores que ainda sente com os exercícios, e com uma festa em que se passou um pouquinho no final de semana. Despedimos-nos, e lá foi ele comprar saúde e depois trabalhar. Na empresa ele motivou mudanças comportamentais e organizacionais com a atitude corajosa de enfrentar a perda da vida que fazia, aos poucos, com má alimentação e o sedentarismo. Eduardo não só mudou a ele mesmo, como muda os demais à sua volta.

Sigo meu roteiro, desviando da água barrenta de um cruzamento, olhando o entra e sai de padarias, bares, postos de gasolina. A cidade acorda aos poucos, e eu a admirar o pulsar dela por todos os espaços. Transpiro, respiro, observando os jardins, os telhados, o mato nos terrenos, os moradores de rua a falar sabe-se lá o que no banco da praça. E vem igreja, e passo o trilho do trem que trouxe e levou riquezas, e ainda leva o progresso. Semáforos não funcionam, a tempestade deixou alguns fora do ar. Nada de guardas a controlar, e cada um ordena seu caminho, combinando marchas e contra marchas no transito da urbanidade.

De repente encontro ambulâncias, duas. Luzes nervosas que não param de piscar. Pessoas aglomeradas na esquina de uma das escolas mais conhecidas, onde estudei até terminar o então segundo grau. Hoje mudada, nem paredes, nem telhados, nada lembra ela daqueles tempos. Chego mais perto e lá está. Envolta em pano branco uma pessoa estava caída na rua, encostada à parede de uma loja. Pergunto o que houve. Diz uma moça: ataque cardíaco, fulminante. Funcionária da escola, ela ia para o trabalho, e a vida parou ali. Na esquina do tempo, do seu tempo. Naquele chão jazia um corpo de mulher.

Outras vidas à olhar aquela vida que não mais estava ali. Apenas um corpo, inerte, pronto para ser colocado em uma maca fria. Sabe-se lá quem a perdeu. Quem vai chorar por ela? Teria pais, teria filhos? Seria avó, tia? Quantos amigos e amigas teria? Qual a história dela, os sonhos, os devaneios. Quantos problemas superou, quantos enfrentou e venceu, ou perdeu? E várias vidas a olhar para quem não mais está ali. Somente um corpo, estendido e coberto. Pensei: será que a via todas as manhas nas caminhadas? Quem sabe não nos olhamos? Será que nos percebemos, dissemos bom dia um ao outro? Mistérios da passagem por aqui.

Retorno ao roteiro mandando bos energias e pensamentos a quem foi, e a quem fica, e repasso a vida de José Eduardo, a minha mesma, e a daquela mulher sob o pano branco, agora apenas matéria. Vi a plenitude da energia de Eduardo, e a cada passada que dava pelas ruas, neste dia, repaginei a minha vida, minha infância e de quantas vezes passei por este caminho. Quantas vidas conheci, quantas já perdi. E reflito sobre a nossa experiência rápida nesta terra, onde caminhamos sem saber até quando nosso roteiro continuará a ser escrito. E do que perdemos com muitas mesquinharias, diferenças, ganancias, revoltas, vinganças, distancias.

Chego em casa, tomo meu café, sigo a vida. Porque é caminhando que nos encontramos todos os dias na efemeridade da vida, o grande mistério da nossa existência.

Escrito por Salvador Neto, jornalista, cronista, editor do Blog Palavra Livre, autor dos livros Na Teia da Mídia e Gente Nossa, além de outros textos publicados na antologia Saganossa (2014) e miniantologias da Associação Confraria das Letras, da qual é diretor de comunicação atualmente.

Literatura: Associação da Confraria das Letras lança novo livro antologia em abril

Vem aí mais um livro-antologia da Associação Confraria das Letras. O primeiro foi o Saganossa, sucesso total de vendas e aceitação do público. Agora a diretoria da Associação Confraria das Letras está convidando a todos os associados e associadas a participar desta edição de 2015, que terá também um novo nome. Segundo o presidente David Gonçalves, a missão de valorizar a literatura não pode parar.

“Nós já conseguimos, com recursos próprios e apoios de alguns patrocinadores, realizar dois grandes encontros literários catarinenses com grandes nomes da literatura em 2013 e 2014. Produzimos um livro antologia, o Saganossa, com 22 autores com textos inéditos que vão da crônica à poesia, e mais sete mini antologias. Isso mostra que temos muitas letras para espalhar por aí ainda”, destaca David.

Para garantir que o processo de escolha dos textos dos associados seja técnico e transparente, a Associação definiu regras claras. Algumas delas são: 1. os associados precisam estar em dia com as contribuições mensais, inclusive as dos três primeiros meses/2015; 2. a antologia será composta nas categorias contos, crônicas e poesias; 3. os textos serão avaliados e revisados por uma comissão composta por quatro escritores. Passarão por análise e, poderão ser arrazoados, sempre tomando por base a busca de apresentarmos um nível de obras inéditas superior ao visto na última produção da Associação.

Mais detalhes das regras podem ser obtidas na página da Associação no Facebook em www.facebook.com/associacaoconfrariadasletras. A data limite para envio dos textos é 28 de fevereiro pelo email associaçãoconfrariadasletras@outlook.com, ou ainda david.goncalves@uol.com.br. “Agora é mãos às canetas, lápis e computadores”, avisa o Presidente. Para se associar basta fazer contato pelos mesmos meios de comunicação.

Novo título
David Gonçalves pede também a participação popular para a definição do nome desta edição do livro/antologia. “Queremos dar um nome inovador, alegre, que motive a leitura e promova o desejo pela obra. Por isso queremos que as pessoas sugiram nomes, que podem ser enviados para os emails que disponibilizamos, e também em nossa fanpages”, convida o Presidente da Associação. Depois do título definido, a arte da capa será outro desafio.

Literatura: Meu primeiro conto – “O reencontro de Natal”

Um conto envolvente, simples e encantador
Um conto envolvente, simples e encantador

Pressionado a escrever um conto ou uma crônica, ou poesia para a sétima mini antologia da Associação Confraria das Letras, o “Letras da Confraria” especial de Natal, ao final de 2014, resolvi arriscar a produzir um conto. Mais complexo que a crônica, que é uma linguagem mais fácil, livre, e leve, o conto exige mais do escritor, algo que ainda persigo.

Por isso publico aqui no Palavra Livre o meu primeiro conto, já que poucos tiveram a oportunidade de lê-lo, apreciando e criticando o conteúdo. É isso que desejo dos amigos leitores. Não o divido em partes para não perder a sequência da história de Fred, Joana, Jujuba e crianças que esperam seus presentes… Aí vai o “Reencontro de Natal”:

“Estavam os três ali, sacolejando ao balanço do caminhão, dentro de um caixote que não parava de pular na carroceria. Pudera, em ruas tão esburacadas como queijo suíço… Fred, um carrinho de madeira, Joana, uma boneca descabelada, e Jujuba, um velho pião com as cordas surradas de tanto rodar por aí, já estavam há dias naquele vai, não vai. Já usados, velhos de tanto brincarem com seus donos, não tinham mais esperanças de voltar às mãos de crianças brincalhonas, arteiras e felizes. Estavam ali entre tantos outros brinquedos abandonados.

É a vida, pensavam os velhos companheiros de tantas crianças! Conheceram várias delas por algumas gerações, doações, mas agora competiam com poderosos concorrentes internacionais que falam, voam, pulam, choram, andam em velocidade sem serem jogados pelas mãozinhas. O Natal estava à porta, e em meio às campanhas solidárias, lá se foram Fred, Joana e Jujuba para uma caixa entre tantas dispostas naquele shopping luxuoso. Sequer tiveram tempo de se despedir de seus donos! E o pior, até ali, ninguém os pegara para cuidar e brincar…

Joana era a mais sentida. Com seus belos olhos azuis, cabelos loiros, já um pouco ralos, sim é verdade, vestida com uns paninhos coloridos e sem sapatinhos, não aceitava a solidão. – Sou muito bela para estar aqui! Mereço uma bela cama com lençóis de seda!, reclamava. Fred, do alto da dureza do seu ser, madeira bruta, apesar de bem arrebentado por muitas corridas e carregamentos de barros e batidas (já não tinha mais a caçamba…), retrucava. – Ora, eu sim, um forte, parceiro para todas as durezas, preciso de quem me valorize, que goste de aventura! E Jujuba… ah, este não tinha ambições.

– Eu quero é girar logo por aí. Sei que perdi um pouco a graça, afinal tem uns novos colegas aí bem mais modernos, mas ainda tenho muito a rodopiar e dar show!, dizia. A verdade é que em meio a tantos outros brinquedos, uns mais quebrados, outros não, a rota do caminhão solidário de Natal dirigido pelo velho voluntário Sebastião estava chegando ao final. Tião, como era conhecido em tantos anos de corridas pelos bairros da cidade, já tinha os ralos cabelos brancos. Se na próxima parada sobrasse algum daqueles brinquedos, o jeito era deixar por aí, ou jogar no lixo. – Tenho pena, quando eu era criança nem tinha um desses para brincar, pensava enquanto dirigia-se ao ultimo ponto de parada.

Nas paradas anteriores a maioria da criançada tinha pegado os brinquedos mais novos, modernos, com menos uso. O que estava ali na carroceria do velho Mercedes cara chata talvez não agradasse aos meninos e meninas que o esperavam nos fundões do Paranaguamirim, bairro da periferia. Afinal, o que sobrara ali eram brinquedos antigos, bem velhinhos e uns tão usados e quebrados que… bom, era melhor não pensar nisso e seguir a missão. Junto com Tião ia João, vestido de vermelho como manda o figurino. Não via a hora de terminar o serviço que durava o dia todo.

Mas lá no Panágua, como o povão chama seu próprio lugar mais ao gosto da simplicidade, a gurizada esperava. Mães e pais também, na esperança de que os filhos ficassem felizes com a chegada do bom velhinho e seus brinquedos. Famílias pobres, lutavam todos os dias para por comida na mesa, e não sobrava para dar brinquedos novos e modernos como os de hoje, que dirá tablets, celulares. Então, aguardavam amontoadas no pátio da igreja, local de encontro daquele ano. Era uma festa. No meio do povo, vendedores ambulantes ofertavam algodão doce, pipoca, doces, também na busca dos últimos trocados para garantir as festas de final de ano.

De repente, lá na esquina surge o cara chata com o bom velhinho acenando! Alvoroço na comunidade. Era só criança correndo para ver quem chegava primeiro para abraçar o Noel, e ver o que podia ganhar. Tião dirige com todo o cuidado, porque nessas horas a multidão não tem controle. Ao parar o caminhão, João Noel desce e distribui balas e doces. Uma alegria só, e um empurra-empurra generalizado! Imagine o desejo infantil do brinquedo adorado, e o sonho de pais em ver seus filhos felizes. De repente o vozeirão avisa: – Atenção! Vamos organizar a fila gente! Era o padre Felício tentando organizar a desorganização de sempre.

O povo o respeitava muito, afinal ele era o homem de Deus na região, e também sabia das coisas. Cobrava das autoridades uma vida melhor para aquele povo. Magro, com seus óculos quadrados, pretos, mas com fala firme e olhar decidido, padre Felício liderava movimentos em favor de mais saúde, infraestrutura, e agora, ajeitava tudo para que não faltassem brinquedos para a criançada. O motorista Tião já sabia que, se faltasse brinquedo ali a bronca seria enorme! No roteiro de visitas pela cidade, cuidava para que nada faltasse até o final no encontro com o padre.

Se o alvoroço era grande lá fora, imagine naquela caixa. Entre os colegas brinquedos, Fred, Joana e Jujuba tentavam se ajeitar para serem notados, afinal, queriam voltar para a alegria das crianças, viver em animação nas ruas, animar histórias nas mãos infantis. E começou a entrega dos brinquedos. Uma a uma as crianças saiam com seus troféus, já a brincar com os coleguinhas. Quase ao final da fila estava José. Com seus dez anos, pequeno para a idade, olhos miúdos e castanhos, cabelos da mesma cor, ondulados, tinha chegado atrasado.

A tristeza já tomava o seu coração. Será que ainda sobraria brinquedos para ele seus irmãos? A cada metro que a fila avançava, mais sua respiração acelerava, parecia que o coração saltaria boca afora. Seu pai e sua mãe garantiam o sustento da casa com a pesca artesanal. Seu atraso se justificava: estava até a pouco cuidando dos manos pequenos. Quando os pais chegaram, ele correu até a igreja. Será que daria certo? Conseguiria ao menos um presente? E a fila andava… e não chegava a sua vez!

E João Noel não aguentava mais de entregar presente para a meninada agitada. Tião preparava o caminhão para ir embora ver a sua família. E o padre avisava a todos que daqui a pouco tinha a missa, não poderiam faltar! Deus não perdoa, dizia ele. Fred se batia ao lado de Jujuba, e aquele barulho de madeira batendo o deixava furioso! Joana, já quase perdendo o vestidinho, lamentava a sua má sorte: nenhuma criança a tinha escolhido! E agora! Será que ficariam sem dono, sem eira nem beira em pleno Natal?

Chegou a vez de José. Ansioso, olha nos olhos do Papai Noel como quem espera o prato de comida. Tião empurra a caixa que ainda tinha algo dentro. – É o que sobrou filho, diz ele a José. Um brilho nos olhos surgiu, e por trás dele, lágrimas de alegria, pois sobraram apenas três brinquedos! Era muita sorte! – Obrigado!, disse José já pegando nas mãos aqueles três brinquedos, exatamente o que precisava para que todos em casa ficassem contentes. Ao espiar cada um deles nos pacotes de presente meio rasgados, parece que via alegria também vinda daqueles brinquedos! Seria possível?

Correu para casa sem parar! O trecho da igreja até a sua pequena casa de madeira que beirava o rio parecia ter milhares de metros, não acabava mais! Os cabelos esvoaçavam ante os ventos do inicio da noite. Fred, Joana e Jujuba percebiam o chacoalhar, diferente dos pulos na carroceria do Mercedes de Tião. O que acontecia, imaginavam. José chegou finalmente. Seu pai e sua mãe o receberam enquanto limpavam seus peixes. A pequena Sara, a caçula, e Mateus, irmão do meio, pularam em sua frente. – O que nós ganhamos, o que veio, gritavam!

José então entregou a cada um o seu presente. Sara não sabia o que dizer da boneca loira que tinha nas mãos… era a mais linda que tinha ganhado, na verdade, inteira, era a única. Mateus pegou o pião nas mãos e saiu a atirar ele ao chão e ver rodar. Já tinha visto os amigos com alguns, mas agora tinha o dele. E José, enfim teve seu caminhão. Faltava a caçamba, mas isso dava para enjambrar. Saiu também a fazer vruummm, vruummm, pelo terreiro da casa. Depois do susto, era a realização de sonhos, sonhos natalinos dele, dos pais, da família. O reencontro da alegria que só o Natal faz.

E Fred, Joana e Jujuba? Bom, eles também se reencontraram com a alegria da brincadeira, dos inventos, e sentiram-se úteis e felizes. No dia seguinte, Fred já tinha sua caçamba feita de casca de ostra. Joana ganhou novo vestido feito pela mãe de Sara, todo florido! E Jujuba, ah, Jujuba agora roda mais forte que nunca! Ganhou uma nova corda reforçada e sai por aí rodando o mundo a partir do Panágua!

* Escrito por Salvador Neto em 8 de dezembro de 2014, especial para a sétima mini antologia Letras da Confraria da Associação Confraria das Letras.