No Dia Nacional de Combate à Asma, pneumologista alerta para crises da doença durante inverno

Apesar do frio já registrado em grande parte do país, o inverno brasileiro começa oficialmente hoje (21) – data que também marca o Dia Nacional de Combate à Asma. De acordo com o pneumologista  e presidente da Iniciativa Global contra a Asma, Rafael Stelmach, pessoas alérgicas devem redobrar os cuidados durante o período de baixas temperaturas e ar seco.

Asma é uma doença inflamatória das vias aéreas, geralmente associada a alergias transmitidas geneticamente. Quando a pessoa com essa condição se expõe a fatores externos como poeira, mofo e fumaça, surgem sintomas como tosse seca, chiado no peito e falta de ar.

Baratas, animais domésticos, perfumes, produtos de limpeza e mudanças de temperatura também podem  desencadear uma crise. Outro alerta é para o aumento de casos de virose registrados durante o inverno. Uma simples gripe em pessoas asmáticas geralmente precede as crises.

Stelmach destacou que a doença, por se tratar de uma condição geneticamente determinada, não tem cura, mas precisa ser controlada por meio de tratamento. Para quem tem crises pelo menos uma vez por semana, a orientação é inalar diariamente anti-inflamatórios à base de corticoide. O controle deve ser similar ao de uma doença crônica como o diabetes e a hipertensão.

A trabalhadora autônoma Maria das Neves de Araújo, de 44 anos, conhece bem a rotina de cuidados contra a asma. Ela convive com o quadro desde 1994, depois de um tratamento malsucedido contra uma pneumonia. Atualmente, toma dois comprimidos por meio de inalação, duas vezes ao dia, além de fazer acompanhamento médico a cada três meses.

“Como não tenho mais crises, minha rotina continua mais ou menos a mesma. Mas, quando tinha crises, tinha que me afastar de poeira, dos cheiros fortes. Tudo era prejudicial. Hoje, tenho uma vida normal. O tratamento melhorou muito minhas crises”, disse.

Eduardo Ribeiro, de 40 anos, teve o diagnóstico confirmado quando tinha 15 anos. “Como em 1985 a medicina ainda não estava tão avançada, não fazia tratamento, só tomava remédio quando tinha crise”, relatou. Atualmente, o servidor público toma corticoides todos os dias ao anoitecer e não tem crises há mais de seis anos. “Só evito ambientes com fumaça de cigarro e poeira. Minha casa não tem tapete e as cortinas são bem limpas”, contou.

Dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia indicam que a asma afeta entre 10% e 25% da população brasileira, sendo responsável anualmente por 400 mil internações hospitalares e 2.500 óbitos.

Agência Brasil

Pesquisas indicam que estresse é transmitido por gerações

Pais passam seus genes para filhos, que são iguais aos recebidos dos avós. Este é o senso comum, mas com o passar do tempo, o determinismo genético tem sido menos aplicado na medicina. Por outro lado, hábitos adquiridos e alterações causadas pelo ambiente são cada vez mais detectadas. Comer muito fast food, fumar e levar uma vida estressante pode deixar marcas que serão carregadas por gerações.

O organismo se adapta ao meio e isto é transmitido geneticamente para os descendentes. E não é só em questões físicas, mas também em predisposições genéticas para doenças, como o diabetes e o câncer, e suscetibilidade ao estresse. A epigenética, como é conhecido este fenômeno, foi um dos temas do 7 º Congresso Brasileiro Cérebro, Comportamento e Emoções, que ocorre de 15 a 18 de junho, em Gramado, Rio Grande do Sul.

“O DNA de uma pessoa é sempre o mesmo, mas eles possuem marcadores que levam à diferenciação celular, por exemplo, o que indica que uma célula vira pele e outra, neurônio. E o ambiente também influência a expressão genômica”, explica o psiquiatra Marcelo Allevato. Os tais marcadores indicam ainda características comportamentais e cognitivas.

Segundo ele, doenças metabólicas, como diabetes, podem ser influenciadas pelos hábitos alimentares dos pais. Quem come muito açúcar e gordura pode ter alterações genéticas que vão determinar se seus filhos terão mais vulnerabilidade a esses ingredientes e doenças correlatas. Filhos de mães que já fumaram alguma vez na vida têm risco aumentado de câncer no pulmão e obesidade, também por mudanças na genética da mãe que são passadas para o filho.

Quando somos jovens o DNA tem mais plasticidade e por isso é mais suscetível a essas alterações, com o passar do anos, certos trechos são inativados e outros são expressos de acordo com o ambiente.

“A Holanda é um dos países com maior estatura média da população. No pós segunda-guerra, o país enfrentou falta de comida, e a população ficou mais baixa. Mesmo após algumas gerações bem alimentadas, a alta estatura demorou a voltar na maioria dos holandeses. Esse é um sinal de como o ambiente influenciou nas características genéticas”, conta Allevato.

Estresse

O médico faz uma pergunta que cabe a todos nós: “até que ponto vale a pena viver uma vida estressante e arcar depois com sequelas como diabetes, depressão, ansiedade e transtornos do sono?” Para ele, mesmo que por um pequeno período de tempo, o estresse pode acarretar danos para o resto da vida.

Uma pesquisa feita com mulheres grávidas durante os atentados do 11 de setembro no World Trade Center indicou que o estresse passado por elas passou para os bebês. Os níveis de cortisol (hormônio do estresse) eram baixos tanto nas mulheres que apresentavam transtorno de estresse pós-traumático quanto em seus filhos com menos de um ano.

Uol Notícias

Cientistas identificam molécula que espalha câncer de mama

Cientistas australianos do Instituto de Pesquisa Médica Garvan, em Sydney, conseguiram identificar uma molécula responsável por fazer com que o câncer de mama do tipo basal, um dos mais agressivos, cresça e se espalhe pelo organismo.

A descoberta, que foi divulgada na publicação científica internacional Cancer Research, pode ajudar a desenvolver medicamentos capazes de diminuir o tumor, facilitando o tratamento da doença.

“Ele (o câncer de mama basal) tende a afetar mulheres mais novas, e o resultado para estas pacientes é frequentemente ruim”, disse a patologista e química Sandra O’Toole, uma das responsáveis pelo estudo.

O pesquisador Alex Swarbrick diz que encontrar um medicamento para este tipo de câncer é uma prioridade.
O tumor do tipo basal tem células que se assemelham às células musculares normais da mama. E, segundo Swarbrick, não pode ser tratado com os mesmos medicamentos utilizados em outros casos de câncer de mama.

“O câncer do tipo basal é chamado de `Doença triplo negativa’ porque não produz receptores dos hormônios femininos estrogênio e progesterona nem da proteína HER2, que são atingidos pelas drogas Tamoxifen e Herceptin, usadas com muita eficácia no tratamento de alguns cânceres de mama”, explica.

MOLÉCULA ‘PORCO-ESPINHO’

As células do câncer, segundo o estudo, criam as condições para sua própria sobrevivência comunicando suas necessidades para as células saudáveis que as rodeiam.
A molécula “porco-espinho”, que tem esse nome por causa de sua aparência espinhosa, contribui com essa comunicação, transmitindo sinais bioquímicos entre as células cancerígenas e as saudáveis do organismo.
Ela atua bastante durante o desenvolvimento humano, mas geralmente fica inativa durante a vida adulta. No entanto, pode ser ativada durante alguns tipos de câncer de pele, de cérebro e de pulmão.

Mas os pesquisadores do Instituto Garvan descobriram que, ao bloquear a molécula, os tumores de câncer de mama do tipo basal encolhem e param de espalhar-se pelo corpo.
De acordo com os cientistas, testes feitos em 279 mulheres com este tipo de câncer revelaram que aquelas que tinham moléculas “porco-espinho” ativas apresentaram piores condições.

Outros experimentos feitos com grupos de ratos indicaram que, quando os animais recebiam grandes quantidades da molécula, o câncer era mais agressivo e se espalhava mais.
Segundo Sandra O’Toole, quando a molécula era bloqueada nos ratos, os tumores eram menores e não se espalhavam tanto.
“Mostramos que silenciar estas moléculas afeta o crescimento do câncer de mama e sua metástase”, afirmou.

Por causa da associação da molécula com outros tipos de câncer, já há medicamentos que tentam bloquear sua atividade em fase de testes clínicos.
“Estamos com esperanças de que usando remédios já disponíveis possamos examinar alguns pacientes com câncer de mama e ver se eles estão sendo eficientes”, disse a pesquisadora.

Na Austrália, cerca de 12.500 casos de câncer de mama são identificados a cada ano e 10% deles são do tipo basal.