A volta da filosofia e da sociologia no ensino médio

Leio com grande alegria em material do Diap – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – que a Comissão de Educação do Senado Federal analisa a volta do ensino de filosofia e sociologia no ensino médio brasileiro. O projeto de lei complementar 4/08 que altera dispositivos do artigo 36 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), incui essas disciplinas na estrutura curricular. Que bela notícia para o futuro do país caso essa inclusão seja aprovada!

Desde a ditadura, e especialmente a partir do Governo Médici no início dos anos 1970, uma geração foi impedida de aprender a pensar, a compreender o mundo, a vida e os fatos com a retirada das disciplinas de filosofia e sociologia dos currículos escolares. Era a época em que era proibido pensar, falar e ser contra tudo o que os militares entendiam como bom para o país. A partir daí pode se compreender porque vivemos hoje em tempos tão difíceis sob o ponto de vista da alienação da juventude diante de temas da política. Os Big Brothers, Malhações e outros sub-produtos da mídia floresceram por conta deste ambiente em que pensar é muito difícil.

Se a filosofia ensina a pensar o mundo, a vida e os fatos de forma profundamente analisadora e questionadora, na procura das razões primeiras de tudo, a sociologia ensina a pensar o grupo social e as razões que os levam a tomar atitudes muitas vezes consideradas como irracionais. E isso é fundamental para o crescimento e o desenvolvimento do país, e para o fortalecimento da democracia. As pessoas que têm a perfeita compreensão do mundo em que vivem, sabem discutir seus direitos e não permitem que esses direitos lhe sejam retirados. O debate é outro, a sociedade é outra.

Por isso entendo que é preciso uma pressão por parte do setor da educação em favor desta aprovação no Congresso Nacional. Talvez a Conferência Nacional de Educação Básica que acontece em Brasília esta semana que reúne cerca de 3 mil pessoas ligados à educação possa fazer esse papel. O Brasil agradece.

Na teia da mídia

 

 

Esse caso da morte de Isabella traz novamente à tona o debate sobre o papel da mídia, dos jornalistas e demais envolvidos na construção e divulgação das notícias. Quem não lembra do caso Escola Base em São Paulo em 1994 onde a união polícia/imprensa levou à desgraça a vida de seis pessoas: Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, Maurício e Paula Alvarenga, sócios da escola, e um casa de pais, Saulo da Costa Nunes e Mara Cristina França. A partir de denúncias de que o local era utilizado para abusos sexuais das crianças alunas da escola, um delegado com grande interesse em aparecer e a mídia em busca de audiência e vendas, espetacularizou um possível fato. A Escola Base foi depredada, as vidas dessas seis pessoas foi destruída, e nada foi comprovado.

Outros casos também já aconteceram por todo o país. Em Joinville (SC), o trabalhador braçal Aluísio Plocharski foi detido pela polícia no ano 2000, época em que um criminoso atacava e estuprava mulheres na cidade, apelidado de “maníaco da bicicleta” por utilizar do veículo enquanto praticava seus atos. Ele foi levado à presença das vítimas para reconhecimento, pressionado para assumir os crimes. Negou. Mesmo assim, sua foto foi utilizada para reprodução de um “retrato falado” distribuído, também por um delegado interessado em aparecer, para a TV Globo e diversos jornais. A alegação para o uso do retrato de Aluísio foi fazer um desenho para a polícia agir. Mas o que se viu foi a divulgação da imagem do trabalhador no programa “Fantástico” da Rede Globo, com a publicação nos dias seguintes nos jornais A Notícia.

Não bastasse isso, a Polícia invadiu a casa de Aluísio no dia da exposição de sua foto em rede nacional buscando provas para prendê-lo. Sua mãe e seu pai ainda lembram disso como se fosse hoje, principalmente quando vêem a reprodução do modelo polícia/mídia no caso Isabella e também no caso do pedreiro Oscar do Rosário, outro que sofreu um pré-julgamento midiático e ainda está preso esperando julgamento. A casa foi invadida, um batalhão de policiais cercou a casa, tudo dentro de um script para a televisão. Ao final, e não encontrando nada que o incriminasse, o policial e seu séquito deixou a casa e Aluísio ao sabor de uma suposta participação em estupros que resultou em sua condenação social. Nunca mais ele recuperou sua auto-estima.

Conheci este caso de perto porque realizei minha monografia de conclusão do curso de jornalismo com o caso de Aluísio como objeto de estudo. Sob o título “Na teia da mídia: A família Plocharski no caso Maníaco da Bicicleta”, busquei pormenores dos fatos, organizei e comparei com a situação do caso Escola Base, e dialogando com vários filósofos da comunicação, produzi um texto denso, cheio de dores e sofrimentos da família pela invasão de privacidade que não só a polícia realizou, mas a mídia também. Os reflexos da espetacularização estão presentes na publicação, que está à disposição dos interessados na biblioteca da faculdade de jornalismo da Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc em Joinville.

E também estou finalizando um livro sobre o tema com base na monografia. Será uma contribuição para a sociedade em que vivemos, onde a mídia (internet, televisão, rádio, jornal) tem influência incomum. Por isso o debate e a reflexão entre os colegas de imprensa e sociedade é fundamental. O Palavra Livre quer exatamente isso: provocar o debate saudável e construtivo sobre temas atuais e relevantes para a vida das pessoas.

Enfim o Restaurante Popular abre as portas!

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Hoje é um dia especial para pessoas como Pedro, este aí da foto, que esteve entre as centenas de pessoas que prestigiaram a inauguração do Restaurante Popular de Joinville na manhã desta sexta-feira, 11 de abril. Ele não quis conversa. Estava com fome e cansado de ouvir os discursos políticos que se sucediam. O sol estava à 35 graus, mas ele ficou firme ali, e depois enfrentou a longa fila para experimentar a comida servida pela empresa Puras, escolhida pela OS (Organização Social) que vai administrar o Restaurante, que por sua vez foi escolhida pela Prefeitura de Joinville, via Secretaria de Assistência Social.

O Restaurante Popular é uma iniciativa do Governo Federal no combate à fome em todo o país. Forma investidos R$ 800 mil de Brasília e mais R$ 250 mil da Prefeitura. A comida será servida de segunda à sexta-feira, somente ao meio-dia inicialmente, ao preço de R$ 1,00. Estiveram prestigiando o evento o prefeito Marco Tebaldi (PSDB), deputados federais Carlito Merss (PT) e Mauro Mariani (PMDB), deputados estaduais Darci de Matos (DEM) e Nilson Gonçalves (PSDB), vereador Marquinhos Fernandes (PT), Fabio Dalonso (PSDB), Tania Eberhardt (PMDB) e muitas outras autoridades. As cores partidárias se misturaram ao longo da rua Urussanga. Faixas enalteciam o governo Lula, e outras o Prefeito da cidade.

Agora é esperar que os administradores públicos trabalhem pela ampliação destes equipamentos para que pessoas como o Pedro aí de cima, mas também o Oscar Gonçalves da Maia, 85 anos, e o José Henrique de 75 anos, e tantos outros que foram conhecer de perto o Restaurante Popular, tenham a oportunidade cidadã de comer bem, de forma saudável e a um preço popularíssimo de R$ 1,00.

O fundamental nestes casos é que o interesse da população esteja acima do interesse partidário, para que obras como essa não demorem tantos anos para beneficiar a comunidade que mais precisa. E o que é melhor: na frente do Restaurante Popular havia um carro estacionado: o de um catador de materiais recicláveis. É para estes que a comida a R$ 1,00 está sendo oferecida. É preciso fiscalizar para que não ocorram abusos.

Mutirão da solidariedade

Solidariedade nos tempos em que vivemos é uma chama difícil de encontrar. Há voluntários por todas as partes, em todos os cantos do mundo fazendo alguma coisa por alguém. E isso é fundamental em nossas pequenas e rápidas vidas. Quem sabe você não possa ajudar algumas crianças que sofrem com uma doença terrível como o câncer? Uma colega chamada Juliana Filippe, economista e assessora parlamentar de alto nível, está coletando principalmente leite para a Associação das Crianças com Câncer no bairro Floresta em Joinville (SC).

Pense um pouquinho, que só com um pouquinho de boa vontade e amor ao próximo você pode ajudar! Veja abaixo o que Juliana pede e faça a sua doação. Ela informa ainda que pode buscar as doações, bastando entrar em contato com ela pelo e-mail juliana@cvj.sc.gov.br ou ainda pelo telefone celular (47) 9918.1328. Fique mais feliz fazendo algo pelo próximo. O Palavra Livre agradece.

Os produtos são:

– leite isosourde Soya
– leti Ensume
– Leite Nutren Activia
– Leite Sustagem
– Leite Longa Vida
– Fralda descartável adulto
– Cesta básica