Apoie o Palavra Livre! Financiamento coletivo muda de plataforma para contribuição

Como já anunciamos aqui (saiba mais aqui), o Palavra Livre passa a uma nova fase para o seu crescimento após 12 anos de atividades no jornalismo independente feito de forma voluntária. Agora vamos em busca de robustez financeira para novos voos e alcance da informação isenta e de interesse público lançando a campanha Apoie o Palavra Livre – Jornalismo Independente, onde o apoiador vira assinante mensal, podendo contribuir com o valor que decidir e sem recompensas, como pode escolher as formas de apoio com recompensas pela força ao Blog.

A novidade é que decidimos mudar a plataforma de arrecadação e compartilhamento para dar oportunidades a quem não possui cartão de crédito para poder contribuir, usando para isso a forma do pagamento em boleto, o tradicional boleto, o que possibilita que pessoas com qualquer condição financeira possa apoiar o Palavra Livre se entender que nosso trabalho contribui para a sua informação, defesa e interesse público. Agora estamos no Catarse, que possibilita o pagamento da assinatura por boleto.

Essa é a informação que precisamos explicar a todos que nos acompanham, com a transparência necessária. Ainda não tínhamos começado para valer o compartilhamento da plataforma, e ainda dá tempo para que reiniciemos a Campanha Apoie o Palavra Livre em lugar que seja mais democrático e preparado para todos poderem tomar a decisão, valeu?

Contamos com todos que conhecem nosso trabalho no jornalismo há 12 anos, e do seu editor, o jornalista Salvador Neto, profissional com alta credibilidade e história no jornalismo independente. Contribua, compartilhe com seus amigos e amigas via listas do WhatsApp, Telegram, suas redes sociais no Facebook, Instagram e outras. Contribuir com um trabalho sério faz parte da cidadania e da defesa da democracia e sociedade. Vamos em frente, obrigado!!

Acesse a campanha clicando aqui!

Palavra Livre lança campanha de financiamento coletivo do Blog! Seja um assinante!

Há 12 anos o jornalista Salvador Neto mergulhou em um sonho: fazer jornalismo independente baseado em um blog com o seu nome. Logo em seguida pensou em um nome emblemático baseado no que ele acredita, a liberdade como base para uma sociedade saudável, feliz e desenvolvida. Assim o blog passou a se chamar Palavra Livre, como é até hoje.

Durante todo este tempo Salvador Neto editou o blog de forma totalmente voluntária. Bancou os custos, enfrentou obstáculos, mas sempre acreditou que o seu meio de comunicação seria de alguma forma relevante para a liberdade de imprensa, o jornalismo independente e liberto das amarras do poder econômico e político. Isso teve um custo. Algumas vezes ele teve que parar o conteúdo do Palavra Livre por entender que a ética é base do seu trabalho. Fez parte da sua história profissional que garantiu a ele a credibilidade como jornalista atuante e também quando trabalhava como assessor de imprensa, consultor ou cargos públicos.

Mudança cultural
Agora chegou o momento de, ao chegar à adolescência, o Blog Palavra Livre encarar a vida real e buscar se autofinanciar. Mas como fazer isso sem perder a sua essência? Salvador Neto pensou várias vezes como, até pequenos anúncios, mas nunca colocou energia nesta direção. Mas, como dizemos, chegou a hora de bancar os custos de apuração, produção, edição, distribuição, administrativos e jurídicos do fazer jornalismo profissional. Custa caro fazer jornalismo de qualidade e com interesse público, voltado a abrir espaços para as comunidades que não tem voz em veículos maiores de mídia, seja em qual plataforma for.

Então decidimos que o Palavra Livre investiria agora na mudança cultural de financiamento do jornalismo independente pela via do financiamento coletivo, olha só que legal! Veículos famosos como o The Intercept fazem a sua arrecadação para funcionar com aquela qualidade via financiamento coletivo recorrente, ou seja, com assinantes mensais. Salvador Neto ponderou, pensou, e decidiu que o Palavra Livre vai nessa, acreditando que a sociedade pode, e deve sim, bancar os veículos de mídia e comunicação em que acredita. Assim, fará parte da nova construção de comunicação social que não dependa mais somente dos grandes veículos que são bancados pelo sistema financeiro e grupos políticos. É uma utopia? É, mas como caminharíamos sem a utopia que nos faz mover os pés em direção ao sonho?

Por isso lançamos hoje a campanha de financiamento coletivo “Apoie o Palavra Livre”, o seu jornalismo independente. Utilizaremos para isso a plataforma Benfeitoria, uma das inúmeras plataformas que os projetos de todos os níveis utilizam para bancar seus projetos e ideias. Quem deseja ser assinante do Palavra Livre vai acessar a plataforma no endereço
https://benfeitoria.com/apoieopalavralivre e poderá ler a proposta, ver o vídeo que o jornalista Salvador Neto publicou explicando o porque da necessidade de assinantes para manter o projeto no ar, e escolher o valor que desejar contribuir para o Palavra Livre continuar a produzir matérias de interesse público.

Temos metas a atingir, e a cada meta há uma recompensa coletiva, singelas até mas importantes para manter acesa a chama do jornalismo independente e colaborativo entre sociedade e jornalistas. Topa fazer parte deste novo momento do Palavra Livre? Aceite o nosso convite, juntos podemos proteger o nosso direito a informação, denunciar desmandos e atos nocivos à sociedade, divulgar projetos e ações das comunidades que nunca tem espaço na mídia tradicional, espalhar cultura, arte, projetos sociais, e ver entrevistas especiais com gente que tem que prestar contas à sociedade, e também quem realmente tem algo a nos contar sobre a vida e as coisas que acontecem nas cidades.

Além de contribuir com o valor que você entender que cabe no seu bolso, você pode nos apoiar, e deve, compartilhando a campanha entre seus amigos nas redes sociais, listas de distribuição no WhatsApp, Telegram e outros, enfim, espalhar a ideia em que você, ao assinar, também acredita. Vamos lá? Seja um Palavra Livre, faça história conosco! Abaixo segue novamente o link de acesso ao financiamento coletivo, acesse agora e apoie o Palavra Livre, o seu canal de informação independente:

Apoie o Palavra Livre, para assinar clique aqui.

Processo de cassação de vereador em Joinville (SC) deve ser considerado nulo na origem

O processo relâmpago aberto contra o vereador tucano Odir Nunes na semana passada pela Câmara de Vereadores de Joinville deve ser declarado nulo já em sua origem. A Constituição Federal em seu artigo 15 é muito clara para o caso em questão. O artigo diz que “É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:

    I -  cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;

    II -  incapacidade civil absoluta;

    III -  condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;

    IV -  recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;

    V -  improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.

Ocorre que o representante que protocolou o pedido de cassação (leia mais aqui), o senhor Carlos Eduardo da Silva, que se declara motorista/socorrista, tem condenação criminal e cumpre a pena no momento, apurou o Palavra Livre. Assim ele está com os direitos políticos suspensos, e conforme diz o artigo 15, inciso III da Constituição Federal, ele não pode exercer direitos políticos, e portanto, a representação que apresentou pode, e deve, ser considerada nula.

As fontes consultadas pelo Palavra Livre, todas da própria Câmara de Vereadores de Joinville, são enfáticas em dizer que todo o processo está viciado desde o seu início. Parece claro que a pressa em acusar o opositor ao governo Udo Döhler (MDB) levou os governistas a atropelarem os ritos legais, a lei e regimento interno, inclusive a Lei Orgânica do Município. Não se concebe que uma Casa de Leis não observe a legalidade dos atos.

A representação, antes de ser aceita, deveria ter sido encaminhada ao Presidente do Legislativo, Claudio Aragão (MDB), que ao seu tempo, deveria ter enviado o pedido à área jurídica da Câmara para avaliar exatamente isso, se as premissas para o aceite da representação cumpriam a legalidade, inclusive checar se o representante do pedido de cassação estava com seus direitos políticos plenos. Ele não está. E mais, deveria aguardar parecer jurídico para aí sim iniciar debates, e todos os demais passos para a abertura de comissão processante. Nada disso foi feito.

O Palavra Livre já abordou aqui a inusitada, para dizer pouco, pressa para cassar um oponente do Governo Municipal que tem ampla maioria na casa, enquanto deixou de fiscalizar e investigar as denúncias contra a Prefeitura, incluidas aí as infindáveis obras do Rio Mathias, que estão ceifando empregos, renda, comércios e impostos da cidade há pelo menos seis anos. Até CPI foi barrada pela bancada governista, votaram contra a abertura de investigação, mas em alguns dias abriram, sem base legal, comissão processante para cassar o vereador Odir Nunes (PSDB).

Esta Câmara de Vereadores não vai deixar saudades. Pelo bem da imagem do Legislativo da maior cidade do Estado, deve voltar atrás nesta ação que mais parece um ato da inquisição dos tempos medievais. Segundo a defesa do vereador, que ainda não se considera citado, ainda estudam os atos para a defesa. Juristas consultados pelo Palavra Livre dizem que o ato é nulo e deve ser arquivado.

Curtas do Palavra #2

Catarinenses no Prêmio Congresso em Foco
O Prêmio Congresso em Foco é considerado o mais importante da política brasileira. Na lista, ainda preliminar, estão 14 dos 16 deputados federais e um senador dos três de SC. Até dia 16 de julho a lista pode mudar, e a partir d o dia 17 inicia a votação.

Congresso em Foco – 2
Dos deputados catarinenses na lista pelo cobiçado prêmio estão: Ângela Amin (PP), Carlos Chiodini (MDB), Carmen Zanotto (Cidadania), Celso Maldaner (MDB), Coronel Armando (PSL), Daniel Freitas (PSL), Darci de Matos (PSD), Gilson Marques (Novo), Hélio Costa (Republicanos), Rodrigo Coelho (PSB), Geovânia de Sá (PSDB), Rogério Peninha Mendonça (MDB). Apenas dois ficaram de fora desta lista preliminar: Caroline de Toni (PSL) e Pedro Uczai (PT).

Congresso em Foco – 3
Dos três senadores catarinenses, apenas Jorginho Mello (PL) está nesta lista. Esperidião Amin (PP) e Dário Berger (MDB) ficaram de fora. A avaliação é feita pela avaliação do público na internet, de jornalistas que cobrem Câmara e Senado e de um júri especializado. Pelo regulamento podem concorrer apenas congressistas que não respondam a acusações criminais e que tenham ocupado o cargo por ao menos 60 dias este ano.

O libera geral foi precipitado
Com o crescimento geométrico de contaminações pelo coronavírus em SC nos últimos dias, e também de mortes, a verdade é dura, dói, mas tem que quer dita: o libera geral que já falamos aqui foi um erro que resulta nesse grave momento de falta de leitos de UTI. Entre o caminho da vida e o do dinheiro, escolheram o segundo com pressão dos grupos econômicos. Vão colher tragédias sem a economia voltar a girar como desejavam.

Até que enfim
Na Grande Florianópolis, por exemplo, somente nesta sexta-feira (10) é que os prefeitos da Capital, Palhoça, São José e Biguaçú se uniram para agir coordenadamente para definir mais restrições, regras, e buscar junto ao Governo do Estado unir forças para mais leitos. Gean Loureiro (DEM), da capital, reclamava disso, de que ele queria segurar, mas os demais não queriam.

Sem razão
Os prefeitos tem reclamado que o Governo do Estado não tem dado atenção a eles, de que se afastou do problema da pandemia. Isso é desespero de quem pediu para ser protagonista e se assustou com a missão. Há menos de dois meses eles criticavam que o Governador não poderia restringir o Estado inteiro, e que deveria deixar para eles, prefeitos, as decisões em suas cidades. Ganharam. Agora fazem mi, mi, mi. Desnecessário. Unam-se e lutem contra o inimigo comum, o coronavírus.

Tem que escolher o lado
O deputado estadual por Joinville (SC), Fernando Krelling (MDB), e pré-candidato à Prefeito da cidade, precisa definir o lado em que está na pandemia. Há dois meses fez até vídeo de protesto contra a decisão do Governo de SC por manter academias e outros estabelecimentos fechados. Liberaram as academias. Agora diz que o Governo não ajuda o norte com mais leitos, respiradores, e que a situação é grave. Claro que é, liberaram atividades como as academias, e a contaminação acelerou. Não dá para acender velas para dois santos ao mesmo tempo. Ou breca o coronavírus, ou acelera a economia. Não tem segredo.

Incentivo fiscal para automotivas
O deputado federal Celso Maldaner (MDB) declarou no twiter que vai trabalhar para incluir o sul na MP 987/20 que concede incentivo fiscal para indústrias automotivas, instaladas ou que venham a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. “O sul do país, em especial a região norte de Santa Catarina é um polo do setor e também sofre com os efeitos econômicos da pandemia”, defendeu.

Coronavírus não poupa ninguém
O governador Carlos Moisés (PSL) está em quarentena após ser confirmado com o vírus Covid-19. A líder do seu governo na Assembleia Legislativa, deputada Paulinha (PDT) também, inclusive postando vídeo em redes sociais demonstrando o sofrimento com esta doença terrível. O prefeito da capital também fez o teste, mas deu negativo, após cumprimentar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido/RJ) no sábado passado (4/7). Bolsonaro aliás também disse que está com o vírus agora. Há quem duvide.

CPI dos Respiradores
Já está na hora da CPI dos Respiradores terminar, apresentando relatório e os fatos que apontem, ou não, os culpados pela compra dos 200 respiradores com pagamento antecipado por R$ 33 milhões. Não dá para continuar com interrogatórios que nada trazem de importante, e ainda geram bate-boca entre as testemunhas e deputados. Não acrescenta nada. Até pedido de prisão queriam fazer contra a servidora Márcia Pauli. Menos né. Vamos primeiro confirmar quem foi que errou, falhou ou buscou desviar.

Recomendação ou puxão de orelhas?
O pré-candidato a prefeito de Joinville pelo Podemos, empresário Ivandro de Souza, deixou o atual prefeito Udo Döhler (MDB) em situação desconfortável, para dizer o mínimo. Ele fez vídeo sobre o grave problema das obras do rio Mathias que deixou o centro esburacado, fecha estabelecimentos e desemprega pessoas, e ainda deu indicações de como Udo poderia resolver o problema e normalizar as atividades. Ensinou a quem disse que sabia gerir….

Progressistas animados
O PP de Joinville se anima com o nome de Francesc Boehm, empresário, para retomar o comando da Prefeitura após 28 anos da última conquista com Luiz Gomes, o Lula, em 1992. De lá para cá participou do governo Carlito Merss (PT) entre 2009-2012, e indicou o vice, Eni Voltolini, na tentativa de reeleição em 2012. Em 2016 tentaram a disputa com o Dr. Xuxo, mas a construção da candidatura, erros na coordenação de campanha, e problemas pessoais do candidato deixaram o partido até sem representante na Câmara. Agora tentam conquistar espaço no parlamento, e estão motivados para a Prefeitura.

Anestésicos em falta
O repasse de medicamentos anestésicos utilizados para intubação de pacientes com Covid-19 que precisam usar respirador estará normalizado nos próximos dias. A informação foi repassada ao deputado estadual Dr. Vicente Caropreso (PSDB) pela deputada federal Carmen Zanotto (CIDADANIA), coordenadora das ações para enfrentamento da pandemia no Sul, nesta sexta-feira, 10.

Malandragem
Já pensou ficar sem anestésico e entubado? Infelizmente, o sumiço da medicação teve como principal fator a imposição de preços abusivos por parte das distribuidoras, algo que motivou inclusive ação do Ministério Público Federal”, afirmou  Dr. Vicente. Vamos esperar que apareça logo o anestésico, é desumana esta situação.

Kits de Alimentação em Tubarão
Nesta semana a Prefeitura de Tubarão realizou a entrega da quinta remessa de kits de alimentação com 1,1 mil kits.⁣ Desde março, até o momento, foram distribuídos 4,1 mil kits de alimentos não perecíveis e pães, comprados com recursos próprios, um investimento de aproximadamente R$ 202 mil.⁣ A partir da entrega de maio, foi implantado o kit de hortifruti – já entregues 2.833 kits pagos com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), investimento de mais de R$ 57 mil.⁣ Bela iniciativa, essencial neste momento difícil que vivemos.

Uma eleição pandêmica
Vai ter eleição, adiada para novembro, porque é um direito do cidadão previsto na Constituição Federal. Está certo. O resultado dela é que pode ser tão desastroso quanto foi a de 2018, forjada em fake news, campanhas difamatórias nas redes sociais turbinadas por robôs, e que resultou na crise política que aí está em todos os níveis. Se lá a internet foi a base para esse estado de coisas, imaginem agora com distanciamento social, campanha remota? Será preciso mais do que nunca que o eleitor tenha interesse na política, pois após a pandemia, precisará de gente realmente interessada em resolver os problemas coletivos, e não apenas em projetos pessoais.


Solidariedade na Pandemia – Comunidade Servidão dos Lageanos é exemplo, e você pode ajudar também

O Maciço do Morro da Cruz em Florianópolis (SC) é uma pequena cidade dentro da capital de Santa Catarina. Cerca de 60 mil pessoas – 12% da população da capital – residem no entorno do famoso Morro da Cruz em dezenas de comunidades, entre elas a comunidade da Serrinha, localizada nos fundos da UFSC, e também a comunidade Servidão dos Lageanos, uma área ocupada há mais de 40 anos por famílias que chegavam em busca de uma vida melhor. Lá, neste pedacinho da Ilha da Magia, a solidariedade faz a diferença na vida de muitas famílias desde o início, e mais ainda agora durante a pandemia do coronavírus.

Maria Lucelma de Lima, a Celma, mora há 35 anos na comunidade. Natural de Joaçaba, a líder comunitária viu o morro crescer, casas serem construídas, todos em busca de ter um lugar para morar com sua família, já que as condições financeiras não permitiam à época, e como não permitem ainda hoje. Celma ajudou a fazer muros, pavimentar as servidões, tem as mãos e o suor em cada pedaço daquela área, que tem ainda muitos problemas a resolver.

Comunidade construiu uma “casinha” da solidariedade onde ficam roupas, alimentação e livros

“Quando cheguei aqui tinham poucas casinhas. A primeira foi de madeira, e em 2000 consegui fazer de alvenaria. Aqui somos todos uma família”, ressalta ela. Celma é um retrato da maioria dos moradores do Maciço. Trabalhou desde os sete anos de idade como babá. Aos 16 conseguiu o primeiro emprego com carteira assinada. Foi doméstica e zeladora. Hoje está aposentada. “Só do trabalho, da luta não”, avisa. Ela participou da criação da Associação de Moradores da Serrinha em 1987, e hoje ajudou a criar uma nova organização comunitária só com os moradores da área da Servidão dos Lageanos, a Associação Força de Maria, cuja presidente é Terezinha Adão, natural de Lages e filha de um dos moradores mais antigos da comunidade, Horácio Adão.

A iniciativa visa garantir a posse do terreno onde existem 87 casas, mais ou menos 400 moradores. “Quando viemos morar aqui, ninguém sabia que a área era da universidade (UFSC). Passados quase 25 anos, vieram pedir reintegração de posse. Nos organizamos, conseguimos apoio da defensoria pública, e sensibilizamos a reitoria que veio depois, e em 2012 começamos a negociar”. Foram 1023 reuniões que ela fez questão de registrar, inclusive com áudios, todos os documentos guardados em sua casa até hoje.

Combate à fome Além destes problemas que estão na lista de Celma, com a chegada do coronavírus na comunidade, também a fome aumentou entre as famílias, com muitas pessoas perdendo o seu emprego, renda, ampliando as necessidades. A líder comunitária então buscou apoio para obter cestas básicas para as famílias, incluindo aí os produtos de higiene, máscaras, altamente necessários com a pandemia. Muito articulada, Celma acabou falando com muitas lideranças e conseguiu cerca de 30 cestas básicas para a comunidade. Ela fez questão de registrar em lista os recebimentos por parte das pessoas, com foto e até áudio de agradecimento aos doadores.

Doações em dinheiro e produtos ajudaram a comunidade a oferecer cestas básicas a quem necessita

Segundo a líder, a Prefeitura de Florianópolis esteve na comunidade da Serrinha cadastrando pessoas para o recebimento das cestas básicas, mas por ali na sua Servidão dos Lageanos, não havia passado, “talvez porque estamos em área que está em discussão, mas aqui as pessoas estão precisando muito”, alerta Celma. O Palavra Livre procurou a Prefeitura via assessoria de comunicação, mas até a publicação desta matéria, não houve qualquer retorno se algo foi feito, ou se haveria algo a ser feito pelo executivo municipal comandado pelo prefeito Gean Loureiro (DEM). Há outras iniciativas como o Somar Floripa, outros grupos voluntários que apoiam, mas da Prefeitura não se tem notícia, dizem os moradores.

Pedido de apoio A comunidade da Servidão dos Lageanos é bem organizada. Além da luta pela propriedade e melhorias na saúde, infraestrutura, educação e acesso, Celma conta que nas datas comemorativas eles organizam festas como no carnaval, e outros. Agora produziram uma “casinha”, para deixar livros e até mantimentos para quem desejar ler e aprender mais, e claro, comida para alimentar a família.

Você que pode ajudar outras famílias neste momento grave a pandemia trouxe, pode entrar em contato com Celma e ver como enviar cestas básicas, máscaras, álcool gel, produtos de higiene e limpeza, e até livros para a biblioteca da Servidão dos Lageanos. “As pessoas ficam muito felizes. Ninguém merece passar fome né”, finaliza a guerreira Maria Lucelma de Lima. Se para a classe média a principal mudança na pandemia a “rotina de trabalho” e a “sensação de ficar preso em casa”, grande parte das camadas mais pobres sofrem pela completa falta de renda. Você pode ajudar alguém, e isso vale muito!

A Rede Urbanismo Contra o Coronavírus em SC, uma iniciativa nacional formada por arquitetos, urbanistas, estudantes e outros profissionais tem apoiado a comunidade da Servidão dos Lageanos, como também outros voluntários que preferem não aparecer. O importante é o ato humanitário de ajuda a quem precisa.

Os contatos com Celma e a Associação Força de Maria podem ser feitos pelo número 48 – 984761853 que é também utilizado com WhatsApp. 

Curtas do Palavra #1

Gean vai…
Tá ficando feio para o prefeito da capital Florianópolis, Gean Loureiro (DEM). Decidiu acertadamente restringir mais as atividades para reduzir o contágio do coronavírus, em alta crescente. A turma do PIB gritou, e Gean… desistiu…

Gean volta…
Era para durar 14 dias as decisões, não duraram seis. Iash bem, diria o manezinho, mas não suportou a pressão. Cedeu e liberou shoppings, galerias e academias, com algumas regras. Dá mau exemplo à população em meio a um aumento grave da pandemia na Capital.

Moisés perde dois
Outro que não vem bem, novamente, é o governador do Estado, Carlos Moisés (PSL). Em meio ao Caso dos Respiradores, pandemia, prisão de ex-homem forte do Governo, demissão do braço direito na saúde, perde mais dois secretários: Casa Civil e Controladoria Geral. O mar não tá prá peixe.

Controladoria?
O novo e já exonerado Chefe da Casa Civil, Amandio da Silva, nem fez história. Citado em conversa suspeita pela CPI da Alesc, bateu em retirada. O Controlador Geral, Luiz Felipe, mostrou que nada controlava. Já foi tarde, pois com um guia desses, Moisés afunda com os egípcios no mar vermelho.

Ganha mais
Por outro lado o Governador recebeu dois bons nomes para o Governo com Rogério Siqueira, ex-Beto Carrero, e Beto Stodieck na Secretaria de Desenvolvimento. Dá uma boa melhorada em um governo perdido.

E a pandemia Moisés?
Carlos Moisés largou a pandemia. Antes com o dia a dia tomado por lives e entrevistas coletivas à distância, agora sumiu com as informações para a população. Mais que isso, atendeu aos prefeitos e largou nas mãos deles a condução do combate ao vírus. Falha ao não manter o comando.

Guiness da Mentira
O governo Jair Bolsonaro (sem partido/RJ) tem ganho um prêmio: o Guiness da Mentira. O Presidente mente dia sim, outro também. Não podia dar outra com seus ministros. O da Economia já prometeu retomadas retumbantes dos empregos e PIB. Tudo fake.

Guiness da Mentira 2
Damares Alves mentiu sobre sua formação, assim como Ricardo Salles. Na Cultura tinha um Alvim que pensava ser Goebbels, caiu. Entrou artista global, ninguém viu. No MEC, tivemos dois breves, e agora um brevíssimo, que mentiu doutorado, pós doutorado e até aonde deu aulas. Guiness neles!

CPI dos Respiradores
Os deputados da CPI dos Respiradores na Assembleia parecem estar perdendo o fôlego. Com a subida das investigações de SC para o STJ por conta de citação ao Governador, perderam o ar para aspirar a verdade. Se tiverem foco na investigação real, e não em futuras eleições, podem encontrar novo oxigênio.

Fora da lei?
Enquanto Joinville afunda na buraqueira nos bairros e nas crateras assassinas de empregos e empreendimentos na área central com as intermináveis obras do Rio Mathias – CPI nada – o prefeito Udo Döhler (MDB) resolveu assumir a Amunesc e mudar a direção executiva. Sem Assembleia Geral.

Fora da lei 2
Ao demitir o até então Secretário Executivo da Associação de Municípios, Tufi Michreff, logo ao assumir para por no lugar a ex-deputada Simone Schramm, sua correligionária, ignorou a convocação de Assembleia para referendar a sua decisão. Criou outra cratera para resolver, esta legal…

Vai ter eleição sim
A briga ainda tá grande no Congresso Nacional, mas o TSE já disse que eleição vai ter, mesmo com o adiamento para novembro. É um direito do povo, está na Constituição. Se o povo pode ir a shopping, lojas, academias, comércios, porque não pode votar? É um dia só. Tenham dó.

Hobus e Gaeco
O deputado estadual pelo PSD, Milton Hobus, e presidente do partido em SC, foi visitado hoje pelo Gaeco – Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado. Os agentes cumpriram mandado e apreenderam documentos, celulares e outros no gabinete da Assembleia. Também estiveram na Prefeitura de Rio do Sul e em hospital na mesma cidade. Investigação seria por possíveis crimes eleitorais. Deputado disse que falará quando tiver acesso aos autos do processo. Hobus é oposição ao Governo Estadual.

A pandemia continua
A ciência, e os números, não mentem. Somos o segundo país no mundo em contaminados e mortes, só perdemos para os EUA. Não é caso de ideologias, política ou gritaria: é saúde pública, precisamos proteger vidas. Assim protegemos o país e sua economia, esta que move a política. Não se engane leitor, continue em isolamento social se puder, distanciamento, higiene toda a hora, máscara e nada de aglomeração e festas. Cuide da sua vida, ela é seu maior valor. Vamos ter que combater o Covid-19 por muito tempo ainda. Pense nisso, fique em casa.

WhatsApp Pay – Fecomércio/SC critica suspensão da nova forma de pagamento

O lançamento da função de pagamento no WhatsApp, o WhatsApp Pay, agitou o mercado brasileiro, porém, menos de dez dias depois, o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspenderam o funcionamento do serviço por tempo indeterminado. Segundo eles, é necessário preservar um ambiente competitivo, garantir o funcionamento adequado do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e avaliar os riscos, principalmente em relação à proteção de dados.

A funcionalidade permite transferir dinheiro e fazer compras em estabelecimentos por meio do aplicativo, com cartões de débito ou crédito de bancos parceiros. Para a Fecomércio SC, a suspensão sinaliza para uma evidente proteção de mercado, uma vez que ocorreu através de alteração imprevista das normativas que já regulavam os pagamentos eletrônicos e digitais, o que constitui intervenção arbitrária que prejudica o ambiente de negócios.

“A nova forma de pagamento online pode trazer competitividade e inovação para o ecossistema de pagamentos no país, além de beneficiar o comércio e estimular o consumo de forma direta. Outras plataformas nacionais podem adotar modelos de negócio similares, fomentando uma concorrência sadia no mercado”, segundo o presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt.

A entidade concorda com o alerta de que o sistema de pagamentos digitais que está em operação no país poderá ter problemas no médio prazo se a intermediação dos pagamentos se concentrar em poucas empresas, porém, antes de adotar restrições como a suspensão de serviços, os eventuais riscos desse setor devem ser tratados de maneira cooperativa pelas agências reguladoras, promovendo a inovação e criação de múltiplas plataformas, de forma a garantir que as taxas e serviços fornecidos sejam acessíveis.

Entenda o caso
O Banco Central (BC) e o Conselho Administrativos de Defesa Econômica (Cade) fizeram a companhia suspender os serviços relacionados a transações de pagamentos por meio do aplicativo WhatsApp.

WhatsApp Pay foi anunciado no dia 15 de junho, com a novidade de que só iria ser testado no Brasil. Entretanto a Cade e o BC suspenderam suas atividades. O CADE ameaçou multar a empresa em R$500 mil por dia caso não suspendesse o WhatsApp Pay, alegando que os dois organismos Facebook e WhatsApp, representam riscos ao mercado e precisaria passar por avaliação antes de ser implementada.

De acordo com o BC o motivo para a decisão de suspender o WhatsApp Pay foi preservar um adequado ambiente competitivo, que assegure o funcionamento de um sistema de pagamentos interoperável, rápido, seguro, transparente, aberto e barato, conforme reportagem do InfoMoney.

A autoridade monetária afirma que a continuidade das operações poderia causar danos irreparáveis ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) em relação à competição, eficiência e privacidade de dados. 

Segundo a Cade, a medida cautelar para suspender a operação de parceria entre Facebook e Cielo foi imposta para “mitigar potenciais riscos à concorrência”, por conta do tamanho das empresas envolvidas e o potencial de concentração de mercado gerados pela parceria.

“Esta Superintendência está convicta que há potencial ofensivo na operação e que se gerar efeitos imediatos no mercado concorrentes, poderão sofrer restrições nas suas atividades ou até sofrer um desvio relevante de demanda acarretando uma mitigação da competitividade, com reflexos para o consumidor”, afirmou o Cade na nota.

A preocupação foi destacada por conta que o WhatsApp é uma plataforma gigante no Brasil. O aplicativo de mensagens possui cerca de 90% dos celulares Androids, aproximadamente 70 milhões de usuários diários, distribuindo mensagens cerca de 1h30 de uso diário.

A Cielo segue sendo líder no setor, por mais que tenha sofrido com a maior concorrência do mercado e ter pedido participação nos últimos anos. Desta forma o BC e a Cade decidiram barrar o mecanismo de pagamento do WhatsApp. Contudo, ainda não se sabe se a decisão será revertida no curto prazo. 

Além da Cade, o Banco Central determinou que a Visa e a Mastercard suspendessem o início das atividades com o WhatsApp Pay. As duas bandeiras de cartões foram anunciadas como parceiras do projetos. A Visa e a Mastercard concentram a maior parte desse mercado. 

A decisão do Banco Central foi semelhante ao da Cade, para adequar o ambiente competitivo, que assegure o funcionamento do sistema de pagamento.

Após pressão, brasileiros na Nova Zelândia conseguem voos para retorno ao Brasil

Até a próxima semana, quase todos os quase 200 brasileiros na Nova Zelândia que estavam com dificuldades para voltar ao Brasil em meio a pandemia do Covid-19 (coronavírus), entre eles 12 catarinenses, estarão em solo brasileiro para retomarem as suas vidas ao lado das famílias. O primeiro voo saiu nesta sexta-feira da Nova Zelândia e chega ao país neste final de semana trazendo 43 pessoas. Os demais devem embarcar em voo comercial e também em voo de repatriação chilena, no qual foram cedidas algumas vagas aos brasileiros. O Palavra Livre informou com exclusividade o caso em duas matérias – aqui e aqui também – ao denunciar a falta de empenho do Governo Brasileiro, via Embaixada na Nova Zelândia, em resolver o caso. Sensibilizados pelos casos sérios de pessoas com depressão, idosos doentes, crianças, desempregados e muitos outros casos, o Palavra Livre foi atrás de explicações para a solução do problema.

Neste voo que chega no final de semana virão 12 catarinenses. Os demais passageiros são de São Paulo (17), Rio Grande do Sul (3), Rio de Janeiro (3), Minas Gerais (3), Espírito Santo (2), Paraná, Maranhão, Bahia e Distrito Federal um cada. Os catarinenses são das cidades de Itajaí (3), Jaraguá do Sul (2), Imbituba (2), Florianópolis (2), Caçador (1), São Joaquim (1) e Tubarão (1). A Secretaria de Articulação Internacional de SC enviou um microonibus para buscar a todos no aeroporto de Guarulhos (SP) e trazê-los a Santa Catarina. Até a próxima semana todos os brasileiros que se manifestaram ao Grupo “Brasileiros Abandonados na Nova Zelândia” devem ser repatriados.

Para a matéria o Palavra Livre buscou contato com todos os parlamentares catarinenses, o Itamaraty e o Ministério das Relações Exteriores, e também o Governo de SC através da Secretaria de Articulação Internacional. Na Nova Zelândia falamos com a brasileira naturalizada neozelandesa, Luana Karina de Aguiar (também catarinense), que já mantinha uma página no Facebook para ajudar imigrantes que chegam àquele país. Ela mora na Nova Zelândia há 11 anos e hoje é empresária por lá. Ela acompanhou o caso dos brasileiros em situação muito delicada e resolveu criar um grupo também no Facebook, o Brasileiros Abandonados na Nova Zelândia, para organizar uma lista das pessoas e trocarem informações. A partir daí passou a buscar apoio da embaixada brasileira, com pouco sucesso. Luana chegou a enviar cartas, fez vídeos do caso, tentou apoio da mídia brasileira, mas não tinha conseguido eco aos apelos.

Nós fizemos as mesmas perguntas que Luana Karina à embaixada brasileira, e também aqui no Brasil ao Itamaraty. Respostas praticamente padrão e sem qualquer compromisso real com os brasileiros que passavam situação crítica na Nova Zelândia. Dizia basicamente que eles já haviam organizado um voo em 1 de maio, que vários brasileiros não responderam mesmo que eles tenham dado ampla divulgação. Por parte de Luana e dos brasileiros isso não era verdade. Poucos souberam do voo, e o tempo para que pudessem embarcar era escasso, além de não existir logística – por conta da pandemia – para que todos se deslocassem das cidades onde viviam para o aeroporto.

O Palavra Livre voltou a questionar a embaixada e o Itamaraty, sem respostas até hoje. Questionamos os parlamentares catarinenses, já que somos baseados em Santa Catarina. Dos 16 deputados federais e três senadores, apenas um deputado federal, Celso Maldaner (MDB), nos atendeu prontamente e, segundo ele, realizou pressão junto ao Itamaraty e Ministério das Relações Exteriores. Rodrigo Coelho (PSB) e Geovânia de Sá (PSDB) responderam à reportagem quando a já se tinha a solução do repatriamento. Os demais não responderam. Justiça também se faça ao senador Dário Berger (MDB), que nos atendeu rapidamente e fez gestões junto aos órgãos competentes. Jorginho Mello (PL) não respondeu e Esperidião Amin (PP) se limitou a dizer que já tinha ajudado em outros casos semelhantes.

Buscamos informações junto ao Governo de SC via Secretaria de Articulação Internacional sobre o caso dos catarinenses. O secretário interino, Douglas Gonçalves, informou que a Secretaria já tinha apoiado outros casos de catarinenses, mas na América Latina, e que iria se empenhar no caso. O resultado foi ótimo, pois a articulação conjunta da equipe da Secretaria, dois parlamentares, Luana Karina e seu Grupo na Nova Zelândia conquistou os voos que estão repatriando os brasileiros. A Secretaria de Articulação Internacional inclusive organizou o traslado dos catarinenses a partir de Guarulhos para o retorno às suas cidades em SC. Para isso contou com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar que cedeu o microonibus, ou seja, uma articulação importante e solidária.

Momento em que o microonibus do Corpo de Bombeiros Militar de SC saia de Florianópolis na manhã desta sexta-feira para buscar os catarinenses em Guarulhos (SP)

Na manhã desta sexta-feira o Palavra Livre recebeu fotos da saída do microonibus de Florianópolis (SC) para Guarulhos. Recebemos também um vídeo enviado por Luana Karina direto da Nova Zelândia com mensagem carinhosa dos brasileiros já dentro do avião que os trará para o Brasil. Eles gravaram e enviaram a ela, e nós reproduzimos aqui. Infelizmente ainda é preciso que a imprensa traga à público situações como esta que deveriam ser objeto de ação simples, rápida e direta dos agentes públicos responsáveis, porque são suas atribuições, o seu trabalho, mas por vezes parece que todos estão fazendo um favor. Não fazem, são todos servidores públicos e devem seus serviços com excelência à sociedade, inclusive aos brasileiros no exterior.

O Palavra Livre se orgulha de ter apoiado esta causa humanitária. Parabéns à Luana Karina, seus amigos e amigas lá da Nova Zelândia que foram solidários e dedicaram vários dias a ajudar os brasileiros em dificuldades, e a todos que divulgaram, compartilharam e apoiaram a causa. Mas, continuaremos aqui acompanhando o caso que somente começou a ser resolvido, ainda existem muitos brasileiros para serem atendidos, e vamos continuar atentos aos movimentos do Governo Federal, Itamaraty, até que todos estejam de volta.

Nova plataforma ajuda profissionais liberais a aumentar a renda

A pandemia causada pelo novo coronavírus impactou a economia no Brasil e no mundo e afetou o trabalho dos prestadores de serviços. Para melhorar esse cenário, uma equipe de jovens participantes do Programa Nascer, realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) em parceria com o Sebrae/SC, desenvolveu uma plataforma para oferta de mão de obra. Podem se cadastrar na Kangoru tanto profissionais quanto possíveis clientes. O sistema já está disponível em kangoru.com.br.

Na plataforma, podem participar autônomos, profissionais liberais e freelancers que queiram oferecer os serviços digitalmente ou diretamente no local. Já as pessoas interessadas nas ofertas conseguem encontrar os anúncios de maneira rápida e fácil. Segundo um dos sócios Ricardo Fronza, o mundo vive um processo de transformação digital. Além disso, no cenário atual de pandemia, a plataforma vai ajudar os profissionais a manter ou até mesmo aumentar a renda. Ele defende ainda que o projeto Kangoru tem se tornado possível com ajuda do Programa Nascer.

“Já tínhamos passado por algumas etapas de criação e desenvolvimento antes, mas o programa veio para acrescentar e fortalecer nossas bases, tornando o plano de negócio da Kangoru ainda mais sólido”, destaca.
O presidente da Fapesc, Fábio Zabot Holthausen, ressalta que o objetivo do Programa Nascer é justamente capacitar negócios que estão na fase embrionária e dar apoio para organizar e fortalecer as ideias. “Assim, quando surgirem oportunidades de mercado ou mesmo de fomento, estes empreendedores estarão preparados. Este é o momento de aprender, errar, testar e seguir empreendendo”, explica.

Após a participação no Nascer, Ricardo e os sócios Lucas dos Santos, Douglas da Silva, Carlos Henrique Kruger, Valeska Fronza e Elaíce da Silva Corrêa querem ampliar a área de abrangência da plataforma e assim ter mais argumento para buscar apoio financeiro com entidades e investidores.
O Programa Nascer é executado a partir da plataforma e da metodologia TXM Business, credenciada e selecionada pelo Sebrae/SC. Para o professor Luiz Salomão Ribas Gomez, criador da ferramenta e idealizador dos espaços de pré-incubação Cocreation Lab, o momento é oportuno para quem tem ideias de negócios que possam oferecer soluções para pessoas e empresas neste período de crise. “Momentos como este geram desafios, mas também oportunidades. A inovação será muito importante na retomada de diversos setores da economia”, defende.

Sobre o Programa Nascer
O Programa Nascer é desenvolvido pela Fapesc em parceria com o Sebrae/SC. Na última edição, foram aprovadas 150 equipes nas 15 cidades onde há ou que irão receber os centros de inovação do Governo do Estado, como Blumenau, Brusque, Caçador, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Joaçaba, Jaraguá do Sul, Itajaí, Joinville, Lages, Rio do Sul, São Bento do Sul, Tubarão, Videira.

A equipe da Kangoru foi selecionada em Rio do Sul. Cada participante recebe gratuitamente mentoria, além de passar por worshops e palestras com profissionais do mercado. Por causa da pandemia, todas as atividades são realizadas agora remotamente.

Inscrições abertas
Estão abertas as inscrições para mais uma edição do Programa Nascer. Quem tiver uma ideia e quiser passar por uma pré-incubação terá oportunidade de amadurecer a proposta e deixá-la pronta para ser incubada e receber investimento.

Os interessados devem ser inscrever diretamente na Plataforma da Fapesc até 30 de junho. Acesse: http://plataforma.fapesc.sc.gov.br/fapesc/.

Opinião – “A verdade o quanto antes”, diz o governador sobre investigação no STJ

O governador Carlos Moisés (PSL) tem razão. Precisamos da verdade o quanto antes. Na verdade, a verdade o quanto antes é uma meta sem dia para acabar. E isso não é métrica para o bom gestor. Mas, fez bem o Governador ao convocar imediatamente uma entrevista coletiva para, cara a cara com os colegas jornalistas, explicar o porque seu nome apareceu nas investigações da força-tarefa, o que levou o juiz do caso a enviar ao STJ todo o processo investigativo. O problema é o tempo, e o quanto antes pode ser muito tempo.

A oposição, por seu lado, comemora o aparecimento de Carlos Moisés nas mensagens trocadas entre investigados. Para a CPI dos Respiradores da Assembleia formada amplamente por deputados desejosos de ver a cabeça do Governador na guilhotina, é a cereja do bolo. Açodados pela vontade política de ver a queda do governo, ou pelo menos desgastá-lo ao ponto de cair sozinho ou ir se desintegrando em meio às eleições municipais e depois enfraquecido para 2022, dão peso muito maior ao que é corriqueiro nos meandros de compras e licitações em governos de todo o mundo. O uso do trânsito e amizade com os donos do poder do momento.

Vi atentamente as mensagens. O nome de Carlos Moisés jamais é citado. Governador, sim, este é usado aos montes. Na política, ser “amigo”do governador mesmo sem o sê-lo, dá status e abre portas. Amigo do presidente da Assembleia, do deputado A ou B, do Prefeito, etc. é demonstração de força. É muito possível que é isso que tenham encontrado. Bravatas e tentativas de fortalecimento entre negociadores que buscaram arrancar os recursos públicos como gafanhotos em uma plantação. Ceifaram o dinheiro sem qualquer pudor com as vidas em jogo, hoje vidas já perdidas talvez por conta da falta de respiradores nas UTIs.

Jornalista escreve sobre fatos, e opina sobre fatos. Mas há que se ter cuidados para não ser enredado por emoções e interesses de ambos os lados envolvidos. Políticos, fazem política, e isso é uma coisa. Jornalistas fazem jornalismo, apuram fatos e denúncias, investigam, e com base em um robusto pacote informativo, podem opinar. No Palavra Livre a nossa torcida é para que o dinheiro público volte urgentemente aos cofres públicos, e que se punam exemplarmente na forma da lei os malfeitores que ludibriaram os agentes públicos, com ou sem a participação destes. Esta é a verdade que se quer, a recuperação do dinheiro, a identificação de quem foi, com quem, e como foi que operou a fraude.

O governador Carlos Moisés (PSL) precisa dar explicações de como os seus braços direitos, ou fizeram algo inadequado na compra dos respiradores ou realmente tiveram participação direta na fraude dos respiradores. Precisa dizer como ele foi, em caso de realmente não ter sabido de nada sobre a compra com pagamento antecipado dos R$ 33 milhões à Veigamed, tão omisso com a defesa do dinheiro dos catarinenses, logo ele que disse várias vezes estar focado no combate à pandemia. Carlos Moisés precisa dizer com todas as letras aonde que errou, e não falar aos jornalistas sobre seus feitos diante da pandemia, da gestão que fez, etc. Isso é carnaval em meio às mortes, ou seja, não cabe propaganda de alegria em meio à tragédia das pessoas. Humildade nesta hora seria de bom tom.

Até agora, mesmo com citação ao Governador na investigação que agora segue ao STJ, o Palavra Livre não vê provas de que ele esteja envolvido diretamente para ajudar, indicar, auferir ganhos com esta fraude dos respiradores. O que vemos até aqui ao que parece é um excesso de confiança em subordinados que podem ter ultrapassado fronteiras indevidamente, uma falha na confiança excessiva. Enredado, pego de surpresa, não sabe ainda como responder a falta de prática na gestão do Estado. Nós do Palavra Livre não entramos no canto das sereias que alguns veículos acabaram entrando ao comprar a versão da servidora de que ela tinha sido vítima da fraude. Já se sabe que isso não é de todo verdade. Portanto, a CPI segue na Alesc e deve buscar saber até o final quem realmente é o cabeça desta fraude, e seus aliados.

Os deputados estaduais que compõe a CPI precisam avançar agora sem a investigação em SC. É ruim para chegar à descoberta dos culpados, mas é ruim também para o Governador que deseja a verdade o quanto antes. Mas, devagar senhores e senhoras. Não há ainda crime de responsabilidade que coloque o Governador no corredor do impeachment. Enquanto isso seria muito melhor que tanto Governo do Estado quanto a Assembleia Legislativa focassem no combate ao Covid-19 que só faz ampliar a contaminação dos catarinenses de forma geométrica, com mortes que devemos evitar. Parece que os atores principais saíram de cena para brigar, enquanto a plateia espera por ações no palco da vida.

Antes da disputa política, enfrentemos o inimigo de todos os catarinenses: o coronavírus.