Jogo incentiva aprendizado de história

Wellington Rutes, Éwerton Cercal e Matheus Ramos da Silva - Foto de Carlos Marciano

O ano é 1986, o solo é seco, os aliados de Euclides da Cunha foram derrotados e o protagonista é um historiador do futuro. Um personagem fora dos livros didáticos da  História do Brasil, mas fundamental no jogo que está em desenvolvimento pelo Núcleo de Aplicações Visuais (Navi) da Udesc Joinville. O projeto será apresentado nesta terça-feira, 27, no I Simpósio de Pesquisa em Games da UFSC, em Florianópolis.

Como o próprio nome diz, “Historiador do futuro: missão Canudos”, irá retratar o conflito (1896 a 1897) entre o Exército Brasileiro e os integrantes de um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro. Porém, o protagonista não é um combatente, mas sim um pesquisador vindo do futuro, que se vê dentro do campo de batalha a fim de registrar o acontecimento. Curioso e sem compromisso com nenhum dos lados, ele resgatará aspectos tanto do lado militar quanto dos opositores, reescrevendo a história.

Embasado pelo conceito dos Jogos Sérios (formatos que trazem à tona assuntos de interesse amplo, podendo até ser de cunho social), a proposta do grupo é fazer um jogo que ensine de forma lúdica o fato histórico. “O nosso diferencial será permitir a interatividade e imersão. No comando do Historiador, o aluno irá coletar informações, escutar conversas, interagir com objetos, enfim, vivenciar o conflito”, ressaltou Éwerton Cercal, estudante de Ciência da Computação, que faz parte do grupo de desenvolvedores.

A base histórica que permeará o roteiro do jogo virá do livro “Os Sertões”, do jornalista Euclides da Cunha, além de seus escritos divulgados no jornal O Estado de São Paulo, quando na época o escritor presenciou parte desta guerra como correspondente do veículo. Neste sentido o projeto desenvolvido pelo Navi também trata-se de um Newsgame, ou seja, jogo que retrata acontecimentos, atuais ou não, difundidos na mídia jornalística.

Embora migre para o cenário e interaja com o ambiente, o personagem principal é um pesquisador que volta no tempo com a tarefa de compreender a história humana, porém sem alterar os acontecimentos propostos em “Os Sertões”. No entanto, o jogador poderá tirar suas próprias conclusões sobre o conflito, por conhecer os dois lados combatentes.

Para progredir no jogo o usuário terá que coletar informações dos exércitos, preencher formulários com os achados além de receber recompensas por tarefas bem sucedidas. “Isto fará com que o aluno assimile o conteúdo ali retratado, e somente passará de fase e receberá recompensas se responder corretamente aos questionamentos”, destacou Éwerton.

Programadores, game designers, modeladores e roteirista integram a equipe, formada por estudantes de três instituições e apoiada também por profissionais de outras áreas como professores de história que auxiliam para que o desenvolvimento do enredo esteja de acordo com os registros históricos do conflito. Ao todo, 12 pessoas trabalham diretamente com o projeto.

Por ser um projeto extracurricular o jogo ainda está em início de desenvolvimento, porém já tem a parte conceitual estruturada além dos avanços no roteiro, modelagens e personagens. A mecânica e ferramentas técnicas também estão definidas: a modelagem, texturização e animação 3D será feita na plataforma Blender. Já o motor que rodará o jogo nos computadores será desenvolvido no Unreal Development Kit (UDK).

“A princípio queríamos fazer um jogo on-line, com acesso pelo navegador. Mas devido a questões de segurança e outros problemas que poderiam surgir optamos por criar o jogo nessa plataforma e instalá-lo posteriormente nos computadores”, explicou Éwerton.
Ele destacou que a meta é finalizar o tutorial do jogo até a segunda quinzena de dezembro e desta forma testar as configurações de movimento e mecânica. Feito isso e já com a programação traçada, o próximo passo será criar a versão beta com a primeira fase do jogo. Esta deverá ficar pronta no início de 2013 e será testada com as turmas do ensino fundamental da Escola Celso Ramos.

“O início é a parte mais complicada, após os primeiros testes práticos na escola teremos um feedback do projeto e saberemos onde aprimorar. Com a parte técnica estruturada o trabalho tende a ficar mais rápido”, espera Éwerton  ressaltando que a partir de então o foco será na construção do enredo das próximas fases, até o conflito ser totalmente retratado no jogo.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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