Minha Crônica: “1461 dias”

Como diria o personagem Chicó (Selton Mello) em Auto da Compadecida, não sei, só sei que foi assim. Naquele dia eu andei pelas ruas, empoeiradas, asfaltadas, lajotadas, enfim, tomei a cidade para mim. Solitário, passeei por colégios eleitorais, encontrei amigos, discuti voto. Dever de cidadão feito, e até mais que isso, resolvi partir para a festa da vitória do candidato que escolhi em segundo turno. Diversão para o lobo solitário. Eis que Marina me liga, me chama para uma cerveja bem próximo ao Centro de Eventos Sítio Novo, em um posto de gasolina. Destino? Talvez. Estava há metros dali. Fui. Nos encontramos, ela e mais um monte de mulheres, grande festa, prévia do que viria depois.

Não demorou muito para que saíssemos dali para o Sítio Novo. Levei Marina comigo, e entramos conversando naquele lugar lotado de gente de vermelho, alegre, feliz pela vitória do futuro prefeito. Me senti feliz por estar ali, vivendo aquele fato histórico para minha cidade. Mal sabia que outro fato marcaria para sempre a minha vida. O teu olhar.

Anda para lá, para cá, abraça um, sorri com outro. Volto ao meio da turma de Marina. E encontro o teu olhar. Inesquecível. Fulminante. Certeiro. Luminoso. Paixão imediata. Sucumbi ao amor que estava em você. Meus olhos não largaram mais os teus. A cada movimento do teu corpo, dos teus cabelos compridos, mais me convencia que encontrara algo que procurei por uma vida inteira. O amor. Entre um gingado e outro das tuas belas curvas, o teu olhar esgueirado ao olhar para trás, me comovia.

Hoje já são 1461 dias daquele momento único. Porque viver é assim tão impreciso? E tão apaixonante, mesmo em tempos de borrascas, trovoadas e desgraças? Antes do encontro de nossos olhares, estivemos no mesmo lugar, na mesma mesa de Marina, e não te vi. Coisas desse mundo louco. E quem lê esta crônica há de pensar no depois desse momento, os abraços, o aconchego, o fazer amor… não, não, nada houve naquele dia.

Mas tudo aconteceu naquele dia. Porque ali marcou o nosso encontro – ou seria um reencontro após muitas vidas? – para sempre. A partir daquele dia, teu olhar não largou mais este homem ávido por um amor de verdade. Você, arisca, desconfiada, ainda atendeu meu telefonema na madrugada. E assim se fez.

Outro encontro, e um chamado de sogra abreviou momentos mais quentes. Que lamento! Troca de telefonemas, emails, até um dia dos mais tristes em minha vida, onde chorastes comigo a perda, o momento inicial de outras agruras. E você me ouviu. Ouviu o choro doído, a amargura, e ficou ali, do outro lado da linha, a me ouvir.

Você não precisava, não sabia, mal conhecia este jornalista escritor de coisas e histórias, e textos, e poesias e crônicas. Mas me deu teu tempo, e me falou coisas bonitas, acalmou meu coração. Mas a vida sempre apronta com a gente. E tudo se desfez logo à frente. Você para um lado, e para outro. Meses se passaram, mas pareciam anos para mim. Teu olhar, sempre ele, me faltava, a inanição da tua fala, tua palavra, tua presença, me faltavam e sofri.

Quando tudo parecia ser mais uma história passada, você reapareceu. Como no olhar, fulminante, você voltou e se atirou corajosa, tal qual o trapezista se larga no espaço vazio a espera dos outros braços que o acolham. Eu, escravo da tua luz, renasci como flores ao receber a chuva. De lá para cá superamos eu e você muitas dificuldades, maledicências, desconfianças, diferenças, tantas coisas! Mas você é o amor da minha vida, e já se passaram 1461 dias de amor, porque amar de verdade é assim.

É brigar, refazer, conversar, sentir, ouvir, ouvir, ouvir, desejar, enfrentar, superar, vencer, perder, viver… E contigo vivo minha Gi Rabello, feliz. Porque tua luz me ensina a perceber que a vida é muito mais. Porque eu sou um homem de sorte por ter você. Quero celebrar tuas vitórias até o último dia que o Criador me conceder, porque amo você, eternamente.

Hoje completam 1461 dias que teu olhar me arrebatou irremediavelmente. Que os dias se multipliquem para que possa te admirar e me apaixonar a cada momento dessa vida especial ao teu lado, minha eterna companheira. E como disse Chicó, não sei, só sei que foi assim, e você está aqui pertinho de mim.

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

4 comentários em “Minha Crônica: “1461 dias””

  1. Fabi, grande amiga e companheira de carreira, caminhadas e jornalismo, obrigado! Beijo procê também, que a vida sempre lhe sorria, muita luz, paz, saúde amor e sucesso amigona, valeu a participação aqui, é uma honra!!

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