Caso Busscar: Por quê o Sindicato orienta o “não” ao plano!

A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville e Região vem reiterar mais uma vez em nota oficial o seu posicionamento em relação ao voto na assembleia geral dos credores da Busscar, que acontece amanhã – 22 de maio – em primeira convocação.

Ciente dos seus deveres e responsabilidades na defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores que não recebem salários há 25 meses, não contando os décimos terceiros salários de 2009/2010 e 2011, férias, FGTS, INSS, a entidade sindical se posiciona pelo NÃO ao Plano apoiada por votações dos trabalhadores em três grandes reuniões e uma assembleia geral, e pelos seguintes fatos e fatores:

a) O Plano de Recuperação a ser votado é um arremedo de ideias frágeis, um ajuntamento de intenções sem qualquer base econômica sustentável, e que não dá garantias reais de pagamento dos créditos trabalhistas, inventando o pagamento de salários em debêntures, algo inexistente nas relações trabalhistas, e que inclusive, não tem qualquer valor devido a falta de garantias para sua emissão

b) Os trabalhadores não recebem salários há 25 meses, e isso é um afronta a CLT e até a Constituição Federal Brasileira que em seu artigo 7º. Inciso VI, declara que o salário é irredutível por se tratar de manutenção da vida, para comer, pagar suas contas, manter filhos na escola. A Busscar em nenhum momento se preocupou com os milhares de trabalhadores abandonados a sua própria sorte, e só paga a alguns privilegiados em forma de diárias. Portanto, ilegal e imoral a atitude da empresa

c) O não também é dado porque a empresa além de não pagar salários em atraso, coloca na proposta a redução dos créditos dos trabalhadores em até 37%, um absurdo após tantos meses de abandono, e ainda carência de seis meses para iniciar o pagamento, e parcelamento em mais 36 vezes! A lei de recuperação prevê o pagamento de salários atrasados em até 12 meses, ou seja, um ano.

d) O plano concede tratamento diferenciado aos trabalhadores, o que é vedado pela Lei, além de ser uma discriminação a quem já garantiu seus direitos por lei. Quem pode apoiar uma situação dessas, em que milhares não recebem nada há dois anos, enquanto alguns recebem para defender uma empresa que não respeita os trabalhadores e seus direitos?

e) O plano também autoriza a venda dos ativos – imóveis, Tecnofibras e outros – que hoje são a garantia real dos trabalhadores receberem o que a Busscar lhes deve, e ainda dá total liberdade para arrendamentos e outros contratos que seriam verdadeira “carta branca” para a venda sem qualquer garantia de pagamento dos trabalhadores. A invenção das debêntures, papel que não tem qualquer lastro de garantia devido a enorme dívida da Busscar, é uma tentativa de enganar os trabalhadores, e pior, os deixa sem garantias reais, e com um grande “mico” nas mãos.

f) Não há indicativo de entrada de novos sócios, investidores com real capacidade de reerguer a empresa com capital novo, e mais, com uma nova gestão moderna, capacitada e com responsabilidade social comprovada, fato não visto com esses gestores atuais

g) Mantendo o mesmo estilo de gestão do passado, a empresa não alcançará as margens planejadas, e consumirá o capital de giro eventualmente aportado ou obtido com as alienações; a situação ficará pior que está atualmente, pois não mais se terá os ativos para garantia do pagamento dos débitos;

h) Na realidade, serão os mesmos atores, no mesmo cenário, realizando as mesmas ações, bancados pelos credores, que ao final, além de não receberem seus créditos, estarão sem bens passíveis de garantí-los;

i) Por essas e tantas outras razões é que o Sindicato dos Mecânicos recomenda a todos os trabalhadores da Busscar para que votem não a esse Plano proposto, um NÃO para significar um novo começo para todos os trabalhadores e a sociedade com base em uma relação sólida, responsável, verdadeira e com dignidade a todos os trabalhadores.

Reiteramos com tudo isso que o Sindicato dos Mecânicos não deseja a falência, como alguns tentam falsamente espalhar para criar cizânia e confusão na sociedade e trabalhadores, mas sim o NÃO a esse Plano fraco, não a esses gestores que são intransigentes e insistem no erro, não ao descumprimento dos direitos básicos dos trabalhadores, previstos em lei, lei essa que foi e ainda está sendo burlada pela atual gestão da Busscar.

O Sindicato dos Mecânicos agradece de antemão a todos os veículos de comunicação regionais, estaduais e nacionais pelo apoio e atenção à comunicação da entidade em todos os momentos. Neste momento histórico em um caso único, o primeiro em Joinville (SC), que atinge milhares de trabalhadores e famílias, a responsabilidade da imprensa é gigante, e o equilíbrio é fundamental para a melhor informação para a sociedade.

Agradecimentos especiais e aplausos aos trabalhadores que compartilharam conosco até aqui das angústias, lutas e aflições neste caso, tanto no site, como pessoalmente, nas assembleias, inúmeras reuniões, nas manifestações em frente à empresa, quando alertávamos sobre a malandragem utilizada para enganar os trabalhadores, muitos que até os seguiram a Brasília, em passeatas que defendiam apenas os interesses dos acionistas, nunca dos trabalhadores.

Mais uma vez o nosso muito obrigado, e que Deus nos ilumine e encaminhe a melhor decisão na assembleia de credores desta terça-feira, dia 22 de maio, data histórica da luta dos trabalhadores joinvilenses e de Santa Catarina.

Sindicato dos Mecânicos

 

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

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