Voto feminino completa 80 anos!

A obrigatoriedade do voto feminino foi aparecer apenas em 1946. Hoje, as mulheres representam a maioria dos eleitores no país. E, pela primeira vez na história, o Brasil tem uma voz feminina na Presidência da República – Dilma Rousseff.

No entanto, a grande maioria dos cargos públicos eletivos ainda é ocupada por homens. A cidade de São Paulo, por exemplo, teve apenas duas mulheres em seu comando, dentre 60 prefeitos.

Sabemos que hoje em dia no Brasil, o direito ao voto é assegurado a todos os cidadãos maiores de 18 anos e facultativo aos jovens de 16 e 17 anos de idade e aos idosos maiores de 70 anos. Mas nem sempre foi assim. Ao nos tornamos independentes, em 1822, votar não era para qualquer pessoa. Só votavam os homens ricos e brancos. Os negros eram escravizados e os pobres não tinham direito ao voto.

As mulheres sempre tiveram que lutar pelos direitos. O país que primeiro deu o direito do voto às mulheres foi a Nova Zelândia, no ano de 1893. No Brasil, as mulheres conquistaram o direito de expressar sua cidadania, porém com algumas restrições. Esse direito foi obtido por meio do Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro de 1932. Mesmo assim, a conquista não foi completa. O código permitia apenas que mulheres casadas e com autorização do marido, viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar.

As restrições ao pleno exercício do voto feminino só foram eliminadas no Código Eleitoral de 1934. No entanto, o código não tornava obrigatório o voto feminino. Apenas o masculino. O voto feminino, sem restrições, só passou a ser obrigatório em 1946.

O direito ao voto feminino começou pelo Estado do Rio Grande do Norte. Em 1927, se tornou o primeiro do país a permitir que as mulheres votassem nas eleições. Naquele mesmo ano, a professora Celina Guimarães, de Mossoró-RN se tornou a primeira brasileira a fazer o alistamento eleitoral.

Para a secretária da Mulher da CNM/CUT, Marli Melo do Nascimento, as conquistas do coletivo feminino só acontecem com  persistência e luta constantes. “O impacto proporcionado pela ação política do movimento feminista é responsável pela gradativa mudança de mentalidade, que vem acontecendo na sociedade. O voto feminino é resultado da luta contínua do movimento de mulheres. A história a cada dia desvenda a importância da participação das mulheres e de sua ação política nos processos revolucionários. A atuação das companheiras metalúrgicas é um exemplo de garra e mobilização para ir adiante e conquistar mais espaços,” afirma Marli

Paulo Cayres, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT fala sobre essa conquista do direito ao voto feminino que hoje, 24, completa 80 anos. “Essa data é um marco histórico para as mulheres na luta pela igualdade de direitos. Foi a primeira conquista, fruto da luta das companheiras pela busca incessante da valorização na participação das mulheres na sociedade. Nessas oito décadas muitos avanços já foram conquistados pelas mulheres, mas ainda há um caminho a seguir em busca da igualdade de direitos” Paulo Cayres.

Da CNM/CUT

Salvador Neto

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, coach e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC.Tem mais de 25 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. No voluntariado, foi diretor voluntário da APAE em Joinville (SC).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.