LHS e a sede pelo poder local e regional

Será que a sede nunca irá acabar?

Tenho acompanhado pelos jornais a nova investida do ex-prefeito, ex-deputado federal, ex-governador e atual senador, Luiz Henrique da Silveira, pela reedição da tal “poliaaliança” que englobaria o PSD, PSDB, o seu PMDB, DEM e outros menores. É interessante notar que LHS não quer ser um ex na política, de forma alguma. Tinha gente que dizia que ao subir ao Senado Federal, ele iria calçar os chinelinhos e o pijama, e nunca mais se intrometeria na política local. Ledo engano.

A sede de poder de LHS o faz retirar e colocar peões no xadrez político. Insaciável em fazer valer seus objetivos, ele chegou até a se aliar com a família Bornhausen, a oligarquia expressa em um sobrenome. Isso era inimaginável há alguns anos. Hoje, ele e Bornhausen se reúnem para discutir o que é “melhor para Santa Catarina”. Pode? Mais que isso, nos jornais de hoje está uma novidade: LHS não se opõe a entrada no Governo Estadual do partido que mais lhe atacou enquanto governador, e até como prefeito,o PP de Esperidião e Angela Amin.

Como um exímio orquestrador, de uma só tacada quer resolver via eleições municipais também as eleições estaduais de 2014! O homem não é fácil! Em Joinville, com um discurso do tipo “o povo não quer político, quer um gestor”, ele tenta empurrar goela abaixo dos eleitores, e também de partidários e aliados, o nome do empresário do ramo têxtil, Udo Dohler, para a Prefeitura nas disputas de outubro próximo. E já empareda os deputados Darci de Matos e Kennedy Nunes – esse que se bandeou do PP para ser candidato no PSD – para que aceitem abdicar das candidaturas em favor de Udo. Sem contar o jogo com Tebaldi, se sai ou não sai da pasta da educação. O xadrez de LHS é jogo para doutores!

Já o prefeito Carlito Merss prepara a tentativa de reeleição seguindo a receita de vários partidos juntos – fruto da engenharia de LHS que o derrotou em outras eleições – para continuar seu projeto de governo. Com alguma reação no segundo semestre de 2011, Carlito ensaia uma reação com novas obras, e não parece se intimidar com a orquestração de LHS. Mas é preciso que ele faça seu secretariado trabalhar mais. Afinal, há coisas que um Prefeito não precisa, e nem deveria se preocupar, como os buracos das ruas ou obras que não andam. Secretários existem para isso, colocar a máquina para andar. Quem sabe ainda dá tempo.

O fato, voltando a LHS, é que o senador quer mostrar que manda em Joinville ainda. Que sua voz é aceita sem questionamentos, e suas ordens para que a cidade vá para lá ou para cá  ainda podem ser acatadas sem a menor contestação. Será que a cidade ainda aceita que lhe imponham caprichos de apenas um líder? Desde o final da década de 1960 na política pelas mãos do falecido governador e ex-prefeito joinvilense Pedro Ivo Campos, LHS sofre de uma secura enorme pelo poder na maior cidade catarinense. Será que vai continuar a matar a sua sede tão facilmente, ou Joinville vai se mostrar emancipada? A conferir em outubro próximo.

 

Autor: Salvador Neto

Jornalista, escritor, e consultor. Editor do Palavra Livre, apresentou o programa de entrevistas Xeque Mate na TV Babitonga Canal 9 da NET entre 2012/2014 e vários programas de rádio em SC. Tem mais de 30 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011) e Gente Nossa (2014). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde é membro fundador e foi diretor de comunicação. Como freelance, escreve para vários veículos de comunicação do país.

Um comentário em “LHS e a sede pelo poder local e regional”

  1. pois quando ele fala que jlle precisa de um “choque de gestão” – algumas vezes tão propagada na mídia, pois segundo o “Aurélio”, tem o significado de luta, embate, conflito, oposição, parece que é o modus operandus dele. Ele deveria ter se preocupado com os seus 8 anos de gestão estadual, o qual o magistério quase sucumbiu e a área da assistencia social idem. Qualquer dúvida é só perguntar para os funcionários públicos estaduais dessas áreas. Muita mídia e pouca ação de políticas públicas, e certamente tornou este estado mais pequeno.

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